A chegada de Franco Davín para atuar como consultor na equipe de João Fonseca é muito bem vista por Juan Martin del Potro. Ex-número 3 do mundo e campeão do US Open em 2009, o argentino foi treinado por Davín durante seu processo de formação como tenista profissional. Em entrevista exclusiva a TenisBrasil durante o Roland Garros Junior Series, em São Paulo, Del Potro diz que a experiência de seu ex-técnico trará elementos positivos para o carioca de 18 anos e atual número 1 do Brasil.
“Creio que foi uma boa opção. Franco trabalhou comigo mais ou menos na mesma idade e conhece muito bem o circuito. É um técnico com muita experiência e pode ajudar o João em muitas coisas para o crescimento de um jogador tão jovem”, disse Del Potro, em entrevista na última quinta-feira. “Espero que façam um bom trabalho juntos. Mas é importante deixar que o João trilhe seu caminho com tranquilidade e possa ir descobrindo quais são as coisas boas e ruins de seu próprio jogo e seguir aprendendo a cada torneio”.
“Sei que há muita pressão aqui no Brasil. É lógico que o comparem sempre com o Guga ou com algum outro jogador, pela necessidade de ter um campeão brasileiro ou o latino-americano. Mas ele está muito bem. E para mim, tem potencial para ser um grande tenista. Se ele conseguir trabalhar forte e ser disciplinado, será um jogador muito bom”, acrescentou o argentino, duas vezes medalhista olímpico, bronze em Londres e prata no Rio de Janeiro.
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A cooperação com Davín é pontual, conforme esclareceu o técnico de Fonseca, Guilherme Teixeira. Eles já treinaram juntos por uma semana no ano passado e o argentino se juntou à equipe no Masters 1000 de Miami deste ano. Davín deve participar de alguns treinos no Rio de Janeiro, enquanto o jovem tenista faz sua preparação para a temporada de torneios no saibro europeu. E como informou o blog Saque e Voleio, a consultoria é paga pelo próprio técnico de Fonseca, que tem uma longa relação de confiança com o argentino.

Otimista com a nova geração, Del Potro também destaca o potencial de jogadores como o tcheco Jakub Mensik, recente campeão do Masters 1000 de Miami, e do canhoto norte-americano Learner Tien. O argentino também reforça os já consagrados nomes de Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, que não são tão mais velhos que esses novatos e certamente irão protagonizar muitos duelos nos próximos anos.
“É uma geração que está crescendo com todos muito parelhos, Fonseca, Mensik e Tien… Todos jogam muito bem e têm potencial para se tornar jogadores importantes. Carlitos e Sinner são dois ou três anos mais velhos, mas são da mesma geração”, argumentou o ex-jogador profissional, hoje com 36 anos.
Depois oficializar o fim da carreira e penderar as raquetes em jogo de despedida contra Novak Djokovic em Buenos Aires, Del Potro segue próximo do esporte e desenvolveu sua própria academia em Miami. “Estou muito focado em minha academia de tênis em Miami, então posso passar meu conhecimento aos jovens. Há muitas crianças que querem aprender a jogar. Todo mundo quer tentar aprender a ter a minha direita e ficam me perguntando sobre isso (risos)”.
Argentinos em peso no top 100 da ATP
A grande tradição do tênis argentino também foi assunto da entrevista. Atualmente, seis jogadores do país estão no top 100 do ranking da ATP e chegando com frequência às fases decisivas de torneios de primeira linha, especialmente no saibro. E sempre que se conversa com tenistas argentinos, fala-se muito sobre a possibilidade de encontrar vários parceiros de treino de diferentes níveis no circuito profissional, o que fortalece a competição interna e o desenvolvimento mútuo.
“Isso vem um pouco da tradição do tênis argentino, de nossa forma de treinar, com muito esforço e muito tempo em quadra. Há muita disciplina no nosso trabalho, que é reconhecida na história”, explica o vencedor de 22 títulos de ATP. “Acho que essas são as chaves para vermos tantos jogadores no top 100. Mas agora o Brasil também tem uma super figura que é uma grande motivação para o tênis de seu país e que pode atrair muitos outros jovens”.
Crescimento também no tênis feminino

A Argentina também tem crescido no tênis feminino, com Lourdes Carlé no top 100 e mais três nomes no top 200, Solana Sierra, Julia Riera e Nadia Podoroska. Há ainda uma nova geração no país, com nomes como Sol Larraya, Luna Cinalli e Candela Vazquez trilhando os primeiros passos na transição do juvenil para o profisisonal.
“É muito lindo que o crescimento do tênis argentino hoje é mais equilibrado entre homens e mulheres. É importante vermos o tênis feminino de nosso país nos melhores torneios e subindo no ranking. Certamente todas têm o grande exemplo da Gaby [Sabatini], que esteve aqui no torneio e é uma grande inspiração para elas. Mas tudo começa de um trabalho duro para depois aparecerem os resultados”.
Busca por novos campeões de Grand Slam
Embaixador do torneio que vai classificar dois juvenis sul-americanos para Roland Garros, Del Potro destaca que o tênis precisa crescer na região e voltar a formar campeões de Grand Slam. Ele foi o último vencedor sul-americano entre os homens, há mais de 15 anos, enquanto Gabriela Sabatini, que também está em São Paulo nesta semana, venceu o US Open de 1990. Recentemente, tanto a brasileira Beatriz Haddad Maia, em 2023, quanto a argentina Nadia Podoroska, em 2020, tiveram resultados e destaque, chegando às semifinais em Paris.
“Para mim, é o momento de buscar uma união do tênis sul-americano para que possamos voltar a ter um campeão de Grand Slam. Em homens e mulheres. Eu soube que a última mulher sul-americana a vencer um Slam foi a Gaby. Temos que trabalhar muito duro para voltarmos a conseguir isso”.
Sinner é 5 anos mais velho que o Fonseca.
Federer é 5 anos mais velho que Nadal. Mesmo assim, protagonizaram talvez a rivalidade mais icônica do esporte.
E daí??? Djokovic fez Final em Miami com Mensik: 18 anos de diferença…