Dia difícil para as campeãs de Wimbledon

Foi uma rodada pouco comum em Wimbledon, em que nada menos que três campeãs entraram em quadra para realizar um novo sonho. E sofreram. Iga Swiatek e Elena Rybakina deixaram um set no caminho antes de avançar, enquanto a rainha Serena Williams surpreendeu pela capacidade competitiva aos 44 anos e teve suas chances diante de uma adversária que não tinha nascido quando ela já era bicampeã.

Longe de seus melhores dias, era de se esperar que Iga se atrapalhasse com a canhota Taylor Townsend, duplista de primeira, cheia de recursos técnicos que só peca na mobilidade, ainda mais sob a natural pressão de defender o título. E pode ter outro teste duro na quinta-feira, quando encara a finalista de 2021 Karolina Pliskova, que enfim voltou a ganhar uma partida no Club após quatro temporadas.

Rybakina também viveu uma estreia de altos e baixos diante de uma típica jogadora de saibro, a francesa Lois Boisson, e por isso foi inesperado o 1/6 que levou no segundo set. Mas teve tempo de sobra para reagir e marcar encontro com Caty McNally, aí sim uma jogadora bem mais afeita aos pisos velozes.

Nada no entanto superou a expectativa de rever Serena na Quadra Central, onde fez 11 finais e ergueu sete vezes o troféu. Sem jogar simples desde o US Open de 2022, é claro que faltaran ritmo e confiança, mas o público pôde ver boa parte de sua magia, de golpes forçados, saques afiados, devoluções corajosas e enorme coração.

A australiana Maja Joint sabia o que fazer e deixou várias vezes a maior vencedora de Slam da Era Profissional estática, principalmente com seu forehand calibrado. Teve chance de liquidar no tiebreak do segundo set e depois ficou contra a parede quando Serena teve bola fácil para abrir 3/1. Considerando a inatividade e o peso dos anos, Williams cumpriu seu papel com louvor.

O adeus de Shelton e o esforço de Zverev

A grama, todo mundo sabe, é uma superfície traiçoeira. Ainda assim, é duro explicar como um tremendo sacador como o canhoto Ben Shelton sucumbiu em cinco sets para o 140º do ranking, desperdiçando 8-5 no supertiebreak derradeiro. O finlandês Otto Virtanen teve seus méritos, diga-se. Forçou o saque, a maioria do tempo acima dos 200 km/h, e também arriscou o tempo inteiro, deixando o placar de winners (60 a 68) e de erros (47 a 41) muito próximo.

O risco também foi o caminho adotado pelo belga Alexander Blockx para levar o cabeça 2 Alexander Zverev a três tiebreaks, vencendo um deles. Só perdeu duas vezes o serviço, subiu à rede sempre que houve brecha e obrigou o alemão a manter concentração total no seu saque nas três horas que durou a boa partida.

O terceiro grande jogo do dia coube a Matteo Berrettini, finalista de 2021 e habitualmente perigoso na grama, diante do veterano Stan Wawrinka. O italiano ganhou depois de quatro emocionantes tiebreaks, o terceiro deles desperdiçado pelo suíço. De qualquer forma, deu a lógica e, caso esteja com físico em dia, Berrettini tem chance real diante de Arthur Fils, jogador habilidoso porém instável.

Fonseca busca vingança, Bia desaba

Numa temporada de diversos reencontros, João Fonseca enfrenta às 10h30 desta quarta-feira o holandês Jesper de Jong, que o eliminou no saibro de Estoril 14 meses atrás. O brasileiro é favorito, não apenas porque é cabeça 24. Aos 26 anos e atual 73º do ranking, De Jong é especialista em saibro, tanto que sequer fez preparativos para o Grand Slam da grama, optando por disputar dois challengers após Roland Garros, tendo vencido um deles. No ano passado, aliás, se aventurou em Hertogenbosch, Halle e Mallorca e não obteve uma única vitória.

Na contramão, vimos mais um triste momento de Bia Haddad Maia. Sem confiança no saque, arma essencial sobre a grama, ela conseguiu jogar melhor como devolvedora diante da uzbeque Timea Timofeeva, 95ª do ranking, e isso obviamente não foi suficiente. Errou bolas por muito, se mostrou apressada e a diferença de capacidade defensiva ficou patente entre as duas tenistas.

A ex-top 10 sai de Wimbledon com a oitava derrota consecutiva e desaba provisoriamente para perto do 150º posto, faixa que a tira de vaga direta em qualquer WTA 250 e a obrigará a jogar o quali do US Open, onde defende oitavas de final. Os parcos 95 pontos que marcou no ranking desde janeiro a colocariam fora do top 500 num eventual final da temporada. Bia precisa marcar mais 300 caso queira terminar o ano entre as 200 mais bem colocadas.

E mais

– Taylor Fritz economizou energia e agora pega o desconhecido Patrick Kypson. Alex de Minaur também foi rápido, mas tem de tomar cuidado com o canhoto e veterano Adrian Mannarino.
– Alexander Bublik precisou virar contra Thanasi Kokkinakis e Jabuk Mensik suou cinco sets contra local Toby Samuel. Agora, jogo muito interessante contra Grigor Dimitrov.
– Mais cabeças caíram no masculino, com destaque para Francisco Cerúndolo, o campeão de Queen’s, que parou em Jaume Munar. Já Ugo Humbert voltou a perder de Zizou Bergs. Alejandro Tabilo. Tomas Etcheverry e Matteo Arnaldi completaram a lista.
– O tênis britânico sobrevive com Arthur Fery, Jacob Fearnley e Jan Choinski…
– Mais duas cabeças se despediram muito cedo: Elina Svitolina, que não vinha bem desde Paris, parou em Daria Snigur e Clara Tauson foi dominada por Maria Sakkari. Na segunda-feira, já haviam caído Leylah Fernandez, Anastasia Potapova, Ann Li e Maja Chwalinska.
– Outras duas finalistas do torneio, Amanda Anisimova e Jasmine Paolini tiveram estreias bem distintas. A norte-americana foi firme e a italiana levou ‘pneu’ de Robin Montgomery antes de virar com dois sets bem duros.
– A segunda rodada feminina tem dois confrontos imperdiveis: Barbora Krejcikova-Mirra Andreeva e Tatjana Maria-Iva Jovic. O melhor do masculino pode ser Félix Aliassime-Dino Prizmic.

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Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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