PLACAR

Rivalidades, domínio e bloqueio marcam fases finais em Paris

Foto: Nicolas Gouhier/FFT

No momento em que Roland Garros chega às suas fases decisivas, dois duelos marcaram as semifinais de quinta e sexta-feira em Paris. Enquanto Iga Swiatek marcou sua 11ª vitória em 12 jogos contra Coco Gauff para garantir lugar na final da chave feminina e lutar pelo tetra no torneio e o quinto Grand Slam da carreira, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner protagonizaram o nono duelo de uma rivalidade bem mais equilibrada. Após vencer uma disputa de cinco sets e mais de 4h de duração, o espanhol venceu seu quinto jogo contra o italiano.

É inegável que Swiatek se tornou uma jogadora dominante no circuito desde que assumiu a liderança do ranking em março de 2022. Ela acumula 106 semanas como número 1 do mundo e só perdeu a posição por apenas oito semanas no ano passado. Com ampla vantagem para as concorrentes diretas, pode abrir mais de 3.700 pontos de distância.

+ Clique aqui e siga o Canal do TenisBrasil no WhatsApp

E durante a temporada de saibro, essa diferença tende a ser ainda maior. Iga chegou a Paris este ano depois de ter conquistado os dois principais torneios preparatórios, os WTA 1000 de Roma e Madri, acumulando já 18 vitórias seguidas no circuito. Favorita na final deste sábado contra a italiana Jasmine Paolini, a polonesa pode igualar o tetra de Justine Henin. E com apenas 23 anos, os seis títulos de Steffi Graf e os sete de Chris Evert são metas plausíveis.

Swiatek cedeu apenas um set na campanha até a final em Roland Garros. Isso aconteceu na segunda rodada, quando ela teve que salvar match-point no duelo contra a ex-líder do ranking Naomi Osaka. E ela reconhece que depois disso, ganhou muita confiança. E até uma mudança no tempo em Paris, mais quente e seco na segunda semana de torneio, deixou as condições de quadra mais rápidas e favoráveis ao seu estilo de jogo. Moral da história, ficou ainda mais favorita.

Gauff: “Venceria qualquer outra, menos Iga”

Gauff será a nova vice-líder do ranking após o torneio. Campeã do US Open do ano passado e semifinalista na Austrália e também de Roland Garros neste ano, ela vai ultrapassar Aryna Sabalenka na próxima atualização da lista. E embora sinta uma evolução em seu nível de tênis nos últimos meses, há um nítido bloqueio nos confrontos contra Swiatek. Todas as 11 derrotas foram em sets diretos. E mesmo a única vitória, veio com muita dificuldade na semi de Cincinnati ano passado.

Há três semanas, quando elas se enfrentaram também na semifinal de Roma, Gauff avaliou de forma positiva sua atuação no troneio. Disse que, com o nível de tênis apresentado, venceria qualquer outra jogadora do circuito, exceto Iga. No reencontro em Paris, ela criou break-points no início da partida, mas não conseguia efetivamente disputar esses pontos. E no segundo set, teve quebra e não sustentou. Chamava atenção a quantidade de erros com o forehand, até em pontos que estava equilibrada. O nervosismo era nítido, já que ela não erra esse tipo de bola contra as outras. “Cometi mais erros do que estou acostumada“, reconheceu Gauff na coletiva de imprensa sobre os 39 erros num jogo de dois sets.

Desde muito jovem, Gauff já precisou lidar com a pressão, expectativa e comparações com as irmãs Williams. Ainda aos 14 anos, era perguntada nas entrevistas sobre quebrar recordes estabelecidos por Serena. Quando se fala em preparar uma tenista desde cedo para ser campeã, isso extrapolado em seu caso. Como se com ela, ser campeã não era suficiente. O caminho parecia traçado para uma passagem de bastão, de Serena para Naomi Osaka, e depois para Gauff. E de repente, o espaço foi ocupado por uma menina que jogava contra ela no juvenil. Uma pergunta que pode ser feita à norte-americana no momento é: O quanto ver o domínio de uma jogadora da mesma geração está afetando o desempenho, principalmente nos confrontos diretos?

Vem aí uma virada de chave para Alcaraz?

Com apenas 21 anos, Carlos Alcaraz irá disputar sua terceira final de Grand Slam. Campeão do US Open em 2022 e de Wimbledon no ano passado, o espanhol chegou a Paris com muitas dúvidas e uma desconfiança no próprio forehand. O desconforto no braço marcou sua temporada de saibro e ele sequer atuou no Masters 1000 de Roma. Em uma temporada marcada por lesões (também teve a torção no tornozelo no Rio Open) e algumas derrotas precoces, a vitória sobre o rival Jannik Sinner e chegada à final de Roland Garros podem representar uma virada de chave.

Desde a definição de que enfrentaria Sinner na semifinal, Alcaraz já dizia que os duelos com o italiano faziam dele um jogador melhor e ratificou isso após a partida desta sexta. “Para jogar com ele, você precisa nível muito alto de exigência mental, física e de tênis durante toda a partida. Manter essas três coisas por quatro horas não é fácil, principalmente no saibro”. E mesmo com toda a empolgação por uma vitória tão importante, Alcaraz sabe que o torneio ainda não terminou e que o duelo com Zverev será difícil. Seu histórico é negativo contra o alemão, quatro vitórias e cinco derrotas.

Os tais dos pontos importantes

Depois de um jogo de cinco sets e com mais de 4h de duração, é natural pensar que alguns pontos foram determinantes para o resultado final. E o espanhol vinha prevalecendo. “Acho que o segredo foi aproveitar as minhas chances. No primeiro break-point que eu tive, consegui quebrar. E no quinto set, aproveitei também um break-point logo cedo. Ele teve boas chances de quebrar o meu saque. Muitos games foram ao 40-iguais”, então diria que isso foi decisivo”, disse Alcaraz. E o rival concorda: “Ele jogou melhor nos momentos importantes dos sets que venceu”.

Sinner sairá de Paris na liderança do ranking, ultrapassando Novak Djokovic. É um prêmio pela consistência apresentada pelo italiano no início da temporada, com títulos no Australian Open, Roterdã e Miami, além das semifinais de Indian Wells e Roland Garros, e de bons resultados no fim do ano passado, em Pequim, Viena e ATP Finals. Mesmo antes de assumir a liderança, muitos dos colegas de circuito já o colocavam como “o jogador do momento” durante as entrevistas.

Roland Garros vinha sendo um torneio muito difícil para Sinner nos últimos anos, com duas eliminações nas oitavas, e o saibro não é o seu melhor piso. Mais habituado às quadras mais velozes, ele também chegou a Paris com muitas dúvidas, especialmente depois de uma recente lesão no quadril. Mesmo assim, fez sua melhor campanha em Roland Garros e deixa uma perspectiva de crescimento muito alta para os próximos anos. Quem sabe, com novos duelos diante de seu principal rival.

Subscribe
Notificar
guest
2 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Paulo H
Paulo H
4 dias atrás

Teremos, sem dúvida, muitos duelos Alcaraz vs Sinner daqui para a frente, mas acredito em partidas equilibradas, sem franco domínio de um sobre o outro. Da mesma forma, ao contrário de vários profetas do tênis, discordo da opinião de que ambos igualarão os recordes do Big 3. Vejo sinais de fragilidades físicas em ambos, que certamente impedirão vitórias consecutivas em Grand Slams, por exemplo. Enfim, é só mais uma opinião.

Última edição 4 dias atrás by Paulo H
helio
helio
4 dias atrás

Acho muito cedo para fazer previsões de comparação com os campeões passados, porem existem possibilidades sim desde que continuem em forma física e que ñão surjam outros jovens ainda melhores que eles. Mas acho que no momento estamos bem servidos com esses dois talentosos jogadores alem dos demais Top Ten

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

PUBLICIDADE

VÍDEOS

Quando os tenistas se machucam, mas ainda vencem

ATP seleciona as 10 melhores jogadas do ATP FInals