O palco verde mais emblemático e prestigiado do mundo do tênis nunca deixa de surpreender e brilhar. Erguer o troféu de Wimbledon é o sonho da maioria dos tenistas, afinal lá existe uma magia inexplicável, seja pelo ambiente, perfeição ou tradição. Foi o primeiro torneio realizado no planeta (1877), numa grama que virou sagrada e resistente ao tempo. Houve época onde três dos atuais Grand Slams eram realizados nesse piso mas, desde 1988, o torneio inglês reina absoluto.
Além disso, encanta pelo charme do branco nas indumentárias dos jogadores. Me vem agora à memória um fato curioso de uma das nove vezes em que lá participei: com uma fita vermelha prendendo meu cabelo e já na quadra para o jogo, fui orientada a voltar ao vestiário para colocar uma tira de esparadrapo na mesma. Erroneamente achando que estava com a vestimenta “predominantemente branca”, cometi essa gafe já que a regra se refere a cada peça do traje!
Outra lembrança impactante, que a mídia parece nunca lembrar, foi a nossa vitória, das mais importantes, em 1982 (em parceria com Claudia Monteiro), sobre a mega campeã Billie Jean King, no caminho até as quartas de finais de duplas daquela edição. Caímos frente à dupla imbatível da época, Martina Navratilova e Pam Shriver. Enfim, quem lá passou, nunca esquece.
E falando dessa edição, ainda antes da bizarra final, vale destacar a tradição quebrada após 147 anos de existência dos elegantes e famosos juízes de linha, substituídos finalmente pelo sistema eletrônico de marcação. Diga-se de passagem, os tenistas agradecem essa modernização que traz segurança e justiça aos resultados.
Seguindo então o tema da coluna que trata do universo feminino no tênis, o torneio começou e terminou cheio de surpresas. Ao longo dos primeiros dias, as favoritas foram desaparecendo da chave. E quem apostaria numa final entre Swiatek e a norte-americana Anisimova, concluída num duplo 6/0? Aliás, péssimo para o público presente que não paga barato para esse espetáculo, torcendo sempre para longas disputas. Conta a história inclusive que algo semelhante ocorreu na chave feminina em 1911!
Até a polonesa, emocionada, com mais modéstia nas palavras do que com a raquete, duvidou da possibilidade. Afinal, atuar bem em pisos tão distintos como o saibro, considerado o mais lento, e grama, o mais rápido, são desafios opostos. Ainda mais vinda de um longo jejum de títulos após a vitória em Roland Garros em 2024, com seu time, criaram a fórmula mágica do sucesso: preparação exaustiva na ilha de Mallorca, Espanha, consolidação do saque com movimento encurtado e ganho de potência, associados a uma condição atlética privilegiada, permitindo rapidez e agressividade nos golpes, compensando uma empunhadura inadequada para a grama e adicionando apenas um pré-torneio. Tudo isso misturado num caldeirão, resultou num pico de rendimento ao longo dos quinze dias da competição.
Chegou sobrando na final frente a uma adversária menos experiente, com dificuldades de reação à velocidade da partida. Um feito extraordinário da polonesa que nas duas rodadas mais avançadas do torneio, perdeu apenas dois games! Anisimova brilhou ao derrotar a Sabalenka na semi, mas na rápida final, deu a lógica de jogar tão bem quanto uma adversária permite. Iga simplesmente não permitiu!
Achei vexatória essa final! Imagino a frustração para o público pagante…
Discordo. Achei sim que a Swiatek estava num nível extremamente superior ao da americana, não dando chances de reação para a Anisimova. Méritos da polonesa e de sua equipe. Agora o que é incrível e muito interessante de se ver é que a americana jogou muito concentrada e focada na semifinal contra a fortíssima Sabalenka. Então, o que será que houve na final? A minha impressão é de que a americana tremeu mesmo diante da polonesa. Mas, o mais curioso foi que ela não tremeu contra a tenista mais forte -.pelo menos do ponto de vista físico – contra a Sabalenka. Conclusão: a americana jogou tudo contra a bielorrussa e o gás literalmente já havia acabado para a final contra a Swiatek.
Caro Sérgio
Não acredito muito em cansaço na final. Realmente Anisimova brilhou ao vencer Sabalenka mas eh jovem e teve dois dias para recuperar.
Acho que Iga foi perfeita e em cada tentativa de reação , ela respondeu à altura.
Nao podemos esquecer que a experiente Bencic só conseguiu dois games contra a polonesa na semi.
Foi uma mistura de fatores .
Amanda está entre minhas cinco preferidas, junto com Sabalenka, Mertens, Rybakina e Badosa, mas desta vez foi demais.
ESPN informou que preço do ingresso na final masculina foi R$ 70.000,00 e se na final das garotas foi o mesmo preço, podemos considerar absurdamente caro, pelo que entregaram e por mais milionários fossem os espectadores.
Dando muita munição para quem defende premiação diferenciada entre meninos e meninos.
O mais inteligente seria emitar o golfe (esporte que paga mais) separando eles e elas. Cada turnê seguiria seus destinos por suas próprias pernas e acabaria o bate-boca sobre as premiações, ou seja, quem for mais competente vai pagar melhor.
Correção: O mais inteligente seria imitar o golfe …
Caro Samuel
É muito radical querer mudar algo estabelecido após muita luta por causa de um resultado.
Isso acontece eventualmente também no masculino.
Roger Federer em 2004 venceu o Marat Safin no Australian Open por 7/5 6/1 e 6/0.
Será que o público gostou ?
Se tentar imitar o golfe não seria radical, afinal o sucesso comercial deles é inquestionavelmente muito maior. O tênis teria possibilidade de ter quantidade muito maior de atletas, portanto, estaria mudando para melhor.
Obs: Número 100 do golfe aufere premiação equivalente ao número 30 do tênis.
Afora que a emoção de um jogo masculino em Slam, em melhor de cinco sets, é muito superior a qualquer outra coisa no tênis.
Depende, Samuel. Já vi jogo de 5 ‘sets’ que se tornou arrastado e enfadonho. E foram vários.
Entendo o seu ponto. Porém deixei claro o que eu quis dizer.
Gosto muito de sua coluna Patrícia. Você trás coisas diferentes sobre o circuito, mesmo porque você escreve com o tema voltado para circuito feminino e isso é muito bom. Mais especificamente é muito legal quando alguém tem experiências pra contar porque foi tenista profissional como é o seu caso. Parabéns. Porém, (vixi) com respeito à final feminina achei a abordagem do Blog Primeiro Set bem mais original, abrindo a visão do leitor para uma visão mais abrangente. Mas concordo com você que para a platéia deve ter sido bem frustrante a Asinimova não ter encontrado soluções para o tênis acelerado da Swiatek. Ainda que não foi um passeio e houveram games muito disputados.
Caro Ronildo
Obrigada pelas palavras .
Citei apenas que o público obviamente gosta de disputas acirradas mas me ative muito ao fato da Iga ter chegado num ápice naquela semana e o nível que apresentou foi simplesmente surpreendente .
Ela foi a responsável pelo massacre que começou na semi contra Bencic.
Correto Patrícia. Obrigado!
Pois é, a mídia em geral não pesquisa e os jovens jornalistas e comentaristas há pouco tempo se contentam em falar do que “se lembram”!
Vamos lá gente, pesquisem!
Chegar às quartas de final derrotando”lendas” não é pra qualquer um!
Acho q o clima espanhol fez bem pra Iga! Kkk
Anisimova deve ter sentido o “peso” da Quadra Central e de disputar uma final de Grand Slam!
Foi um grande feito da parte da americana.
No futuro estará mais à vontade!
Não achei vexatória não. Todas as pessoas que vão assistir a uma competição esportiva têm que ter consciência das várias possibilidades de resultados que pode acontecer no jogo. E duplo 6/0 é uma das possibilidades, embora das mais improváveis de acontecer. Só seria reprovável e motivo justo de indignação do público, se uma das competidoras entregassse o jogo deliberadamente. o que não foi o caso da final feminina de Wimbledon/2025.
Carlos Alberto!
Concordo plenamente .
É também saber apreciar um tênis perfeito.
Foi tirado do Youtube uma das mais interessantes finais feminas de todos os tempos: Navratilova x Evert, em Wimbledon, em 1984. Ambas no auge. Acaso alguém sabe onde encontrar?
*** Foi tirada