Fonseca confirma, favoritos suam

Foto: AELTC

Havia dúvidas justas sobre como João Fonseca iria encontrar rapidamente um ritmo firme e seguro sobre a grama lisa de Londres e menos veloz do que Halle, onde o carioca precisou se contentar com quatro partidas nas duplas para buscar adaptação. E o carioca se saiu bem diante do experiente Roberto Bautista, um adversário experiente que soube mudar de plano tático e por muito pouco não levou o primeiro set.

O brasileiro abriu vantagem rapidamente na partida, sólido no saque e firme na base, mas no menor vacilo viu o espanhol de 38 anos aproveitar a brecha, chegar a set-point antes do tiebreak, em que ainda liderou por 3-0 e 4-1. Exigiu mentalmente do carioca e isso novamente foi o principal destaque de sua terceira vitória em Wimbledon.

A partir do segundo set, o primeiro serviço passou a funcionar mais, algo decisivo na grama. Ao mesmo tempo, Fonseca achou o tempo de devolução e, optando por ficar quase sempre no fundo de quadra, mostrou backhand sólido e forehand agressivo. Arrancou winners até diante de slices venenosos, o que não é nada fácil na superfície.

João terá de esperar até terça-feira para saber se irá enfrentar o australiano Rinky Hijikata, um campeão de Slam em duplas e que já foi 62º de simples, ou se reencontrará o holandês Jesper de Jong, para quem perdeu no ano passado no saibro de Estoril. O jogo parou ainda no segundo set com vantagem do holandês, que nunca entrou no top 70. De qualquer forma, Fonseca será o favorito, já que Hijikata não tem um grande segundo saque e De Jong tem o saibro como seu principal piso.

O esperado confronto com Andrey Rublev na terceira rodada não poderá acontecer, porque o cabeça 12 parou no compatriota Roman Safiullin no quinto set, desperdiçando dois match-points no ‘tiebreakão’ de 10 pontos que chegou a 14-12. Nem por isso se deve esperar maior facilidade. Safiullin já foi 36º do ranking poucos meses depois de chegar nas quartas de Wimbledon, tendo até tirado um set do então 8º do mundo Jannik Sinner.

Trabalho para Sinner e Djokovic

Únicos campeões de Wimbledon na chave desta edição, Jannik Sinner e Novak Djokovic tiveram de trabalhar duro já na primeira rodada. O italiano superou dois sustos. O primeiro foi o bom tênis praticado por Miomir Kecmanovic, que ganhou o primeiro set e abriu 2 a 1.

Depois, foi uma queda feia ainda no terceiro set. Terminou a partida em bom ritmo, mas com sangue no calçado, resultado de uma unha, segundo ele. Para quem não competia desde a queda precoce em Paris, até que o número 1 jogou bem. Enfrenta agora o português Nuno Borges.

Apesar de ter jogado um set a menos, o heptacampeão encontrou um Yibing Wu muito determinado, batendo firme na bola e com ótima movimentação. Se Nole queria ritmo, não poderia ter sido testado de melhor forma. Dado curioso: é a primeira vez em sua longa carreira em que ele perde ao menos um set por sete jogos consecutivos de Slam. Para compensar, entrou na Central com traje de gala e mensagem secreta.

Seu adversário de quarta-feira será o velho conhecido Stefanos Tsitsipas. que nunca passou de oitavas em Wimbledon e amarga 10 derrotas consecutivas desde a segunda vitória sobre Nole, lá em 2019. Nunca se cruzaram sobre a grama.

Resumão

– Além de Fonseca, mais dois sul-americanos avançaram: o peruano Ignacio Buse e o colombiano Nicolas Mejia.
– A queda de Casper Ruud nem pode ser chamada de surpresa, já que pegou logo de cara Hubert Hurkacz, semi de 2021. O norueguês só ganhou três jogos em Wimbledon em seis participações.
– O veterano Pablo Carreño enfim passou uma rodada no Club. Demorou oito edições para isso, um recorde. Agora, pega o compatriota e garoto Rafael Jodar.
– Daniil Medvedev se desculpou pela falta de emoção na vitória sobre Marin Cilic, jogo que prometia muito mais.
– Félix Aliassime e Tommy Paul ficaram pouco tempo em quadra e Alejandro Davidovich manteve o embalo de Mallorca.
– Aryna Sabalenka iniciou bem a luta por final inédita e para manter a liderança. Sua adversária, McCartney Kessler, marcou a primeira “bicicleta” em Wimbledon em 23 anos ao derrotar Oleksandra Oliynykova.
– Grande jogo marcado para quarta-feira: Mirra Andreeva contra Barbora Krejcikova, campeã em 2024. A russa chega a 37 triunfos na temporada.
– Sensação de Paris, a polonesa Maja Chwalinska tinha 6/2, 5/2 e match-point quando escorregou e torceu o tornozelo. Seguiu com movimentação limitada e acabou eliminada pela tailandesa Mananchaya Swawngkaew.
– Jessica Pegula vacilou no primeiro set, saindo de 4/0 para 5/5, antes de confirmou. Pode cruzar com a garota Iva Jovic nas oitavas e, quem sabe, a amiga Coco Gauff nas quartas. Mas Belinda Bencic, semi de 2025, pode atrapalhar tudo.
– Naomi Osaka exibiu mais um vestido inusitado e mostrou estar recuperada do abandono de sábado em Bad Homburg.
– Duas esperanças britânicas sequer entraram em quadra: Jack Draper voltou a sentir o braço e Emma Raducanu, com fratura por estresse. Para piorar, Cam Norrie caiu logo de início. Os melhores nomes da casa agora são Katie boulter, 60ª do ranking, e Jan Choinski, 100º.

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Paulo A.
Paulo A.
1 hora atrás

Gostei muito da estreia do João. Nao jogou o seu melhor nem deu show mas foi eficiente e não se desgastou desnecessariamente. E não esqueçamos também que não teve a melhor preparação possivel na grama. Avante, JF.

SANDRA
SANDRA
2 horas atrás

Dalcim , é possível conseguir se defender de bolas tão anguladas ? O chinês não parava de dar essas bolas e saque também ! Não sei se fiz a pergunta corretamente.

Ronildo
Ronildo
2 horas atrás

Desta vez Tsitsipas vai vencer o sérvio em sets diretos. Creio que agora ele é um homem “renascido” depois de ser globalmente exposto por Badosa. Esta nova versão de Tsitsipas virá com um tênis melhorado, com mais foco e vencendo barreiras.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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