Os grandes que não venceram Slam
Por José Nilton Dalcim
28 de junho de 2020 às 20:06

Embora não seja lista inédita, atendi às sugestões de vários integrantes do Blog e estabeleci uma relação dos melhores jogadores, homens e mulheres, que jamais venceram um Grand Slam. Alguns aliás ainda estão em quadra.

Mas para inovar, decidi fazer duas listas diferentes: uma baseada no currículo do tenista, outra no que considero seu potencial técnico. E isso obviamente mudou um pouco a coisa.

No masculino, Nikolay Davydenko e David Nalbandian ganharam ATP Finals, o que por si só justifica estarem lá em cima, enquanto os quatro vices de Helena Sukova e os três de Dinara Safina, que também liderou o ranking, foram mais relevantes.

A questão técnica certamente gera mais polêmica. Marcelo Riós, que nem fica entre os 10 por currículo, lidera a minha lista de competência, que ganhou outros quatro nomes diferentes da outra. Do lado feminino, elevei Aga Radwanska e inclui três nomes que possuem números menores.

Aguardo os comentários. Vamos lá:

Masculino – Por currículo
1. Nikolay Davydenko
2. David Nalbandian
3. Dominic Thiem
4. Miloslav Mecir
5. Robin Soderling
6. David Ferrer
7. Todd Martin
8. Cédric Pioline
9. Kevin Anderson
10. Alex Corretja

Masculino – Por qualidade
1. Marcelo Ríos
2. David Nalbandian
3. Nikolay Davydenko
4. David Ferrer
5. Robin Soderling
6. Jo-Wilfried Tsonga
7. Guillermo Coria
8. Dominic Thiem
9. Miloslav Mecir
10. Tim Henman

Feminino – Por currículo
1. Helena Sukova
2. Dinara Safina
3. Mary-Joe Fernandez
4. Elena Dementieva
5. Andrea Jaeger
6. Vera Zvonareva
7. Karolina Pliskova
8. Jelena Jankovic
9. Agnieszka Radwanska
10. Pam Shriver

Feminino – Por qualidade
1. Agnieszka Radwanska
2. Elena Dementieva
3. Dominika Cibulkova
4. Helena Sukova
5. Dinara Safina
6. Vera Zvonareva
7. Pam Shriver
8. Jelena Jankovic
9. Eugenie Bouchard
10. Madison Keys

E agora, Nole?
Por José Nilton Dalcim
21 de junho de 2020 às 19:53

* Atualizado às 20h51

Seria um tremendo exagero responsabilizar Novak Djokovic por tudo o que aconteceu nas duas primeiras etapas do seu Adria Tour, evento que criou para angariar fundos, motivar o tênis nos países dos Balcãs e colocar em atividade jogadores que estão precisando de ritmo competitivo.

Mas não resta dúvida de que o circuito do tênis, que já tinha manifestado desconforto com as medidas tão relaxadas vistas tanto em Belgrado como em Zadar, irá desabar na cabeça do número 1 do ranking depois que Grigor Dimitrov testou positivo para o Covid-19.

É possível que o búlgaro não tenha se contaminado na Sérvia, muito menos na Croácia, já que estudos apontam para um ciclo amplo de 1 a 14 dias de incubação do coronavírus, com média entre 5 e 8 dias. No entanto, ele pode ter sido um perigoso agente disseminador da doença, já que participou de intensas atividades dentro e fora das quadras. (Foi noticiado em TenisBrasil que Djokovic teve contato com um jogador de basquete, seu amigo, que estava positivo mas assintomático).

Logo que se viram arquibancadas lotadas em Belgrado e quase ninguém de máscara entre o público, houve inquietação. Mas isso era admissível num país pouco afetado pela pandemia. O evento estava liberado pelas autoridades sanitárias.

O mais surpreendente esteve na atitude descontraída dos jogadores, e aí sim cabe ônus a Djokovic. Sem máscaras nem distanciamento, todos fizeram fotos junto à rede, se cumprimentaram com abraço e aperto de mão, usaram toalhas entregues pelos boleiros. Aliás, nem os garotos, nem os juízes exibiram qualquer proteção. E completou-se o momento com uma agitada festa noturna documentada em vídeos pelas redes sociais.

O script se repetiu neste fim de semana em Zadar. Importante observar que Dimitrov passou seis dias na cidade. Não apenas treinou e jogou, mas ainda disputou partidas de futebol e de basquete ao lado de Djokovic, Borna Coric, Alexander Zverev e Marin Cilic. Um desses jogos foi contra os fãs. Selfies obviamente por todos os lados.

Participou também de um encontro de perguntas no centro da cidade que reuniu muita gente e ainda integrou o Kids Day no qual estavam dezenas de crianças. Isso sem falar em hotel, jantares, vestiário… O primeiro ministro Andrej Plenkovic visitou o evento no sábado, com ações ao lado de Djokovic e Cilic.

Os organizadores cancelaram a final de Zadar minutos depois que Dimitrov publicou seu post no Instagram – uma atitude um tanto desnecessária, já que isso não iria mudar muito o que já havia acontecido – e depois soltaram comunicados, garantindo que haviam tomado todas as medidas epidemiológicas sugeridas e prometendo realizar testes em todos os envolvidos na promoção. O serviço local de saúde colocou até um fone para as pessoas que eventualmente sentirem algo ou tiverem dúvidas.

Porém, se Grigor infelizmente contaminou alguém nos últimos dias, talvez demoremos um pouco para saber devido às características desse terrível vírus. Dominic Thiem realizou exames no começo da semana na Áustria e no sábado, já em Nice. Por enquanto, tudo negativo. Mais uma vez, vale lembrar que a exibição de Patrick Mouratoglou seguiu rigidamente as recomendações: nada de público, todos de máscara, distanciamento.

A notícia desalentadora serve como um alerta ao circuito, que ensaia seu retorno dentro de 54 dias. Todo mundo está obviamente de olho nos grandes torneios norte-americanos, mas ao mesmo tempo serão reiniciados challengers e futures, torneios com estrutura, verba e visibilidade muito menores.

Não pode mais haver negligência sob o risco de o tênis ficar de vez sem calendário no que resta de 2020.

Missão impossível para Nadal
Por José Nilton Dalcim
17 de junho de 2020 às 20:34

Após a confirmação de Cincinnati e US Open numa realização conjunta e consecutiva em Flushing Meadows, a ATP soltou nesta quarta-feira o esboço do calendário que pretende realizar a partir de 14 de agosto, quando se imagina ser possível enfim retomar o circuito internacional.

E a missão não poderia ser mais difícil para Rafael Nadal. Se quiser defender 5.360 de seus 9.850 pontos atuais, o canhoto espanhol terá de entrar em quadra por pelo menos seis semanas consecutivas e em dois pisos diferentes.

Olhem só a montanha a escalar: 2000 pontos no US Open, 360 em Madri, 1000 em Roma e 2000 em Roland Garros, ou seja, defender três dos quatro títulos. Claro que ele pode trocar Madri por Cincinnati, torneio que não disputou no ano passado. Isso permitiria que entrasse em melhor ritmo no Grand Slam, ainda que seja sempre um risco ao joelho. E em última hipótese, arriscar jogar Madri caso não se saia tão bem no US Open.

Além do desgaste físico e emocional que tal maratona proporciona, Nadal terá mínimas chances de se manter próximo ao número 1 Novak Djokovic. Quando o ranking foi congelado, ele estava a entusiasmantes 370 pontos.

Nessa mesma sequência insana do novo calendário, o sérvio defende 360 pontos em Cincinnati, 180 no US Open, 1000 em Madri, 600 em Roma e 720 em Roland Garros, num total de 2.860, ou seja 2.500 a menos que Rafa. Se considerarmos sua excelência sobre a quadra dura, é muito provável que some muitos pontos no US Open e aí saltar Madri parece muito lógico, até porque o saibro espanhol é muito diferente do que verá em Roma e em Paris.

Ainda não se sabe o que acontecerá após Roland Garros. Oficialmente, a ATP não descartou a fase asiática mas, com Roland Garros terminando dia 11 de outubro, teria de haver no mínimo duas semanas para uma aventura a Pequim e Xangai (Tóquio está fora). E isso apertaria a realização de Paris-Bercy e o Finals de Londres em novembro, já que a ATP não quer de forma alguma avançar sobre dezembro.

De qualquer forma, a chance de Nadal ainda somar pontos para uma eventual briga pela liderança é escassa. Ele marcou 720 pontos e poderia somar 2.740 se ganhasse Xangai, Paris e Finals, o que convenhamos não é nada fácil Nesses três torneios, Djokovic defenderia 1.380, já que ganhou Bercy.

Especula-se, claro, se Nadal e Djokovic iriam mesmo a Nova York, já que não se manifestaram confortáveis com a forma com que a pandemia abalou a metrópole. Particularmente, acho difícil eles saltarem um Slam nesta altura de suas carreiras e de suas metas, tão próximas, se igualar ou apertar o recorde de Roger Federer.

O espanhol, é claro, pode se dar ao luxo de apostar todas suas fichas no saibro europeu e saltar o US Open para economia de joelhos e sustos. Djoko, ao contrário, é menos favorito na terra e muito mais candidato em Flushing Meadows.

Uma coisa não se pode negar: um Slam sem o Big 3 jamais seria o mesmo.

P.S. 1: Como se imaginou ontem quando o US Open cancelou o qualificatório, a chave principal terá agora 120 nomes diretamente pelo ranking e, como ele não poderá se mexer até o começo de Washington, o paranaense Thiago Wild terá vaga direta e jogará seu primeiro Grand Slam. O mesmo que conquistou como juvenil em 2018. Thiago Monteiro também está garantido.

P.S. 2: O calendário anunciado pela ATP fará com que Washington comece numa sexta-feira e Cincinnati, num sábado, com final na sexta seguinte. Novos tempos.