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Evert e Navratilova rejeitam WTA Finals na Arábia Saudita

Chris Evert e Martina Navratilova no Finals em Cingapura (WTA)

Washington (EUA) – As lendas do tênis americano Chris Evert e Martina Navratilova criticaram, nesta quinta-feira, o dinheiro da Arábia Saudita que flui para o tênis feminino, em artigo de opinião publicado no jornal Washington Post.

Evert, de 69 anos, e Navratilova, de 67, ganharam cada uma 18 títulos de Grand Slam de simples de 1974 a 1991 e estavam entre as primeiras estrelas do WTA Tour, fundado em 1973.

Em artigo conjunto, elas criticaram os dirigentes do WTA Tour que consideravam a realização das finais do WTA na Arábia Saudita. “Não ajudamos a construir o tênis feminino para que ele fosse explorado pela Arábia Saudita”, diz o título.

Navratilova e Evert disseram que dedicaram todo o seu coração à construção de uma turnê “fundada na igualdade para capacitar as mulheres em um mundo dominado pelos homens”, e acrescentaram: “Esse trabalho está agora em perigo. Os dirigentes do WTA Tour, sem consultar adequadamente as jogadoras que são a base do esporte, estão prestes a concordar em sediar as finais do WTA na Arábia Saudita”, escreveram. “Isso é totalmente incompatível com o espírito e o propósito do tênis feminino e da própria WTA.

Os investimentos da Arábia Saudita no esporte têm sido criticados como uma distração para as questões de direitos humanos no país. “Os valores da WTA contrastam fortemente com os do anfitrião proposto”, escreveram as lendárias tenistas.

“Este não é apenas um país onde as mulheres não são vistas como iguais, é um país onde o cenário atual inclui uma lei de tutela masculina que essencialmente torna as mulheres propriedade dos homens. Um país cujo histórico de longo prazo em matéria de direitos humanos e liberdades fundamentais tem sido motivo de preocupação internacional há décadas. Realizar a final do WTA ali não representaria progresso, mas uma regressão significativa.”

“Não podemos ficar sentadas e permitir que algo tão significativo como a atribuição de um torneio à Arábia Saudita aconteça sem uma discussão aberta e honesta”, afirmaram no longo artigo.

Elas recomendaram uma ampla discussão entre o Conselho da WTA, o torneio e o conselho de jogadoras para evitar que um torneio tão importante seja usado como uma espécie de “lavagem esportiva apenas por uma questão de entrada de dinheiro.” Além disso, pediram ao WTA Tour que crie uma estrutura de direitos humanos para proteger jogadoras, torcedores, patrocinadores, trabalhadores e outros.

“A WTA deveria rever os valores sobre os quais foi estabelecida. Acreditamos que esses valores não podem sequer ser expressos, muito menos alcançados, na Arábia Saudita. Realizar um torneio lá representaria um retrocesso significativo, em detrimento não apenas do esporte feminino, mas das mulheres.” Para Evert e Navratilova, A WTA deve defender os direitos humanos enquanto existir desigualdade para as mulheres no mundo. E  encerraram o texto, dizendo: “Oferecemos isso a partir de nossas experiências: uma campeã não é formada apenas por troféus ou ganhos, mas pela decisão de renunciar ao conforto e ao luxo para fazer escolhas difíceis e assumir posições de princípios”.

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Sergio
Sergio
1 mês atrás

Concordo plenamente com as americanas. Em primeiro lugar vem a dignidade humana, seja da mulher ou do homem. Primeiro vem os valores humanos. O dinheiro não compra a dignidade de ninguém. Muito menos deveria servir para “maquear ” aqueles que não respeitam os direitos humanos essenciais em nosso mundo de hoje.

Paulo A.
Paulo A.
1 mês atrás

Discordar quem há de??!!!
Certíssimas estão as duas lendas.

SANDRO
SANDRO
1 mês atrás

A SABALENKA quer o dinheiro, o conforto e o luxo que os ÁRABES estão oferecendo… Essas “APOSENTADAS” estão é com inveja do dinheiro que os árabes estão oferecendo para as jogadoras da ativa, isso sim !!! Elas, como “APOSENTADAS INVEJOSAS”, não deveriam querer jogar água no chopp das jogadoras da ativa..

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