Bia entre mudanças

A derrota de Beatriz Haddad Maia no Madrid Open, em Madri, não pode ser vista apenas como mais um resultado negativo, mas também não precisa ser tratada de forma excessivamente alarmista.

Em quadra, alguns números ajudam a explicar o desfecho: muitas duplas faltas, mais de 30 erros não forçados e a dificuldade em sustentar vantagens — com games escapando mesmo quando estava à frente no placar.

Ao mesmo tempo, é importante considerar o contexto. Agora radicada em Barcelona, Bia passa por um período de ajustes com o técnico Carlos Martinez Comet, em um trabalho ainda recente. Já é possível observar mudanças, especialmente na mecânica do saque.

E esse ponto chama atenção. Quando a leitura inicial indicava que as dificuldades de Bia estavam mais ligadas à confiança, a equipe optou por mexer justamente na técnica. A mudança surpreende, sobretudo porque a brasileira já contou com um saque potente e eficiente com o movimento anterior.

Alterações técnicas podem trazer ganhos no longo prazo, mas no curto prazo tendem a gerar mais dúvidas — especialmente em um fundamento tão sensível quanto o saque, que depende diretamente de confiança e repetição.

No entanto, o cenário em Madri impõe desafios adicionais. O saibro do torneio é considerado um dos mais rápidos do circuito, muito em função da altitude, algo que tende a expor ainda mais a velocidade de reação das jogadoras. Nesse contexto, Bia em alguns momentos pareceu um pouco mais lenta nas respostas, especialmente em trocas mais aceleradas.

Também chama atenção a menor utilização das paralelas, um recurso importante no seu jogo para encurtar pontos e mudar a direção das trocas — e que poderia ajudar justamente em condições tão rápidas, especialmente diante de uma adversária que não tem o saque como principal arma.

Mais do que apontar falhas, talvez o momento seja de entender as mudanças: o que está sendo buscado e quais as vantagens desse novo caminho.

Resultados imediatos nem sempre acompanham processos de ajuste. A própria polonesa Iga Świątek vive um novo ciclo, após encerrar a parceria com Wim Fissette e iniciar trabalho com Francisco Roig, ex-integrante da equipe de Rafael Nadal — e segue apresentando oscilações, algo natural em fases de transição.

O cenário, portanto, pede equilíbrio. Há sinais de evolução, mas ainda é cedo para que a parceria traga resultados consistentes.

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Realista
Realista
8 dias atrás

O saque dela andava tão mal que qualquer mudança é positiva, mesmo ainda tendo que ganhar consistência.

Rockton
Rockton
8 dias atrás

Discordo totalmente do que foi descrito na reportagem. A reportagem parece totalmente deslocada da realidade. Bia é uma Heroína brasileira, foi a segunda melhor tenista da história do Brasil. Dito isso, devemos nos ater à realidade: Bia teve 3 bons anos e conseguiu ter um excelente ranking. Bia teve (rapidamente) ranking de top10, mas nunca teve jogo de top10. Nos melhores momentos teve tenis de top30 e, principalmente, teve mentalidade de top 30. Mas, como não era uma coisa consistente, foi minguando e agora ela está voltando a jogar o tenis que jogou na grande maioria de sua carreira.

Ronildo
Ronildo
8 dias atrás
Responder para  Rockton

Discordo totalmente do teor de seu comentário. Completamente deslocado da realidade. Bia sempre mostrou desde muito cedo habilidade extraordinária para o tênis. Tanto que houve até previsão de especialista sobre a possibilidade dela um dia ser número 1 do mundo. Porém houveram percalços seríssimos em sua trajetória, como o teste positivo para doping e uma grave lesão no ombro. O que acabou como que lhe roubando todo um desenvolvimento natural e aperfeiçoamento de seu tênis, pelo menos em determinados períodos. Ao fim ainda houveram terríveis questões psicológicas, grau Thiem, segundo a Rádio Sofasista e pistas capitadas na imprensa. Por tudo isso é inteiramente megalouvável que a Bia esteja batalhando em busca de superação ao invés de já ter desistido da carreira.

Patricia
Patricia
6 dias atrás
Responder para  Rockton

Rockton
Você realmente leu o blog?
Está se atendo a número de ranking e nível de jogo enquanto que nada disso foi mencionado.
Apenas uma análise do jogo e das mudanças de equipe e técnica que apresentou no saque.
Muito cedo para julgar. Melhor nos atermos a fatos.

Rockton
Rockton
8 dias atrás

Talvez um critério objetivo: algo do tipo: ficou durante 5 anos no top 50, aí podemos dizer que você teve tenis de Top50. Agora, se durante 8 anos você variou do Top100 ao Top10, sendo que este você ficou por uma ou duas semanas, talvez não seja o certo dizer que teve tenis de Top10.

Felipe Pires
Felipe Pires
8 dias atrás
Responder para  Rockton

Segue um critério objetivo: a Bia foi top 20 por 3 anos (2022, 2023 e 2024), terminando esses anos em 15, 11 e 17, respectivamente.

Reginaldo Pereira
Reginaldo Pereira
8 dias atrás

Na maioria das análises que leio aqui no site, sobre tentativas de mudanças, trocas de time, novas alternativas técnicas, me vem em mente situações muitíssimo parecidas com a do Thomaz Bellucci… Me recordo de pelo menos 3-4 anos de tentativas das mais diversas, mas a impressão era que a falta de confiança e a perda de motivação começaram a virar uma bola de neve a qual ele, infezlimente, não soube superar. Gostaria muito de ler as opiniões do Dalcim e da Patricia a respeito deste paralelo entre as situações da Bia e do Thomaz, e principalmente, se as semelhanças existirem, o que a Bia ainda teria tempo (teria?) de fazer diferente.

rockton
rockton
8 dias atrás
Responder para  Reginaldo Pereira

Não adianta falar em mudança técnica e blá, blá. O fato é que a Bia não tem mais capacidade técnica, física e mental para ser uma jogadora Top100. E ponto final.
A Bia fez muito, segunda melhor tenista brasileira da história. Mas não podemos tentar pegar uma água que já passou faz tempo e tentar rodar o moinho.

Haroldo
Haroldo
6 dias atrás
Responder para  rockton

Existe água de reuso. Está a 5 anos no top 100. Esperar o final do ano.

Patricia
Patricia
6 dias atrás
Responder para  Reginaldo Pereira

Olá Reginaldo

Muito difícil saber o que se passa na cabeça dos tenistas.
Como se diz, é muito mais fácil chegar lá do que manter-se. Essa é a diferença dos tops.
De fora tudo não passa de elocubrações.
Provavelmente nem os próprios atletas saibam explicar .

valdemir colleone
valdemir colleone
8 dias atrás

O grande problema da Bia, na minha opinião é que a cada ponto ela se vira para o técnico para dar satisfação da jogada, parece que quem esta jogando é o técnico e não ela, notem que ela esta sempre fazendo gesto de sim, sim, sim. Isso tira o foco do jogo e concentração;

Whitney White
Whitney White
8 dias atrás

Resta saber se a Bia vai demorar muito tempo para se readaptar a este novo estilo de jogo desenvolvido pela sua atual equipe em tempo habil para surtir os efeitos praticos tao almejados pelo publico. Fico na torcida para que a atleta brazuca consiga resultados significativos num futuro proximo e enfim readquira a sua confianca.

Anderson Barbosa Paim
Anderson Barbosa Paim
8 dias atrás

Que passada de pano…….

Luisa
Luisa
7 dias atrás

Muito bem pontuado. Vamos aguardar as futuras performances dela e acreditar que com as mudanças ela se reencontre.

Zan
Zan
7 dias atrás

Patricia, não acha curioso como alguns comentaristas aqui, ainda que provavelmente devam ter muita experiência com tênis, tem tanta certeza de que a Bia nao tem mais capacidade para isso ou aquilo? Talvez treinem no dia a dia com ela e não saibamos…
Dito isso, lembra como o Agassi afundou no ranking, chegando a figurar no 140° do ranking? Muitos disseram que deveria aposentar, mas o cara voltou e figurou como n°1. E se não der, ela lutou. Murray tb lutou, nao conseguiu voltar à velha forma e tudo bem. Exemplo de lutador. Nao digo que seja o caso da Bia ser n°1 ou top10, mas como ja disse um sábio aqui no Blog, impossível é Deus pecar.

Última edição 7 dias atrás by Zan
Patricia
Patricia
6 dias atrás
Responder para  Zan

Oi Zan
Sim, tem razão .
Só nos cabe observar e como bons brasileiros, torcer.
Bia está tentando … primeira vez que faz um câmbio radical , trocando de técnico.
Impossível prever o futuro !

Evandro
Evandro
7 dias atrás

Acho que ela se desconectou de seu jogo e está desconectando todos nós também. Não consigo resgatar na lembrança o jogo que ela tinha e temo que ela também não.

Não tenho qualquer experiência em recuperação do jogo de atletas e nem sei se a ideia é realmente essa de “recuperar”.

Talvez, estejam tentando fazê-la esquecer mesmo, para propiciar a tal mudança, confiando em sua categoria intrínseca de ser boa tenista. Não sei, elocubrando.

Só sei que ela sempre dizia que sabe de seu potencial e de tudo o que precisa fazer, e que falta só as coisas começarem a andar para que o resto venha a reboque. Isso de mudar a técnica dela parece vir de encontro ao que ela propunha para si.

Guilherme Corrêa
Guilherme Corrêa
6 dias atrás

Efeito Dunning-Krueger constatado em muitos comentários aqui.
Não deixa de ser divertido.

Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.
Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.

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