PLACAR

Estreias de Bia e Djokovic foram de encher os olhos

Era certo que encarar Sloane Stephens em Flushing Meadows exigiria o melhor tênis de Beatriz Haddad Maia. E não deu outra. A canhota brasileira fez sua melhor apresentação desde a semifinal de Roland Garros, mostrou um repertório vasto e eficiente, foi agressiva na medida certa, mas ainda assim precisou lutar por três horas para avançar à segunda rodada do US Open. Conclusão: juntou excelências técnica, tática e física para avançar à segunda rodada do US Open.

Bem distante das apresentações irregulares de Montréal e Cincinnati, Bia usou muito bem seu forehand agressivo e me cativou pelos backhands na paralela com um tempo perfeito de bola. Melhor ainda, não titubeou em buscar voleios, e na maior parte do tempo saiu-se muito bem, e ainda pegou a campeã de 2017 de surpresa com curtinhas. Seria perfeito se Bia tivesse mantido o bom padrão de serviço e aproveitasse a quebra de vantagem no final do segundo set, mas bastou a queda do primeiro saque para Stephens mostrar do que é capaz.

As sucessivas perdas de serviço no terceiro set foram aqueles momentos tão habituais no tênis feminino em que a devolução fala mais do que o serviço. E aí ficou clara a outra grande qualidade de Bia nesta segunda-feira: manteve o foco e a determinação em momentos de grande tensão e segurou a cabeça para não desperdiçar de novo a vantagem. Marcou a 13ª vitória em 19 jogos que levou ao terceiro set nesta temporada.

Em sua chave tão difícil, o desafio agora é a também canhota Taylor Townsend, uma tenista extremamente habilidosa. Adora ir à rede e devolve muito bem, coisas típicas da ótima duplista que é. No único duelo entre elas, a norte-americana venceu no quali de Miami em 2019.

Djokovic de volta ao topo
Com a facilidade esperada, Novak Djokovic voltou à Arthur Ashe quase na madrugada e deu um show de seriedade e competência. Desde o primeiro minuto, sufocou a pouca experiência do francês Alexander Muller e o fez com todas suas armas: devolução, agilidade, força e precisão. Só depois de oito games sem achar um buraco, enfim o adversário ganhou seu primeiro game e se esforçou ao máximo para ser competitivo.

Djokovic assim cumpriu a primeira de suas muitas missões neste US Open: recuperou a liderança do ranking, qualquer que sejam as campanhas de seus concorrentes. E deu o recado. Está ainda mais afiado do que em Cincinnati.

Resumão

  • Iga Swiatek e Elena Rybakina venceram com grande facilidade, enquanto Coco Gauff teve jogo enroscado contra Laura Siegemund. Muito bem ver que a jovem pupila de Brad Gilbert aderiu mesmo ao jogo de rede e melhor ainda saber que fará duelo adolescente contra Mirra Andreeva.
  • Em momentos muito ruins, Maria Sakkari e Felix Aliassime nem passaram da estreia. Surpresa mesmo foi a queda de Holger Rune para o espanhol Roberto Carballes. O cabeça 4 não venceu um jogo sequer após Wimbledon.
  • Outro resultado inesperado foi a vitória do quali francês Titouan Droguet sobre Lorenzo Musetti. Também caiu Sebastian Korda, porém Marton Fucsovics vem confiante.
  • Polêmica em cima de Alexander Bublik. Ele teria dito a si mesmo, em russo, que ‘estou cansado de devolver a carreira a gente incapaz’, referindo-se a Dominic Thiem. O austríaco venceu primeiro jogo de Slam desde Melbourne de 2021.
  • Outra que volta aos triunfos em Slam é Caroline Wozniacki, que não competia nesse nível desde 2020. Agora, fará o 15º duelo contra Petra Kvitova, mas curiosamente nunca se cruzaram em Slam.
  • O primeiro game do segundo set entre Gauff e Siegemund demorou 26 minutos! Ainda assim, nem passou perto de Vicki Nelson e Jean Hepner, que disputaram um ponto de 29 minutos no torneio de Richmond em 1984.
  • A armanda americana formada por Fritz, Tiafoe, Paul, Eubanks, Shelton e McDonald avançou. Faz exatos 20 anos que Roddick deu último Slam masculino aos EUA.
  • Finalmente o US Open acabou com a bola mais leve para a chave feminina depois de consultar a WTA. O torneio também implantará a revisão de vídeo para eventuais ‘dois quiques’, algo que não é contemplado nos ‘desafios’, mas somente para cinco quadras.
  • Jack Sock, adepto total do pickleball, é mais um que irá encerrar a carreira neste US Open. Ex-top 10 de simples, ele ganhou três Slam de duplas, dois em Wimbledon e outro em Nova York.
  • Dácio Campos criou o canal Leão da Montanha no YouTube e promete comentar a final do US Open na plataforma. Quem quiser se inscrever, acesse aqui
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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