Nadal coloca ordem na casa
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2019 às 21:46

Ninguém em sã consciência poderia retirar Rafael Nadal da lista de máximos favoritos ao título de Roland Garros, a menos que ele estivesse sem condição física, como aconteceu raras vezes nos últimos 14 anos. Mas a conquista deste domingo no Foro Itálico, além do evidente alívio para o espanhol, serviu para recolocar ordem na casa. O ‘rei do saibro’ voltará a Paris, dentro de uma semana, revigorado e cheio de confiança. Cuidado com ele.

É legítimo dizer que ainda falta um pouco mais para Nadal atingir aquela áurea de imbatível que tinha antes sobre a quadra de terra. Sofreu três derrotas nas últimas semanas porque, antes de tudo, não tomou iniciativa. E foi essa mudança de postura que lhe rendeu duas atuações muito mais animadoras em Roma, tanto na semi contra Stefanos Tsitsipas como na final diante de Novak Djokovic.

Desde o primeiro game, Rafa se plantou a no máximo dois passos da linha de base – chegou várias vezes a jogar dentro da quadra -, o que mudou completamente o ritmo com que suas bolas chegaram aos adversários. Também usou a paralela de forehand tanto no contragolpe como nas mudanças de direção. Chegou a ganhar um ponto de Nole com três paralelas sucessivas, o que é algo bem difícil.

Atuação perfeita? Muito boa, mas não perfeita. Quando Djokovic se estabilizou, o espanhol recuou lá no juiz de linha para devolver saque e talvez por isso tenha deixado escapar o 0-40 do sexto game do segundo set, que teria abreviado a partida. Pior ainda, deixou os nervos outra vez aflorarem quando sacou com 4/5 e tinha de defender o placar do segundo set.

Depois, teve o mérito de manter o padrão ofensivo. Voltou a deslocar o sérvio para os lados e não abriu novas frestas. Dentro desse estilo, fechou a 26ª vitória no histórico de 54 confrontos com o total de 31 winners (Djokovic anotou 33, mas com sete aces) e errou até bem pouco (17 a 39). Das 31 trocas mais longas, só perdeu oito.

É preciso ainda colocar na balança que Nole jogou abaixo do seu padrão da semana, com erros bisonhos de smashes, curtinhas, voleios e acima de tudo nos golpes de base, sem falar no cena nada agradável de destruir raquete. Com certeza, o desgaste dos duelos contra os argentinos afetou, principalmente no passivo primeiro set. Ainda assim, ele admite ter visto um Nadal muito forte e reconhece que o espanhol chegará a Roland Garros como o homem a ser batido. O que, afinal das contas, me parece bem conveniente para o sérvio.

Pliskova também sonha
A final feminina foi bem fora do padrão do saibro lento europeu. Duas tenistas que usam bem menos top spin, jogam muito perto da linha de base, forçam saque e querem sempre atacar primeiro. Nesse conjunto, Karolina Pliskova mostrou mais confiança e fez uma exibição muito firme do começo ao fim diante de Johanna Konta, que voltou a exibir um tênis competitivo.

A tcheca revelou que nem ela própria acreditava que iria tão longe em Roma, depois de semanas fracas no saibro europeu. E agora número 2 do mundo, o que lhe garante a extremidade inferior da chave de Roland Garros, ela se permite sonhar com outra grande performance no Grand Slam francês, onde foi semifinalista dois anos atrás.

Ao contrário da chave masculina, o título das meninas parece muito mais aberto. Simona Halep, Petra Kvitova, Kiki Bertens, Sloane Stephens, Elina Svitolina. E também Naomi Osaka e até Serena Williams, se conseguirem recuperar o físico.

Nole ou Rafa: quem leva Roma? Dê seu palpite.
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2019 às 19:49

ArquivoExibirPela 54ª vez, o sérvio Novak Djokovic e o espanhol Rafael Nadal estarão frente a frente, no duelo mais repetido do tênis profissional. Em finais gerais, sérvio lidera por 15 a 10 e na quadra de saibro, Rafa atinge 16 a 7, mas desde 2011, quando enfim Nole o ganhou na terra pela primeira vez, existe um empate por 7.

Momento para mais um desafio do Blog, valendo excelente prêmio: a imperdível biografia de Djokovic, grande sucesso da Editora Évora.

Indique vencedor, placar e duração da partida, conforme modelo abaixo.

Claro que vale primeiro o vencedor; entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento do jogo; em caso de novo empate, a duração da partida. Por fim, persistindo a igualdade, leva quem postou primeiro.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre esse duelo ou outros jogos da Austrália, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque, por volta de 11h05 deste domingo. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites na área pública do Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Djokovic vence Nadal, 2 sets a 1, parciais de 6/4, 5/7 e 7/5, após 2h45

Boa sorte!

Vamos todos à avant-première
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2019 às 18:50

Com sete dias de atraso, Novak Djokovic e Rafael Nadal farão uma significativa avant-première do que se espera para Roland Garros dentro de quatro semanas. O Foro Itálico terá o privilégio de assistir ao 54º capítulo do duelo mais repetido da história do tênis profissional, com pequena vantagem geral do sérvio por 28 a 25, sendo 2 a 2 desde 2016 mas duas seguidas de Nole, incluindo a devastadora final de janeiro no Australian Open.

Os argentinos exigiram o máximo de Djoko. Depois das 3h01 impostas por Juan Martin del Potro, com direito a dois match-points, o baixinho Diego Schwartzman batalhou incansavelmente por 2h30, roubou um tiebreak e obrigou o número 1 a forçar seus golpes do começo ao fim. O que Nole fez com a habitual competência.

Com exceção a algumas deixadinhas, que nem ousou ir, e uma ou outra rebatida em que não estava na posição adequada, Djokovic espanta pela capacidade atlética. O único sinal de alguma limitação veio lá nos primeiros games, em que claramente não forçava o saque. Fora isso, disparou golpes profundos e alternados o tempo todo, chegou em bolas de grande dificuldade e, mesmo na perda dos dois serviços no segundo set, jamais deixou de tomar a iniciativa.

Nadal certamente fez sua melhor exibição sobre o saibro europeu nesta temporada, porque Stefanos Tsitsipas não jogou mal, mas o espanhol sim que adotou uma postura bem mais ofensiva. Logo de início, mostrou acertada opção pelo forehand na paralela, golpe com o qual não apenas fez winners espetaculares como também pegou o grego fora de posição.

Como fizera em Madri, Stef se manteve firme nas trocas de bola, embora desta vez o backhand tenha falhado bem mais e isso dificultou sua sonhada aproximação equilibrada à rede. Quando jogou com o segundo saque, foi colocado na defesa e na correria. Os números explicam com clareza a nova postura de Nadal: 21 winners (sendo 16 de forehand) contra 17 e bem menos erros (17 a 27). Outra postura importante foi a transição à rede: 12 tentativas e 10 pontos.

O canhoto espanhol enfim superou a barreira da semifinal e agora terá oportunidade de um incrível nono troféu em Roma, 14 temporadas depois do primeiro, o que seria ainda mais espetacular em cima de Djokovic. Não poderia haver forma melhor para chegar a Paris com a confiança no topo. Será preciso no entanto dominar os nervos, manter esse padrão ofensivo, usar novamente o forehand na paralela e evitar jogar muito com o segundo serviço. Nada simples.

A chance de Pliskova
Se a chave masculina vive sua ‘final dos sonhos’, o Premier terá uma decisão totalmente fora dos prognósticos entre a tcheca Karolina Pliskova e a britânica Johanna Konta.

Pliskova vinha de atuações discretas no saibro europeu, piso sobre o qual tem dois títulos de seus 11. Se mantiver o favoritismo – venceu 5 de 6 duelos frente a Konta – aparecerá no terceiro lugar do ranking e será a mais bem pontuada de toda a temporada.

Do outro lado da rede, estará uma tenista que não vence um torneio há mais de dois anos – entrou num momento de declínio depois de chegar ao top 10 – mas tem feito um bela semana. Tirou Venus Williams, Sloane Stephens e agora obteve vitória de virada sobre Kiki Bertens, interrompendo o notável momento da holandesa que vinha da semi em Stuttgart e do título de Madri.