Cluj-Napoca (Romênia) – A ucraniana Oleksandra Oliynykova, de 25 anos, disputou sua primeira chave principal de um Grand Slam no Aberto da Austrália deste ano, caindo na primeira rodada diante de Madison Keys. No torneio romeno, da categoria 250, classificou-se pela primeira vez às semifinais de um WTA nesta quinta-feira ao derrotar a chinesa Xinyu Wang, cabeça 4, 33ª do mundo, por duplo 6/4, sua primeira vitória sobre uma top 50.
Atualmente em 91º lugar do ranking da WTA, sua história fora das quadras comove e bem poderia dar um filme. Ela é a única tenista a viver e treinar na Ucrânia atualmente.
Enquanto seu pai luta na guerra contra a Rússia, Oliynykova se esforça ao máximo em cada torneio para subir no ranking e fazer com que sua história alcance mais pessoas. Oleksandra conquistou três títulos consecutivos de WTA 125 no ano passado, o que lhe permitiu entrar no top 100, e em sua biografia no Instagram, ela inclui um link para ajudar a unidade militar de seu pai. Ela, inclusive, esteve no Brasil disputando o torneio de Florianópolis, parando nas semifinais.
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“Nenhuma outra jogadora mora e treina na Ucrânia. Algumas vêm para a Ucrânia, mas fazem a pré-temporada em outro lugar e moram fora. Um dia antes de viajar para a Austrália, houve um ataque em Kiev e meu apartamento tremeu com uma explosão bem perto de casa. De manhã, fui verificar e vi que a casa em frente à minha havia sido atingida por um drone Shahed”, revelou em entrevista a Ben Rothenberg antes do início do Grand Slam australiano.
Imagine viver com o medo constante de uma bomba cair em sua casa. Essa é a realidade de Oleksandra e sua família. “No meu apartamento, quando falta luz, não há aquecimento nem água. Às vezes, ficamos sem luz por 15 horas.” Felizmente, quando se trata de treinar, eles não enfrentam esses inconvenientes, pois têm um gerador próprio.
Enquanto as jogadoras de elite lutam para vencer torneios, ela viaja sozinha, gasta apenas o necessário e o que arrecada é destinado ao exército e ao pai. “Não me sinto confortável gastando todo o dinheiro que ganho. Moro na Ucrânia, tenho muitos amigos no exército e meu pai é militar. Quando você não sabe o que vai acontecer amanhã, não se sente confortável gastando dinheiro e viajando com uma grande equipe. Quero ajudar os soldados, então continuarei viajando sozinha.” A ucraniana já faturou US$ 97.113 em prêmios na carreira.
Assim como a compatriota Elina Svitolina, ela não cumprimenta as russas ao final de uma partida. “Acho que essas jogadoras deveriam ser desclassificadas, como em outros esportes. Acho muito triste que as pessoas estejam perdendo o foco, porque esta é uma longa guerra. Se você investigar, verá que muitas jogadoras apoiam Putin ou Lukashenko (presidente da Bielorrússia), algo muito fácil de constatar.” Suas críticas vão além. “Muitos delas não são as pessoas que mostram na televisão ou nas quadras. Por trás disso, existem coisas horríveis, e não é certo que as pessoas ignorem isso.”
Nesta semana, no torneio de Cluj-Napoca, na Romênia, Oliynykova reiterou sua posição sobre jogadoras que demonstraram apoio mínimo à Rússia nesta guerra. A ucraniana enfrentou a húngara Anna Bondar e se recusou a posar para foto com ela, antes do início do jogo, e a cumprimentá-la após a partida.
“Anna Bondar participou do Troféu North Palmyra em dezembro de 2022, um torneio realizado na Rússia e financiado pela Gazprom, um dos pilares financeiros da Rússia na guerra. Esses são os mesmos fundos que a Rússia usa para matar crianças e mulheres na Ucrânia, os mesmos que destroem nosso país. Jogar esse torneio sabendo de tudo o que aconteceu é equivalente a jogar na Alemanha nazista em 1941 e ser paga com joias de judeus assassinados em Auschwitz”, declarou.
Devido a essa guerra, Oleksandra quase não pôde participar do torneio romeno, pois por pouco não perdeu o trem. “Tive muita sorte de poder competir porque, devido aos ataques russos, fiquei presa no elevador duas horas antes da partida do meu trem. Cheguei com apenas dez minutos de sobra, então tive muita sorte”, revelou.
Oliynykova também chamou a atenção em Melbourne pela tatuagem no rosto. Na Austrália, foram flores, em Cluj-Napoca, onde o torneio explora a temática do Drácula, Oliynykova escolheu uma série de pequenos morcegos nas bochechas. “É temático”, disse com um sorriso.











Nossa, uma heroína!
Como as pessoas estão sofrendo horrores com essa guerra!
que história. minha nossa senhora. muita sorte a ela. e fim da guerra. a humanidade não merece isso.
pois é…terrível … realmente…
… mas é a sequencia do que vinha acontecendo ao longo de 8 anos (2014 – 2022) com o regimem de Kiev atacando e bombardeando e massacrando à população russo falante do Leste da Ucrania (coisa ocultada pela midia pro-ocidental-oficial)… até´proibiram falar a lingua natal deles (o russo).
Além disso a guerra continua até hj porque o 1º ministro inglés (Boris Johonson) convenseu a Zelensky a desestimar o acordo de paz que acabava de ser assinado pelas duas partes na Turquia (em abril de 2022, dois meses depois de entrada russa)… e por isso a guerra vai até hj (aí Zelensky proibiou qualquer negociação com a Rússia…
Foi todo pilha da OTAN para poder EUA continuar vendendo armas, que é o que a sua industria bélica necessita pra se manter)
esta srta. tbm, então deveria condenar o genocídio perpetrado pelo Estado de iSRAEL em Gaza.
e outra … a voz das ucranianas é escutada, permitida e divulgada. Podem levar suas bandeiras e cores nacionais…. Já as russas estão até probidas de defender sua pátria., nem falar em dar a sua opinião.
Esporte neutral??… uma oba!!!
Exato, mas a narrativa anti-Rússia é doentia na Europa, então mesmo relativizar as causas e olhar pelo outro lado já condenam automaticamente quem assim o fizer. Quem de fato politiza o conflito são as ucranianas e, por coerência, não deveriam cumprimentar as jogadoras de países da OTAN, principalmente do império neonazi, já que financiam e condenam os militares ucranianos a alvos fáceis.