Sucesso de Victória e Naná no Banana Bowl confirma ‘previsão’ da última campeã

Victória Barros e Nauhany Silva (Foto: Luiz Candido/CBT)

A final entre Victória Barros e Nauhany Silva no Banana Bowl quebra uma série de marcas históricas na competição. Elas garantem o primeiro título de uma jogadora brasileira desde a conquista de Roberta Burzagli, em 1991, e protagonizam a primeira decisão entre duas tenistas da casa em 40 anos, desde a vitória de Gisele Miró contra Gisele Faria em 1986. A decisão acontece neste sábado, às 10h (de Brasília), com entrada gratuita no Bella Vista Country Club em Gaspar (SC) e transmissão no Disney+.

O resultado também acaba confirmando uma previsão da última brasileira campeã do Banana Bowl. Em entrevista a TenisBrasil no final de 2023, durante a Billie Jean King Cup, Roberta Burzagli foi perguntada sobre as chances de uma brasileira quebrar essa escrita. Naquele ano, a paulista Olívia Carneiro já havia feito uma ótima campanha até a semifinal.

“Naquela época era tudo muito difícil. Mas hoje em dia, as chances para que uma menina brasileira ganhe um Banana Bowl estão crescendo. Eu sempre digo, podia ter só um pouquinho de apoio naquela época, comparado com o que a gente tem hoje. Acredito que nos próximos três ou quatro anos, vamos voltar a ganhar”, declarou Burzagli há três temporadas.

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A potiguar e a paulista de 16 anos também quebram uma sequência de duas décadas sem que nenhuma brasileira estivesse na final do Banana Bowl. A última havia sido Roxane Vaisemberg em 2006. Invicta há 20 jogos no circuito juvenil, Naná já havia encerrado uma escrita de 29 anos sem conquistas da casa na Brasil Juniors Cup, antiga Copa Gerdau, em Porto Alegre. A gaúcha Miriam D’Agostini foi tricampeã do torneio em 1993, 1994 e 1996. Por sua vez, Victória será a primeira juvenil brasileira no top 10 desde Luísa Stefani, em 2018, marca que Naná também deve alcançar nos próximos meses.

Evolução também no circuito profissional e expectativa dos treinadores

Bastante amigas no circuito e com estilos de jogo diferentes, com a agressividade e potência nos golpes de Naná e as variações táticas e mudanças de ritmo de Victória, as duas brasileiras se enfrentam pela primeira vez no circuito mundial de 18 anos da Federação Internacional. Elas também seguiram caminhos distintos na carreira, com a paulista seguindo no projeto da Rede Tênis com Danilo Ferraz e Leo Azevedo, enquanto a potiguar está há mais de três temporadas na França, treinando na academia de Patrick Mouratoglou. Desde o ano passado, conta também com o espanhol David Sunyer, ex-técnico de Paula Badosa.

As façanhas não se resumem ao tênis juvenil. Naná conquistou seu primeiro título profissional ainda aos 15 anos, na cidade paulista de São João da Boa Vista, em outubro. Com isso, tornou-se brasileira mais jovem a vencer um torneio de tênis profissional desde Bia Haddad Maia, na temporada 2011. Ela ocupa o 670º lugar do ranking e foi convocada também para defender o Brasil como profissional na Billie Jean King Cup. Victória também disputou uma final como profissional no ano passado, chegando à decisão no ITF W15 de Antalya, na Turquia. Ela está voltando ao circuito de uma lesão na panturrilha, que a tirou do Australian Open juvenil na segunda rodada.

Para as duas equipes, o trabalho de longo prazo é prioridade. “Estamos pensando no desenvolvimento da Naná a longo prazo. Ela vem jogando bem e é importante proporcionar novas experiências. Precisamos focar nessa parte do processo”, explicou Leo Azevedo no início da temporada. “O mais importante não é apenas ganhar, mas ver o amadurecimento dela dentro de quadra, a forma como compete e como consegue lidar com diferentes momentos do jogo”.

Já David Sunyer falou a TenisBrasil no começo do ano: “A Vicky tem trabalhado bem e se adaptado bem à mudança de superfície para este início de 2026. Sabemos que ela adora o saibro, mas está se sentindo muito bem na quadra dura, gostando cada vez mais. Ela jogará alguns torneios do circuito profissional para continuar a transição e seguir melhorando como tenista”.

Os famosos “desde 89” do tênis feminino

Ao longo da última década, o público brasileiro se acostumou a ver vários “desde 89” caírem no tênis feminino: Desde a geração da própria Burzagli, e de outros nomes como Andrea Vieira, Niege Dias e Claudia Monteiro, o país ficou muito tempo distante de palcos como os torneios do Grand Slam e o top 100 do ranking. Os primeiros títulos de Teliana Pereira, em Bogotá e Florianópolis no ano de 2015 deram um ponto de partida para jogadoras como Bia Haddad Maia chegar a uma semifinal de Roland Garros e ao top 10 do ranking em 2023, ou para que Laura Pigossi e Luísa Stefani conquistassem uma inédita medalha olímpica para o país nos Jogos de Tóquio.

Ainda em atividade, Bia, Stefani e Pigossi já têm seus nomes gravados na história do tênis brasileiro e abrem caminho para a geração impulsionada impulsionada por Victória e Naná ocupar esse espaço no futuro. Há jogadoras ainda mais novas, já inspiradas por essas duas gerações de tenistas brasileiras, acreditando que é possível igualar e superar cada uma dessas marcas.

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Lara
Lara
1 mês atrás

Final brasileira, que ótimo! Boa sorte para a Naná e para a Victória! Que vença a que jogar melhor!

Rodrigues
Rodrigues
1 mês atrás

Eu só espero que alguém crie juízo e tire o Banana da mesma semana de Miami . Por conta dessa bobagem o Guto deixou de jogar o Banana . Ano que vem pode ser bem possível que Naná e Vic recebam WCs . Ao menos para quali .

Maurício
Maurício
1 mês atrás
Responder para  Rodrigues

Qual o problema, o Guto difícilmente iria jogar o Banana bowl, e Victoria Barros e Naná difícilmente vão jogar ano que vem. Eles tem que ir para o profissional, principalmente o Guto, jogar juvenil somente os Grand Slam e o torneio anterior aos Grand Slam. Se o Guto jogasse o Banana bowl ele praticamente teria a obrigação de ganhar e poderia estar desgastado para o Challenger da semana que vem.
Escolha do Guto perfeita.

Leonel
Leonel
1 mês atrás
Responder para  Rodrigues

Ou vc tá zoando ou não entende nada do assunto. Espero que seja zoeira.

Mauricio
Mauricio
1 mês atrás
Responder para  Leonel

Deve ser zoeira mesmo. Só pode!!

Paulo A.
Paulo A.
1 mês atrás

As duas foram brilhantes! E que vença a melhor. Acho que a Nana tem um leve favoritismo se os nervos não a atrapalharem…

Ronildo
Ronildo
1 mês atrás

As duas estão de parabéns.

Mas estou assustado que a Nauhany Silva e a Sol Larraya perderam de 6/0 no último set da final de duplas. Será que apareceu alguma contusão?

Kario
Kario
1 mês atrás

Parabéns pras brazucas, e amanhã vou torcer apenas pras duas fazerem um ótimo jogo, sem torcida unilateral. Que vença a melhor!

Rogério
Rogério
1 mês atrás

Alguém sabe da Olívia Carneiro?

Jorge
Jorge
1 mês atrás
Responder para  Rogério

Jogando universitário por Georgia Tech

Rogério
Rogério
1 mês atrás
Responder para  Jorge

Obrigado, Jorge.

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

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