PLACAR

Campeão contra campeão

Os dois mais recentes vencedores do US Open irão decidir na noite de sexta-feira quem terá direito a tentar o bi. Carlos Alcaraz e Daniil Medvedev mantiveram o favoritismo sobre Alexander Zverev e Andrey Rublev em sets diretos e vão se enfrentar pela terceira vez somente nesta temporada. O espanhol ganhou tanto em Indian Wells como em Wimbledon e tem 2 a 1 no placar geral. E se a lógica na primeira semi prevalecer, quem passar fará outro duelo de campeões no domingo diante de Novak Djokovic. Depois de duas semanas de poucos grandes jogos, a reta final do US Open enfim deve empolgar.

Alcaraz foi aplicado contra Zverev, certamente ciente do grande esforço feito pelo adversário dois dias atrás. Sem deixar de ser ofensivo, usou muito bem os espaços, ora centralizando a bola para imediatamente ir para um ângulo e, é claro, visou forçar o forehand em deslocamento do alemão, usando bem os slices e as deixadas para fazer o grandão ir à frente e se abaixar.

Novamente em grande fase, Sascha teve dois break-points não convertidos no sétimo game e mais tarde mostrou grande espírito de luta, com novas chances de quebra no terceiro set. Mas no geral ficou sempre pressionado, até porque o primeiro serviço teve média de 63% nos dois sets iniciais e só rendeu mesmo no fim. Como recompensa, será novamente top 10 na segunda-feira e está na briga por vaga no Finals.

Quem sofreu muito foi Medvedev, não apenas porque teve de correr atrás do placar em todos os três sets diante do amigo Andrey Rublev mas também porque os russos encararam sensação térmica de 38 graus. Isso é claro justifica os altos e baixos de ambos, ainda que Rublev tenha novamente falhado muito na parte emocional. Vejam só: 3/0 no primeiro set, 3/1 no seguinte e 4/2 no último. Aí é demais.

O Urso pediu atendimento por duas vezes e isso talvez explique ter cravado apenas 55% do primeiro saque e feito mais duplas faltas (9) do que aces (8). Mesmo com 10 games, o terceiro set chegou a 77 minutos com games muito longos. Felizmente para ele, a previsão de sexta à noite é de apenas 24 graus em Nova York. Para Rublev, a barreira das quartas de Slam segue intransponível. Foi a nona tentativa sem sucesso, quatro delas no US Open em que não ganhou um único set.

Sabalenka e Keys dominam e duelam
Tal qual aconteceu na véspera, os dois jogos que completaram as quartas femininas foram bem menos competitivos do que se esperava, principalmente porque Aryna Sabalenka e Madison Keys começaram a mil por hora e souberam depois controlar tanto Qinwen Zheng como Marketa Vondrousova, que não repetiram as boas atuações. A tcheca, já se sabia, anda com dor no cotovelo esquerdo e isso ficou evidente com um saque muito fraco no primeiro set.

Como bem lembrou o site do US Open, em janeiro de 2022 o circuito via uma Sabalenka desesperada com o saque. Eram uma dupla falta atrás da outra, algumas a bola nem chegava na rede, e nem mesmo sacando por baixo a bielorrussa acertava. Mas ela deu a volta por cima. Contratou um especialista em biomecânica e 12 meses depois marcou 46 aces e 29 duplas faltas rumo ao título do Australian Open. “Abri minha cabeça ao aceitar essa interferência”, admitiu na entrevista de hoje.

Para sacramentar o número 1 que virá na segunda-feira, Aryna é a única tenista da temporada a ter atingido pelo menos a semifinal de todos os Slam. Aliás é também a quinta seguida, porque repete campanha de Nova York em 2022. Considerando-se a diferença dos pisos, é um sinal evidente de consistência.

Keys fará sua terceira semi no US Open, mas a primeira em cinco anos. Finalista em 2017, nunca abdica de um jogo forçado, mas parece mais confiante após passar a ser treinada pelo noivo e ex-profissional Bjorn Fratangelo. Na partida contra Vondrousova, ganhou 11 dos 12 primeiros pontos e a tcheca só ganhou um game quando já estava 0/5. A campeã de Wimbledon jogou bem melhor no segundo set e teve chance crucial com 4/3, mas não converteu os cinco break-points e isso se mostrou decisivo.

Sabalenka ganhou dois dos três jogos feitos diante de Keys, incluindo as recentes quartas de Wimbledon. O duelo já acontece na noite desta quinta-feira, logo depois de Coco Gauff e Karolina Muchova.

Fonseca em dose dupla
No provável último ano como juvenil, ainda que ainda possa fazê-lo em 2024, o carioca João Fonseca mostra sua inegável versatilidade e, ao realizar outra exibição muito firme no US Open, atinge as quartas em todos os quatro Slam disputados na temporada. Isso sem falar no vice de duplas no Australian Open e na semi em Wimbledon.

O desafio desta quinta-feira é o garoto da casa Cooper Williams, número 3 do mundo e semi de Wimbledon, para quem perdeu num torneio em janeiro, mas com duros 6/4 no terceiro set. Tirando de letra o pesado clima nova-iorquino, Fonseca voltou no final de tarde e avançou também nas duplas, ao lado do búlgaro Iliyan Radulov. O potencial do pupilo de Guilherme Teixeira é indiscutível.

Vitória escapa de Bia e Vika
Claro que as adversárias são duplistas de primeira, campeãs do torneio em 2020, mas foi muito duro ver a virada que Bia Haddad e Vika Azarenka levaram.

Primeiro, a parceria da brasileira reagiu de 1/3 para fechar um apertado primeiro set. Aí se recuperaram após 0/2 e veio a chance de ouro: 4/3 e 0-40, que foram desperdiçados com erros. Mais falhas custaram o saque e veio o empate.

Por fim, sofreram quebra logo no terceiro game do set final e viram Laura Siegmund e Vera Zvonareva sustentarem a vantagem. Elas serão as perigosas adversárias de semi de Luísa Stefani e Jennifer Brady na sexta-feira.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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