PLACAR

Medvedev assiste de camarote à rodada decisiva

Não foram duas vitórias espetaculares, mas Daniil Medvedev fez o suficiente para ganhar de Andrey Rublev e de Alexander Zverev e garantir com deliciosa antecipação sua vaga na semi do ATP Finals. Nem mesmo a questão de ser o primeiro ou segundo do grupo importa tanto, porque não se sabe o que acontecerá na outra chave nesta quinta-feira. E, dependendo do que lhe convier, o russo ainda poderá ‘manobrar’ o adversário.

Todas as atenções se concentram na terceira rodada do Grupo Azul, que inesperadamente pode tirar Novak Djokovic da semi e, portanto, da luta pelo hepta. Ele e Jannik Sinner fizeram uma partida notável na terça-feira, decidida nos detalhes, em que cada um teve suas chances e suas falhas, mas produziram um tênis de gigantesca qualidade na maior parte do tempo.

O italiano, empurrado pela torcida, foi muito feliz na sua postura ofensiva e, mesmo errando um ou outro voleio bisonho, teve enormes méritos pelo risco que se determinou a correr. Mas nem as duas vitórias já obtidas em Turim o garantem na semi, ainda que seja aquele com maiores chances. Só ficará de fora se perder em 2 sets para Holger Rune e Djoko bater o reserva Hubert Hurkacz. Caso Sinner ganhe ao menos um set, pode haver um tríplice empate e decisão no percentual de games vencidos.

E mais: ele e Rune entrarão em quadra já sabendo do que precisam fazer. Depois de mais de seis horas de esforço, com quatro tiebreaks disputados e dois perdidos, Nole foi sábio e evitou treinar nesta quarta para poupar energia. Hurkacz não tem chance de classificação, porém mira pontos no ranking, prêmio extra e especialmente a chance de diminuir a ‘freguesia’, que já é de 6 a 0. Sem falar no título recente em Xangai e o vice na Basileia, que o recolocam no top 10. Num piso veloz onde o saque do polonês é muito indigesto, Djoko precisará estar totalmente atento. E o ideal é sequer perder set, porque uma vitória por 2 a 1 o deixaria de fora da semi caso Rune ganhe de Sinner por 2 a 0.

O dinamarquês mostrou nova recuperação na dura partida que fez contra Nole na estreia e depois só precisou de três games, já que Stefanos Tsitsipas deu o vexame de entrar em quadra sem condições ideais. Todo mundo sabia de suas limitações antes mesmo da estreia diante de Sinner e o papelão da desistência tão precoce acabou por atrapalhar o grupo que parecia tão promissor. Independentemente de todo o resto, Rune entra em quadra com 2 a 0 no histórico contra Sinner, embora a única vitória completa tenha sido no lento saibro de Monte Carlo.

Alcaraz por sua vez reagiu muito bem depois da estreia tão irregular contra Zverev e demonstrou imensa superioridade sobre Andrey Rublev, que continua com dificuldade quando tenta mostrar um tênis mais versátil. A vida do espanhol permanece longe de estar tranquila, já que entrará em quadra no começo da rodada de sexta-feira tendo de ganhar de Medvedev para não depender do duelo da noite. É bem verdade que Carlitos levou a melhor em dois dos três cruzamentos deste ano diante do russo, que certamente jogará sem qualquer pressão. Zverev entra em quadra com 5 a 3 no histórico frente a Rublev, o que é uma ameaça e tanto ao sonho de vaga do espanhol.

Saiba mais

  • A ideia inicial da ITF era que o então Masters tivesse alternãncia de sedes e então o agora Finals aconteceu em Tóquio, Paris, Barcelona, Boston, Melbourne, Estocolmo e Houston, antes de enfim se fixar em Nova York, onde aconteceram 23 edições no magnífico Madison Square Garden.
  • Em 1974, o Finals aconteceu sobre grama de Melbourne e em 2003 e 2004, em sintético descoberto de Houston. Todos os demais foram sob teto e no piso duro, por vezes o rapidíssimo carpete.
  • Até 2007, com mínimas exceções, os jogos decisivos do Finals tinham cinco sets e isso proporcionou momentos históricos, como o tiebreak decisivo, com direito a bola na fita no match-points, entre Becker e Lendl de 1988, ou as viradas de 0 a 2 de Correjta sobre Moyá (1998) e de Nalbandian sobre Federer (2005).
  • Djokovic e Federer ganharam seis vezes o Finals de simples, enquanto Peter Fleming e John McEnroe são heptas nas duplas, sempre juntos.
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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