PLACAR

Quinta-feira de zebras e sustos em Melbourne

A vida dos favoritos não foi nada fácil no complemento da segunda rodada do Australian Open. Gente muito importante caiu, como a atual finalista Elena Rybakina, a top 5 Jessica Pegula e o renovado Holger Rune, enquanto nomes experientes como Iga Swiatek e Alexander Zverev estiveram bem perto da eliminação precoce e outros precisaram suar até a última gota, casos de Daniil Medvedev, Hubert Hurkacz, Casper Ruud e Cameron Norrie.

Até mesmo Carlos Alcaraz não esteve brilhante. Deixou um set para Lorenzo Sonego e precisou ficar muito atento para impedir um quinto set. Apesar de ter sofrido uma quebra, ganhou 78% dos pontos em que acertou o primeiro saque e ousou mais na rede, com 53 subidas mas 19 lances perdidos. Ainda não o acho solto e isso pode acontecer enfim diante do canhoto Juncheng Shang, chinês de 18 anos. Se confirmar, cruzará então com Tommy Paul ou Miomir Kecmanovic, que são firmes da base.

No mesmo quadrante da chave, Zverev, Ruud e Norrie foram a desgastantes cinco sets e o alemão especialmente encarou situação bem delicada quando o quali Lukas Klein teve break-point no 5/5 do quarto set, obrigando o cabeça 6 a vencer dois tiebreaks para ir à terceira fase. Por isso, é bom ver como Sascha se sai diante do atrevido Alex Michelsen, 19 anos e 91º do ranking, que dominou Jiri Lehecka. Nos três confrontos já realizados, Ruud sempre venceu Norrie, todos no piso duro.

Rune por seu lado não achou a devolução diante de Arthur Cazaux, 122º do ranking aos 21 anos, que nunca havia ganhado partidas em três Grand Slam anteriores. O convidado cravou 18 aces e venceu 82% dos pontos quando acertou o primeiro saque, salvando três de quatro break-points, um deles em momento crucial do 4/3 do quarto set. O pupilo de Boris Becker não suportou esse volume, cometeu 40 erros e arriscou-se muitas vezes na rede. Isso tudo pode ajudar Hurkacz, ainda que o polonês tenha ficado 2 sets a 1 atrás de Jakub Mensik, mero 142º colocado. E olha que o tcheco cometeu 62 erros, quase o dobro de Hubi.

O longo dia viu Medvedev entrar em quadra perto da meia-noite local e encarar o sempre encardido Emil Ruusuvuori. O russo teve tremendos altos e baixos nos dois primeiros sets, mantendo aquela postura defensiva de dois metros atrás da linha, e chegou a ficar a dois pontos da eliminação. Lutou muito e saiu de quadra 3h45 da manhã com largo sorriso. Agora pega Felix Aliassime e pode reencontrar Grigor Dimitrov, para quem perdeu em Paris dois meses atrás. O búlgaro tem no Australian Open de longe seu melhor Slam, com uma semi e três quartas. Subiu de nível em relação à estreia e é um daqueles poucos que podem escolher jogar na consistência ou no ataque.

Chave feminina vai esvaziando
As quedas de Elena Rybakina e Jessica Pegula nesta quinta-feira fazem com que agora só três das oito principais cabeças – e quatro das top 10 atuais – estejam de pé na terceira rodada. A lista quase incluiu a número 1 Iga Swiatek, numa rodada definitivamente maluca.

Rybakina caiu diante da russa Anna Blinkova, 57ª do ranking, em atuação muito irregular e tensa. O jogo teve 16 match-points, seis deles em favor da cazaque já no interminável ‘tiebrekão’, o mais longo da história dos Slam em qualquer sexo, que terminou 22-20. As duas quase sempre jogavam melhor sem o saque.

Blinkova jogará pela quarta vez uma terceira rodada de Slam contra Jasmine Paoline, enquanto a atual vice e terceira do mundo perderá ao menos dois postos no ranking. O setor ficou aberto, já que Sloane Stephens tirou a cabeça Daria Kasatkina e pega Anna Kalinskaya. Claro que o fato de ter feito uma semi em 2013 dá certo favoritismo a Stephens, hoje 44ª do mundo.

Swiatek teve momentos pavorosos e saídas brilhantes numa partida estranha em que, a bem da verdade, Danielle Collins muito mais perdeu o jogo do que a polonesa ganhou. Ou seja, a americana não capitalizou 4/1 e saque no terceiro set, quando foi passiva e fez péssimas opções, o que se repetiria no 4/3.

“Já estava me vendo no aeroporto”, admitiu a número 1, que de repente não colocava mais forehand em quadra, mas que conseguiu recuperar qualidade nos dois games finais. Foi a revanche da derrota na semi de 2022. Collins afirmou mais tarde que vai encerrar a carreira no final da temporada. Iga pode ter vida menos aflitiva contra a top 50 Linda Noskova, mas terá de elevar seu tênis caso Elina Svitolina siga no nível tão bom que demonstrou até agora.

Pegula por sua vez parou diante de Clara Burel, ex-número 1 juvenil que nunca havia vencido uma top 10 mas chega à terceira fase de um Slam pela quarta vez. Fará duelo todo francês contra Oceane Dodin e quem passar enfrenta uma chinesa, que sai de Qinwen Zheng e Yafan Wang. Coincidência ou não, Pegula estrelou o ‘Break Point’ da Netflix e tinha feito quartas do torneio nas três últimas edições.

Por fim, apesar dos três sets, deu a lógica e as vitórias de Jelena Ostapenko e Victoria Azarenka, o que pode ser o grande jogo da terceira rodada. Vika ganhou os três confrontos, incluindo Brisbane de poucos dias atrás. A se registrar o simpático cumprimento entre Ostapenko e Alja Tomljanovic, que havia se estranhado dois anos atrás em Wimbledon. Quem vencer, enfrenta Emma Navarro ou Dayana Yastremska. Número 26 do mundo aos 22 anos, a norte-americana anda perigosa.

24 Comentários
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Fabio
Fabio
1 mês atrás

Dalcim, não vejo lógica em algumas tramissõs da Espn. Quando dois jogos pegavam fogo no quinto set, o do Ruud e do Zverev, trocaram a transmissão para o começo da partida de Alcaraz… que duraria mais de 2 horas… não vejo critério nisso, sinceramente…

Alex William
Alex William
1 mês atrás
Responder para  Fabio

Pq o canal de TV transmite os jogos da quadra principal … só muda se for um brasileiro jogando no caso a bia por exemplo mesmo que ela estivesse em uma quadra alternativa seria ela a quem estaria na transmissão e ao fim da partida dela quadrra para quadra principal , quem assina Star + tem a opção de ver a quadra diferenciada 2 ambos os canais com transmissão em português.. aí tem todas as quadras mas sem ninguém para comentar…

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás

É, por enquanto só Sinner e Sabalenka mostraram a que vieram.

Sandra
Sandra
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

O grego está correndo por fora !!

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  Sandra

Esse não joga nada há muito tempo.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Pra variar discordo rs . Não sei se animado com a conquista da Davis com a Itália, a verdade que Sonego fez jogo de TOP 20 contra Alcaraz . Tivemos jogadas de alto nível na partida com direito a cumprimentos na rede com jogo em andamento ( virou marca registrada do Tourinho rs ) . O Espanhol que não jogou nenhum preparatório, parece ter recuperado seu ritmo e jogou muito no Tiebreak decisivo. Se vai levar o SLAM e’ outro assunto. E conseguiu achar um oponente mais jovem do que ele pra chegar às Oitavas . O Chinês tem apenas 18 aninhos … Abs!

Rafael Azevedo
Rafael Azevedo
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Verdade.
Mas, não esqueça de BIAAAAA.

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  Rafael Azevedo

Sim, acredito que ela vá longe, nobre Rafa.

Rafael
Rafael
1 mês atrás

O AusOpen está duríssimo para os favoritos. Realmente por pouco mais uns 2 ou 3 não ficaram pelo caminho. Mestre, no masculino, qual chave está se mostrando mais dura? E Djoko, Sinner e Alcaraz seguem favoritos?

Sandra
Sandra
1 mês atrás

Dalcim do jeito que as coisas vão a Badosa e o grego não podem finalmente ganharem ?

Sandra
Sandra
1 mês atrás

Dalcim do jeito que as coisas estão indo , será que as chances do grego não aumentaram ?? A Badosa tambem

Maurício Luís *
Maurício Luís *
1 mês atrás

Espero que ATP e WTA tomem providências no sentido de evitar esses jogos de madrugada, como o do Medvedev. Como se não fosse o bastante os tenistas terem que lidar com a grande diferença de fuso horário em relação à Europa e Américas!
Os organizadores tem obrigação “moral e cívica” de adaptarem os horários visando a saúde dos tenistas, e não visando só patrocinadores, imprensa e programação da TV.
Se for pra “organizar” essa baderna/Casa da Mãe Joana do jeito que “organizaram”, eu mesmo vou lá e o faço… ainda por cima cobrando muito + barato. As pessoas tem que estar acima do lucro.
E agora falando um pouco do jogo Elena Rybakina, x Anna Blinkova, a russa, em matéria de força mental, agiu como GOAT. Num dos match-points, foi balançada no fundo da quadra de um lado pro outro e depois da correria ainda teve fôlego pra chegar numa curtinha e corajosamente dificultar o voleio da adversária, forçando-a ao erro. Surreal!

Rodrigo Andrade
Rodrigo Andrade
1 mês atrás

O 2 saque de Iga é pavoroso. Ou melhora ou vai ficar difícil continuar a colecionar slams

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás

E alguns insistem na falta de competitividade da WTA . Estes jogos desta madrugada foram testes pra cardíacos . Cai a N 3 batendo recorde histórico no Tiebreak e a N 1 passou num sufoco danado. Bia agora com mais um patrocinador , desta feita de cosméticos atingindo 12 . Dentro de quadra já igualou os 5 milhões e meio de dólares de Thomás Bellucci que teve carreira de 18 anos. Agora , acredito que o Itaú ( até 2025 ) não está levando muita fé na Brasileira no AOPEN. Estão com duas propagandas no ar até agora , sem Beatriz . Depois desta madruga tenho impressão que eles vão mudar a política…rsrs. Abs!

Weverton Pacheco
1 mês atrás

Como o tênis masculino está de cara nova! Não tem mais bobo no circuito, os medalhões estão tendo que dá o sangue para vencer a nova safra de jogadores que está surgindo! Até chineses estão dando olé nos europeus! Via muita precocidade no femenino, mas parece que agora vai aparecer bons novos jogadores no masculino.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
1 mês atrás

No confronto entre a bela (Paulinha) e a fera, vai dando a fera…

Evaldo Aparecido Moreira
1 mês atrás

Bom dia,
Não deu para Bia hoje, agora o foco é nas duplas, e creio que deva ir mais longe um pouco, vamos na torcida…..

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás

Hoje sim o GOATaço absoluto subiu o nível e conseguiu ficar pouco tempo em quadra. A melhor esquerda da história com folga estava demais, cada winner ou erro forçado melhor do que o outro!

Paulo F.
Paulo F.
1 mês atrás

Ah Bia, que pena…
Mas que sigas evoluindo e melhorando em 2024.
Com relação ao Ben Shelton: pelo visto não terá ligação para o GOAT na próxima rodada.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
1 mês atrás

Acordei as 5 da manhã p torcer pela Bia e me decepcionei. No inicio achei q estava errado quando postei q ela não era postulante ao titulo, nos primeiros 2 games fez os 8 pontos, parecia a Iga nos bons momentos. Mas a partir do quarto game a russa entrou no jogo e a Bia mostrou os seus dois grandes defeitos: irregularidade e falta de confiança. O segundo set era pra ter sido uma barbada pra russa, mas ela também fraquejou e demorou pra fechar. Venceu a mais consistente, ou, talvez, a menos irregular. Uma pena, bom nível a Bia me parece ter, mas infelizmente falta um algo a mais…

Luiz Fernando
Luiz Fernando
1 mês atrás

Finalmente vi um cara no masculino que encheu os olhos, ou melhor, q encheu o adversário de bolas: Sinner. Consistente, com golpes potentes e mostrando um jogo eficiente na rede, algo essencial p vencer nesse tipo de quadra. Esse é postulante ao titulo, sem duvida…

Jonas
Jonas
1 mês atrás

Esse Sinner é sacanagem, joga demais, incrível ainda não ter levado um Grand Slam, o que mostra o alto nível do circuito atual.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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