Paris (França) – Tetracampeã de Roland Garros, Iga Swiatek tenta recuperar o domínio nas quadras de saibro de Paris, depois de ter caído na semifinal do ano passado. A atual número 3 do mundo chega motivada depois de uma boa campanha no WTA 1000 de Roma, onde foi semifinalista. A temporada começou um pouco abaixo das expectativas para a polonesa, que aos poucos vai recuperando a confiança com a chegada do técnico espanhol Francisco Roig.
Segundo Swiatek, a campanha em Roma ajudou a mudar o ambiente em torno de sua preparação para Paris. “No ano passado, meu torneio em Roma foi como um banho de água fria. Eu me senti terrível em quadra, então neste ano, depois de algumas boas partidas, existe uma energia mais positiva. É bom chegar ao torneio carregando jogos sólidos”, comentou.
A jogadora de 24 anos afirmou que não vê sentido em comparar a situação atual com a da temporada passada. “Não penso particularmente no ano passado. Isso realmente não importa”, disse durante entrevista coletiva nesta sexta-feira. “É um pouco diferente, mas todo ano digo que cada torneio é uma história diferente, independentemente de eu ter vencido Roma ou perdido na segunda rodada. Ainda temos tempo para nos renovar, resetar e começar o torneio sob uma perspectiva totalmente diferente”.
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Swiatek também destacou que o bom desempenho na capital italiana traz confiança, mas ressaltou que as condições em Paris exigem cautela. “Acho que vou levar uma boa experiência deste ano em Roma e também um retorno positivo depois das partidas. Mas este é um torneio completamente diferente, com condições diferentes, especialmente por causa do calor. Então você precisa ser humilde e começar sabendo que terá que lutar por cada jogo”, afirmou.
Cobranças à direção de Roland Garros
A vencedora de seis títulos de torneios que compõem o Grand Slam também voltou a se posicionar sobre a insatisfação de alguns dos principais nomes do tênis mundial com as premiações em Roland Garros. Assim como fez Aryna Sabalenka, a polonesa limitou o período de entrevistas nesta sexta-feira a 15 minutos. O limite de tempo tem um significado simbólico: representa o percentual aproximado da receita atualmente destinada aos jogadores.
“Sim, eu também farei apenas 15 minutos. É o que foi combinado”, explicou Swiatek. “Antes de tudo, sinto que nenhuma de nós tem algo contra a imprensa. Nós respeitamos vocês totalmente e sabemos o quanto essa relação é importante”.
A polonesa reforçou que o protesto é direcionado aos dirigentes dos torneios e não aos jornalistas. “Com os torneios, sinto que faremos mais por eles do que eles por nós. E não falo apenas pelos jogadores do topo, porque obviamente somos nós que temos mais contato com vocês, mas também pelos atletas de ranking mais baixo e por toda a estrutura do esporte. Não é nada contra vocês, mas essa foi a decisão que tomamos e vamos segui-la”.
Swiatek também comentou sobre a possibilidade de novas medidas de pressão, incluindo um eventual boicote, mas adotou um discurso cauteloso. “É difícil saber o que vai acontecer nas próximas semanas. Acho que vamos seguir o que decidirmos coletivamente. Há muitos fatores envolvidos e isso também depende de como os torneios vão reagir”, analisou. “Queremos pressionar um pouco mais para conseguir o que precisamos e para que os torneios estejam mais abertos ao diálogo que consideramos necessário”.
Desistência em Dubai ao lado de Sabalenka

No início da temporada, Swiatek e Sabalenka foram alvo de críticas do diretor do WTA 1000 de Dubai após se retirarem da disputa do torneio nos Emirados Árabes. A polonesa foi perguntada sobre os riscos de penalizações adicionais e reforçou que os tenistas têm direito de definir o próprio calendário.
“Ouvi sobre as reclamações, mas não sobre as punições, provavelmente porque isso é um pouco ridículo”, afirmou, aos risos. “Temos o direito de desistir quando quisermos. Honestamente, não vejo problema nisso. Se não estamos fisicamente aptas ou sentimos que aquele não é o momento certo para jogar um torneio… o quê? Somos escravos? Temos o direito de decidir”.
Swiatek ainda lembrou que os atletas já sofrem consequências esportivas ao abandonar torneios. “Recebemos zero pontos no ranking por aquela semana. Isso já é uma punição”, concluiu.










