PLACAR

Drama na madrugada

Não se poderia esperar outra coisa do que qualidade e emoção entre Jannik Sinner e Alexander Zverev, mas a maratona de 4h41 que entrou pela madrugada local foi um verdadeiro drama. Mesmo muito perto do esgotamento, ninguém se rendeu até que Sascha enfim completou a vitória que o recoloca nas quartas do US Open e lhe dá o direito de desafiar o atual campeão Carlos Alcaraz.

Os dois primeiros sets foram em ritmo tão frenético e exigente que Sinner passou a sentir cãibras. Parecia inevitável seu abandono, ainda mais quando Zverev abriu 2 sets a 1, mas o italiano não se entregou. Procurava se alongar, mancava com a perna esquerda e aos poucos percebeu que o adversário também estava muito desgastado e seus golpes começavam a ficar curtos.

O quarto set foi essa batalha um tanto mental, em que era preciso lutar para se manter nos games e não abrir espaços. No meio dessa tensão toda, um torcedor inoportuno provocou Sascha com uma frase dita por Hitler e foi expulso do estádio. Com ótimas curtas, Sinner explorou o deslocamento cada vez mais deficitário de Zverev e bateu muito forte na bola para levar ao quinto set. Aí de alguma forma o alemão recobrou a profundidade da bola, conseguiu quebra precoce e sustentou a mínima vantagem até o fim, com um game final impecável tanto no saque como na coragem e num voleio que Boris Becker assinaria. “É um dos maiores momentos da minha carreira”.

Enquanto isso, Alcaraz ficou apenas 2 horas em quadra e nem precisou jogar seu melhor para superar o pouco experiente Matteo Arnaldi, que mostrou um ótimo forehand. O espanhol deu seu habitual show, com uma série de jogadas habilidosas. “Fui intenso desde a primeira bola e tentei ir mais à rede”, avaliou. O saque deu pequeno susto com a perda do terceiro game do terceiro set, mas foi só.

Agora o mais jovem profissional a somar três quartas no US Open, ele fará o sexto duelo contra Zverev, mas o histórico é curioso. O alemão venceu os dois de 2021 em piso duro, outro na espetacular atuação de Roland Garros do ano passado e Alcaraz só ganhou no saibro de Madri.

Negócios à parte
Medvedev foi totalmente dominado por Alex de Minaur no set inicial, mas contornou a situação com muita competência. O australiano perdeu muita qualidade no saque ao longo da partida, mas insistiu na ideia de ir à rede, onde ganhou 30 de 39 tentativas.

Tudo isso em condições climáticas penosas, a soma terrível de calor e umidade alta. “Foi uma das mais brutais que já encarei”, decretou o campeão de 2021. “Cheguei a pensar que não chegaria ao fim do jogo”.

Reencontra o amigo Rublev, padrinho de sua filha, contra quem lidera por 5 a 2. Será a terceira vez que se cruzam nas quartas de um Slam e Daniil ganhou todas até agora.

Rublev chegou a ter um set e uma quebra à frente antes de permitir o empate ao canhoto Jack Draper, mas o britânico despencou na parte física. “A ideia era alongar ao máximo o jogo”, admitiu. O número 8 do ranking tem um bloqueio a superar: já fez oito quartas de Slam – três delas em Nova York – e nunca passou disso.

Sabalenka não relaxa, Ons cai
Um dia depois de saber que será enfim a número 1 do mundo, Aryna Sabalenka correspondeu plenamente. Atropelou a russa Daria Kasatkina sem dó nem piedade, fazendo festa no serviço pouco contundente da adversária, que chegou a dar segundo saque a 125 km/h.

“Ainda nem consigo acreditar”, afirmou sobre a liderança que chegará na segunda-feira. “Mas não quero distrações até o fim da semana”.

E nem deve. A chinesa Qinwen Zheng também pega pesado na bola e tentará ser a primeira a derrotar Sabalenka nas quartas de um Slam, já que a bielorrussa passou nas outras seis vezes. A campanha é inédita para Zheng, que dominou a finalista Ons Jabeur com bolas muito profundas e excelente cobertura de quadra. A tunisiana jogou todo o torneio abaixo de sua capacidade devido a uma gripe, mas isso não depõe contra a ótima atuação de Zheng.

A outra vaga na semi será entre Marketa Vondrousova e Madison Keys. A campeã de Wimbledon levou um susto diante da campeã universitária Peyton Stearns, mas pouco a pouco a canhota tcheca reagiu. “Depois de Wimbledon, senti é claro pressão, precisava ganhar jogos”, contou.

Keys por sua vez não deu espaço para Jessica Pegula e causou certa surpresa. Não é claro pelo currículo, já que afinal foi vice em 2017, mas pelo momento superior da compatriota. “A tática era encurtar todos os pontos”, explicou.

Bia e Vika muito firmes
Jogadoras agressivas por natureza, Beatriz Haddad Maia e Victoria Azarenka seguem firmes no US Open. Estão nas quartas e cresce a chance de cruzarem com Luisa Stefani e Jennifer Brady na semi, o que seria espetacular. “Vika é uma inspiração. Sempre me fala para ir com tudo para a bola”.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

PUBLICIDADE

VÍDEOS

Quando os tenistas se machucam, mas ainda vencem

ATP seleciona as 10 melhores jogadas do ATP FInals