Pandemia ameaça o futuro do tênis
Por José Nilton Dalcim
23 de março de 2020 às 16:36

A crise sanitária causada pelo coronavírus em todo o mundo pode afetar o tênis muito além da paralisação momentânea de três meses, determinada pelas entidades oficiais e que prevê retorno do circuito não antes de 8 de junho, em qualquer nível.

Porque, junto com a pandemia, há expectativa de forte recessão econômica internacional, que atingirá obviamente com maior força os países atingidos com maior severidade pela convid-19, como Itália e Espanha, dois fortíssimos centros do tênis, mas não exclusivamente eles.

Não devemos jamais esquecer que o esporte profissional é bancado pela iniciativa privada. Os milionários torneios de tênis dependem de bancos e investidoras financeiras, de montadoras de automóvel, de operadoras de telefonia ou da indústria esportiva.

E se elas estiverem em crise ou com investimentos prejudicados, o risco de um corte doloroso no calendário cresce, que por consequência imediata afetará o faturamento dos atletas. Quem está no top 50 do ranking do tênis tende a sobreviver de um jeito ou de outro, mas e os outros?

Idêntica reflexão vale para o tênis brasileiro, que dava sinais de reação nesta temporada, com vários eventos previstos. Não se sabe o que acontecerá depois que a pandemia se for. E existe uma boa parte do mercado, direto e indireto, que precisará de tempo para reagir, como promotoras, importadoras, lojas, academias e agências de viagem.

Aliás, é de preocupar segmentos do tênis brasileiro que já sofrem efeitos devastadores da paralisação das quadras e freio das atividades esportivas: os anônimos rebatedores, professores e personal trainers de atividade autônoma, que geralmente brigam no dia a dia para preencher o orçamento da semana e em mínimos casos terão reserva financeira para aguentar uma parada orçamentária mais longa.

Quanto mais demorarmos para controlar o vírus, mais efeitos colaterais graves para o esporte, e para quem vive dele, serão inevitáveis.

Resta ser muito prudente e ter fé.

Roland Garros usa sensatez e antecipa mudança
Por José Nilton Dalcim
17 de março de 2020 às 21:28

Numa surpresa estonteante, a Federação Francesa não quis esperar as variantes incontroláveis da crise provocada pelo coronavírus e anunciou nesta terça-feira que Roland Garros mudará de data em 2020 e acontecerá na terceira semana de setembro, ou seja, apenas seis dias depois da final do US Open, o que implicará também na sempre delicada mudança de superfícies.

Parece maluquice, mas vamos lembrar que não faz muito tempo – na verdade, até 2014 – que Roland Garros e Wimbledon estavam separados por apenas duas semanas e nunca foi fácil também a troca do saibro para a grama, ainda mais nos tempos em que o piso natural do tênis era definitivamente rápido.

Claro que já houve reações duras de alguns tenistas, que com certa razão afirmam não ter sido consultados previamente sobre a intenção da Federação Francesa.

No entanto, me parece um tanto prematuro concluir que os organizadores franceses tomaram essa iniciativa sem consultar seus pares, no caso os detentores dos outros Slam e principalmente a Federação Internacional, ainda que os Slam tenham regimentalmente o direito a decidir seu destino sem autorizações prévias.

Se pensarmos apenas do lado dos franceses, foi uma atitude sensata. Ao pressentir que a temporada de saibro estará seriamente prejudicada – o circuito fala em voltar para Madri e Roma com otimismo duvidoso -, Roland Garros acaba com a especulação, diminui a ansiedade de jogadores e patrocinadores e dá tempo para os espectadores se reorganizarem. De quebra, não precisa pelo menos tão urgentemente tratar de devoluções de ingressos e quebras de contratos. Ganha fôlego e esperança, palavras chaves neste momento.

Inegavelmente, no entanto, joga uma tremenda bomba no colo da ATP e WTA, que teriam de recalcular o calendário. No período que Roland Garros se propõe a acontecer, estão previstos cinco ATPs 250 e sete WTAs na Europa e Ásia, além da Laver Cup nos EUA e de eliminatórias da Copa Davis em vários lugares. Na semana seguinte a Paris, ainda aconteceria os 500 de Pequim e Tóquio, que antecedem o Masters de Xangai. Confusão das grandes.

Em última análise, existe um tenista seriamente prejudicado caso a vontade de Roland Garros seja mantida: Rafael Nadal é o atual campeão dos dois Slam. O espanhol tinha real expectativa de faturar o 13º troféu no saibro francês e igualar os 20 Slam de Federer agora em junho. A alteração tão drástica do calendário seria um transtorno amargo e mais um desafio para o canhoto espanhol, que poderia até mesmo se ver obrigado a abrir mão de Nova York em prol da soberania em Paris.

No final da tarde, a USTA fez pequeno pronunciamento e afirma que espera realizar normalmente o US Open, mas que a data dependerá de conversações. Ou seja, abriu a porta para antecipação, o que daria margem maior para a disputa atrasada de Roland Garros, ou até mesmo.atender a uma mudança ainda mais radical de calendário. Tradicionalmente o Slam norte-americano começa na última semana de agosto.

Wimbledon se recusou a fazer comentários sobre a posição francesa. Na véspera, o All England Club havia dito que é impensável um torneio sem público. Segundo o Daily Mail, os organizadores não têm intenção de fazer qualquer anúncio nos próximos 30 dias. Irão esperar o desenvolvimento da crise. O mais tradicional torneio do tênis está marcado para 29 de junho.

O que acontecerá se ranking se mover
Por José Nilton Dalcim
15 de março de 2020 às 21:54

O ranking masculino ainda não sofreu atualizações desde que o coronavírus brecou a temporada 2020. Como Indian Wells ainda entraria nesta segunda-feira em sua segunda parte, uma nova lista só deveria mesmo ser divulgada no dia 23 de março e a ATP ainda não disse se irá descontar os pontos semanalmente a cada série de torneios não realizados ou se pretende congelar a pontuação até que o circuito volte, por enquanto previsto para o final de abril.

Nessa longa parada, teriam de ser retirados os pontos de Indian Wells, Miami, Houston, Marrakesh, Monte Carlo, Barcelona e Budapeste. Como exercício, fiz projeção para cada sequência de grandes retiradas de pontos. Vejemos as conclusões de uma forma simplificada e depois o top 20 de cada período importante.

1. Após Indian Wells
Não haveria qualquer alteração no top 10. A se destacar: mesmo como atual campeão, Thiem ainda se manteria à frente de Federer por 105 pontos. Isso porque ele não perderia totalmente os 1.000 pontos, mas 910 (entram os 90 de Monte Carlo). No top 10, Bautista tira Fognini do 11º e Khachanov cai dois postos e vira 17º.

2. Após Miami
Finalista, Federer é superado por Medvedev. A faixa dos 20 primeiros vê mudanças, com a queda de Shapovalov. O beneficiado é Paire, que vai a 19º. Aliassime ficaria fora dos 20 primeiros e Isner, do top 30.

3. Após Houston, Marrakesch e Monte Carlo
Djokovic amplia distância na liderança para 775 pontos, Medvedev vê Thiem mais distante (agora 585 pontos), mas o grande prejudicado é Fognini. O campeão monegasco despencará do então 12º para o 25º. Lajovic, o vice, então 23º, recuaria sete posições. Carreño volta ao top 20.

4. Após Barcelona e Budapeste
Nadal aparecia agora 955 pontos atrás de Nole. Thiem perderia 500 pontos, porém ainda se sustentaria em terceiro, já que Medvedev tem 300 descontados. Berrettini desce para 10º. Coric e Raonic são grandes prejudicados, caem 20 postos e beiram o top 50.

Ranking sem Indian Wells
1 Novak Djokovic – 10175
2 Rafael Nadal – 9850
3 Dominic Thiem – 7045
4 Roger Federer – 6630
5 Daniil Medvedev – 5890
6 Stefanos Tsitsipas – 4745
7 Alexander Zverev     – 3630
8 Matteo Berrettini – 2860
9 Gaël Monfils – 2860
10 David Goffin – 2555
11 Roberto Bautista – 2395
12 Fabio Fognini- 2390
13 Diego Schwartzman – 2265
14 Andrey Rublev – 2226
15 Denis Shapovalov – 2030
16 Stan Wawrinka – 2015
17 Karen Khachanov – 1950
18 Cristian Garín – 1900
19 Grigor Dimitrov – 1862
20 Félix Auger-Aliassime – 1771

Ranking sem Miami
1 Novak Djokovic – 10085
2 Rafael Nadal – 9490
3 Dominic Thiem – 6125
4 Daniil Medvedev – 5800
5 Roger Federer – 5030
6 Stefanos Tsitsipas – 4825
7 Alexander Zverev – 3640
8 Matteo Berrettini – 2725
9 Gaël Monfils – 2680
10 David Goffin – 2545
11 Fabio Fognini – 2345
12 Diego Schwartzman – 2285
13 Roberto Bautista – 2260
14 Andrey Rublev – 2200
15 Stan Wawrinka – 2005
16 Karen Khachanov – 1940
17 Cristian Garín – 1900
18 Grigor Dimitrov – 1817
19 Benoit Paire – 1750
20 Denis Shapovalov – 1680

Ranking sem Houston, Marrakesh e Monte Carlo
1 Novak Djokovic – 9905
2 Rafael Nadal – 9130
3 Dominic Thiem – 6025
4 Daniil Medvedev – 5440
5 Roger Federer – 5030
6 Stefanos Tsitsipas – 4780
7 Alexander Zverev – 3530
8 Matteo Berrettini – 2715
9 Gaël Monfils – 2680
10 David Goffin – 2500
11 Diego Schwartzman – 2260
12 Roberto Bautista – 2215
13 Andrey Rublev – 2205
14 Stan Wawrinka – 1960
15 Karen Khachanov – 1930
16 Grigor Dimitrov – 1727
17 Denis Shapovalov – 1670
18 Cristian Garín – 1650
19 Benoit Paire – 1520
20 Pablo Carreño – 1512

Ranking sem Barcelona e Budapeste
1 Novak Djokovic – 9905
2 Rafael Nadal – 8950
3 Dominic Thiem – 5525
4 Daniil Medvedev – 5140
5 Roger Federer – 5030
6 Stefanos Tsitsipas – 4780
7 Alexander Zverev – 3530
8 Gaël Monfils – 2680
9 David Goffin – 2500
10 Matteo Berrettini – 2465
11 Diego Schwartzman  – 2230
12 Roberto Bautista – 2215
13 Andrey Rublev – 2205
14 Stan Wawrinka – 1960
15 Karen Khachanov – 1930
16 Grigor Dimitrov – 1682
17 Denis Shapovalov – 1670
18 Cristian Garín – 1605
19 Pablo Carreño – 1512
20 Benoit Paire – 1485

P.S.: Apesar de todo o cuidado, algum detalhe pode ter escapado, Conto com a ajuda de vocês para qualquer correção.