Paciência e precisão levam Bia adiante em Nova York

Foto: Jimmy48/WTA

O amplo favoritismo não perturbou Beatriz Haddad Maia e, com firmeza e golpes calibrados, impôs a quinta derrota
consecutiva em seus duelos contra a ex-top 10 Maria Sakkari. O maior predicado desta vez esteve na solidez da
base e nenhuma pressa na construção dos pontos. Terminou os 15 games com notáveis sete erros, sendo apenas três  num primeiro set de muita sobriedade e duas duplas faltas no game final onde a natural ansiedade bateu.

Esta é a terceira temporada seguida que Bia Haddad atinge ao menos as oitavas de final de um Slam. Em 2023, fez
semi em Roland Garros e oitavas em Wimbledon e no ano passado atingiu as quartas do US Open. Ao repetir três
vitórias em Nova York, salva um calendário fraco em 2025, onde havia parado na terceira rodada da Austrália, na
estreia de Paris e no segundo jogo de Wimbledon. Aliás, Bia nunca deixou de ganhar ao menos uma rodada de Slam
desde 2017, com ápice de nove triunfos em 2023.

Embora seja o menos importante, a canhota paulistana praticamente garantiu sua permanência no top 30,
provisoriamente caindo do 22º para o 27º posto, algo que, convenhamos, é um alívio para o momento que vivia.

O desafio agora se chama Amanda Anisimova, finalista de Wimbledon dois meses atrás e por isso número 9 do
mundo. Neste sábado, teve dificuldades contra a romena Jaqueline Cristian, com baixo índice de pontos com o
primeiro serviço (64%) e quatro quebras sofridas, com saldo final de 37 winners e 46 erros. Com a consistência e a
paciência que mostrou nestes dois últimos jogos, Bia pode dar muito trabalho. O placar é de 2 a 1 para Anisimova,
com vitória mais recente da brasileira, em Adelaide de 2023.

Rodada de emoções

O complemento das oitavas de final femininas teve apenas um jogo tranquilo, o da vitória de Coco Gauff sobre Magdalena Frech, um contraste gigante entre a atuação da campeã de 2023 em relação às montanhas russas das primeiras partidas. Nesta tarde, o saque entrou 76% das vezes e, apesar de uma quebra sofrida, a estabilidade foi muito maior.

Gauff marca assim o aguardado reencontro com Naomi Osaka, um duelo que na verdade não tem um histórico relevante. O jogo mais recente foi em Pequim do ano passado e viu o abandono da japonesa. A duas vezes vencedora começou com tudo a partida diante de Daria Kasatkina, mas aos poucos a russa endureceu e o jogo ficou bem disputado. Osaka não atingia as oitavas de um Slam desde o Australian Open de 2021.

Quem vencer, enfrentará Karolina Muchova ou Marta Kostyuk, ambas marcando viradas neste sábado. A tcheca deixou escapar 5/2 no primeiro set diante da compatriota Linda Noskova e sofreu para quebrar na outra série. Só então embalou. Entre seus eternos problemas físicos, Muchova fez semi em Nova York nas duas últimas edições.

Na rodada noturna, até Iga Swiatek sofreu sufoco e se viu em situação delicadíssima no primeiro set, quando perdia por 1/5 e teve quatro set-points contra, em uma noite em que o forehand voltou a ficar descalibrado. Por sorte, Anna Kalinskaya errou bolas bobas na reta final dos dois sets e depois foi em lágrimas para o vestiário. A campeã de 2022 encara outra russa, Ekaterina Alexandrova, que só perdeu 10 games até aqui.

Canadenses são destaque do sábado

Denis Shapovalov exigiu muito de Jannik Sinner, com aplicação no fundo de quadra, muita variação de ritmos, saque firme e forehand ousado, mas o gás acabou quando abriu 3/0 no terceiro set e aí voltou à cena o Denis apressado e errático. O italiano reconheceu o dia difícil e disparou: “Não sou uma máquina”, admitindo que jogadores agressivos são um problema. O atual campeão reencontrará Alexander Bublik, que está em incrível fase, tendo vencido 19 de seus últimos 21 jogos, série que inclui três títulos. O cazaque perdeu para o líder nas quartas de Roland Garros, mas venceu na segunda rodada de Halle pouco depois. Nesta madrugada, jogou cinco sets para tirar Tommy Paul em outra exibição cheia de lances espetaculares.

O outro canadense não deixou escapar sua chance. Félix Auger-Aliassime perdeu o primeiro set, mas elevou o nível e teve atuação admirável contra Alexander Zverev, tirando o máximo de seu forehand e ainda sacando muito bem. De seus 50 winners, 10 foram aces e 27 foram com a direita. Foi sua maior vitória em Slam; Félix chegou na semi de 2021, pouco antes de ser o sexto do ranking. Agora, Aliassime precisará romper o bloqueio que tem contra Andrey Rublev, para quem perdeu 7 de 8 duelos. O russo suou cinco sets contra Coleman Wong.

Três jogos não chegaram ao fim neste sábado, todos por sinais evidentes de exaustão física. Lorenzo Musetti viu Flavio Cobolli se retirar no começo do terceiro set, Alex de Minaur avançou com a desistência de Daniel Altmaier ao se abrir o quarto set e Leandro Riedi, apenas 435º, jogou meros oito games contra Kamil Majchrzak, que vinha da vitória dramática sobre Karen Khachanov. Nas oitavas, Musetti será favorito contra Jaume Munar e De Minaur pega a ‘zebra’ Riedi.

E nas duplas…

– Grande dia para os duplistas brasileiros, com boa vitória de Stefani para ir às oitavas e as ótimas estreias de Matos/Melo e de Orlandinho.
– Luísa e Babos enfrentam Xu/Yang, que eliminaram as cabeças 8 Guo/Panova.
– Matos e Melo bateram os experientes Dodig e Murray, que juntos ganharam três Slam tendo brasileiros como parceiros. Agora, pegam os cabeças 15 com a animada perspectiva de terem visto Cash/Glasspool serem surpreendidos logo de cara.
– Luz e Olivetti se livraram dos cabeças 3, que perderam para Frantzen e Haase.
– Venus com Leylah Fernandez avançou para as oitavas, assim como Townsend com Siniakova.

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Kleber
Kleber
12 horas atrás

É muito bom ver a Bia voltar a jogar o seu melhor tênis.
Com solidez, inteligência ao forçar os erros da Sakkari na esquerda e sacando bem.
Se mantiver o bom nível apresentado até aqui, terá chances de vencer a americana.
Estarei na torcida.
Parabéns, Bia!

Paulo A.
Paulo A.
8 horas atrás
Responder para  Kleber

Parece uma rediviva Bia. O talento estava soterrado por questões emocionais mas, ao que parece, emergiu na hora certa!
Vencer a Amanda, na casa dela, seria sensacional. Eu acredito!

Marco Aurelio
Marco Aurelio
12 horas atrás

Parabéns, Bia!!! Lembre-se, nos bons momentos, e nos não tão bons assim, estamos sempre com você!!!

Flávio
Flávio
11 horas atrás

Primeiramente parabenizar a Bia, agora meu caro mestre vejo que se a Bia ficar calma e souber aproveitar a pressão que a Anisimova terá por jogar em casa aí pode ser possível vencê-la porque a Anisimova que é uma boa jogadora, porém já mostrou ser muito fraca emocionalmente como foi Wimbledon, então você acha que o caminho da Bia de vencê-la é deixar a pressão nas costas da americana? Abraço grande Mestre!

André Aguiar
André Aguiar
10 horas atrás

Bia na mesma toada do jogo anterior: paciente e consistente. E com uma postura diferente: mais sóbria e concentrada. Errou ainda menos. Descontando as 3 duplas faltas, foram apenas 4 ENF (!) nos ralis.
Sakkari sempre teve dificuldade com as bolas retas e centralizadas da brasileira. Parece que perde o tempo de bola.
Não lembrava que a Bia jamais deixou de ganhar ao menos uma rodada de Slam desde 2017. Um dado impressionante. Vqv!

Refaelov
Refaelov
10 horas atrás

Olha.. grande oportunidade de termos DeMinaur X Rublev nas QF pra ver qual dos 2 finalmente chega a uma SF de GS hein..

Refaelov
Refaelov
9 horas atrás

E a Bia parece ter realmente virado a chave(oremos..), novamente com bom desempenho com o saque(oque é fundamental para o seu estilo de jogo e esteve muito em falta nos últimos meses) dessa vez optou por ser menos ofensiva e segurar mais as trocas com potentes golpes de base -imagino eu que numa correta leitura do jogo, já q a grega estava acumulando ENF durante toda a partida-(QI tático q também esteve bastante em falta nos últimos meses..)

Clr q a americana é a favorita pelo momento atual das duas mas, jogando nesse nível a Bia certamente terá suas chances de repetir as QF do ano passado, na torcida!

Kario
Kario
8 horas atrás

Assisti o jogo agora de manhã e fiquei feliz de ver a Bia provando q pode jogar bem. Foi tão bem quanto no jogo anterior – so deixou a peteca cair nas duplas faltas no game pra fechar o jogo. Dá pra ir mais longe! Sorte ae, Bia!

Juscelino
Juscelino
7 horas atrás

Muita alegria, Bia vai longe.
Parabéns.

Gilvan
Gilvan
7 horas atrás

Finalmente a Bia encontrando um equilíbrio entre ataque e defesa. O grande teste será contra a Anisimova. Estou ansioso para a partida.

Vanda Ferraz Lopes de Oliveira
Vanda Ferraz Lopes de Oliveira
7 horas atrás

Confesso que não vi o jogo só vivo…..a Bia estava me deixando nervosa.
Vi agora de manhã o replay…..
Dalcim, uma das coisas que me deixava nervosa era o fato de mão poder dizer para ela não comemorar, com o punho, todos os pontos, mesmo no erro da adversária e parar de ir para a toalha entre todos os pontos!!!!!
Vendo o jogo agora…….estou errada ou isso que eu queria aconteceu?????
Ela está mais leve…..adorei!!!!
Nem sei se vou ver o jogo com a Anisimova.kkkkk

Realist
Realist
1 hora atrás

Isso incomoda bastante mesmo ver as efusivas comemorações em erro ou com adversária lesionada, além de xingar adversárias em português para não entederem. Até fizeram um vídeo coletânea dos xingamentos, só pesquisar.
Essas situações me deixam antipático em relação a ela, mas o torcedor comum nao liga para isso. Apenas querem ver sua bandeira vencendo…

Luiz Fernando
Luiz Fernando
7 horas atrás

Que vitoria da Bia, acima de tudo pq venceu bem e de forma incontestável. Parece mais magra, ja tinha notado isso no jg de duplas, o talvez esteja contribuindo para uma melhor movimentação. Num torneio no qual as principais favoritas estão primando pela instabilidade não custa sonhar com voos mais altos, mas vamos para uma coisa de cada vez. O próximo jg será mais exigente e com torcida contraria, mas seguimos na torcida…

Aurelio
Aurelio
6 horas atrás

Bia merece elogios por (finalmente) jogar com um pouco mais de inteligência (sem forçar tanto a maioria dos golpes, diminuindo os erros) e melhorando o condicionamento físico (tarde, muito tarde, já quase no final da temporada).

Por outro lado, o que preocupa é a fragilidade e absoluta falta de qualidade no saque. Se alguém fizer um vídeo lado a lado de Bia em 2023 sacando no Elite Trophy na China e a Bia em qualquer momento de 2025, fica difícil acreditar que é a mesma jogadora. Ainda que trabalhasse apenas a melhora do 2o serviço, que atualmente se encontra em nível desolador (fraco e descalibrado, mal colocado), já seria algo animador.

Há perspectivas de melhora no saque? Não há, infelizmente. Não dá pra saber quem está mais resignado ao nível de saque em que ela “estacionou”, se ela própria ou o treinador que não sabe o que fazer.

Francamente, só contando com a sorte dos chaveamentos mesmo em horizonte a perder de vista. Pena, porque o potencial para entrar e permanecer no top-10 ganhando bons títulos está lá (se tem espaço pra Paulini, tem espaço pra Bia), só falta tomar as decisões difíceis que ela se recusa a tomar.

Samuel, o Samuca
Samuel, o Samuca
6 horas atrás

Daria Kasatkina, australiana, “formalmente” ex-russa …
Tomara que tudo dê certo com a Bia, mas atualmente a Paolini está atuando em um nível bem superior ao da brasileira, ao contrário do que supõe um colega que comentou anteriormente.

Rafael Azevedo
Rafael Azevedo
4 horas atrás

No fim das contas, é sempre a Bia quem leva o Brasil às fases finais nos grandes torneios.

Ainda assim, ela é, de longe, quem mais sofre críticas, entre nossos tenistas

Ronildo
Ronildo
4 horas atrás

E esse jogo em que Alexandrova incorporou um espírito de grande guerreira fazendo jus ao seu nome e obrigou Siegemund a seguir para seu mundo, seu lar, vencendo por 6/0, 6/1, não foi outro jogo tranquilo Dalcim? Detalhe é que Siegemund está com 37, o que a bem dizer a tornou literalmente uma sobrevivente no circuito.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
3 horas atrás

” Não sou uma máquina” . Concordo caro Jannik, e nem um robô rs . Mas pra vence-lo em quadra dura, tem que suar sangue. Pode estar 0 x 3 num Set , que o oponente vê do outro lado um Tenista de gelo. A lá Iceborg, que para os novatos , é falta de carisma . Mantenho o ligeiro favoritismo para Jannik Sinner ao título do USOPEN 2025 . Considero enorme Zebra sua não presença na grande Final. A conferir. Abs !

Jonas
Jonas
3 horas atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Eu gosto do Sinner, mas o carisma dele é zero mesmo.

Ronildo
Ronildo
1 hora atrás
Responder para  Jonas

Carisma: conjunto de habilidades e/ou poder de encantar, de seduzir, que faz com que um indivíduo desperte de imediato a aprovação e a simpatia das massas.

Tem certeza que o carisma de Sinner é zero Jonas?

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
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