Djokovic completa a tarefa de Hércules
Por José Nilton Dalcim
13 de junho de 2021 às 19:50

O adversário era grego, mas os deuses do Olimpo permitiram que a justiça fosse cumprida. O homem que derrotou o rei supremo do saibro Rafael Nadal num jogo de tirar o fôlego jamais poderia sair deste domingo sem o título de Roland Garros. Houve o toque dramático a gosto de Zeus, mas os dois sets brilhantemente vencidos por Stefafos Tsisipas apenas aumentaram o tamanho da conquista de Novak Djokovic.

Pela segunda vez em seis dias, Nole virou um jogo em que saiu dois sets atrás frente a garotos talentosos e no curto espaço de três dias lutou mais de 4 horas diante do dois top 5 de vitalidade privilegiada. Nesta reta final de campeonato, foi obrigado a jogar 18 sets e barrou três dos 10 melhores do mundo. Acima de tudo, sejamos bem honestos, um jogador de saibro com as qualidades técnicas, físicas e psicológicas de Djokovic merecia muito mais do que um título em Roland Garros. E para ser sincero, ainda acho que dois troféus são pouco.

Djoko foi colocado à prova neste torneio vindo de uma temporada de saibro relativamente fraca para seu poderio. Perder de Daniel Evans ou Aslam Karatsev estava fora da lógica. Sofreu em Roma para ganhar do próprio Stef e fez uma final equilibrada diante de Nadal, sem conseguir interromper a série de derrotas. Havia muitas questões a ser resolvidas e duvido que não tenha passado por sua cabeça a decepção de 2015 ou principalmente a atuação desastrosa da final de 2020. Era hora de ele responder. E o fez.

Aos 34 anos e com longa permanência na liderança do ranking, nada indica que a vontade de vencer de Djokovic tenha diminuído. Muito pelo contrário, ele se alimenta do desejo por recordes, da meta de ser o maior de todos os tempos. Deu um passo enorme neste Roland Garros para isso porque, apesar do crescimento inexorável da nova geração e da capacidade inconteste dos outros Big 3, continua a jogar o melhor entre todos e em qualquer aspecto que se olhe o tênis moderno.

O ‘Goat’ é uma mera questão de tempo.

Uma final, dois jogos
A bem da verdade, temos de dividir a partida em dois pedaços bem distintos.

O primeiro set foi o melhor desta final, equilibrado o tempo todo, com alternâncias nas oportunidades. O grego conseguiu competir igualmente lá no fundo de quadra e repetia muito o que fez em Roma, quando era consistente com o backhand, aproveitava as chances de agredir com o forehand e o saque simplificava pontos importantes. Djokovic sacou incrivelmente bem, passou 13 pontos sem perder, mas quase o set escapou no 5/4. Em seguida, obteve a quebra e deveria ter fechado por 7/5, porém pela primeira vez sacou muito abaixo e Tsitsipas foi feliz nas devoluções. Veio o tiebreak e as chances se dividiram. Stef abriu 4-0, Nole virou e teve set-point que o grego evitou por milagre. Ai jogou muito e saiu na frente. O segundo set foi decepcionante. Djokovic perdeu totalmente a intensidade, se mostrava sem energia. Assim, apressava tudo e errava demais. Era um domínio inesperado do grego.

Aì vem o segundo capítulo. Ao voltar do vestiário,. Djokovic já era outro. O longo terceiro game foi o divisor de águas. Devoluções perfeitas pressionavam, mas Tsitsipas escapava da quebra com bolas de alto risco. Até que não aguentou mais. O sérvio ganhou o ânimo que precisava e pouco a pouco a partida mudou da água para o vinho. O quarto set repetiu o script e aí o destaque era a queda no número de erros do sérvio, ainda que ele continuasse a impor ritmo pesado. O grego pediu assistência para a lombar antes do quinto set, porém ainda assim voltou a perder o saque muito cedo e tudo que fez foi correr atrás e ainda evitar uma nova e desastrosa quebra no sétimo game. Assim como nos dois sets anteriores, jamais ameaçou o serviço sérvio. Obteve aliás um único ‘iguais’ já no game derradeiro, após salvar o primeiro match-point com backhand paralelo magistral.

A estatística individualizada nos dá uma visão magnífica. Nos dois primeiro sets, Djokovic teve média de acerto do primeiro saque de 66%, vencendo 71% deles. Anotou 21 winners mas 31 erros, tendo conseguido devolver apenas 14% do primeiro saque adversário. E nos três seguintes? Média de acerto do primeiro saque subiu para 70% (sendo 74% nos dois sets finais), dos quais ganhou notáveis 79% dos lances (e 85% nos dois sets finais). O saldo de winners-erros saltou para 35-19 (com meros 4 falhas no terceiro set) e por fim manteve 35% de pontos na eficiência da devolução do primeiro saque. Então não há o que contestar sobre quem mereceu a vitória.

O grego não precisa ficar cabisbaixo, apesar de obviamente a frustração da virada seja inevitável e justa. Fez um primeiro set do mais alto nível e talvez tenha acreditado que o jogo poderia acabar logo quando viu o Djokovic fragilizado do segundo set. Se ocorreu, é um erro a se corrigir e uma experiência a se guardar. No mais, lutou como pôde e acreditou até o fim, que são características essenciais no saibro e entre os grandes campeões. A meu ver, subiu ainda mais no conceito de que é o grande nome da nova geração e o mais indicado sucessor dos Big 3 à medida que eles declinem. Estou curioso para ver o que pode fazer na grama com os vários recursos que possui.

Análise: como Djokovic virou em cima de Tsitsipas
Por José Nilton Dalcim
13 de junho de 2021 às 10:04

Mais quatro horas de intensa batalha, segunda grande virada no torneio saindo de dois sets atrás. O título não poderia ficar em outras mãos. Afinal, conquista o bi em Roland Garros depois de destronar Nadal e gruda na tabela dos Grand Slam. Agora é o número 1 também no ranking da temporada.
Quinto set
6-4 –
Ao menos sobrou emoção no game final, em que os dois jogaram claramente tensos e Djokovic mostrou por que é um tenista muito difícil de ser bater em cinco sets.
5-4 –
Faltou pouco para Tsitsipas entregar o jogo já no seu saque, mostrando insegurança. Acabou arrancando uma notável paralela de backhand e passou agora a obrigação de vitória ao adversário. Vamos ver se Djoko arrisca agora o saque ou vai tentar entrar em todos os pontos.
4-3 –
A falta de confiança do grego ficou patente com a pressa em definir os pontos, mas a partir do 15-40 ele colocou a cabeça no lugar e encarou as trocas. Mas jogar tanto tempo com o segundo saque é muito cansativo para ele.
4-2 –
Djokovic cedeu primeiro ponto, mas em seguida jogou muito firme. As bolas longas estão dificultando demais a tarefa do grego e o backhand ficou defensivo.
3-1 –
Sem susto, Djokovic confirma a quebra e a pressão certamente cresce em cima do grego. Fecha o game com seu quinto ace da partida.
2-1 –
Grego sacou 20 vezes o primeiro saque neste começo de quinto set e acertou oito. Contra a melhor devolução do tênis, é pedir para ser quebrado. Ainda teve chance de sobreviver num longo terceiro game, mas sérvio foi consistente na hora certa.
0-1 –
Tsitsipas conseguiu sacar melhor e trabalhou bem os contrapés, incluindo o break-point que precisou salvar. Foi apertado e ele conseguiu arriscar na hora certa. Talvez ajude na parte emocional.
Quarto set

Mais um set inteiramente dominado pelo número 1, que não teve mais o saque ameaçado e sempre deu trabalho com devoluções profundas. A ideia de forçar o jogo deu resultado, com o dobro de winners (14 a 7) e apenas três pontos perdidos com o serviço a favor.
6-2 –
Djokovic completa a tarefa e empurra decisão para onde físico e experiência contam demais. Não à toa. ele é o tenista que mais venceu jogos no quinto set em Slam. Restará ao grego voltar ao padrão lá do primeiro set.
5-2 –
Mesmo sob pressão, grego confirma mais um serviço, mas parece incapaz de devolver com a qualidade necessária para evitar o quinto set.
4-1 –
Com bolas longas e profundas, sérvio não deixa grego respirar. Tsitsipas ao menos saiu do zero com bons serviços.
3-0 –
Djokovic quebra de novo, agora esbanjando energia, e o quinto set parece certo. Grego perdeu confiança, precisão e paciência.
1-0 –
E para piorar a situação do grego, ele começa o quarto set com uma sucessão de erros não forçados, que permitem quebra para Djokovic.
Terceiro set
Djokovic voltou do vestiário mais firme, como havia acontecido no jogo contra Lorenzo Musetti. E conseguiu a quebra essencial num quarto game longo e mentalmente exigente. Daí em diante sustentou a vantagem encarando momentos apertados, mas sempre achou a bola certa. Os erros desabaram para 4 (contra 11), ainda que os winners tenham sido inferiores (11 a 17). Grego volta do vestiário e pede atendimento para lombar.
6-3 –
Outra vez o game ficou perigoso após dupla falta, mas o sérvio disparou forehand notável na cruzada e confirmou o terceiro set. Parece muito mais animado.
5-2 –
Sérvio passa por game de final tenso, já que sacou com 30-30. Tirou uma curtinha da cartola e fechou com um forehand cruzado na linha. Vai poder jogar solto na devolução agora.
4-2 –
Djokovic confirmou a quebra, algo essencial para retomar de vez sua confiança, e grego cometeu duas duplas faltas antes de enfim marcar o segundo game no set.
3-1 –
No game mais longo da partida, com mais de 11 minutos, Djokovic lutou muito e precisou de cinco break-points para iniciar reação na partida. Grego foi corajoso, salvou-se com três winners, mas o primeiro saque não funcionou.
1-1 –
Djokovic voltou bem, com menor margem de erro. Tentou pressionar o saque do adversário, mas de novo o grego reagiu com frieza.
Segundo set

Sérvio jogou mal o game inicial do segundo set e isso foi essencial para dar mais confiança ao grego. Número 1 passou então a arriscar além da conta. Fez algumas ótimas jogadas, mas não fez o grego jogar, que ainda parece ser o melhor caminho. A sensação é que faltou energia e o final do set mostrou um Djokovic fragilizado. Além de sacar bem, grego ainda fez muito menos erros (2 a 10) e liderou nos winners (9 a 6).
2-6 –
Djoko arriscou tudo nas devoluções, acertou a primeira mas falhou em todas as demais e mal esboçou reação no set-point. Vai imediatamente ao vestiário.
2-5 –
Espero estar enganado, mas Djokovic perdeu demais intensidade e a postura de risco – incluindo exageros nas deixadas, o que indica desejo de encurtar pontos – pode ser um perigoso sinal de estafa física ou mental.
2-4 –
Neste set, Tsitsipas só perdeu 2 dos 12 pontos em que acertou o primeiro serviço e esse deve ser o crucial para que ele sustente a quebra.
1-3 –
Djokovic parece ter adotado uma postura mais agressiva e isso lhe custou erros. Cabeça do grego continua firme.
0-2 –
Grego sofreu com as devoluções bem feitas, mas conseguiu confirmar a quebra. Lob foi grande lance de Djokovic, que aposta nas curtinhas ainda mais.
0-1 –
Outro game ruim de serviço de Djokovic, talvez ainda com a cabeça nas chances perdidas no set anterior.
Primeiro set

Um ótimo primeiro set, sem que os dois tenham mostrado nervosismo exagerado. Jogaram de forma ofensiva. Djokovic sacou muito bem até a reta final do set, mas falhou justamente na hora de fechar. Grego teve set-point na devolução com 4/5, segurou a cabeça no tiebreak e continua firme na postura ofensiva. Fez 18 winners, sendo 7 aces. Curiosamente, ganhou o set com apenas 62% de pontos vencidos quando acertou o primeiro saque.
6-7 –
Tiebreak cheio de emoções. Djokovic começou mal com dupla falta, reagiu muito bem arriscando voleios. Grego salvou set-point de forma incrível, puro reflexo num forehand milimétrico. Aí sacou bem e foi firme na troca. Grego não perdeu tiebreaks neste torneio, Djoko perde o quarto em cinco jogados.
6-6 –
Djokovic joga seu pior game na partida na hora de fechar. Não sacou bem e deixou Tsitsipas iniciar os pontos de forma agressiva, com bolas profundas. Vamos ao tiebreak, que é justo pelo equilíbrio do set. Grego ganhou seus três tiebreaks no torneio.
6-5 –
Sem o primeiro saque, Tsitsipas entrou na correria e aí o sérvio é muito mais sólido. Balançou o adversário o tempo todo e consegue quebra essencial.
5-5 –
Djokovic passa primeiro susto e salva set-point, tendo jogado com cautela e dado pequena sorte ao obter uma cruzada que saiu baixa e lenta demais. Faltou ao grego coragem para arriscar, mas é admissível pelo tamanho da pressão.
5-4 –
Grande game do grego com o serviço. Manteve-se agressivo e de novo chegou muito bem numa curtinha cruzada. Grego já tem 15 winners no jogo.
4-4 –
Depois de vencer todos os 13 pontos de saque, sérvio cometeu dois erros de forehand e o grego conseguiu marcar como devolvedor. Mas ainda assim game foi tranquilo.
4-3 –
Desta vez Tsitsipas chegou bem na curtinha e cruzou bem angulado, o que levou Djokovic a correr, travar pé direito e ir ao chão, em lance preocupante. Felizmente, nada aconteceu e grego cravou outro ótimo primeiro serviço.



3-3 –
Tsitsipas saiu de perigosos 30-30 com ótimo saque, mas de novo nada conseguiu fazer na devolução diante de um sérvio muito firme e de novo usando curta esperta.
2-2 –
Mais uma ótima passagem de Djokovic pelo serviço, desta vez já usando mais variações. Fechou com perfeito drop shot. Grego foi ofensivo no terceiro game, mas na devolução ficou sem ação.
1-1 –
Djokovic gastou muito menos tempo para fechar seu primeiro serviço apostando nas cruzadas de forehand.
0-1 – Longo primeiro game, em que os dois alternaram erros e acertos. Na hora da pressão para manter o saque, grego arrancou um ace cruzado. Fez outros dois e enfim fechou game de oito minutos.

O grande dia chegou para Novak Djokovic e Stefanos Tsitsipas. O sérvio tem sua maior chance de enfim se tornar o primeiro profissional a somar ao menos dois troféus em cada Grand Slam e de quebra pode chegar ao 19º troféu desse porte e grudar de vez em Rafael Nadal e Roger Federer. O grego por sua vez pode confirmar a expectativa de maior nome da nova geração e, logo em sua primeira final de Slam, tenta levar um título inédito para seu país em cima do número 1 do mundo.

O favoritismo é claro fica todo com Djokovic. Não apenas porque vem da vitória espetacular sobre Nadal, mas também porque tem um currículo muito superior – já é sua 29ª final de Slam – e ainda leva vantagens no confronto direto geral, por 5 a 2, e sobre o saibro, com 3 a 0. Os dois fizeram grande duelo nas quartas de Roma quatro semanas atrás, onde o grego se mostrou muito sólido e chegou a sacar para a vitória.

O que esperar da final de Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
12 de junho de 2021 às 18:13

Depois de duas semifinais muito bem disputadas e principalmente da épica vitória de Novak Djokovic sobre Rafael Nadal de virada, Roland Garros decide às 10 horas deste domingo o título masculino num típico duelo de gerações. A distância entre os dois finalistas é enorme e todos os números pendem para o multicampeão, que busca mais uma lista espetacular de feitos históricos. O quanto o debutante Stefanos Tsitsipas poderá ser competitivo é a principal dúvida.

Separados por 11 anos e 82 dias, será a sexta final de maior distância de idade da Era Profissional. Enquanto Nole fará sua 29ª tentativa de troféu – cada vez mais perto do recordista Roger Federer, que soma 31 -, o grego enfim supera a barreira da semi, e vimos como foi nervoso o jogo contra Alexander Zverev. Os dois já se cruzaram sete vezes, com cinco vitórias de Nole, incluindo todas as três sobre o saibro, entre elas a bela semi do ano passado de cinco sets, em que o grego segurou bem até levar um 6/1 definitivo.

Não se pode achar que Tsitsipas é um tenista inexperiente. Ele já ganhou três de seus seis confrontos diante de top 5 em torneios de Grand Slam e derrotou dois vice-líderes, Nadal e Daniil Medvedev. Também bateu o próprio Djokovic enquanto já líder do ranking, no piso rápido de Xangai. Mas é claro que há ainda um abismo para as estatísticas do poderoso adversário. Nole tem 33 vitórias em 54 duelos diante de top 5 em Slam e saldo positivo na carreira em geral de 104 a 70.

O aspecto técnico e tático no entanto pesam mais que a fria estatística. Vimos quatro semanas atrás que Tsitsipas conseguiu equilibrar a batalha num saibro pesado e exigiu muito de Djokovic em Roma, onde venceu o set inicial por 6/4 e cedeu os dois seguintes por 7/5, tendo real chance de vitória. Na ocasião, Djokovic diria que foi sua maior exibição da temporada e eu próprio incluiria que houvera sido a partida de melhor nível técnico de 2021. E tomara que isso se repita neste domingo.

Tsitsipas sustentou então trocas duríssimas, arriscou backhands e usou o máximo de seu forehand para tentar barrar o extraordinário poder defensivo do sérvio, que por seu lado fazia as conhecidas devoluções impecáveis e não economizava na agressividade. O terceiro set aliás foi de uma riqueza ímpar, ambos buscando surpreender com deixadas ou voleios. Para quem não se lembra, o grego chegou a sacar para a vitória, mas recebeu respostas de saque milimétricas.

Como é óbvio, Djokovic me parece confiante para manter esse altíssimo padrão, mas e o grego? Conseguirá dominar os nervos e conter a ansiedade? Para mim, será a questão essencial. Na soma de todas as variantes, acredito que Djoko entre em quadra com 70% de favoritismo. E seu maior risco é justamente esse: engolir a euforia da sexta-feira e jamais achar que já ganhou o título. Experiência para isso ele tem de sobra.

Comparações
– Djokovic luta também pelo 84º título da carreira e o grego, pelo oitavo. Nesta temporada, cada um venceu dois.
– O campeão fatura 1,4 milhão de euros. O sérvio é o recordista, com US$ 148 milhões na carreira, grego embolsou 10% disso.
– Nole já tem 309 vitórias em Slam contra 31 do grego, sendo 80 a 15 em Roland Garros e 243 a 61 no saibro.
– Tsitsipas tenta 40º triunfo da temporada em 48 jogos, Nole tem 26 em 29.
– Grego se saiu bem nos tiebreaks em 2021, com 9 positivos em 14, enquanto Djokovic está com 50% (7-7).
– No geral, Djokovic ganhou 34 jogos que foram ao quinto set (31 em Slam). O grego tem apertados 5-4.

Mais façanhas
Djokovic concorre também a:
– Primeiro profissional e terceiro na história a vencer ao menos duas vezes cada Grand Slam (Rod Laver e Roy Emerson o fizeram na fase amadora)
– Será oitavo tenista na Era Aberta a ter ao menos dois títulos em Roland Garros.
– Campeão em 2016, terá a maior distância entre primeiro e segundo troféus no torneio na Era Aberta.
– Terceiro na história a ganhar por mais de uma vez a Austrália e Roland Garros na mesma temporada (Laver e Emerson também foram os outros)
– Aos 34 anos e 22 dias, será o terceiro mais velho a ganhar Paris na Era Aberta, atrás de Andrés Gimeno e Rafael Nadal
– Será o tenista com mais de 30 anos com mais troféus de Slam, desempatando com Nadal

Tsitsipas pode ser:
– Primeiro grego em todos os tempos a vencer um Slam
– Será o 56º diferente campeão de Slam da Era Aberta e 151º desde 1877.
– Assumirá o terceiro posto do ranking, ultrapassando Nadal (já garantiu o quarto posto com a final).
– Será o nono tenista da Era Aberta a derrotar os cabeças 1 e 2 e vencer um Slam e o quarto em Roland Garros. O mais recente foi Wawrinka, em 2015.
– Aos 22 anos e 305 dias, será o mais jovem campeão de Paris desde Nadal em 2008 e mais jovem em Slam desde Juan Martin del Potro no US Open de 2009.
– Primeiro a ganhar um Slam logo em sua primeira final desde Marin Cilic no US Open de 2014

Krejcikova resgata o tênis tcheco
Numa final muito tensa como era previsível, Barbora Krejcikova recolocou o tênis tcheco no topo em Roland Garros ao se tornar a segunda tenista de seu país a conquistar o torneio, exatos 40 anos depois de Hana Mandlikova (quando Martina Navratilova venceu em Paris, ela já jogava pelos EUA).

Se não mostrou seu melhor tênis neste sábado contra uma instável Anastasia Pavlyuchenkova, ao menos Krejcikova esbanjou simpatia. Não economizou palavras na longa cerimônia, lembrou histórias divertidas sobre sua heroína Justine Henin e rendeu homenagens à compatriota Jana Novotna, já falecida, que tanto a ajudou a deslanchar na carreira.

Dona de um estilo variado, em que tanto pode disparar um winner como dar um balão nas alturas, Krejcikova será a número 15 do mundo na segunda-feira e isso a colocará entre as cabeças de Wimbledon, um lugar que também combina com sua facilidade junto à rede. Não por acaso, neste domingo ela e a parceria Katerina Siniakova buscarão o bi em Paris e o terceiro troféu Slam, o que poderá recolocar Barbora na liderança do ranking. A última tenista a ganhar os dois troféus numa mesma edição de Paris foi Mary Pierce, em 2000.

Com mínimo sucesso em simples, o tênis francês também comemorou o título de duplas, outra vez com os brilhantes Nicolas Mahut e Pierre Herbert, numa virada notável, e levou o juvenil masculino, em que duas promessas decidiram: Luca van Assche venceu Arthur Fils, de apenas 16 anos.