O bom e velho voleio sobrevive em Wimbledon

Não existe mais jogador de tênis profissional que viva apenas do jogo de rede, nem mesmo sobre as velozes e lisas quadras de grama. Mas ainda assim é um alívio e um deleite ver que alguns jovens e velhos heróis mantêm a arte de pé.

É bem verdade que os voleios não representam mais do que 25% de pontos vencidos para aqueles que adotam essa tática e daí que o espetacular Grigor Dimitrov reviveu a magia dos voleios, com lances magistrais junto à rede, para derrotar Jakub Mensik. Subiu 49 vezes e ganhou 36 desses pontos. Ainda assim foram 25% de seu total de 153 lances positivos.

Outros arrojados, como Lorenzo Sonego e Gabriel Diallo, subiram cada um 57 vezes à rede no duelo direto de cinco sets que fizeram, com média de 20% do total de pontos vencidos. Bem melhor foi o agora herói britânico Arthur Fery, mero 114º do ranking, que tentou 54 voleios, acertou 72% e isso correspondeu a um terço de seus lances de sucesso na vitória sobre o finlandês Otto Virtanen.

Os números mais incríveis couberam a outro veterano, o alemão Jan-Lennard Struff, que completou a surpresa em cima do cabeça 28 Brandon Nakashima. Ele somou 100 winners, dos quais 45 foram aces, além de subir 58 vezes e marcar 47 pontos dos seus 201 através de hábeis voleios. Show.

Dono talvez do jogo de rede mais criativo do circuito masculino de hoje, Alexander Bublik se mantém econômico nesse opção. Claro que tem muito a ver com seu bombástico primeiro serviço, que simplifica o trabalho.

Mas é fato que o tênis na grama de hoje segue baseado em sólido jogo de base. Foi assim que Alexander Zverev, Alex de Minaur, Taylor Fritz, Flavio Cobolli, Karen Khachanov, Jiri Lehecka e Frances Tiafoe garantiram vaga na terceira rodada. Vale ressaltar que Zverev e Tiafoe têm claramente se esforçado para tentar mais avanços à rede e o norte-americano, ressalte-se, tem muita mão.

Destaque especial para Matteo Berrettini. O italiano voltou a jogar bem, tirou o garoto Arthur Fils em quatro sets e segue como único jogador que já fez final em Wimbledon em toda a parte inferior da chave. Vai agora enfrentar Dimitrov, que não escondeu outra vez a emoção da volta a Wimbledon, onde sofreu a grande desilução do ano passado. Se eu fosse você, não perderia esse jogaço por nada.

Fonseca e Djokovic logo cedo

Será que vai haver reencontro? Saberemos provavelmente antes do almoço se João Fonseca terá a honra de desafiar o heptacampeão de Wimbledon nas oitavas de final. O carioca joga agora no terceiro maior estádio e entra às 7h para enfrentar o quali russo Roman Safiullin, enquanto Nole abrirá a Central às 9h30 para duelo inédito diante de Arthur Rinderknech. O favoritismo, ao menos no papel, é do brasileiro e do sérvio.

A rodada tem outras boas expectativas. Se der a lógica, teremos Jannik Sinner-Rafael Jodar e Félix Aliassime-Alejandro Davidovich no domingo. Só tenho dúvida mesmo se Daniil Medvedev supera o agressivo Struff e quem vai ganhar entre Tommy Paul e Hubert Hurkacz, sem dúvida a grande partida masculina do dia.

As atrações femininas são Aryna Sabalenka-Jelena Ostapenko, Ekaterina Alexandrova-Iva Jovic e Belinda Bencic-Anna Kalinskaya. É bem possível termos oitavas excelentes de Sabalenka-Osaka, Barbora Krejcikova-Karolina Muchova, Jessica Pegula-Jovic e Bencic-Coco Gauff.

Dia sem surpresas entre as meninas

A campeã Iga Swiatek jogou bem melhor, não deu bola para o currículo de Karolina Pliskova e agora tem 26 presenças seguidas em terceira rodada de Slam, façanha apenas superada por Martina Navratilova (35) e Conchita Martinez (30).

Vem agora o tira-teima contra a jovem Alexandra Eala, que joga seu primeiro Slam como cabeça de chave. A filipina começou perdendo de Maya Joint, mas depois atropelou para anotar sua terceira vitória de Slam. Quem vencer, pega Jasmine Paolini, outro finalista do torneio, ou Maria Sakkari.

Vitória tranquilíssima teve Elena Rybakina sobre Caty McNally. Será favorita também contra Elise Mertens, ainda que a belga enfim tenha reencontrado seu tênis, e com isso continua mirando as quartas de final, seu único caminho para sonhar com o tão almejado número 1.

Linda Noskova por sua vez tirou a última sul-americana das simples, a colombiana Camila Osorio, e garantiu assim cinco tchecas na terceira fase.

Por fim, três jogadoras que fizeram ótimos preparativos na grama seguem vencendo: Madison Keys, Marie Bouzkova e Emma Navarro. Mas nenhuma delas terá vida fácil no sábado, já que Keys encara Amanda Anisimova – que hoje marcou 18 aces, seu recorde pessoal -, Bouzkova enfrenta Liudimila Samsonova e Navarro desafia Marta Kostyuk. É só duelo bom.

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Gilvan
Gilvan
1 hora atrás

Feliz que o mala do Kyrgios tenha rodado, triste em saber que esse cidadão ainda vai receber inúmeros convites até cansarem dele.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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