Nova York (EUA) – Classificado para a terceira rodada do US Open, depois de superar o compatriota Martin Damm por 6/4, 7/5, 6/7 (8-10) e 7/5, nesta quarta-feira, Frances Tiafoe exaltou, em coletiva de imprensa, a figura de Althea Gibson, pioneira que há 75 anos quebrou a barreira racial no tênis ao se tornar a primeira atleta negra a competir no Aberto dos Estados Unidos.
“É incrível. São 75 anos? Que lenda, cara. Ela é uma dessas pessoas que abriram portas para que agora possamos fazer certas coisas. Sempre precisamos retribuir, ser educados e entender que sem X, Y e Z, não haveria Hailey Baptiste, Sloane Stephens, as Williams, e todos esses outros. Eles abriram o caminho para nós”, afirmou Tiafoe, destacando o legado de Gibson e seu impacto sobre gerações de atletas negras.
O jogador americano ainda reforçou a importância de reconhecer líderes históricos. “Ela foi uma verdadeira líder e uma pessoa incrível. Ela e Arthur [Ashe]. Tenho muito amor pelos dois e gostaria de poder dizer isso pessoalmente, mas obviamente não dá. Mas se estiverem olhando por nós, espero que estejam sorrindo, porque estamos fazendo coisas incríveis com essa pequena oportunidade.”
No US Open 2025, a homenagem a Althea Gibson incluiu uma arte temática especial, reconhecendo sua trajetória e influência no esporte. Para Tiafoe, eventos como este mostram o caminho que permite que jovens atletas negras encontrem inspiração no tênis.
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“Acho que estamos em um lugar tremendo. Coco [Gauff] tem dois Grand Slam, vocês viram o que [Victoria]Mboko fez. Para mim, estou em uma posição diferente. Sim, sou afro-americano, mas também africano, e cresci na África. Ver alguém como Mboko, Felix, eu mesmo, Clervie, é uma coisa totalmente diferente. Pais tentando dar oportunidades melhores para seus filhos. Entendo isso sendo filho de imigrantes”, ressalta.
Ele ainda refletiu sobre o impacto social do esporte. “No fim, ver tantas pessoas negras fazendo coisas incríveis em um esporte predominantemente branco é tremendo. Isso traz uma diversidade incrível para o jogo, traz um público totalmente diferente. Feliz de ser uma pequena parte disso e que jovens me olham como exemplo. Obviamente, tive muitos grandes exemplos antes de mim e virão muitos depois. Mal posso esperar para ver até onde vai.”
Para Tiafoe, a influência vai além das quadras. “Um pai veio e me disse: ‘você salvou a vida do meu filho.’ Eu assinei uma bola, conversei com o garoto. Perguntei se ele estava ouvindo os pais, rimos juntos. Ele mudou totalmente. Eles se veem em mim. Não estamos só jogando tênis. Estamos inspirando pessoas”, relatou.
Althea Gibson e Artur Ashe!! Meu profundo respeito e admiração!!!! Grandes Tiafoe e Shelton!
Esqueceu do Shelton, também afro americano, menino bom de bola. Das sábias palavras não sei…
Tiafoe tem uma história de vida muito interessante.
Seu pai saiu de Serra Leoa devido a guerra civil, alguns anos depois a esposa também foi para os Estados Unidos.
O pai no começo, arrumou um trabalho, como diarista, na construção de um centro de treinamento de tênis.
Concluído a instalação, conseguiu um empreo fixo como zelador, despertando a curiosidade dos filhos pelo esporte.
Tiafoe e irmão (tem um irmão gêmeo) começaram a praticar o jogo, logo despertou interesse de um professor, que viu qualidades no garoto, Tiafoe seguiu carreira.
Algumas pessoas são construídas por referências, pessoas que lutam e conseguem ultrapassar barreiras sociais , Tiafoe, o pai e Althea, são pessoas que fazem a diferença.
Muito importante, a identificação com o tenista, o tênis brasileiro precisa de um ídolo que o homem comum se identifique, não é o João Fonseca.