Renovação em Londres
Por José Nilton Dalcim
18 de novembro de 2017 às 21:19

Para completar uma temporada totalmente atípica, o ATP Finals terá um campeão inesperado. Grigor Dimitrov, agora terceiro do ranking, e David Goffin, que jamais fez sequer uma decisão de Masters 1000, irão disputar o quinto mais importante troféu do tênis masculino às 16 horas num jogo que promete ser um curioso duelo de estilos.

Goffin é certamente uma surpresa das grandes. Na segunda-feira, levou um sufoco para ganhar de um Rafael Nadal um tanto manco e na rodada seguinte foi massacrado pelo mesmo Dimitrov. Recuperou-se com facilidade diante de Dominic Thiem e não parecia uma presa complicada para Roger Federer. E foi assim o primeiro set.

Quando o suíço deu uma tremenda bobeada no começo da outra série e deixou escapar um serviço que estava tranquilo, tudo mudou. Goffin ganhou confiança, passou a sacar cada vez melhor, ousou maior agressividade até mesmo com o forehand e se deu ao luxo de algumas espertas subidas à rede. Forçou devoluções e viu o serviço do adversário oscilar. Federer, quem diria, precisou se defender muito e vieram erros da base. Resultado justíssimo.

Dimitrov conseguiu afugentar um poderoso fantasma e aí residiu a maior qualidade na virada contra Jack Sock, o mesmo adversário para quem perdeu os dois últimos jogos com total de cinco match-points desperdiçados. E não é que, de novo, Dimitrov jogou fora quatro oportunidades de fechar com o saque a favor no game definitivo? Mas não, desta vez segurou os nervos e concretizou na quinta tentativa. A expressão era de alívio, principalmente porque poderia ter ganhado muito antes e com menor esforço.

Assim, teremos uma decisão de título e do gordo prêmio de US$ 2 milhões entre tenistas bem antagônicos, o que geralmente significa bom tênis e emoções. Dimitrov aposta no primeiro saque, gosta de atacar, usa seu backhand simples para variar slices e golpes batidos, voleia com categoria e é bem atlético. Goffin sempre preferiu atuar no contragolpe, dono de pernas ágeis e um backhand de duas mãos poderoso, tendo agregado um saque mais efetivo nesta temporada.

Se for campeão, Goffin será o quinto do ranking final da temporada. Tenho a impressão que pouca gente poderia prever uma configuração dessas. Que 2017 maluco.

Vamos, Marcelo!
Pouco antes, às 13h30, hora de torcermos para uma grande e inédita conquista para as duplas do tênis brasileiro. Marcelo Melo tenta coroar uma magnífica temporada ao lado do polonês Lukasz Kubot com um título que conseguimos uma única vez, há 17 anos, com as mãos mágicas de Gustavo Kuerten. Aliás, Melo também reviveu Guga em Roland Garros do ano passado e nos fez lembrar de Maria Esther Bueno em Wimbledon de julho.

Importantíssimo destacar a atuação magnífica do Girafa na semifinal de hoje, em que ele e Lukasz Kubot deram mínimas chances a Ryan Harrison e Michael Venus. O mineiro brilhou das mais variadas formas, seja em devoluções precisas e milimétricas, grande reflexo junto à rede, habilidade incrível para dar lobs improvisados e reagir a uma bola que chegou a passar por seu corpo. Para um tenista que tem 2,03m, são lances ainda mais difíceis.

Pena que Bruno Soares ficou de fora da decisão, já que ele e Jamie Murray caíram muito de produção a partir do tiebreak que finalizou o primeiro set. Henri Kontinen e John Peers são mesmo uma pedra no sapato. Atuais campeões do Finals, também levam vantagem no confronto direto com Melo/Kubot, o que exigirá máxima concentração desde a primeira bola.

Final brasileira?
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2017 às 17:44

Na sequência de tantos feitos extraordinárias com que presenteiam o tênis brasileiro, Marcelo Melo e Bruno Soares estão próximos de uma façanha inédita e também espetacular: decidirem entre si o ATP Finals de Londres, o quinto mais importante torneio do tênis profissional masculino e o único grande troféu que os duplistas mineiros ainda não conseguiram levantar. Está na hora.

Como era mais do que esperado, Bruno Soares e o escocês Jamie Murray garantiram a segunda vaga do grupo ao derrotar justamente Melo e o polonês Lukasz Kubot. O primeiro set foi bem fácil, mas o segundo teve a competitividade necessária para se evitar maiores especulações. O que importa é que, pela segunda vez na história do Finals, os dois mineiros jogarão a semifinal de sábado, repetindo 2013. Melo, ainda ao lado de Ivan Dodig, já decidiu o título uma vez, em 2015.

O caminho para o domingo não é fácil para nenhum dos dois. Líderes do grupo, Soares e Murray vão encarar às 16 horas os superentrosados Henri Kontinen e John Peers, atuais campeões, com a meta de atingirem a final de Londres pela primeira vez. Já Melo e Kubot abrem a rodada às 10 horas e terão pela frente a ascendente parceria formada entre Ryan Harrison e Michael Venus, invictos até agora no Finals e inesperados campeões de Roland Garros deste ano.

Em simples, deu a lógica. Nos primeiros games, até parecia que Dominic Thiem havia superado seu eterno problema com a postura defensiva sempre muito firme de David Goffin. Ledo engano. Pouco a pouco, o belga dominou as ações e só perdeu mais dois 14 games seguintes, algo que se pode classificar como um pequeno massacre. Houve alguns games duros, porém raramente se viu Goffin sob pressão.

Dessa forma, as semifinais estão completadas. Goffin será o adversário de Roger Federer às 12 horas com a dura missão de interromper a série de seis derrotas consecutivas. Há poucas semanas, na Basileia, levou uma surra do suíço, mas as condições eram bem mais velozes do que na arena O2. Sua dificuldade começa com a necessidade de devoluções agressivas para entrar mais nos pontos e tentar explorar seu ótimo backhand, mesclando paralelas. Federer é favorito, sem dúvida.

Em seguida, às 18 horas, Grigor Dimitrov enfrentará o surpreendente Jack Sock. O norte-americano historicamente tem 3 a 1 nos duelos diretos. A principal referência no entanto é o confronto de março em Indian Wells, um piso também um tanto lento, e o norte-americano venceu de virada por apertados 7/6 no terceiro set porque Dimitrov vacilou mentalmente na hora h. Esse tom emocional deve ser a tônica desta semi e, como continua sem nada a perder, Sock se torna um adversário extremamente perigoso. Baixar a bola no backhand e não permitir que o norte-americano fuja para bater o forehand é um bom caminho para Dimitrov.

Sock, que surpresa!
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2017 às 20:23

Não é coisa normal um estreante de Finals jogar tão bem, muito menos bater favoritos e arrancar vaga na semifinal do torneio que reúne oito dos nove melhores do ranking. Jack Sock prometeu entrar sem responsabilidade e seu jogo se encaixou notavelmente bem no piso um tanto lento da arena O2, aliás como aconteceu em Paris duas semanas atrás. Com tempo maior para os golpes de base, Sock fez duas exibições exigentes na parte mental e repetiu a surpresa que causou contra Marin Cilic desta vez em cima de Alexander Zverev.

E querem saber mais? Nada improvável que ele belisque seu lugar na decisão de domingo. Sim, porque seu adversário da semifinal será o búlgaro Grigor Dimitrov, sobre quem ganhou três de quatro duelos, incluindo o de Indian Wells deste ano, em placar bem apertado.

O ponto essencial da partida foi a variação nos golpes do 9º do ranking. A quadra mais lenta facilitou a calibragem mais adequada do backhand e outra vez usou deixadas inteligentes e desconcertantes como se estivesse sobre o saibro. O primeiro set esteve forrado de break-points, mostrando a esperada tensão mais alta da partida, e apenas Sock aproveitou a chance, no sétimo game. Uma relaxada no começo da segunda série custou caro e o alemão foi absoluto. Os dois trocaram quebras na abertura do terceiro set, Sock abriu 4/1 e aí Zverev igualou. Na hora da pressão no entanto voltou a faltar a frieza necessária ao jovem alemão, o que temos visto com alguma frequência desde o US Open.

Já classificado em primeiro lugar do grupo, Federer se empenhou diante de Cilic e buscou uma bela virada. Fez um primeiro set de altos e baixos, correu sério risco ao permitir um break-point no longo terceiro game do segundo set e realmente embalou a partir do 4/4, fazendo então nove games muito bons.

Em seus 15 Finals já disputados, esta é a nona vez que Federer passa a primeira fase invicto, cinco delas na arena O2. Mais: cinco de seus seis títulos foram invictos e ele tentará agora fazer isso pela terceira vez em Londres. Um fenômeno esse senhor.

Federer espera agora para saber se disputará a semifinal de sábado contra Dominic Thiem ou David Goffin, embora em qualquer caso será favorito. É bem verdade que Thiem leva rara vantagem de 2 a 1 nos confrontos diretos, ainda que os três duelos tenham acontecido na complicada temporada do suíço em 2016. Talvez por isso mesmo Federer prefira encarar o belga, contra quem soma seis vitórias e apenas dois sets perdidos.

Para o tênis brasileiro, a expectativa é que Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot deem uma relaxada e ajudem Bruno Soares e o escocês Jamie Murray a se garantir na semifinal. Se o placar for de 2 a 1, Melo permanece no primeiro lugar e Bruno fica em segundo e isso independe do jogo das 10h entre os irmãos Bryan e os reservas Marach/Pavic. Está tudo ajeitado para termos novamente dois brasileiros na penúltima rodada, como aconteceu em 2013.