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Por mais WTAs no Brasil

Na semana passada, fui a Florianópolis passar meu aniversário e acompanhar o único torneio WTA realizado no Brasil desde 2016. O WTA 125 distribuiu US$ 115 mil e 160 pontos para a campeã. Para quem não entende essa nomenclatura, os 125 são os de menor pontuação na divisão da Associação Feminina de Tênis, seguido dos WTA 250, WTA 500, WTA 1000 e finalmente os Grand Slam. São considerados “challengers” ou seja, torneios que ajudam tenistas de menor ranking na transição para a elite do tênis.

A França encabeça a lista de países promotores dos 125, com seis deles ao longo do ano, seguido da Itália. Na América do Sul, só a Colômbia promove dois, enquanto que Chile, Argentina e Uruguai apenas um. O Brasil agora entrou nessa lista já garantindo a segunda edição em 2024.

Entretanto ainda que seja uma bela iniciativa, nosso país segue extremamente carente de eventos no setor feminino. Atualmente o maior expoente do tênis brasileiro é uma mulher – Bia Haddad, realidade que não se apresentava desde a época da aclamada Maria Esther Bueno. Não só ela, temos a campeã pan americana, Laura Pigossi, e as nossas duplistas Luísa Stefani e Ingrid Martins top 20 e top 50 respectivamente.

Portanto, em simples ou duplas temos qualidade e quantidade pela frente. Não é de se estranhar que os fãs sigam aflitos por esses encontros para além das telas da TV!

Paciência agora é o requisito básico já que a própria Confederação Brasileira espera uma data para realização de um WTA 250. O processo envolve disponibilidade na agenda e encaixe do evento dentro de um calendário mundial meticulosamente desenhado.

Até lá, teremos que nos contentar apenas com os confrontos da Billie Jean King Cup (competição por equipes), que graças à última vitória contra a Coreia do Sul, em Brasília, possibilitou ao Brasil disputar uma vaga contra a Alemanha no primeiro semestre de 2024, de novo em solo brasileiro.

Voltando a Floripa, não foi uma grande semana para as brasileiras, que resistiram a longas partidas mas não avançaram como o esperado. Na falta delas, o apoio incontestável do público recaiu sobre a estrela maior do evento, a australiana Ajla Tomljanovic. Convidada pela organização, a tenista que até 2014 jogou pela Croácia, seu país de origem, ficou fora do circuito por sete meses devido a uma lesão no joelho, decaindo da posição 32 do ranking para 543, o que não era suficiente para entrar direto na chave.

Tomljanovic portanto fez jus à toda expectativa gerada em torno da sua presença. Afinal, embora aos 30 anos esse tenha sido seu primeiro troféu WTA, ficou conhecida para os fãs por diferentes motivos: venceu Serena Williams na último jogo da sua brilhante carreira, no US Open de 2022, em frente a um público essencialmente americano. Também namorou por três anos o italiano Matteo Berretini e juntos protagonizaram o segundo episódio da série ‘Break Point’ da Netflix. Em Florianópolis acabou provando também que fama e beleza não ganham jogo. Seriedade, resiliência e um backhand espetacular, sim, fazem a diferença.

Outra grande oportunidade da semana foi acompanhar a garra e disposição da italiana Sara Errani, 36 anos e ex-número 1 do mundo em duplas, em 2012. Vencedora de cinco Grand Slam, faturou o título, jogando ao lado da francesa Leolia Jeanjean.

Quanto a mim, aproveitei para conhecer o Super9 Tennis Park no Jurerê Sports Center, onde aconteceu o evento e aceitei com satisfação os convites recebidos tanto da árbitra brasileira Paula Vieira Souza (gold badge) para realizar o sorteio inicial na final de duplas quanto da organização do evento para participar da premiação final.
Gostei!

floripa_premia_dupla
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Valmir da Silva Batista
Valmir da Silva Batista
2 meses atrás

EU QUE POR TI SERENO

Serena Jameka Williams
( assim mesmo grafado, por teu personalismo ),
Seria eu teu súdito, por tocar-te
O substantivo adjetivado?
Seria eu vasta umidade qual mar profundo,
Donde vieste musa orvalhada?

Na relva sagrada de Wimbledon,
Eu não necessitaria de mais nada,
Apenas de uma gotinha alada bem tranquila,
Para me exultar com teu topspin,
Feito especialmente pra mim.

No catador de bolinha, por fim,
Eu decerto me transformaria,
Pela dupla falta que sinto de ti,
Erro, aliás, que acabas cometendo 
Com a mesma elegância do teu backhand,
Oh, as tuas mãos tecendo…

À deusa magnânima que és,
Ou à rainha das quadras que sempre foste,
Desenharei meu coração no pó alaranjado
De Roland Garros pra te reverenciar,
Mas te exaltarei também no US Open,
Com Nova York e o mundo inteiro a teus pés,
Oh, os teus pés desfilando…

Ante a serenidade jogando bola, 
Hei de repetir o gesto delicado,
Com o mesmo coração se abrindo,
Agora no Aberto da Austrália, onde tantas vezes
Tua inspiração disse a que veio num voleio,
Ou numa paralela ao lado meu.

Para sempre rendido a teu forehand,
The end me fará chegar ainda mais perto 
Da minha fantasia de admirador confesso,
Pra dizer que te acho linda e pra te ver 
Empunhando a raquete com teu ar de diva,
Teu ar sereno, o ar que eu respiro…

VALMIR DA SILVA BATISTA

Maurício Luís *
Maurício Luís *
2 meses atrás

Oi, Patricia. Vendo a matéria onde a Jessica Pegula se manifesta sobre a equiparação de prêmios, dá desânimo de ver alguns comentários misóginos. Acho que ainda há muito caminho a se percorrer. E olha que a Billie Jean King fez das tripas o coração pra diminuir este que eu acho que é um tipo de círculo vicioso. Melhorou, mas ainda não é o suficiente. Como eu já andei mencionando no blog do Dalcim, o círculo vicioso começa com prêmios menores. Se os prêmios são menores, menos tenistas se interessam pelo profissionalismo (menos de 1.400 ranqueadas na WTA contra + de 2.000 na ATP). Menos tenistas mulheres, menos competitividade, menos interesse do público… e por aí vai.
Muitos fingem – acho que de má-fé – que não sabem que mulher é diferente de homem. Alguns argumentos são infantis, simplistas, preconceituosos. Muito triste isto, porque são muitos que pensam assim.

Carlos H Mann
Carlos H Mann
2 meses atrás

O torneio poderia começar oferecendo um trofeu menos feio. É duro pensar que alguma tenista desejará voltar para defender o título e ter dois “gatos azuis” (são gatos mesmo?) em sua sala de trofeus, No Brasil, o chamado “esporte amador” sofre com total falta de apoio, não apenas de patrocinadores, mas de uma mídia especializada, basta ver o nível de perguntas que os tenistas respondem em grandes eventos, onde muitos jornalistas são marinheiros de primeira viagem.

Torço para que Bia faça pelo tênis brasileiro uma ponte para que mais crianças conheçam e se apaixonem pelo esporte. Tivemos duas ondas gigantes para isso – Maria Esther e Guga. Bia não está ao nível deles, nem perto, mas quem sabe mais crianças “surfem” agora?

É muito bacana ver o tênis feminino tendo destaque no Brasil, com as meninas brilhando. Me lembro de te assistir em embates contra Niege Dias. Boa sorte neste espaço.

Valmir da Silva Batista
Valmir da Silva Batista
2 meses atrás

Aproveitando o ensejo de TenisBrasil, que está disponibilizando enquete dos melhores do ano, também fiz minha avaliação, e eis a lista com os melhores colaboradores do blog em 2023…

1° MANU
2° SÉRGIO RIBEIRO
3° RONILDO
4° MAURÍCIO LUÍS
5° MARIA RANAVALONA DE IMERINA
6° GUSTAVO
7° BAROCOS

Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.
Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.

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