Federer dá outro passo à frente
Por José Nilton Dalcim
15 de novembro de 2018 às 20:42

Roger Federer saiu da quadra após a derrota na estreia do ATP Finals dizendo que precisava descansar a cabeça. Cancelou até treinos para ficar com a família e relaxar. Deu certo. Jogou mais animado contra o instável Dominic Thiem e viu Kei Nishikori perder o rumo, fazendo duas partidas abaixo da crítica. A sorte virou totalmente para seu lado.

Ainda que não tenha encontrado ainda seu melhor jogo, Federer deu outro passo para a frente na partida sobre Kevin Anderson. O duelo previa um sul-africano bem solto em quadra, com semifinal inédita garantida, e um suíço pressionado por games e sets, já que somente a vitória poderia evitar um encontro precoce com Novak Djokovic no sábado.

E o que se viu foi o oposto. Federer flutuando em quadra, mexendo-se muito bem, sem pressa na construção dos pontos e muito aplicado na parte tática. Enquanto Anderson atacava seu backhand, usava o venenoso slice para incomodar o grandão de 2,06m, a arma aliás com que sempre Federer dominou Anderson, incluindo os dois primeiros sets antes da incrível virada sofrida em Wimbledon.

Alguns pontos da estatística mostram que a cabeça de Federer estava no lugar. Devolveu 81% do poderoso saque de Anderson, ainda que o sul-africano tenha errado 45% do primeiro serviço. Esse volume forçou o adversário a jogar o tempo todo. Com o serviço, Federer ainda não teve um índice satisfatório, ficando nos 58% de primeiro saque e sofrendo uma quebra boba e com bolas novas, mas ele venceu 79% desses lances. Anotou apenas três aces porque foi muito esperto: procurou forçar menos e esperar uma bola mais propícia. Em 16 participações no Finals, em três sedes diferentes, Roger fez semi em 15, com exceção de 2008. Marca tão impressionante como suas 43 semis de Grand Slam.

O cruzamento com Djokovic não está ainda totalmente descartado, já que o sérvio pode perder o primeiro lugar do grupo caso John Isner vença Alexander Zverev às 12h e depois Marin Cilic derrote o sérvio, às 18h. São dois resultados menos prováveis, mas o alemão não está nada confiável, reclamando o tempo todo de cansaço, e Djoko afirmou ainda estar sentindo febre e alguma dificuldade para respirar.

Isso deixa expectativa para a rodada desta sexta-feira. Claro que, se Zverev mantiver seu histórico de 4 a 1 sobre Isner, o jogo da noite será uma mera exibição e Djokovic é bem capaz de se poupar. No entanto, se Isner repetir o título de Miami em cima de Zverev – também um piso sintético lento -, então a coisa esquenta. Vale lembrar que o norte-americano também tem chance de ir à semi desde que vença em dois sets e Djokovic elimine o croata por qualquer placar.

Djokovic confirma e aguarda Federer
Por José Nilton Dalcim
14 de novembro de 2018 às 20:55

Como era esperado, Novak Djokovic foi o primeiro a se classificar para a semi de simples do Finals de Londres, e com os pés nas costas. O que ninguém imaginava é que ele tem grande chance de cruzar com Roger Federer na fase do mata-mata do torneio neste sábado, já que o suíço está muito mais para ser segundo do seu grupo, em jogo decisivo que fará nesta quinta-feira contra Kevin Anderson. Como o Finals é muito versátil, existe até a hipótese de tanto Djokovic como Federer ficarem em segundo lugar. Isso sim seria surpreendente.

O duelo entre o número 1 e Alexander Zverev não foi o espetáculo imaginado, mas ao menos teve um primeiro set bem interessante, em que o alemão ficou bem perto de quebrar e em seguida sacar para o set. Optou por um lob cruzado quando tinha a paralela de backhand que tanto gosta, deu azar e daí em diante sucumbiu diante da solidez do adversário.

Djokovic cometeu apenas 13 erros na partida e viu Zverev falhar 33 vezes, 18 delas com seu golpe principal, o backhand. Quando se olha o número de winners, fica a impressão que Zverev atacou mais, porém o placar final de 20 a 11 na verdade conta com 9 aces do alemão. A diferença básica na partida foram as trocas de bola entre 5 e 9 golpes: uma ‘lavada’ de 25 a 8 para Djokovic, o que deixa patente a qualidade de suas bolas profundas e a constante variação de direções.

Esta será a oitava semifinal de Djokovic no torneio nobre que encerra a temporada e a sexta consecutiva em suas participações na arena O2 (obviamente não se conta a ausência de 2017). Aliás, ele só perdeu uma semi no Finals e em Londres, justamente para Federer, em 2010.

Descansado e confiante, Djoko observa agora a interessante definição do segundo lugar do grupo Guga Kuerten e obviamente ele terá participação nisso, já que enfrenta Marin Cilic na sexta-feira. O croata, que marcou grande virada em cima de John Isner, precisa ganhar para ter chance – nunca fez uma semi no Finals – e ainda torcer por Isner contra Zverev.

Cilic só tem uma chance de se classificar: vencer Djoko e Zverev perder de Isner. E nesse caso, o croata será o primeiro do grupo! Zverev no entanto está bem mais confortável, porque depende de si só: basta ganhar de Isner e ficará com o segundo lugar, mas também ficará com a vaga de perder em 3 sets e Djoko superar Cilic. Por fim, Isner está por um fio: tem de torcer pelo sérvio e não perder set de Zverev..

Melo se complica
Quem também está em situação muito delicada é Marcelo Melo e seu parceiro polonês Lukasz Kubot. Eles nem jogaram tão mal assim, mas alguns vacilos no serviço custaram a derrota para os franceses Nicolas Mahut e Pierre Hughes, que jogaram num nível muito alto o tempo inteiro.

Embora estejam sem vitória e sequer set marcado, Melo e Kubot ainda não estão eliminados do torneio. Precisarão no entanto derrotar por 2 a 0 na sexta-feira a parceria número 1 do ano Oliver Marach/Mate Pavic e torcer para que Mike Bryan/Jack Sock não cedam sets para Herbert/Mahut. Ainda assim, dependerão do percentual de games vencidos. Ficou duro, mas não impossível.

O adeus de Aga
Agnieszka Radwanska nunca foi uma tenista brilhante, mas seu espírito de luta e apuro tático, que lhe valeu o apelido de La Professora pelas adversárias, conseguiram lhe dar 20 títulos de peso, entre eles o Finals de Cingapura, além de um vice em Wimbledon e o número 2 do ranking. Não é pouca coisa. Aos 29 anos, cansada de lutar contra as lesões e a falta de progresso técnico, Aga anunciou a aposentadoria nesta quarta-feira. Ela não vencia um torneio desde agosto de 2016.

Sem um rosto bonito, algo que sempre se procura no tênis feminino, Radwanska sempre esbanjou simpatia e foi reconhecida pelo público com prêmios de popularidade. Nunca se conformou com seu tênis limitado pela falta de força e chegou a contratar Martina Navratilova para ajudá-la no jogo de rede.

No texto de adeus, dá a entender que prosseguirá perto das quadras, quem sabe como treinadora. Tem muito a ensinar, sem dúvida.

Jogos fracos embolam e ajudam Federer
Por José Nilton Dalcim
13 de novembro de 2018 às 21:07

Duas partidas frustrantes na terceira rodada do ATP Finals, mas que ajudaram muito Roger Federer. O suíço jogou bem melhor do que na estreia e conseguiu um placar elástico contra Dominic Thiem. Melhor ainda: viu o algoz Kei Nishikori ser esmagado por Kevin Anderson e ficar com saldo de games negativo, o que pode ajudar o cabeça 2 no caso de um tríplice empate no primeiro lugar do grupo na quinta-feira.

Vamos primeiro à situação do grupo Lleyton Hewitt:
1. Federer será primeiro do grupo se vencer Anderson e Thiem ganhar de Nishikori. Ou se ele bater Anderson por 2 a 0 e Nishikori vencer em 3 sets.
2. Federer será segundo do grupo se ganhar de Anderson em três sets e Thiem vencer por 2 a 0.
3. Federer dependerá de ‘game average’ se perder de Anderson por 2 a 0 e Thiem ganhar em sets diretos ou ainda se ele vencer Anderson e Nishikori levar em 2 sets.
4. Federer estará eliminado se perder de Anderson e Nishikori ganhar um set ou até mesmo se ganhar de Anderson em 3 sets e Nishikori superar Thiem.
5. Anderson só ficará de fora numa única possibilidade: perder de Federer por placar muito amplo e Nishikori ganhar em dois. Ainda assim, a decisão será no ‘game average’.
6. Thiem tem uma chance mínima: tem de ganhar muito fácil de 2 a 0, e torcer para Anderson fazer 2 a 0 bem elásticos.
7. A ATP já confirmou: na quinta, Nishikori e Thiem jogam às 12h e assim Federer e Anderson entrarão em quadra às 18h sabendo claramente do que precisam fazer.

Portanto, tudo ainda é possível. Claro que o sul-africano merecidamente está muito perto da semi logo em seu primeiro Finals. Fez um grande jogo frente a Thiem e esmagou Nishikori nesta terça-feira, uma partida muito estranha em que o japonês se mostrou totalmente descalibrado e por vezes desanimado. Escapou de uma humilhante ‘bicicleta’, algo raríssimo no Finals, quando Anderson já tinha vencido 11 games e ainda abriu 0-15. De longe, o sul-africano é o destaque do torneio até aqui.

O primeiro serviço de Federer permanece pouco confiável. É verdade que atingiu 67% de acerto no primeiro set, mas no segundo desabou para 47%. Thiem não soube se aproveitar disso e fez uma partida tenebrosa. Aliás, os números do jogo foram incrivelmente malucos: Federer fez apenas 9 winners (contra 11), mas Thiem cometeu o triplo de erros (34 a 11). O suíço também só foi nove vezes à rede, vencendo quatro pontos. Sempre bom lembrar que Federer só não disputou a semi de seus 15 Finals uma vez, no problemático ano de 2008. Esta aliás foi sua 70ª partida no torneio e a 56ª vitória.

Brasil na semi
Bruno Soares e o escocês Jamie Murray foram os primeiros a já se garantir na semifinal de sábado, graças a duas vitórias por 2 sets a 0 e o triunfo da parceria de Klaasen/Venus, a quem bateram na estreia.

O primeiro lugar do grupo está garantido e é uma motivação, mas não há muito o que escolher já que a outra chave é muito forte e pode ter como segundo colocados Mike Bryan/Jack Sock, Oliver Marach/Mate Pavic ou Marcelo Melo/Lukasz Kubot.

Bruno chega pela quarta vez na semi e ainda sonha com sua primeira decisão na arena O2. Nesta quarta-feira, será a vez de Melo e Kubot tentarem a reação essencial. Batidos na estreia por Bryan/Sock, enfrentam os franceses Pierre Herbert/Nicolas Mahut, mas na teoria até uma derrota ainda os mantém com chance desde que os americanos vençam no começo do dia.