Paris (França) – Líder do ranking mundial, Aryna Sabalenka voltou a se posicionar nesta sexta-feira sobre a insatisfação de alguns dos principais nomes do tênis mundial com as premiações em Roland Garros. Após a sugestão de um boicote, apresentada há duas semanas em Roma, Sabalenka diz que a iniciativa visa melhorar também as condições de atletas com ranking mais baixo.
Nesta sexta-feira, dia de entrevistas coletivas em Paris, as interações dos tenistas do top 10 foram limitadas a 15 minutos. O limite de tempo tem um significado simbólico: representa o percentual aproximado da receita atualmente destinada aos jogadores. Os líderes do movimento defendem que esse índice suba para 22%, valor semelhante ao praticado em torneios combinados da ATP e da WTA.
“Pessoal, sinto que o principal aqui não é sobre mim. É sobre os jogadores de ranking mais baixo, que estão sofrendo. Não é fácil viver nesse mundo do tênis com a porcentagem que recebemos. Mas, como número 1 do mundo, sinto que preciso me posicionar e lutar por esses jogadores. Pelos atletas de nível mais baixo, pelos que estão voltando de lesão, pela nova geração. Acho que nosso ponto é bastante claro e justo para todos. É disso que se trata”, afirmou a bielorrussa, que estreia em Paris contra a espanhola Jessica Bouzas.
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Ao falar novamente sobre a possibilidade de boicote, Sabalenka reforçou que os atletas tentam conduzir a situação de maneira respeitosa. “Mantenho minhas palavras. Queríamos fazer isso de uma forma respeitosa no começo. Vocês sabem o quanto respeitamos e apreciamos vocês. Não é decisão de vocês e não é sobre vocês. Estamos apenas tentando lutar por uma porcentagem justa”, explicou.
Controle emocional pesou na final do ano passado
Ainda em busca de um título inédito em Roland Garros, Sabalenka relembrou a dura derrota sofrida para Coco Gauff na final do ano passado, em que reconhece não ter conseguido controlar as emoções. “Acho que minhas emoções estavam destruindo meu jogo, e meu nível caía drasticamente quando eu começava a reagir demais a tudo”, disse Sabalenka. “Ao mesmo tempo, minhas adversárias percebiam isso e começavam a jogar melhor”.
A atual líder do ranking destacou que trabalhou bastante o lado mental nos últimos anos. “Antes de tudo, precisei garantir que minha adversária não percebesse o que estava acontecendo na minha cabeça. Ao mesmo tempo, isso me ajudou a jogar melhor e permanecer concentrada. Foi uma evolução enorme ao longo da minha carreira e realmente me ajudou a subir de nível”, comentou.
Eliminações precoces na temporada de saibro
Durante a preparação para o Grand Slam francês, Sabalenka sofreu eliminações precoces na temporada de saibro. Ela perdeu nas quartas de final em Madri para Hailey Baptiste e foi superada por Sorana Cîrstea na terceira rodada de Roma. A jogadora de 28 anos relatou ter enfrentado alguns problemas físicos no início da gira europeia, mas garantiu estar recuperada.
“Tive dificuldades fisicamente no começo da temporada de saibro, para ser sincera, mas agora me sinto 100%”, afirmou. “Fizemos um grande trabalho de recuperação. Nosso foco foi garantir que eu estivesse recuperada em todos os aspectos e pronta para competir. Neste momento, fisicamente estou pronta”.
Sabalenka também minimizou o fato de não ter disputado tantas partidas no saibro antes de Paris. “Acho que todas nós estamos aqui por um motivo. Não importa se eu não joguei muitas partidas no saibro. Sei que sei jogar nessa superfície e tudo depende de estar saudável física e mentalmente para lutar. Tudo o que posso dizer é que estou pronta para lutar e, claro, espero fazer um pouco melhor do que no ano passado”, concluiu.










