O tênis é um esporte definitivamente curioso. Depois de uma primeira partida cheia de instabilidades, em que até um placar final de 6/1 teve sua dose de drama, Beatriz Haddad Maia fez uma exibição praticamente perfeita, como ainda não se tinha visto nesta temporada, nem mesmo na vitória sobre a top 10 Emma Navarro ou em cima da experiente Elina Svitolina.
Bia foi tão bem contra suíça Viktorija Golubic que não perdeu um único serviço, nem sequer cometeu dupla faltas. Não faz muito tempo, ela nos deixou com cabelo em pé ao errar os dois saques por 18 vezes numa mesma partida. Houve é verdade um momento mais delicado no game decisivo, o que é natural até para quem está no topo do ranking, mas ela reagiu com coragem depois do 15-40 e não permitiu que a adversária esticasse o jogo e se animasse.
Há muitos elogios a se fazer para a canhota brasileira nesta partida, além do saque bem mais seguro e da postura agressiva consciente. Bia se mexeu muito bem pela quadra, buscou bolas difíceis e fez incríveis jogadas junto à rede. Talvez a melhor parte tenha sido sua postura defensiva, obviamente auxiliada pelo bom deslocamento. Teve paciência, soube brigar pelos pontos e isso sempre mexe com a cabeça de quem está do outro lado da rede. Aliás, sequer exagerou no punho cerrado ou nas comemorações. Estava centrada e determinada, como há muito não se via.
Segundo suas palavras, Bia desta vez soube se perdoar com os erros cometidos e ainda acha que pode fazer mais nas devoluções. Seu aspecto era de clara alegria e leveza, o que também não tem sido comum. Entra novamente com favoritismo diante da grega Maria Sakkari, contra quem ganhou todas as quatro partidas, duas delas na quadra dura, e isso quando Sakkari ainda estava em momento positivo.
Será um duelo onde as duas jogadoras buscam reagir na carreira e então dominar os nervos me parece essencial. Se Bia fez quartas no ano passado no US Open, Sakkari já atingiu semi em 2021. Há poucos meses, decidiu voltar a treinar com Tom Hill, que a ajudou a chegar ao número 3 do ranking, e começaram a pintar outra vez boas vitórias. Suas duas primeiras partidas desta semana aliás foram muito rápidas e eficientes.
Resumão
– Swiatek oscilou mais do que o normal diante de Lamens, a holandesa que ganhou de Bia em Montréal, tendo desperdiçado chances de fazer um jogo mais tranquilo. O saque deu algumas vaciladas. Agora, enfrenta Kalinskaya e, se passar, Alexandrova ou Siegemund.
– Outra ótima exibição de Osaka, que ganhou incríveis 81% de pontos na devolução do segundo saque e terminou o jogo de 16 games com apenas 13 erros.
– Gauff por sua vez foi uma montanha russa de emoções, com direito a choro antes e depois de ganhar o primeiro set, tudo por conta dos serviços perdidos. E mais lágrimas na entrevista em quadra. Para sua sorte, Vekic também não sacou nada por conta do cotovelo. Se passar por Frech, há boa chance de enfrentar Osaka nas oitavas.
– Muchova teve jogo duríssimo contra Cirstea e fez duelo tcheco contra Noskova. Já a mexicana Zarazua, responsável pela saída de Keys, perdeu no match-tiebreak para Parry.
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— José Morgado (@josemorgado) August 28, 2025
– O atual campeão Sinner não tomou conhecimento do bom jogo de Popyrin e atropelou o australiano com uma atuação sufocante, com margem para salvar os cinco break-ponts que encarou. E isso tudo com apenas 51% de acerto do primeiro saque. Será mega favorito contra Shapovalov. Se a lógica prevalecer, pegará Paul ou Bublik, esse talvez o grande jogo da terceira rodada.
– Dois jogos foram ao tiebreakão e tiveram 4h30 de batalha. Cobolli fez seu segundo jogo seguido em cinco sets e tirou Brooksby, sendo agora o adversário do tranquilo Musetti. O italiano que vencer pega Munar ou Bergs. O espanhol dominou o sacador Diallo.
– O outro extenuante confronto viu um grande dia do polonês Majchrzak, que perdeu os dois primeiros sets e ainda viu Khachanov abrir 5/2 na última série antes de marcar uma vitória sensacional. Vai cruzar com o suíço Riedi. que também virou de 0 a 2 contra o último sul-americano vivo, Francisco Cerúndolo.
– O bom dia do tênis brasileiro foi completado pela dura vitória de Stefani junto a Babos em cima de Krejcikova/Ostapenko e a firme estreia de Ingrid com Gleason.
Faz tempo que não chove na minha região. Mas, com essa vitória da Bia, acho que o tempo vai mudar.