PLACAR

Thiagos deixam Brasil perto de feito histórico

Com a surpreendente vitória de Thiago Monteiro sobre o número 4 do mundo e a confirmação do ótimo momento de Thiago Wild em cima de um adversário pouco experiente, o tênis brasileiro está muito perto de vencer a Dinamarca fora de casa e garantir outra vez lugar no qualificatório mundial, a ser disputado em março de 2024, e com isso sonhar com a fase final da Copa Davis.

Se marcar ao menos mais um ponto neste sábado, que já será aberto às 7h com o favoritismo da dupla Felipe Meligeni e Rafael Matos, o Brasil marcará uma façanha para suas campanhas na Davis, já que nunca derrotou um país que não seja latino-americano sobre piso sintético atuando como visitante. Nem mesmo nos áureos tempos de Guga Kuerten.

Para começo de conversa, o Brasil não vence um país europeu fora de seus domínios desde a espetacular atuação do Manezinho na vitória sobre a Espanha no saibro de Lérida, em 1999, quebrando então um jejum em confrontos desse naipe que vinha desde 1967 e os áureos tempos em que Thomaz Koch e Edison Mandarino competiam no Zonal Europeu. Nesse longo período, dependemos umbilicalmente do saibro caseiro para ganhar de potências como Espanha e Rússia ou times respeitáveis como Holanda, Croácia e Romênia.

Jogar fora da terra raramente deu bons frutos ao tênis brasileiro. As poucas vitórias obtidas foram em confrontos do Zonal Americano – Colômbia, República Dominicana, Equador, Uruguai, Chile, México, Caribe e Venezuela – e a única em Grupo Mundial, seja quali ou chave principal, aconteceu naquela contra a Áustria, em 1996, quando São Paulo sediou o confronto num tipo de tapete sem teto e Thomas Muster fugiu no terceiro dia.

Desde que o Grupo Mundial se estabeleceu, em 1981, na primeira grande reformulação da Copa Davis, perdemos continuamente quando tivemos de sair e encarar quadras duras, geralmente cobertas e velozes. Aliás até mesmo contra a Alemanha, nessa edição inaugural, perdemos num tapete colocado no Ibirapuera. Aí tivemos de ir à Romênia (1981), Alemanha (88), Suíça (92), Itália (93), França (99), República Tcheca (2002), Suécia e Canadá (03), Áustria (07), Croácia (08), Índia (10), Rússia (11), Alemanha e EUA (13), Bélgica (16), Japão (17) e no ano passado Portugal sem obter sucessos.

Então dá para ter uma dimensão bem apropriada do feito que se aproxima do jovem time que Jaime Oncins escalou para ir à Dinamarca. Ele aliás apostou no mais experiente do grupo, o canhoto Thiago Monteiro, ainda que Felipe Meligeni viesse embalado do US Open, enquanto o cearense competia no saibro nas últimas semanas. Logo de cara, Monteiro encarou a estrela local, o quarto do mundo Holger Rune, e conseguiu sair das cordas diversas vezes. Quebrado logo no game inicial, conseguiu reagir e levar a um apertado tiebreak.

Além de sacar bem, Monteiro buscava um jogo mais agressivo, porém o notável foi como conseguiu segurar a cabeça quando esteve 3/1 e depois 4/2 atrás no segundo set, recuperando-se duas vezes seguidas das quebras sofridas. E mais: 4-1 no tiebreak para o adversário. Correu riscos como era necessário. Rune ‘amarelou’? Acho que pecou pelo excesso de confiança e pagou caro. Porque o brasileiro só cresceu e o garoto não aguentou a exigência física. Muito provavelmente, pesaram ainda as seis derrotas seguidas que sofreu desde Wimbledon.

Wild teve vantagens bem aproveitadas: boa fase, ranking muito superior e o placar favorável. Em que pese um ou outro vacilo, dominou a partida contra o 412 do mundo e enfim ganhou seu primeiro jogo de Copa Davis, já que havia perdido para Alemanha e Austrália nas duras tarefas anteriores.

Matos e Meligeni devem garantir o ponto definitivo neste sábado, o que seria ótimo para dar o mesmo peso a todos os titulares. Fica a dúvida se Rune vai para o sacrifício na tentativa de um milagre, já que teria logo depois de enfrentar Wild no terceiro jogo de simples. Não acredito que ele esteja com físico e cabeça para tudo isso, ainda que a Davis sempre nos reserve o imponderável.

E mais

  • Enquanto isso, acontecem os confrontos para definir os finalistas da Davis, em quatro sedes em que quatro países lutam por duas vagas em cada grupo, tudo na quadra dura.
  • Novak Djokovic passou com sobras por Alejandro Davidovich, classificou a Sérvia e tirou o país anfitrião, já que a fase decisiva acontecerá em Málaga. Outra bola fora desse novo formato.
  • Com as duas derrotas já sofridas por Espanha e Coreia, os tchecos já garantiram sua vaga. Canadá, Grã-Bretanha e Holanda ganharam dois confrontos em seus grupos e devem confirmar.
  • Holanda se classificou para a fase final e neste sábado EUA e Finlândia decidem em confronto direto a segunda vaga.
  • A dura suspensão de quatro anos a Simona Halep por ‘uso intencional’ de substância dopante continua repercutindo. Mouratouglou chamou julgamento de ‘farsa’ e um especialista francês garantiu que ela é inocente. A romena diz que vai apelar de todas as formas possíveis.
  • Depois de duas vitórias fisicamente exigentes em San Diego, Bia Haddad não aguentou a variação de ritmo de Barbora Krejcikova e parou nas quartas. A menos que decida o 1000 de Guadalajara na próxima semana, o Finals ficará mesmo inalcançável. A boa notícia é que ela volta ao 18º lugar do ranking e está entre as 15 da temporada.
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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