Como lidar com a torcida: As lições de Boisson, Andreeva e Gauff

Lois Boisson (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

O sonho de ver uma campeã francesa em Roland Garros, o que não acontece há 25 anos, continua após a definição das semifinalistas da chave feminina. Quem mantém as esperanças vivas é Lois Boisson, jovem de 22 anos e apenas 361ª do mundo, que faz apenas sua primeira participação em uma chave principal de Grand Slam e já venceu grandes nomes, como Jessica Pegula nas oitavas e Mirra Andreeva nas quartas.

E o longo jejum de títulos para as tenistas da casa, que já vem desde a conquista de Mary Pierce em 2000, mobiliza a torcida francesa a cada jogo da nova estrela local. Boisson já faz o melhor resultado de uma anfitriã no torneio desde 2011, quando Marion Bartoli também foi semifinalista. E em um Grand Slam em que o envolvimento do público foi bastante discutido, tanto pelos jogadores da casa quanto por seus adversários, o ambiente da quadra Philippe Chatrier nesta quarta-feira deixa lições importantes.

Eliminada nas quartas, com parciais de 7/6 (8-6) e 6/3, a russa de 18 anos Mirra Andreeva tentava chegar à segunda semifinal seguida em Paris. A atual número 6 do mundo acredita que soube lidar bem com o ambiente de pressão em muitos momentos da partida, mas admite que ainda precisa de mais experiência e aprendizado para ser mais consistente nessas situações.

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“Eu diria que, obviamente, já esperava por isso. É normal que apoiem uma jogadora francesa, então eu sabia que seria assim. Acho que no primeiro set lidei bem com isso. Não prestei muita atenção, mas, claro, com o nervosismo e a pressão, ficou um pouco mais difícil. Mesmo assim, acho que posso aprender com isso”, disse Andreeva na coletiva de imprensa desta quarta-feira, após a partida.

“Acho que consegui não reagir a nada do que diziam ou gritavam no primeiro set, então, se tivesse conseguido manter isso durante toda a partida, teria sido ótimo. Mas em alguns momentos ficou mais difícil. Acho que se eu aprender a manter a mesma postura do primeiro set e a não reagir ao que dizem durante o jogo todo, seria ótimo. Mas, por ora, ainda tenho muito a aprender e vou usar esse tempo para melhorar”, complementou a vencedora de dois WTA 1000 na temporada.

Andreeva também valorizou a campanha e o nível de atuação de sua adversária, que está voltando ao circuito depois de uma grave lesão no ligamento cruzado anterior. “Ela tem um ótimo saque e um forehand muito forte. Acho que ela conseguiu muitos winners com o forehand hoje. Ela também foi sólida e consistente durante toda a partida. Claro que eu poderia ter feito algumas coisas melhores, mas isso é o tênis. Hoje, ela lidou melhor com a situação do que eu, e por isso venceu”

A jovem russa também minimizou a diferença de ranking. “Eu sabia que ela era algo como 150 do mundo, mas que tinha tido uma lesão. Então, sabia que ranking é só número. Se você está entre as 5 melhores do mundo ou entre as 300, a partida pode ser difícil e estar no mesmo nível. Eu não foquei no ranking. Já conhecia o jogo dela, dos torneios 60 mil na Suíça, conheço ela há bastante tempo. Sabia como ela jogaria. Agora ela está mostrando que é provavelmente uma jogadora melhor do que o ranking atual indica”.

Gauff: “Eu me preparo mentalmente para esses momentos”
Foto: Cédric Lecocq/FFT

Adversária na semifinal desta quinta-feira, por volta do meio-dia (de Brasília), Coco Gauff também é uma jogadora jovem, de 21 anos, mas habituada aos grandes palcos desde os 15. Atual número 2 do mundo, a norte-americana já viveu experiências de jogar contra e a favor da torcida, gosta desses ambientes e espera que o público seja respeitoso.

“Acho que há duas formas de lidar com isso e já usei as duas no passado. Uma é fingir que estão torcendo por você. A outra é usar isso a seu favor e não deixar que te afete. Já estive em quadras onde 99% das pessoas torciam por mim, então não tenho problema com isso. Espero que todos sejam respeitosos e, se não forem, tudo bem também. Acho que isso deixa o esporte mais emocionante e não dá pra se irritar porque alguém está torcendo pela sua jogadora local. Eu faria o mesmo. É algo para o qual me preparo mentalmente e espero que aconteça, então estarei pronta”.

Boisson vive torneio dos sonhos, mas mantém o foco
Foto: Nicolas Gouhier/FFT

Já para Boisson, que vive uma semana cheia de experiências inéditas e acumula façanhas no Grand Slam francês, a torcida ajuda, mas é preciso manter o foco e apesar da pressão pelo longo período sem títulos para as francesas, vê a torcida como aliada. “A torcida não é algo que me coloca pressão, porque está comigo. Eu amo jogar com a torcida, amo ouvir meu nome quando ganho um ponto. Para mim, é algo a mais. Não é pressão. Mas acho que é muito difícil para jogadoras de outros países. Para mim, é maravilhoso tê-los comigo”.

“Fico na minha bolha. Estou focada no torneio, então não penso muito no que está fora. Não fico olhando redes sociais nem nada disso. Só mantenho o foco e vou ver essas coisas depois do torneio”, explica a jogadora de 22 anos, que reforça. “Meu objetivo não era estar na semifinal, mas sim ganhar o torneio“.

O momento mais especial para francesa foi ouvir o público cantar a ‘Marselhesa’, hino nacional do país, na entrada das jogadoras em quadra. “Eu não achava que ouviria a ‘Marselhesa’ durante o aquecimento. Me arrepiou, tenho que dizer. Mas foi extraordinário ter a torcida me apoiando tanto. Mesmo que às vezes seja barulhento demais entre os pontos, eles estão me apoiando e me impulsionando, e isso é incrível”.

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Ronildo
Ronildo
7 meses atrás

Excelente a fala da Gauff, mostra enorme maturidade.

Última edição 7 meses atrás by Ronildo
Ernani chaves
Ernani chaves
7 meses atrás
Responder para  Ronildo

Concordo com você, no US Open, a torcida estará a favor dela!

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

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