Nadal agradece, Djokovic tem chance
Por José Nilton Dalcim
24 de maio de 2018 às 19:12

O amplo favoritismo de Rafael Nadal para alcançar seu 17º troféu de Grand Slam apenas aumentou depois da formação da chave de Roland Garros. Ele encara um quadrante com poucas dificuldades e nem mesmo lá na semifinal surge algum nome de lhe tirar o sono.

A estreia contra Alexandr Dolgopolov só é ruim porque o ucraniano não deve lhe dar qualquer ritmo e ele provavelmente vai precisar daquele treino após o jogo. Depois, João Sousa ou Guido Pella exigem mais porque são bons saibristas e a terceira rodada deve ser contra o superfreguês Richard Gasquet.

Ao que tudo indica, Denis Shapovalov é o candidato mais forte a duelar com Rafa nas oitavas e as quartas apontam para Diego Schwartzman, que só corre algum perigo contra Philipp Kohlschreiber na terceira partida. Ou seja, Rafa não tem um único adversário a temer até a semi, com chance real de chegar lá sem ceder sets. Vale lembrar que o espanhol ganhou três de seus 10 títulos em Paris totalmente invicto, um recorde em qualquer Slam.

E quem é o maior candidato a enfrentá-lo na penúltima rodada? Pode dar um grandão como Marin Cilic, Juan Martin del Potro, Tomas Berdych ou John Isner, mas convenhamos que vale mais apostar em Fabio Fognini ou Kyle Edmund, que no entanto podem fazer duelo direto ainda na terceira rodada. A meu ver, a caminhada do decampeão até a final pinta como barbada.

O lado inferior da chave ficou bem mais equilibrado e portanto, mais atraente. Novak Djokovic tem adversários experientes, mas dá para apostar numa grande campanha. Estreia contra um quali, deve pegar os instáveis David Ferrer e Roberto Bautista e aguarda nas oitavas Grigor Dimitrov ou Fernando Verdasco. Sou muito mais Nole. Se estiver embalado e conseguir poupar o fôlego, dá para encarar com favoritismo David Goffin, que é disparado o principal nome do seu setor.

O último quadrante é de longe o mais duro. Alexander Zverev tem tudo para fazer seu melhor Slam, especialmente porque Stan Wawrinka mostrou hoje em Genebra que está longe da forma ideal. Ficou bem pior para Dominic Thiem, que pode ter Stefanos Tsitsipas na segunda partida e Kei Nishikori nas oitavas se quiser fazer as quartas contra Zverev. Qualquer coisa é cabível, mas o legal: seja Zverev, Thiem, Goffin ou Djokovic, a expectativa de uma final empolgante contra Nadal fica grande.

A chave feminina, que entre tantos ingredientes exibe também seis candidatas à liderança do ranking, ficou ainda mais imprevisível após o sorteio. A número 1 Simona Halep ficou no quadrante que tem Angelique Kerber, a dona da casa Caroline Garcia, a embalada Elise Mertens e a experiente Kiki Bertens. Nada fácil.

E a dificuldade não termina aí, porque o lado de cima da chave também ficou com Garbine Muguruza e assinala para um reencontro entre Serena Williams e Maria Sharapova, o que seria espetacular para o torneio. A russa não pode vacilar contra Karolina Pliskova já na terceira rodada e Serena só precisa mostrar boa forma para vingar no seu setor. Muguruza é ampla favorita para as quartas.

O lado inferior da chave conta com a atual campeã Jelena Ostapenko – que pega encontrar Vika Azarenka na segunda rodada e Elina Svitolina nas quartas – e a cabeça 2 Carol Wozniacki, bem mais favorita ao menos até chegar a um possível duelo contra Petra Kvitova nas quartas. De qualquer forma, apontar até mesmo as semifinalistas deste Roland Garros fica um tanto lotérico. O que é ótimo.

Primeira rodada
Alguns jogos de primeira rodada são bem promissores: Pella x Sousa, Shapovalov x Millman, Kohlschreiber x Coric, Edmund x Di Minaur, Jarry x Donaldson, Troicki x Dimitrov, Tiafoe x Querrey no masculino; Muguruza x Kuznetsova, Goerges x Cibulkova, Konjuh x Suárez e Cornet x Errani.

Esperança
O tênis brasileiro terá três chances de colocar ao menos um representante nas chaves de simples. Rogerinho Silva é favorito contra o garoto tcheco Zdenek Kolar, quase 100 postos atrás do ranking, e mesmo que perca ainda está garantido no primeiro sorteio para o lucky-loser que surgiu com a saída de Hyeong Chung. Pouco depois, Thomaz Bellucci faz duelo de canhotos contra o belga Ruben Bemelmans, 111º do ranking.

E se houvesse o ‘ranking do saibro’?
Por José Nilton Dalcim
22 de maio de 2018 às 20:28

Wimbledon escolheu livremente seus favoritos, entre os melhores tenistas do ranking, até 2001. Só então cedeu a tantas reclamações e resolveu criar uma fórmula matemática, que se habitou chamar ‘ranking da grama’, e através dela passou a determinar os 32 cabeças de chave. A conta que o Club faz é simples: pega-se o total de pontos de cada tenista na segunda-feira imediatamente anterior, soma-se 100% de todos os pontos obtidos em torneios de grama nos últimos 12 meses e, como o calendário é muito curto, adiciona-se mais 75% dos pontos do campeonato de melhor performance nos 12 meses anteriores.

Fiquei curioso para saber o que aconteceria se aplicássemos critério semelhante ao saibro. Como há muito mais torneios sobre a terra ao longo de 12 meses, não achei necessário utilizar o terceiro item (75% do principal torneio entre 13 e 24 meses anteriores).

Será que mudaria muito a lista de favoritos para Roland Garros deste ano?  Veremos que não. Todos os 11 principais cabeças obedeceriam a ordem do ranking.

Mas alguns tenistas de peso seriam valorizados. Kei Nishikori subiria de cabeça 20 para 12, entrando numa faixa bem mais favorável, e seria seguido Stan Wawrinka, com um salto bem expressivo de 24 para 13. Outro que poderia se beneficiar é Novak Djokovic, que entrará como cabeça 21 mas teria direito a ser 15º nessa hipótese. Dominic Thiem evoluiria de 7 para 5, mas isso não muda grande coisa.

Apenas como curiosidade, segue abaixo o ‘ranking do saibro’ dos 16 primeiros, onde o superfavorito Rafa Nadal tem quase a soma de pontos de Alexander Zverev e Marin Cilic.

1. Rafael Nadal – 13.450 (8770 da ATP + 4680 no saibro em 12 meses)
2. Alexander Zverev – 7.835 (5615 + 2220)
3. Marin Cilic – 5.895 (4950 + 945)
4. Grigor Dimitrov – 5.430 (4870 + 560)
5. Dominic Thiem – 5.135 (3195 + 1940)
6. Juan Martin del Potro – 4.720 (4450 + 270)
7. Kevin Anderson – 4.185 (3635 + 550)
8. David Goffin – 4.010 (3020 + 990)
9. John Isner – 3.280 (2955 + 325)
10. Pablo Carreño – 3.280 (2415 + 865)
11. Diego Schwartzman – 3.025 (2165 + 860)
12. Kei Nishikori – 2.905 (1755 + 1150)
13. Stan Wawrinka – 2.815 (1605 + 1210)
14. Roberto Bautista – 2.660 (2120 + 540)
15. Novak Djokovic – 2.520 (1665 + 855)
16. Kyle Edmund – 2.505 (1950 + 555)

Reza brava
A urucubaca em cima do tênis brasileiro parece não ter fim. Um dia depois de vermos a derrota do nosso número 1 Thiago Monteiro ainda na primeira rodada do qualificatório para Roland Garros, seguido por Guilherme Clezar que entrou de última hora, veio a triste notícia de que nossa única representante garantida nas chaves de simples desistiu de jogar em Paris.

Bia treinava em Roland Garros quando voltou a sentir a lesão nas costas, retornou para o Brasil e verá um especialista. Vale lembrar que ela já sofreu com hérnia de disco anos atrás. No começo do ano, o problema foi no punho. Como pouca desgraça é bobagem, perderá também o posto no top 100 após o Grand Slam francês. Ao menos, é muito provável que consiga entrar diretamente em Wimbledon, cuja lista de inscritas sai na próxima segunda-feira.

Resta torcer por Rogerinho Silva e Thomaz Bellucci, que precisam de mais duas vitórias no quali. Rogerinho enfrentará o eslovaco Andrej Martin, 154º, e pode decidir vaga contra o italiano Stefano Napolitano. Bellucci pegará o experiente Daniel Gimeno, 214º, e quem sabe decidirá contra o belga Ruben Bemelmans. Não é o pior dos quadros.

Oremos.

Malas prontas para Paris
Por José Nilton Dalcim
20 de maio de 2018 às 14:56

Rafael Nadal não poderia ficar mais cheio de confiança em busca de seu 11º Roland Garros. O sufoco que passou diante de Alexander Zverev neste domingo na final de Roma comprova o quão difícil é dominar o novamente número 1 do ranking numa autêntica quadra de saibro, onde o piso mais lento lhe dá não apenas a oportunidade de se defender com todas suas forças, mas também de alternar táticas e passar para a ofensiva num piscar de olhos.

A oitava conquista em Roma foi dura e exigiu suas maiores qualidades, principalmente porque nem sempre sacou tão bem. E encontrou adversários competentes na missão de atacar da base, como Fabio Fognini, Novak Djokovic e principalmente Zverev. Em excelente forma, Nadal deixa o recado límpido e cristalino: se ganhar dois sets dele é um façanha, imaginem então três.

Como o placar deste domingo bem diz, foi uma partida estranha. Zverev quebrou o saque de Nadal logo no game inicial, algo inédito para o espanhol nesta temporada de saibro, mas daí em diante não jogou mais nada. Viu o adversário jogar cada vez mais solto, não escondeu a irritação e o quadro indicava mais um passeio de Nadal, que aplicou o chamado ‘pneu moral’.

Ao enfim manter seu serviço na abertura do segundo set, Zverev repentinamente ganhou confiança e as bolas forçadas, que antes teimavam sair, encurralaram o adversário no fundo de quadra. Rafa também perdeu o ritmo do saque e aí sofreu sua pior derrota no saibro desde a queda para Novak Djokovic nas quartas de Roland Garros de 2015. Pior ainda, viu Zverev abrir 3/1 no terceiro set tomando conta do jogo.

A chuva veio então para mudar a história da partida. Não apenas tirou o momento de Zverev, que precisou sacar com 3/2 após 43 minutos de parada forçada, como também deixou o piso ainda mais lento. O alemão pagou o preço da inexperiência, errou dois forehands cruciais, cedeu o empate e viu um Nadal praticamente infalível nos três games seguintes, sem abrir qualquer brecha.

Destacam-se basicamente dois aspectos: a capacidade de Nadal de encontrar outra postura tática no retorno, jogando mais perto da linha e usando mais slices, provavelmente orientado pelos treinadores, e o crescimento técnico e físico inegável de Zverev. Se não aguentou a pressão na volta da chuva, mostrou competência emocional para sair de um primeiro set frustrante e dominar Nadal em condições muito favoráveis ao adversário. Vai para Paris como um digno cabeça 2 e líder do ranking da temporada.

Horas antes, a ucraniana Elina Svitolina conquistou o bicampeonato no Fóro Itálico repetindo a vitória do ano passado em cima de Simona Halep. Ela foi esmagadora no primeiro set, que durou apenas 19 minutos e só viu quatro erros de Svitolina. O segundo set foi mais parelho, mas a saída de quadra para tratamento já indicava que Halep dificilmente teria condições de reagir.

As duas seguem para Paris como inegáveis candidatas a um título inédito de Grand Slam. Ao contrário do masculino, a chave feminina se mostra muito aberta, podendo se incluir entre as favoritas até mesmo Maria Sharapova, que voltou a jogar bem em Roma, sem jamais descartar Serena Williams.