“Com Djokovic tudo pode acontecer”, diz Delpo sobre chance do 25º Slam

Foto: Marcello Zambrana/FFT

Felipe Priante
Especial para TenisBrasil

Um dos grandes nomes dos últimos anos no circuito, o recém aposentado Juan Martin del Potro mais uma vez está em território brasileiro, onde acompanha nesta semana a disputa do Roland Garros Junior Series, em São Paulo. Em entrevista exclusiva a TenisBrasil, o argentino falou sobre seus novos passos coma a Del Potro Tennis Academy, na Flórida, e também sobre assuntos do dia a dia do circuito, destacando as reivindicações dos jogadores.

“Não estou muito inteirado de tudo isso, não sei exatamente sobre as demandas, vi apenas o que os jornais noticiaram. É uma coisa histórica, porque sempre há uma disputa entre jogadores e organização pelo calendário e pela premiação. Os jogadores merecem um bom trato e serem reconhecidos. É importante ter um bom calendário, porque senão muitos terminam sofrendo com dores e lesões depois do tênis e isso é perigoso”, pontuou o argentino, que teve uma carreira marcada por lesões.

Delpo contou que já recebeu convites de jogadores para trabalhar como técnico, mas que no momento sua prioridade é sua academia. Contudo, ele não descartou retornar ao circuito em outra função, ainda que não em tempo integral. “São muitas viagens e essa é a parte difícil de nossa carreira, ficar longe de casa. Já recebi alguns convites de tenistas, mas ainda não consegui sentir essa motivação”.

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Outro ponto interessante da conversa foi sua confiança e torcida para que o sérvio Novak Djokovic conquiste o 25º título de Grand Slam. Del Potro acredita que as maiores chances estão em Wimbledon e no US Open, mas também não descarta as chances em Roland Garros. “Torço muito para que ele possa conseguir, seria algo ainda mais histórico do que ter 24, adoraria ver isso por ele e pela amizade que temos. Com Djokovic tudo pode acontecer, vai ser um ano interessante”.

Veja a entrevista de Del Potro:

Já recebeu convite de algum jogador para ser treinador? Você pensa nessa possibilidade, seja em tempo integral ou só por alguns períodos?

Em tempo integral atualmente não quero porque são muitas viagens e essa é a parte difícil de nossa carreira, ficar longe de casa. Já recebi alguns convites de tenistas, mas ainda não consegui sentir essa motivação. Estou muito focado em minha academia de tênis em Miami, então posso passar meu conhecimento aos jovens. Também gosto de estar em eventos como esse, onde posso conhecer os futuros profissionais. No ano passado, fiquei impressionado com Guto e Naná. É uma semana muito especial para eles, porque se sentem profissionais com toda a grande organização do torneio.

Você falou sobre sua academia e Rafa é um cara que tem uma academia há muito mais tempo. Você chegou a conversar com ele sobre isso antes de começar seu projeto?

Não tive a possibilidade. Claro que a academia dele tem muitos anos mais e já é conhecida mundialmente. Para mim, é um projeto ainda muito novo, acabo de me aposentar oficialmente. É uma linda experiência poder transmitir meu conhecimento e estar perto do mundo do tênis ainda, estou muito feliz com esse projeto, há muitas crianças que querem aprender a jogar. Todo mundo quer tentar aprender a ter a minha direita e ficam me perguntando sobre isso (risos).

Neste começo de ano já tivemos o processo da PTPA e agora recentemente uma carta dos jogadores pedindo mais dinheiro aos Grand Slam. Como você avalia essa situação?

Não estou muito inteirado de tudo isso, não sei exatamente sobre as demandas, vi apenas o que os jornais noticiaram. É uma coisa histórica, porque sempre há uma disputa entre jogadores e organização pelo calendário e pela premiação. Acho que esses são os dois pontos que precisam discutir e melhorar, mas agora já estou em outra posição e não estou envolvido nesta disputa. Obviamente os jogadores merecem um bom trato e serem reconhecidos. É importante ter um bom calendário, porque senão muitos terminam sofrendo com dores e lesões depois do tênis e isso é perigoso.

Você esteve em Miami com Djokovic e viu de perto tudo o que ele fez, ficando muito próximo do 100º título. Outra marca que ele também persegue é a de 25 Grand Slam. Você acredita que conseguirá alcançar tal marca? Em qual dos quatro ele tem mais chances?

Eu acredito sim que ele possa conseguir. Acho que se estiver em boas condições físicas é o melhor. Torço muito para que ele possa conseguir, seria algo ainda mais histórico do que ter 24, adoraria ver isso por ele e pela amizade que temos, gosto muito dele. Acho que ele prefere Wimbledon ou US Open, onde pode ter mais chances, mas conseguiu a medalha de ouro em Roland Garros no ano passado, mesmo que no saibro. Com Djokovic tudo pode acontecer, vai ser um ano interessante.

Sobre Wimbledon, acredita que a maior experiência ajuda na grama?

É uma superfície que tem mudado através dos anos, 20 ou 30 anos atrás era super rápida, era um jogo de saque e voleio constante, mas agora podemos ver ralis do fundo de quadra. Novak fisicamente e esteticamente é muito bom, se move muito bem na grama e seu jogo casa bem com o piso. Além disso, ter experiência para superar os momentos críticos de uma partida sempre ajuda.

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Fernando S P
Fernando S P
4 horas atrás

“With these rules, a player playing and winning the mandatory 4 Grand Slams and 8 ATP Masters 1000 events, a further 6 ATP 500 events and the Monte-Carlo Masters 1000 can amass a total of 20,000 points before the ATP Finals and end the calendar year with a maximum of 21,500 points. As of 2022, the maximum points achieved by any player since 2009 is 16,950 by Novak Djokovic, on June 6, 2016.”

Essa pontuação que o Djokovic alcançou é simplesmente surreal.

Acho que são 18 resultados mais o Finals. O máximo seria 21.000 pontos.

Em 2015, o Djokovic ganhou o Australian Open, foi vice em Dubai (ATP 500, perdeu para o Federer), venceu Miami, Indian Wells, Monte Carlo, Roma, foi finalista em Roland Garros (derrota para o Wawrinka), venceu Wimbledon, chegou às finais de Montreal e Cincinnati (perdeu para Murray e Federer), conquistou o US Open, além de Beijing (ATP 500), Shanghai e Paris (ambos Masters 1000), e fechou o ano ganhando o ATP Finals.

No total: 11 títulos, sendo 3 Slams (finalista no outro), 6 Masters 1000 (finalista em 2 e não jogou Madri) e o ATP Finals. Que temporada!

15.700 pontos só com isso (no Finals, ele perdeu uma para o Federer na fase de grupos – vale 200 pontos). E ainda somou mais 845 em torneios 250/500.

16.545 pontos. O máximo foi em junho do ano seguinte…Em 2016 ele ganhou Madri também. Repetiu os títulos do Australian Open, Indian Wells e Miami, caiu na primeira rodada de Monte Carlo e foi vice em Roma. No saldo, perdeu 1.400 pontos em Roma e Monte Carlo, mas compensou somando 400 a mais com Roland Garros e Madri.

Mais um recorde para o currículo do GOAT, com Nadal, Murray, Federer, Wawrinka e companhia jogando ao mesmo tempo. Nada mal, né?

José Afonso
José Afonso
4 horas atrás

Um homem sábio e que entende de tênis.

Leonardo
Leonardo
4 horas atrás

O comentario do Del Potro é coerente “se ele estiver em condições fisicas”. Todos sabemos que nivel de jogo e capacidade para ganhar outro GS, Djokovic tem de sobra, o que está faltando é condição física. Em GS é comum ter jogos na intensidade da final com Mensik, e, em 5 sets, não 3. Acho que RG é o torneio que está mais aberto, com Alcaraz em má fase, Sinner voltando de suspensão, e os outros (Zverev, Tsitsipas, Ruud, Fritz, etc), bom, os outros são os outros. Só que RG é o GS que mais exige do físico. Então se eu fosse apostar em algo eu apostaria em Wimbledon. Nole chegou nas ultimas 2 finais, e tirando o Alcaraz, não tem ninguém dominante na grama, e a demanda fisica em WB costuma ser menor que em RG.

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 hora atrás

GOAT dos esportes perdeu aqueles últimos dois pontos de saque no tiebreak porque ficou sem pernas, chegou atrasado e mandou na rede. Vai ter que seguir melhorando fisicamente, mas a idade avançada é um fator bem complicante. Vamos torcer para o maioral.

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