Jogos fracos embolam e ajudam Federer
Por José Nilton Dalcim
13 de novembro de 2018 às 21:07

Duas partidas frustrantes na terceira rodada do ATP Finals, mas que ajudaram muito Roger Federer. O suíço jogou bem melhor do que na estreia e conseguiu um placar elástico contra Dominic Thiem. Melhor ainda: viu o algoz Kei Nishikori ser esmagado por Kevin Anderson e ficar com saldo de games negativo, o que pode ajudar o cabeça 2 no caso de um tríplice empate no primeiro lugar do grupo na quinta-feira.

Vamos primeiro à situação do grupo Lleyton Hewitt:
1. Federer será primeiro do grupo se vencer Anderson e Thiem ganhar de Nishikori. Ou se ele bater Anderson por 2 a 0 e Nishikori vencer em 3 sets.
2. Federer será segundo do grupo se ganhar de Anderson em três sets e Thiem vencer por 2 a 0.
3. Federer dependerá de ‘game average’ se perder de Anderson por 2 a 0 e Thiem ganhar em sets diretos ou ainda se ele vencer Anderson e Nishikori levar em 2 sets.
4. Federer estará eliminado se perder de Anderson e Nishikori ganhar um set ou até mesmo se ganhar de Anderson em 3 sets e Nishikori superar Thiem.
5. Anderson só ficará de fora numa única possibilidade: perder de Federer por placar muito amplo e Nishikori ganhar em dois. Ainda assim, a decisão será no ‘game average’.
6. Thiem tem uma chance mínima: tem de ganhar muito fácil de 2 a 0, e torcer para Anderson fazer 2 a 0 bem elásticos.
7. A ATP já confirmou: na quinta, Nishikori e Thiem jogam às 12h e assim Federer e Anderson entrarão em quadra às 18h sabendo claramente do que precisam fazer.

Portanto, tudo ainda é possível. Claro que o sul-africano merecidamente está muito perto da semi logo em seu primeiro Finals. Fez um grande jogo frente a Thiem e esmagou Nishikori nesta terça-feira, uma partida muito estranha em que o japonês se mostrou totalmente descalibrado e por vezes desanimado. Escapou de uma humilhante ‘bicicleta’, algo raríssimo no Finals, quando Anderson já tinha vencido 11 games e ainda abriu 0-15. De longe, o sul-africano é o destaque do torneio até aqui.

O primeiro serviço de Federer permanece pouco confiável. É verdade que atingiu 67% de acerto no primeiro set, mas no segundo desabou para 47%. Thiem não soube se aproveitar disso e fez uma partida tenebrosa. Aliás, os números do jogo foram incrivelmente malucos: Federer fez apenas 9 winners (contra 11), mas Thiem cometeu o triplo de erros (34 a 11). O suíço também só foi nove vezes à rede, vencendo quatro pontos. Sempre bom lembrar que Federer só não disputou a semi de seus 15 Finals uma vez, no problemático ano de 2008. Esta aliás foi sua 70ª partida no torneio e a 56ª vitória.

Brasil na semi
Bruno Soares e o escocês Jamie Murray foram os primeiros a já se garantir na semifinal de sábado, graças a duas vitórias por 2 sets a 0 e o triunfo da parceria de Klaasen/Venus, a quem bateram na estreia.

O primeiro lugar do grupo está garantido e é uma motivação, mas não há muito o que escolher já que a outra chave é muito forte e pode ter como segundo colocados Mike Bryan/Jack Sock, Oliver Marach/Mate Pavic ou Marcelo Melo/Lukasz Kubot.

Bruno chega pela quarta vez na semi e ainda sonha com sua primeira decisão na arena O2. Nesta quarta-feira, será a vez de Melo e Kubot tentarem a reação essencial. Batidos na estreia por Bryan/Sock, enfrentam os franceses Pierre Herbert/Nicolas Mahut, mas na teoria até uma derrota ainda os mantém com chance desde que os americanos vençam no começo do dia.

O favorito começa com tudo
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2018 às 20:09

Novak Djokovic nem precisou jogar seu melhor tênis para fazer uma estreia muito eficiente no ATP Finals. O número 1 do mundo chegou à 50ª vitória da temporada em 61 jogos – note-se que 43 delas foram obtidas depois de ganhar o primeiro set – e anotou nada menos que o 13º triunfo sobre um top 10, o melhor índice de 2018.

Amplo favorito para seu sexto troféu no FInals e o quinto na arena O2, barrou o poderoso saque do estreante de 33 anos John Isner sem sequer precisar de um tiebreak. Num piso um pouco mais lento, sua magistral devolução faz estragos que pouca gente consegue diante do tenista de 2,08m. Nesta noite, fez retornar nada menos que 83% dos serviços, o que obrigou o adversário a ter de jogar. Isso quase sempre basta.

Djokovic fechou a estreia com apenas seis erros não forçados diante de 26, algo que não chega a ser surpreendente porque Isner força tanto o tempo todo que é raro sobrar uma bola fácil para se arriscar. Ainda assim, o sérvio fez 16 winners da base (outros seis de aces). Para completar seu ótimo dia, acertou 87% do primeiro saque, muito acima dos 67% de Isner, e só correu risco num game de 0-30 em que o americano soltou o braço.

Mais cedo, Alexander Zverev conseguiu uma notável reação no começo da partida, quando salvou dois break-points que dariam 4/0 para Marin Cilic. Pouco depois, o croata sacou com 5/3, mas fez erros bobos, permitiu o empate e caiu no tiebreak.  A história se repetiu no segundo set, quando Cilic fez 4/3 e saque. No outro tiebreak, se saiu ainda pior.

A maior qualidade do alemão esteve na cabeça fria. Certamente fizeram muita diferença o histórico de quatro vitórias seguidas que tinha sobre o croata e o tenebroso retrospecto de Cilic na arena O2, com agora de 1-9. Aos 21 anos, Zverev é o líder da temporada no número de vitórias, com 55. O duelo contra Djokovic na quarta-feira promete ser bem interessante.

O mais curioso de tudo ficou para a entrevista oficial. O alemão discordou totalmente de Roger Federer e avaliou a quadra como bem rápida. E foi enfático: “É uma das mais velozes do circuito, totalmente diferente de Paris, onde o piso era veloz mas a bola, não”. Não sei que conclusão tirar. Melhor talvez ouvir outros jogadores, mas pela TV eu fico mais com Federer, até porque a bola utilizada neste Finals, a ATP Head, definitivamente não é rápida.

E por falar em Federer, ele causou certa apreensão em Londres, quando cancelou o treino da manhã, que estava previsto para o ginásio do Queen’s Club, sem explicações oficiais. Especulou-se que a quadra do tradicional clube seria bem mais veloz do que a da O2, daí a mudança de ideia. Não convence muito.

Pouco usual foi a sinceridade de Mate Pavic, que considerou uma fraude a suposta contusão de Nicolas Mahut. Ao tentar buscar uma bola profunda, o francês tropeçou no cercado de publicidade que fica aos pés dos juízes de linha e pediu atendimento duas vezes. “Não parece que doía tanto assim”, cutucou.

A primeira rodada de duplas terminou com essa vitória de Pavic e Oliver Marach sobre Mahut e Pierre Herbert, além da queda de Marcelo Melo e Lukasz Kubot sobre Mike Bryan e Jack Sock, um grupo duríssimo com três parcerias campeãs de Grand Slam (só a do brasileiro não venceu, mas foi vice no US Open).

Melo e Kubot, que defendem a final do ano passado, precisam agora vencer Mahut/Herbert na quarta-feira e podem até sair em primeiro no grupo se Marach/Pavic superar os norte-americanos.

Nishikori acertou a mão
Por José Nilton Dalcim
11 de novembro de 2018 às 20:34

Kei Nishikori tentou mudar seu destino em Xangai, ficou mais ousado em Paris e por fim acertou a mão em Londres. Venceu seu ídolo Roger Federer num resultado inesperado, principalmente depois da grande exibição do suíço diante de Novak Djokovic em Bercy.

Há coisas bem curiosas nesse resultado. Nishikori fez apenas 6 winners (contra 19), foi mais à rede do que o suiço (13 frente 11), perdeu as trocas com mais de cinco golpes (15 a 17) e venceu em dois sets com apenas 53% de primeiro saque. Como explicar tudo isso em poucas palavras?

Federer teve mais altos e baixos, principalmente no backhand, e de novo não fez a lição de casa na devolução do segundo saque. Méritos para a consistência de Nishikori, que escapou de dois 0-30, em fundamentais oitavo e 12º games do primeiro set. Além da determinação tática de sacar quase sempre no backhand e ir à rede, conseguiu desta vez usar mais o forehand com ótimo trabalho de pernas. Nunca recuou da linha de base.

Com a boa vitória de Kevin Anderson sobre Dominic Thiem – este sim, sempre muito atrás da linha -, a segunda rodada do grupo terá Federer x Thiem em jogo praticamente decisivo e Nishikori x Anderson, que duelam pela quarta vez desde agosto.

Dado curioso divulgado pela ATP: Federer é o classificado para o Finals com menor número de vitórias sobre top 10 na temporada (apenas 2), superado até mesmo por Isner, Anderson, Cilic (3) ou Thiem e Zverev (5). Os líderes são Djokovic (11) e Nadal (10). Nishikori agora chegou a 6.

Desafio nas duplas
O tênis brasileiro, que atravessou outra temporada dependendo demais dos duplistas mineiros, começou com vitória em Londres. Bruno Soares e o escocês Jamie Murray tiveram jogo muito equilibrado contra Raven Klaasen/Michael Venus, que causaram várias surpresas em 2018: 7/6, 4/6 e 10-5.

Bruno tem um desafio todo pessoal. Em quatro participações, fez três semifinais, duas ao lado de Murray, mas não conseguiu passar daí. Em sua estreia de 2013, ao lado de Alexander Peya, sofreu derrota muito amarga para os Bryan, de virada e com 10-8 no match-tiebreak.

Murray carrega é claro a torcida local, mas raramente conquistou grandes títulos em Londres, tendo ganhado apenas Queen´s no ano passado. Perdeu sua única decisão em Wimbledon, em 2015 com John Peers, e somou outros dois vices em Queen´s.

Marcelo Melo, que estreia na segunda-feira, já disputou cinco Finals e obteve sucesso maior, com duas decisões, em 2014 e 2017, e outras duas semis. O vice de quatro anos atrás ao lado de Ivan Dodig também foi no detalhe, levando virada e 10-7 no match-tiebreak para os Bryan.

Nem a parceria de Bruno, nem a de Marcelo poderão terminar a temporada em primeiro lugar, já que sequer os 1.500 pontos de eventual título invicto seriam suficientes para superar Oliver Marach e Mate Pavic. No ranking individual, Mike Bryan também já garantiu o número 1 antecipado e os brasileiros lutam para encerrar no top 5, desde que cheguem ao menos na final de domingo.

Next Gen confirma Tsitsipas
Com a contusão de Denis Shapovalov, o grego Stefanos Tsitsipas entrou como favorito e confirmou o título na segunda edição do Finals para a Nova Geração em cima de Alex de Minaur, um dos novatos que mais evoluíram em termos técnicos ao longo de 2018.

O torneio de Milão é cheio de regras diferenciadas, com ponto decisivo no ’40-iguais’ e sets curtos até 4. Isso muda demais o jogo tradicional e assim os padrões ficam comprometidos. Acaba não valendo mais do que prêmio e alguma promoção, mas não me parece empolgar.

Sem dúvida, são interessantes a marcação totalmente eletrônica das linhas, a liberação da conversa jogador-técnico e o retorno aos tempos em que o tenista tinha de ir se enxugar por conta própria. Isso é duplamente interessante: diminui a tarefa do pegador e elimina o exagero do uso da toalha, que a maioria dos jogadores tem, já que os 25 segundos continuam correndo.

Pobre Fed Cup
Para os que condenam o novo formato da Copa Davis, a decisão da Fed Cup neste fim de semana foi um tanto constrangedora. As top 10 Petra Kvitova e Karolina Pliskova não toparam e deixaram a missão para Katerina Siniakova e Barbora Strycova, ambas fora das 30 primeiras.

Ainda assim, venceram as reservas das reservas norte-americanas logo no terceiro jogo de simples. Os EUA chamaram a quinta e a sexta do ranking, Sofia Kenin e Alison Riske, que sequer figuram entre as 50, já que Sloane Stephens, Serena Williams, Madison Keys, Danielle Collins e Venus Williams encerraram antecipadamente o calendário. Ao menos, o terceiro jogo de 3h45 foi bem emocionante.

Pode ser que a Nova Davis não tenha achado a fórmula ideal, mas fica evidente que alguma coisa precisa ser feita também com a Fed Cup. Sem pontos no ranking e com critérios frouxos para as Olimpíadas, os dois tão tradicionais eventos por países correm cada vez mais risco. Quem sabe, um caminhão de dinheiro seja a única solução.