O dono cada vez mais absoluto do tênis

Depois de ficar ameaçado de não seguir em Turim para o fim de semana, Novak Djokovic parece ter decidido colocar em prática o seu melhor tênis. Em dias consecutivos, enfrentou garotos de grande qualidade, peso de bola, pernas velozes e saque contundente. Os dois aliás mais cotados para sucedê-lo na ponta do ranking. E o que se viu foi um show de firmeza, capacidade atlética, soluções táticas e cabeça fria. Muito perto de sua mais apurada versão, Nole não deu chance à novíssima geração.

O primeiro set diante de Jannik Sinner foi assombroso. Depois da derrota de dias atrás, em que foi sufocado pelos golpes rápidos do italiano, Djokovic entrou preparado para colocar sempre uma bola a mais. Cometeu dois únicos erros não forçados, nenhum deles com o forehand. Não menos notável foi sua produção no saque. Nos primeiros sete games de serviço do sérvio, Sinner só conseguiu ganhar dois lances. Não tinha jogo e de repente o sérvio já tinha 2/0 no segundo set e por um milagre não obteve outra quebra.

Enfim, a torcida italiana, creio eu embasbacada ao ver seu garoto prodígio encurralado, conseguiu um pouco de emoção. Foi até uma pena que Sinner não tenha aproveitado o 15-40 que lhe daria empate no sexto game e esquentaria a partida, mas o fato é que Nole tirou muito cedo a confiança do adversário e assim capitalizou as decisões precipitadas e mal construídas, que se repetiriam no 0-30 no oitavo game. Sinner sucumbiu com dupla falta e um total tenebroso de 17 erros não-forçados de forehand.

Aos 36 anos, 5 meses e 22 dias, Djokovic bateu a própria marca de mais velho campeão do Finals e deu uma nova lição aos emergentes. “Tive de ir atrás das vitórias e não apenas esperar que eles me dessem isso. E foi o que fiz”, definiu com habitual propriedade. “Foi sem dúvida uma das melhores temporadas da minha vida”.

Nole completa o calendário com 55 vitórias e apenas seis derrotas, somando três Grand Slam e dois Masters entre os seis troféus erguidos. Nesta segunda-feira, terá incríveis 2.390 pontos sobre Carlos Alcaraz, que há poucas semanas era uma ameaça à continuidade do seu reinado.

Diante da terceira geração de competentes postulantes a grandes marcas e títulos, Djokovic deu uma mostra exuberante em Turim de que é o dono absoluto do tênis masculino:

  • 24 títulos de Grand Slam
  • 7 conquistas do ATP Finals
  • 40 troféus de nível Masters
  • 71 ‘grandes títulos’
  • 400 semanas como número 1
  • 8 temporadas encerradas como líder do ranking
  • US$ 180 mi em prêmios oficiais
  • 71 títulos na quadra dura (com Federer)
  • Ao menos 3 títulos em cada Slam
  • Ao menos 7 finais em cada Slam
  • 9 diferentes troféus de Masters (com Lendl)
  • 36 finais disputadas em Slam
  • 58 finais feitas em Masters
  • 47 semifinais de Slam
  • 76 semifinais de Masters
  • Ao menos 10 semifinais em cada Slam
  • Mais vitórias sobre top 5: 124
  • Mais vitórias sobre top 10: 257
  • Maior número de adversários diferentes vencidos em Slam: 189
  • Semanas seguidas como número 3: 92
  • Mais velho campeão do ATP Finals
  • Mais velho a terminar temporada como número 1
  • Máximo pontos no ranking: 16.950 (2016)
  • Maior diferença para um número 2: 9.025 pontos (2016)

E contando.

Saiba mais

  • Djokovic repetiu a façanha de 2015, quando também perdeu para Roger Federer na fase de grupo e depois se vingou na partida decisiva.
  • O ano e as ambições ainda não terminaram para Nole. Ele segue para Málaga, onde estreia na quinta na fase final da Copa Davis contra a Grã-Bretanha, sem Andy Murray. A Sérvia tem um único título na competição, em 2010, já sob comando de Djokovic.
  • Sinner pela primeira vez encerrou uma temporada com mais de 60 vitórias. Foram 61 em 76 possíveis, com direito a seu primeiro troféu de Masters.
  • Djokovic fechou o Finals com 50 aces em cinco jogos, a maior quantidade para um torneio regular de três sets de sua carreira.
  • Rajeev Ram e Joe Salisbury marcaram a 10ª vitória seguida em Turim e garantiram o bi no Finals, com vitória sem sustos diante de Marcel Granollers e Horacio Zeballos.
  • Com isso, Austin Krajicek e Ivan Dodig terminam a temporada como parceria que mais somou pontos e Krajicek, como número 1 da especialidade.

Desafio das camisetas
Quatro internautas ‘gabaritaram’ o Desafio do ATP Finals, acertando as exatas semifinais, a final e o campeão de Turim. Todos receberão uma camiseta ‘TenisBrasil 25 anos’, devendo enviar seus dados de correio e número de camiseta aqui no do email joni@tenisbrasil.com.br.

A ordem dos vencedores foi definida pelo placar da partida final e Sandro Mateus Gonçalves da Silva saiu-se notalvelmente bem, errando por um único game! Em segundo, ficou Hiroito Onotera, seguido por Marcos Ribeiro e Thierry. Parabéns a todos.

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Vinícius
Vinícius
2 anos atrás

Muito bom ver o Sinner vencendo o djokovic e após isso a Itália sendo campeã da Davis, eu estava torcendo pelo djoko mas foi insuportável o tanto de gente que falou mal do italiano semana passada após a final dos finals, falando que ele foi burro de não ter entregado para o Rune para eliminar o djokovic e assim eventualmente ser campeão, e assim eu acredito na filosofia que o Sinner ou outro jogador só vai saber do seu nível ganhando jogos grandes, ele nunca tinha vencido djokovic antes, fez, nunca tinha feito uma final contra djokovic, fez e perdeu, ele aprendeu, e soube o vencer na Davis depois, ele não iria aprender nada tendo entregado no finals como muitos falaram, e esse título é só mais uma prova disso, que o Sinner continue nesse caminho gigantesco, ele vai ser número 1 do mundo logo
Já o admirava antes e minha admiração só aumentou mais após essas últimas semanas, vai ter minha torcida sempre.

gume
gume
2 anos atrás

Prezado Mestre Dalcim:

Parabéns pelo novo visual, ficou bonito e bem mais amigável para navegar.

Gostaria de propor uma discussão sobre os recordes do sérvio.

Na sua opinião, quais seriam os 5 recordes do Novak que serão mais difíceis de serem superados e quais seria os recordes relevantes que ele ainda não possui que você acredita que serão muito difíceis dele conseguir.

Minha lista.
1. 400 semanas como N1 (8 anos é muita coisa)
2. 24 slams
3. 40 master
4. 10 AUSOPEN
5. 16.950 pontos (isto dá 4 slams + 8 M1000 e sobra pontos)

Quanto aos recordes que ele não tem:

1. Semanas seguidas como N1 (não conseguirá)
2. 2 ouros olímpicos (não conseguirá)
3. 109 títulos (possível, mas terá de mudar o foco e perseguir)

Abraços.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
2 anos atrás

O ” goat ” do Tênis perdeu TRÊS Match -Points CONSECUTIVOS contra o garoto SINNER , dando adeus a Copa Davis de Tênis. Ele jura que vai tentar a supremacia que tem no AOPEN nos demais SLAM . Continua RG com Nadal , WIMBLEDON e USOPEN com Federer. Tadinho… rsrs. Abs!

Jonas
Jonas
2 anos atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Ele nunca disse isso. Apenas brincou afirmando que a esposa ficaria chateada se ele tentasse os 14 RG no Nadal. Também disse que quer bater o recorde do Connors, algo que já era óbvio. O cara quer vencer tudo que puder, para desespero dos haters.

Paulo Almeida
Paulo Almeida
2 anos atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Ele só vai se aposentar quando tiver 25 AO. 15 RG, 20 WB e 17 USO, pro seu desespero!

Rsrsrs, abs!

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
2 anos atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Eu não acredito que você quer desmerecer o maior campeão de majors e de Atp Finals por causa da Copa Davis. É sério que você quer comparar um tenista que tem 4 slams, 12 masters 1000, 1 Atp Finals, 100 semans como número 1 e 3 temporadas como número 1 a menos com o rei do tênis masculino?

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
2 anos atrás
Responder para  Paulo Sérgio

Como posso desmerecer o “ goat “ que possui o Recorde de 92 Semanas como N 3 do Mundo , como bem postou o Dalcim acima rs . Já tem outro que possui o IMBATÍVEL recorde de 237 semanas CONSECUTIVAS no Topo do Ranking. Não tem mesmo como desmerece – lo SR Paulinho . Afinal ficou de 2007 a 2011 esquentando o banquinho…rsrsrs. Abs!

Marcelo F
Marcelo F
2 anos atrás

Dalcim, o site ficou legal. Mas os últimos comentários têm que ficar no topo da lista. E os primeiros vão ficando lá pra baixo. Como era antes.

André Aguiar
André Aguiar
2 anos atrás

Hoje às 10h (de Brasília) haverá o sorteio dos confrontos do qualificatório da Davis, a ser realizado em fevereiro.

Possíveis adversários do Brasil e respectivas sedes:

Casa: Tchéquia, EUA, Chile.

Fora: Canadá, Espanha, Croácia, Alemanha, França, Suécia.

Sorteio: Grã Bretanha, Holanda, Cazaquistão, Finlândia, Sérvia.

Lembrando que 2 desses 14 países receberão wild card para disputar as finais e, portanto, não disputarão o Quali (aposto em Sérvia e EUA).

Jonas
Jonas
2 anos atrás

Temporada memorável do GOAT. Duvido que a maioria de seus fãs esperava mais um Roland Garros, US Open e Finals na mesma temporada. Jogou demais, subiu ainda mais seu nível, bateu recordes e segue motivado para a temporada 2024. Rivais de grande nível ele terá; Sinner mostrou isso hoje, Alcaraz deu o recado em Wimbledon, Medvedev costuma ser pedreira… mas parece que o sérvio se motiva ainda mais com esses grandes jogadores. Que ele descanse bem e volte ainda mais forte para a temporada seguinte, que promete, abs.

Paulo Almeida
Paulo Almeida
2 anos atrás

40 Masters 1000 ✅️
8° year-end ✅️
400 semanas #1 ✅️
7 ATP Finals ✅️
2 Copas Davis ❌️

Ainda bem que o GOATaço só perdeu o que valia menos nesse fim de ano.

Maurício Luís *
Maurício Luís *
2 anos atrás
Responder para  Paulo Almeida

Mas ele disse que perder pelo país dele dói mais. Então parece que ele discorda de você.

Paulo Almeida
Paulo Almeida
2 anos atrás
Responder para  Maurício Luís *

“Doer mais” não significa que valha mais. Aliás, é bem óbvio que as conquistas individuais valem muito mais pros torcedores e pro GOATismo do Djokovic.

Maurício Luís *
Maurício Luís *
2 anos atrás
Responder para  Paulo Almeida

Pois é, mas eu penso diferente. Se dói mais, então é porque vale mais. Se dói + do que perder o Finals, por ex., então é porque pra ele vale mais. Pena que não fizeram esta pergunta a ele: ” Você trocaria o título do Finals pelo título da Davis?”

Paulo Almeida
Paulo Almeida
2 anos atrás
Responder para  Maurício Luís *

7 > 6

Isso significa 1000 vezes mais para os torcedores do Djokovic e machuca 1000 vezes os sofredores.

Davis, who gives a damn?

Abs.

eduardo spacca
eduardo spacca
2 anos atrás

Não gostei do layout do novo site, bem melhor como era antes, principalmente no que se refere a ver os resultados das partidas.

Maurício Luís *
Maurício Luís *
2 anos atrás

Não é só o sérvio líder do ranking que tem sangue frio pra salvar ‘match-points’. Sinner já tem 2 vitórias em 3 jogos recentes contra ele. Ou seja, que ponha as barbas de molho, porque não tem só Alcaraz na jogada, não.
E depois vem internauta comentar aqui que o Aberto da Austrália “tá no papo”.
Grand Slam nunca é fácil. São 2.000 pontos a serem defendidos. A conferir…

Paulo F.
Paulo F.
2 anos atrás

Parabéns pelo novo layout do site, Dalcim!
No aguardo que sejam recuperados os arquivos/postagens antigos.

Rodrigo
Rodrigo
2 anos atrás

O domínio de Djokovic é tão amplo e avassalador que passo a ter uma preocupação que nunca imaginei que fosse ter: não menosprezar o legado do Federer. Apesar de toda a mídia a favor, e o assombro no número de fãs, o certo é que Federer, analisado objetivamente, encolheu uma enormidade nos últimos anos. Aquela foto da esposa com o casaco do ‘Goat’ no MET gala hoje seria impensável, por simplesmente ridícula. E para quem pensa que isso é um exagero, basta ver o que aconteceu com Sampras. Era, em sua época, um monstro imbatível, bem acima dos adversários nos pisos rápidos. E atualmente, apesar de americano, na grande mídia, não se transmite a noção do domínio que teve na época em que jogava. De certo modo, parte do brilho de Sampras foi ofuscado pelo big 3, como grande parte do brilho de Federer é nublado pela pujança do Djokovic

Paulo F.
Paulo F.
2 anos atrás
Responder para  Rodrigo

Eu acho que a importância de Roger Federer para o tênis sempre será relevante e referência para o esporte.
O que eu não vou admitir nunca mais é que o coloquem acima de Novak Djokovic.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
2 anos atrás

Maravilhosa e merecida a homenagem de Andrea Bocelli a Federer, emocionante por sinal…

Fernando
Fernando
2 anos atrás

Sempre fui fã e admirador do jogo de Rafael Nadal, mas não há o que discutir sobre quem é o melhor tenista da história. Chama-se Novak Djokovic.

Mágno Lucas Sampaio
Mágno Lucas Sampaio
2 anos atrás

Olá Dalcim! Passando para parabenizar pela cobertura tanto do Másters de Paris, quanto pelo Finals, fico sempre aguardando o seu post. Em relação às mudanças no Site ficaram ótimas, parabéns pelos 25 e que venham mais 25. Dalcim agora só depende do nosso Palmeiras para sermos campeões hein!

Maurício Luís *
Maurício Luís *
2 anos atrás

Não vou tirar a razão do Djokovic em se irritar com a torcida inglesa. Mas o fato é que isto é bem frequente e ele parece saber lidar bem com esse tipo de situação.
Talvez nem seja por ele em si. Acontece que quando um jogador começa a dominar amplamente por longo período, muitos não gostam por acharem que está ficando monótono.
Dois exemplos: 1) aconteceu com a Serena, também.
2) Na década de 70, Jimmy Connors, no auge da carreira, muitos o consideravam um “vilão” e torciam contra. Isto mudou com o tempo. Já aos 39, no US Open 91, o estádio veio abaixo quando ele bateu o Aaron Krikstein de virada no tiebreak do quinto set.
Então é a tal história: ” Tudo depende. Nada é sempre. E tudo é às vezes.”

Paulo Almeida
Paulo Almeida
2 anos atrás

O Carlo VW está com dificuldades pra acessar o novo site?

Só queria lhe dizer que o GOATaço vai ser PENTA do Laureus em 2024 e só não ganhou em 2022 por causa do ocorrido na Austrália. Foi o melhor atleta de 2021, muito superior ao Verstappen.

Tiago
Tiago
2 anos atrás

Dalcim, qual foi a justificativa a WTA sobre a mudança na contagem do ranking da Bia? Vc disse que iria esclarecer mas eu não vi mais nada.

Andre Eduardo
Andre Eduardo
2 anos atrás

Dalcim e equipe, parabéns pela nova estrutura do site! Ficou muito bacana!

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
2 anos atrás

Dalcim, ontem vendo os highlights de um certo sérvio sobre, salvo engano, o #1 britânico, pensei no seguinte: Djokovic teve vários breakpoints na partida, isso indica pressão no sacador e teve vários games de 0 a seu favor.
Sabemos o quanto sua devolução é intensa, mas em que nível você o coloca agora, como sacador?
Grande abraço.

Rafael Azevedo
Rafael Azevedo
2 anos atrás

Djokovic terminou a temporada com cerca de 2.300 pontos à frente do jovem fenômeno espanhol com 5 torneios a menos disputados. Incluindo os M1000 de Indian Wells e Miami.
Incrível!

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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