Sem jamais abandonar sua determinação tática de agredir o tempo todo, mesmo nas situações mais delicadas, Elena Rybakina conquistou de forma memorável o seu segundo troféu de Grand Slam neste sábado. Mostrou o tamanho de sua força mental e da confiança que sustenta neste que é certamente o melhor momento de sua carreira. E olha que derrotar Aryna Sabalenka na quadra dura, em Melbourne e com desvantagem no terceiro set não é uma tarefa das mais fáceis.
O mérito de seu triunfo está num roteiro difícil, que a obrigou a derrotar três das atuais top 6 do ranking, superando Iga Swiatek e Jessica Pegula sem perder sets. Aliás, ela é apenas a quarta jogadora a conquistar o Australian Open com vitórias sobre as duas líderes do ranking, igualando feitos de Jennifer Capriati, Serena Williams e Madison Keys. De quebra, se tornou a profissional com melhor aproveitamento contra números 1 do ranking, atingindo já sua nona vitória e o percentual de sucesso de 60%, superando os 58% de Serena e de Steffi Graf.
“Sempre acreditei que poderia retomar meu melhor nível”, afirmou Rybakina, referindo-se ao título de Wimbledon de 2022. “Tive meus altos e baixos e até cheguei a pensar que nunca mais faria uma final de Slam”. E admitiu que seu time teve muito a ver com isso, ao mantê-la positiva nos piores momentos. “Quando comecei novamente ganhar das melhores, passei a acreditar mais”. Rybakina está numa incrível série de 10 vitórias seguidas sobre top 10 e venceu 20 de seus últimos 21 jogos.
A cazaque começou muito firme a final deste sábado, aproveitando qualquer espaço para atacar e cortar o tempo de Sabalenka. Mas a bicampeã reagiu. Diminuiu os erros, ganhou o segundo set e abriu 3/0 no terceiro, dando a impressão que caminhava para recuperar o título. “Para eu ter chance, teria de assumir todos os riscos e então fui para a bola. Não esperei pelos erros dela e evitei os ralis”, contou Elena sobre seu plano tático perfeito.
Ela ainda precisou salvar um break-point quando sacava com 2/3. No game final, foi incrivelmente fria e precisa, disparando dois aces para completar a campanha magnífica. “Elena me parece mais confiante agora e vai para a bola sem qualquer dúvida. Tive minhas chances, acho que joguei bem, mas ela foi mais agressiva. O nível foi incrível”, avaliou Sabalenka, que amarga o segundo vice consecutivo.
Ninguém deve se esquecer que Rybakina passou por momentos delicados no início da última temporada, com problemas físicos e o caso do afastamento do técnico croata Stefano Vukov, suspeito então de ter controle abusivo sobre a jogadora. Só com o retorno de Vukov, quase na metade do ano, começou a nova escalada para o topo. Nesta segunda-feira, será novamente a número 3 do mundo, 368 pontos atrás de Iga. A liderança é uma meta que não pode ser desprezada.
O histórico reencontro de Alcaraz e Djokovic
Eles fizeram algumas das mais importantes decisões do tênis masculino dos últimos anos e voltam para mais um autêntico duelo de gerações às 5h30 deste domingo, cada um em busca de seu feito histórico particular. O prêmio de US$ 2,8 milhões é quase um mero bônus para ambos.
Aos 22 anos e 272 dias, Carlos Alcaraz faz a primeira final na Austrália e busca o sétimo troféu de Grand Slam, o que pode lhe dar nova façanha de precocidade no tênis: o mais jovem a ganhar ao menos um troféu em cada Slam, quebrando marca de 87 anos que pertence a Don Budge, em 1938.
Do outro lado, Novak Djokovic tenta ganhar sua 11ª final do Australian Open, rodada em que jamais perdeu, e atingir o 25º troféu de Slam o que, aos 38 anos, o tornará o profissional de maior idade a ganhar um dos quatro grandes torneios.
A diferença de 16 anos é a segunda maior entre dois finalistas de Slam da Era Aberta, atrás somente dos 17 que separaram Ken Rosewall de Jimmy Connors em Wimbledon e no US Open de 1974.
O sérvio tenta também encerrar a hegemonia de Alcaraz e Jannik Sinner, vencedores de todos os Slam desde janeiro de 2024. Curiosamente, ao ganhar o Australian Open de 2008, ele encerrou a série de 11 conquistas divididas entre Roger Federer e Rafael Nadal.
Apenas oito jogadores ganharam um Slam na Era Profissional com vitória sobre os dois líderes do ranking, sendo que dois o fizeram por duas vezes (Mats Wilander e Stan Wawrinka).
O sérvio lidera os confrontos diretos por 5 a 4. Desde 2004, há empate, com triunfos de Djokovic nas Olimpíadas e no Australian Open e do espanhol em Wimbledon e no US Open. Será a quinta final entre eles, com títulos do sérvio em Cincinnati e Jogos Olímpicos e os dois de Alcaraz em Wimbledon.
Tanto Carlitos como Nole vêm de vitórias em cinco sets nas espetaculares semifinais de sexta-feira. Alcaraz já ficou quatro horas a mais em quadra ao longo do torneio e ainda teve dores musculares na dura vitória sobre Alexander Zverev. E isso pode ser um diferencial a favor de Djokovic, ainda que eu ache que o primeiro saque será crucial para o sérvio assumir o comando e jogar pontos mais curtos, como fez tão bem contra Sinner. Se realmente não estiver confiante no físico, Alcaraz pode buscar a mesma estratégia e forçar curtas e subidas à rede para fugir dos ralis. Vai ser bem interessante.
As principais casas de aposta dão favoritismo para Alcaraz, na proporção de 3 para 1.
E mais
– Depois de 14 anos desde a primeira vez que jogaram juntos, o norte-americano Christian Harrison e o britânico Neal Skupski conquistaram um Grand Slam lado a lado, ao venceram Jason Kubler e Marc Polmans. É o segundo Slam de Skupski, repetindo Wimbledon de 2023, e sua volta à liderança do ranking.
– A dupla feminina ficou com a belga Elise Mertens e a chinesa Shuai Zhang, com vitória sobre a cazaque Anna Danilina e a sérvia Aleksandra Krunic. É o sexto Slam de Mertens e o terceiro em Melbourne, enquanto Zhang garantiu seu terceiro Slam e o segundo na Austrália. A belga recupera o número 1 na segunda-feira.
– Rafael Nadal participará de um evento pouco antes da final masculina e especula-se se não será ele o encarregado de entregar o troféu a Alcaraz ou Djokovic. Nada mais adequado.








Quando Rybakina fraturou seu primeiro Slam, Djokovic também levou.
Tomara que façam nova dobradinha amanhã.
Ribakina e Djojovik fizeram minha alegria. Ele não precisava, e não precisa provar mais nada a ninguém. É o GOAT e ponto. Se vier o 25° será o supra sumo e ainda mais no AO. Quanto a Ribakina, sempre achei, desde que ganhou WB, que ela iŕia dominar o tênis. Chegou a hora, ainda aos 26.
Carlos Alcaraz vai entrar em quadra sabendo que seu oponente, participou de 10 Finais do AOPEN e levou Todas . É óbvio que entra com uma motivação a mais . Agora , na hora dos pontos importantes, não tenho dúvidas que o bicho pega . Definitivamente Novak Djokovic tem bela chance do Slam 25 . Carlitos acabou confessando que o nervosismo o levou realmente as cãibras. Daí que coloco 50 a 50 , pois Espanhol é outro que se recusa a perder . Abs!
Sempre, gostei do jogo da Elena, e Sabalenka também melhorou, tirando a gritaria, o restante é top.
A gritaria da Sabalenka irrita muito mesmo.
Parabéns à Rybakina. Mereceu muito. Alcaraz tem tudo para fechar este ano com 10 slans tendo apenas 23 anos. Se conseguir concretizar este objetivo, ultrapassará Rafael Nadal em precocidade.
Dalcim, qual seu palpite pra amanhã? Eu chuto 3x1Alcaraz
Acho um bom palpite, mas o espanhol terá de estar inteiro.
E alguma vez tanto ele como Nadal se cansaram ? Os dois vencem sempre na força física , sem tirar os méritos técnicos
Esse é um daqueles jogos que eu vejo e penso : “O Djokovic não vai entregar esse jogo”, assim como foi nas olimpíadas.
Eu acho que ele vai se entupir de analgésicos, pq o corpo deve doer demais nessa idade( mesmo ele não dizendo, pra não dar mais animo ao adversário). Vai levar o 25° Slam e anunciar a aposentadoria.
Dalcim, acredita que Alcaraz entra inteiro?
Se não me engano só jogou um jogo com mais de 3 sets. O quão isso influenciará?
Não vejo questão do desgaste, que ele tiraria de letra, mas da eventual lesão que possa limitar seu deslocamento.
Dalcim, sempre achei o Big 3 jogadores iluminados, ou seja, contra outro jogador, na hora da dúvida, a moeda penderia pra eles, como Nadal vs Medvedev no US e no AO, Djokovic vs Thiem ou vs Tsitsipas em RG, quando perderam uma final de GS contra jogador fora do Big 3 foi pq o cara realmente foi melhor, no caso Wawrinka e Medvedev, o russo foi um atropelo (não coloco Del Potro nessa lista pq Federer sempre teve a especialidade de perder jogos ganhos)
Porém sinto que Alcaraz é um jogador iluminado também, ou seja, na hora da moeda cair pra um lado, pode ser tanto pra Djokovic quanto pra Alcaraz.
Você tem essa impressão também, Dalcim?
Concordo plenamente com você. Alcaraz é privilegiado tanto no físico como na habilidade. Eu o vejo no nível do Big 3, ao menos por enquanto.
O aposentado vai tremer igual na final de Us Open contra o Medvedev que ele não conseguia nem sacar de tão nervoso.
Amanhã acho que dará Djokovic por 3 x 1. Acho que o Alcaraz está bem mais desgastado e sob risco de ter problemas físicos, coisa que já demonstrou na semi. Djokovic quer muito esse 25º e vejo o Alcaraz sob mais pressão, pelo fato da derrota do Sinner e por querer ganhar o único Slam que lhe falta. A parada será dura! Mas eu torço muito para que o Alcaraz não tenha problemas físicos e que esse jogo vá pra 5 sets, para deleite dos amantes desse esporte! Boa sorte ao dois!
Alcaraz vencerá a final por 3 x 0.