Australian Open: entre velhas e novas sensações

O Australian Open começou embalado por grandes recordações, evocando campeões que marcaram época e que hoje já vivem o circuito praticamente em momento de despedida. A queda de Stan Wawrinka, ainda na terceira rodada, foi um desses sinais claros de que o tempo segue seu curso, mesmo para quem já escreveu capítulos históricos no tênis. Em meio a esse cenário, Novak Djokovic segue em quadra tentando ampliar marcas que o colocam em um patamar histórico difícil de ser alcançado.

No feminino, porém, a experiência ganhou outro significado. Aos 45 anos, Vênus Williams voltou a Melbourne batendo o recorde de mulher mais velha a competir no torneio na Era Profissional, carregando algo que nenhuma estatística consegue medir totalmente: história. Sete títulos de Grand Slam, ex-número 1 do mundo, referência dentro e fora das quadras, ela não venceu sua partida de estreia, mas sua presença em quadra ofereceu aprendizados mais importantes do que qualquer vitória. A forma como compete, se posiciona e ocupa aquele espaço segue sendo uma aula silenciosa para adversárias, público e para o próprio circuito.

Enquanto o torneio avança, os olhares naturalmente migram para a expectativa do futuro. De quem será o ano? Quais serão os grandes destaques e que novos nomes surgem nesse cenário em constante renovação?

Mirra Andreeva, já no top 10, venceu três rodadas em Melbourne antes de se despedir, confirmando consistência entre as principais do circuito. A canadense Victoria Mboko, apesar da eliminação, caiu apenas diante da melhor do mundo, vendendo caro sua derrota e deixando sinais de que pode ir além. O mesmo vale para a americana de pai sérvio Iva Jovic, de apenas 18 anos, que também só parou frente à número 1 do ranking. Há 12 meses, ocupava a 191ª posição do mundo e iniciou este Australian Open já como número 27 da WTA, confirmando em Melbourne que a rápida ascensão não foi casual, mas parte de um processo consistente que a coloca entre os nomes mais promissores do circuito.

Esse movimento de renovação ficou ainda mais evidente em um dado simbólico do torneio. Pela primeira vez desde o US Open de 2009, cinco adolescentes alcançaram a terceira rodada de um Grand Slam. Além de Andreeva, Jovic e Mboko, também avançaram à fase dos 32 melhores Tereza Valentova e Nikola Bartunkova, reforçando a sensação de que o futuro do tênis feminino não apenas se aproxima, mas já ocupa espaço relevante nos grandes palcos.

O tênis brasileiro também aparece nesse retrato de contrastes. Se, de um lado, Bia Haddad Maia ainda não conseguiu apresentar em Melbourne o melhor de seu retorno ao circuito, do outro Luísa Stefani parece disposta a brigar pelo título. A retomada da parceria com a canadense Gabriela Dabrowski, que na minha opinião foi sua melhor parceira, recoloca a brasileira em um cenário de confiança e ambição. Em um Australian Open marcado por despedidas, aprendizados e novas apostas, o tênis feminino reafirma sua força, equilibrando legado e futuro, sem perder identidade.

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SANDRO
SANDRO
22 horas atrás

Para mim, a fortíssima Elina Svitolina está sendo a sensação deste torneio, ela veio como um furacão e simplesmente arrasou tenistas do nível de Bucsa, Andreeva e Gauf… Rumo ao título depois de bater na trave tantas vezes!!!

Paulo A.
Paulo A.
19 horas atrás

Mais um ótimo artigo da Patrícia e como ela escreve bem, é um prazer lê-la.

Patricia Di Cunto Bracco
Patricia Di Cunto Bracco
16 horas atrás

Excelente visão e belo recorte do tenis feminino. Bom ver uma turma nova chegando! Vou acompanhá-las melhor já que não estava nesse contexto todo da ‘garotada’ chegando forte. E que sigam as semanas e o ano que só está começando nesse 2026. Pra cima Luísa Stefani !!!

Vanda Ferraz Lopes de Oliveira
Vanda Ferraz Lopes de Oliveira
9 horas atrás

Ótima leitura!!!!
Também acho que a Dabrowisk é a melhor parceira para a Luisa , torço muito por elas!!!
E ainda tem a Luísa na mixta , aliás acho a Luisa ótima na mixta , me parece mais agressiva.
Parabéns pelo texto, como sempre…..

Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.
Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.

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