Rei Midas acerta em cheio
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2018 às 21:20

Roger Federer virou mesmo o Rei Midas do tênis. Tudo em que se envolve parece ser fadado ao sucesso. A Laver Cup que o diga. O evento criado por sua empresa com ideias decisivas do suíço se provou outra vez um tremendo sucesso.

Tudo começa pela boa escolha dos participantes, um misto de qualidade e carisma. Depois, a das sedes – o United Center do Chicago Bulls foi um tiro certeiro – e por fim o formato, que trouxe o match-tiebreak como solução e recheio – 8 dos 11 duelos precisaram dele – e uma forma de pontuação que deixa tudo aberto até o finalzinho.

O ponto alto, no entanto, está mesmo no comprometimento dos tenistas, que afinal são os donos do espetáculo. Não economizaram esforço na quadra, levando muito a sério, e nem energia no apoio que fizeram ali bem pertinho, atrás do banco do técnico para divertimento do público e da TV.

Aí, além de se assistir a lances excelentes e disputas game a game, ainda é possível ver Novak Djokovic torcendo por Federer ou o suíço trocando ideias táticas com seu arqui-rival, dialongando em alemão com Sascha Zverev. Nick Kyrgios e Jack Sock comandaram a festa do outro lado, mas era possível notar Dieguito Schwartzman e Frances Tiafoe acompanhando cada lance.

A vitória da dupla Sock-John Isner foi um capítulo à parte. Os dois pareciam ter conquistado um Grand Slam depois da vitória sobre Federer e Sascha, vindo de dois match-points atrás, o público completamente envolvido, Isner saltando como criança, Sock agarrado pelos companheiros.

O complemento está em pequenos e cuidadosos detalhes. A escolha dos capitães John McEnroe e Bjorn Borg, a presença de Rod Laver na tribuna, o convite para Ana Ivanovic e Natasha Zvereva fazer o sorteio da moeda, o piso escuro único, o uso do telão acima da quadra para o ‘desafio’ e replays, câmeras mostrando a intimidade do vestiário. Sem falar num amplo setor de divertimento para o público na parte exterior, onde era permitido acompanhar o treino das estrelas. Foram 93, mil pagantes em três dias.

Quando se discute o novo formato da Davis e a ousadia da ATP em lançar seu próprio torneio por países, a Laver Cup dá um show de competência. Claro que o torneio ainda está totalmente em cima da figura de Federer, capaz de dividir a torcida norte-americana e ver seu nome cantado mesmo diante de um homem da casa dentro de Chicago.

Raro atleta que reúne o alto profissionalismo com radiante simpatia, ele trouxe os grandes rivais para seu lado – como esquecer a parceria com Rafa Nadal no ano passado  -, deixando claro que é possível ter competitividade e alegria no tênis profissional.

Por isso, ainda é difícil apostar no futuro da competição quando o suíço não estiver mais em quadra. Até lá, aproveitemos.

Itaú estende retirada do tênis ao Rio Open
Por José Nilton Dalcim
19 de setembro de 2018 às 01:04

Uma das primeiras grandes marcas a apoiar o ATP 500 brasileiro, o Itaú deu mais um passo na retirada de investimentos no tênis nacional ao desistir da renovação de contrato com o Rio Open para 2019. O banco era o segundo maior patrocinador da competição que acontece em fevereiro no Jockey Club e deixa um problema de cerca de US$ 1 milhão para ser coberto a curto prazo pela IMM, promotora do principal evento de tênis da América do Sul.

O Itaú investiu maciçamente no tênis nos últimos cinco anos, quando também abraçou a transferência do ATP 500 de Memphis para o Rio. Desde o ano passado, no entanto, o banco começou uma retirada gradual do esporte. Deixou de patrocinar várias competições profissionais e amadoras, muitas tradicionais e outras mesmo com verba incentivada, não renovou contrato com as transmissões do SporTV nem com Guga Kuerten.

A IMM obviamente lamenta a mudança de estratégia do banco, mas afirma que o Itaú “cumpriu seu papel de ajudar a consolidação do Rio Open” e que já está à procura de um patrocinador à altura para parceirizar com a Claro, que se mantém como a principal marca do ATP 500 fluminense.

Nos bastidores, diz-se que a saída do Itaú do tênis tem forte vínculo com denúncias de irregularidade em torneios patrocinados ou vinculados ao banco, algumas delas feitas diretamente pela Confederação Brasileira de Tênis. Há poucos dias, o Itaú anunciou renovação por mais cinco anos da propriedade principal do Miami Open.

O fato é que há uma grande diferença entre os contratos feitos no mercado norte-americano ou europeu para a realidade no Brasil. Lá fora, o patrocínio não é a principal fonte de renda do promotor, que consegue faturamento expressivo com venda de ingressos, dos direitos de TV e de estandes.

Córdoba ganha data de Quito – Tal qual o Brasil, o tênis argentino também passará a ter dois torneios de nível ATP em 2019. A data da britânica Octagon que estava com Quito foi transferida para Córdoba, que assim abrirá a perna sul-americana de saibro, em fevereiro, imediatamente antes do Rio Open. Seguem-se o ATP de São Paulo e de Buenos Aires. A Octagon também detém os direitos sobre a data do Brasil Open.

Brasil tem 5 meses para reagir até a Davis
Por José Nilton Dalcim
17 de setembro de 2018 às 15:13

É fato que o tênis masculino brasileiro vive um momento delicado e sem brilho, mas é uma espetacular notícia termos ganhado vaga no qualificatório de fevereiro da ‘nova Copa Davis’. Melhor ainda: grande chance de jogar em casa e assim chegar à primeira edição do sistema de disputa de título com 18 países em local único, em novembro de 2019.

O Brasil entrou de última hora graças às vitórias de Argentina e Canadá na repescagem deste fim de semana, o que garantiu para nós, Colômbia e Chile vagas no qualificatório através do atual ranking de nações.

Iremos enfrentar um dos quatro quadrifinalistas deste ano (Bélgica, Alemanha, Itália e Cazaquistão) ou um dos que venceram a repescagem (Argentina, Áustria, Canadá, Grã-Bretanha, Japão, República Tcheca, Suécia e Sérvia). Jogadoremos no nosso saibro diante de belgas, alemães, itaianos, argentinos, austriacos, tchecos ou japoneses. Teremos chance de sediar se der cazaques, britânicos ou sérvios, porque haverá sorteio. Sairemos apenas se der Canadá ou Suécia.

O que é ideal? Num piso de terra lento, Japão, Cazaquistão e Grã-Bretanha certamente (ainda que Bélgica, Itália e Áustria possam trazer adversários de ótimo nível para se ver). Se tivermos de sair, melhor que dê a Suécia. O sorteio sera na quarta-feira da outra semana.

Temos chance? Bom, o momento é ruim, mas quem sabe até favereiro Thiago Monteiro, Rogerinho Silva e principalmente Thomaz Bellucci reajam e ganhem confiança. Isso daria um time experiente, somados aos ótimos duplistas Bruno Soares e Marcelo Melo. É bom lembrar que a Davis agora permite cinco convocados.

Decisão
França e Croácia irão decidir o título de 2018 da Davis, o último pelo formato atual. Enquanto os franceses fizeram uma grande festa, usando o estádio de futebol de Lille hiperlotado e nem contaram com seus heróis habituais, a Croácia levou um grande susto no saibro e quase entregou a vaga para os norte-americanos.

É bem verdade que franceses e espanhóis fizeram jogos de nível muito irregular, em que havia muita tensão em quadra. E claro que a Espanha sentiu demais a ausência de Rafa Nadal, mostrando que também precisa pensar em renovação. Destaque para a excepcional atuação de Julien Benneteau na dupla, ele que se despede do circuito em 2018.

Borna Coric foi de novo o grande herói do time croata. Ficou para decidir um quinto jogo complicado, se viu atrás do placar diante de um Frances Tiafoe inspirado e reagiu com garra e torcida contagiante. Foi mais um grande momento da nova geração na temporada.

França terá direito de sediar o confronto e será curioso saber qual piso escolherá. Ao menos, há chance de contar com a experiência de Jo-Wilfried Tsonga.