Nishikori acertou a mão
Por José Nilton Dalcim
11 de novembro de 2018 às 20:34

Kei Nishikori tentou mudar seu destino em Xangai, ficou mais ousado em Paris e por fim acertou a mão em Londres. Venceu seu ídolo Roger Federer num resultado inesperado, principalmente depois da grande exibição do suíço diante de Novak Djokovic em Bercy.

Há coisas bem curiosas nesse resultado. Nishikori fez apenas 6 winners (contra 19), foi mais à rede do que o suiço (13 frente 11), perdeu as trocas com mais de cinco golpes (15 a 17) e venceu em dois sets com apenas 53% de primeiro saque. Como explicar tudo isso em poucas palavras?

Federer teve mais altos e baixos, principalmente no backhand, e de novo não fez a lição de casa na devolução do segundo saque. Méritos para a consistência de Nishikori, que escapou de dois 0-30, em fundamentais oitavo e 12º games do primeiro set. Além da determinação tática de sacar quase sempre no backhand e ir à rede, conseguiu desta vez usar mais o forehand com ótimo trabalho de pernas. Nunca recuou da linha de base.

Com a boa vitória de Kevin Anderson sobre Dominic Thiem – este sim, sempre muito atrás da linha -, a segunda rodada do grupo terá Federer x Thiem em jogo praticamente decisivo e Nishikori x Anderson, que duelam pela quarta vez desde agosto.

Dado curioso divulgado pela ATP: Federer é o classificado para o Finals com menor número de vitórias sobre top 10 na temporada (apenas 2), superado até mesmo por Isner, Anderson, Cilic (3) ou Thiem e Zverev (5). Os líderes são Djokovic (11) e Nadal (10). Nishikori agora chegou a 6.

Desafio nas duplas
O tênis brasileiro, que atravessou outra temporada dependendo demais dos duplistas mineiros, começou com vitória em Londres. Bruno Soares e o escocês Jamie Murray tiveram jogo muito equilibrado contra Raven Klaasen/Michael Venus, que causaram várias surpresas em 2018: 7/6, 4/6 e 10-5.

Bruno tem um desafio todo pessoal. Em quatro participações, fez três semifinais, duas ao lado de Murray, mas não conseguiu passar daí. Em sua estreia de 2013, ao lado de Alexander Peya, sofreu derrota muito amarga para os Bryan, de virada e com 10-8 no match-tiebreak.

Murray carrega é claro a torcida local, mas raramente conquistou grandes títulos em Londres, tendo ganhado apenas Queen´s no ano passado. Perdeu sua única decisão em Wimbledon, em 2015 com John Peers, e somou outros dois vices em Queen´s.

Marcelo Melo, que estreia na segunda-feira, já disputou cinco Finals e obteve sucesso maior, com duas decisões, em 2014 e 2017, e outras duas semis. O vice de quatro anos atrás ao lado de Ivan Dodig também foi no detalhe, levando virada e 10-7 no match-tiebreak para os Bryan.

Nem a parceria de Bruno, nem a de Marcelo poderão terminar a temporada em primeiro lugar, já que sequer os 1.500 pontos de eventual título invicto seriam suficientes para superar Oliver Marach e Mate Pavic. No ranking individual, Mike Bryan também já garantiu o número 1 antecipado e os brasileiros lutam para encerrar no top 5, desde que cheguem ao menos na final de domingo.

Next Gen confirma Tsitsipas
Com a contusão de Denis Shapovalov, o grego Stefanos Tsitsipas entrou como favorito e confirmou o título na segunda edição do Finals para a Nova Geração em cima de Alex de Minaur, um dos novatos que mais evoluíram em termos técnicos ao longo de 2018.

O torneio de Milão é cheio de regras diferenciadas, com ponto decisivo no ’40-iguais’ e sets curtos até 4. Isso muda demais o jogo tradicional e assim os padrões ficam comprometidos. Acaba não valendo mais do que prêmio e alguma promoção, mas não me parece empolgar.

Sem dúvida, são interessantes a marcação totalmente eletrônica das linhas, a liberação da conversa jogador-técnico e o retorno aos tempos em que o tenista tinha de ir se enxugar por conta própria. Isso é duplamente interessante: diminui a tarefa do pegador e elimina o exagero do uso da toalha, que a maioria dos jogadores tem, já que os 25 segundos continuam correndo.

Pobre Fed Cup
Para os que condenam o novo formato da Copa Davis, a decisão da Fed Cup neste fim de semana foi um tanto constrangedora. As top 10 Petra Kvitova e Karolina Pliskova não toparam e deixaram a missão para Katerina Siniakova e Barbora Strycova, ambas fora das 30 primeiras.

Ainda assim, venceram as reservas das reservas norte-americanas logo no terceiro jogo de simples. Os EUA chamaram a quinta e a sexta do ranking, Sofia Kenin e Alison Riske, que sequer figuram entre as 50, já que Sloane Stephens, Serena Williams, Madison Keys, Danielle Collins e Venus Williams encerraram antecipadamente o calendário. Ao menos, o terceiro jogo de 3h45 foi bem emocionante.

Pode ser que a Nova Davis não tenha achado a fórmula ideal, mas fica evidente que alguma coisa precisa ser feita também com a Fed Cup. Sem pontos no ranking e com critérios frouxos para as Olimpíadas, os dois tão tradicionais eventos por países correm cada vez mais risco. Quem sabe, um caminhão de dinheiro seja a única solução.

Nadal equilibra o Finals
Por José Nilton Dalcim
5 de novembro de 2018 às 23:48

Rafael Nadal foi até Londres… e não jogará o FInals. A notícia não é agradável. Ainda que o piso duro coberto esteja longe de ser seu forte – e a ausência de títulos no quinto evento mais importante do tênis masculino em apenas duas decisões disputadas reflete bem isso -, o canhoto espanhol fez uma grande temporada até a contusão na reta decisiva do US Open e pagou caro por isso. A perda da liderança do ranking foi talvez tão amarga quanto não estar na arena O2.

Se estivesse em forma, Nadal certamente colocaria um molho especial no sorteio dos grupos e certamente nas rodadas classificatórias, já que Roger Federer estaria como segundo nome em uma das chaves. A desistência mudou tudo. Agora, Novak Djokovic estará de um lado e o suíço, de outro. E a perspectiva óbvia e imediata, principalmente depois do espetáculo de sábado em Paris, é que os dois voltem a decidir o FInals, como fizeram em 2012, 2014 e 2015, sempre com vitória de Nole.

Com o número 1 garantido para o final da temporada, a quinta em que obtém tamanha façanha, Djokovic tem a motivação de buscar o sexto troféu no Finals e igualar assim Federer. Seu grupo terá Alexander Zverev, Marin Cilic e o estreante John Isner. Dois confrontos são muito favoráveis ao sérvio: 16-2 diante do croata e 8-2 frente a Isner, mas todos vimos como Cilic tem dado trabalho. O norte-americano pode jogar muito solto.

Zverev se diz esgotado, mas seria o candidato natural à segunda vaga. Tem 5-1 sobre Cilic e 4-1 contra Isner. Eu colocaria no entanto minhas fichas no croata, que tem 7-3 sobre Isner, ainda que Cilic nunca tenha feito uma semifinal nas três participações anteriores.

Federer por sua vez terá como adversários da fase classificatória dois grandes nomes da quadra dura, Kevin Anderson e Kei Nishikori, e a incógnita Dominic Thiem. O suíço terá a chance de se vingar da incrível derrota sofrida em Wimbledon para o sul-africano – quando deveria ter feito 5 a 0 nos duelos diretos – e tem largo placar de 7 a 2 sobre o japonês, a quem superou com folga na semana passada. Curiosamente, Thiem ganhou dois dos três duelos contra Federer, um deles em plena grama. Se o piso da O2 estiver tão lento como sempre foi, sua chance aumenta.

O equilíbrio do grupo também vale para os outros confrontos. Anderson acabou de perder para Nishikori e viu o histórico negativo subir para 3 a 5, mas ao mesmo tempo tem 6 a 2 contra Thiem. O austríaco ganhou apenas um de quatro duelos contra o japonês, mas fará sua terceira aparição no torneio. Anderson nunca esteve lá. Apostar em Nishikori não é mau negócio.

Khachanov mostra maturidade
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2018 às 21:31

Pelo segundo ano consecutivo, Bercy deu uma grande surpresa para o circuito. O russo Karen Khachanov repetiu Jack Sock, mas com requinte, ao levar seu primeiro Masters com vitória em cima de quatro top 10, dos quais apenas um tirou set dele, o gigante John Isner.

Não é difícil ver semelhanças entre Khachanov e seu principal ídolo, Marat Safin. O estilo e até mesmo o gênio difícil de controlar lembram um dos mais carismáticos nomes do tênis profissional. Para buscar evolução no circuito, mudou-se ainda garoto para a Croácia e depois tentou um período na Espanha. É por isso talvez que tenha muito das duas escolas: grande saque e golpes pesados de base.

Khachanov está longe de ser um desconhecido. Já fez grandes jogos nas duas últimas temporadas, somava três títulos de ATP sem jamais ter sofrido derrota numa final. É bem verdade que vimos muitos jogos escaparem por conta dos nervos, da reclamação excessiva, da perda de foco.

Nesta semana, tudo se encaixou. Mostrou um voleio apurado e competência para deixadinhas, não ficou afoito em momentos delicados de jogos tão duros como o que fez contra John Isner. E se mostrou maduro na final contra o poderoso Novak Djokovic. Maturidade é o ingrediente que mais se cobra da nova geração.

O jogo teve dois momentos bem distintos. No primeiro, Nole parecia senhor da quadra e abriu 3/1 e 30-0. Daí em diante perdeu o foco e o russo agarrou a oportunidade. Cortou os erros com o backhand, mexeu-se para todos os lados, usou slice. Parecia entender que uma partida longa acabaria por beneficiá-lo diante do provável cansaço de Nole, vindo de gripe e dois jogos duríssimos seguidos que o deixaram mais de 5 horas em quadra.

Guerreiro por excelência, Djokovic não se entregou e exigiu que Khachanov ganhasse o jogo. E o russo mostrou de novo que a cabeça deu um salto de qualidade, saindo de 0-30 em dois games consecutivos após a quebra no terceiro game do segundo set. Nesses momentos, concentrou-se nas duas grandes armas que possui: o primeiro saque seguido de um forehand agressivo. Levou o título com todo o mérito.

Por duas temporadas consecutivas, o circuito vê três novos campeões de Masters. Desta vez, foram Khachanov, Isner e Juan Martin del Potro. Em 2017, Alexander Zverev, Grigor Dimitrov e Sock. Como bônus, Khachanov aparecerá no 11º lugar do ranking nesta segunda-feira e terá direito a ser reserva no Finals de Londres, uma experiência muito especial que permitirá a ele treinar e trocar ideias com os melhores do mundo por uma semana seguida.

Djokovic por seu lado tem sete dias para se recuperar fisicamente e assim manter seu favoritismo para o sexto título em Londres. Ainda não se sabe se Rafael Nadal estará na arena O2. Na nova listagem, o espanhol aparecerá 565 pontos atrás no ranking e assim nem mesmo o título inédito e invicto no Finals o recolocará na ponta sem depender da campanha do sérvio. Nole está com um pé no número 1 de 2018.

Desafio – Norbert Goldberg e Julio DIni levam os prêmios do Desafio para as semifinais de Paris. Cravaram os dois finalistas corretamente e acertaram os dois sets da vitória de Khachanov sobre Thiem. Os dois receberão em seus emails os vouchers com 15% de desconto para compras na Loja TenisBrasil até o total de R$ 1.200. Parabéns!