Acabo de voltar da China. Não fui necessariamente para ver tênis, até porque a temporada asiática estava apenas começando. Mas, mesmo de longe, não deixei de acompanhar os resultados do US Open e as surpresas que só um Grand Slam dessa importância é capaz de proporcionar.
O assunto já passou mas, relacionando minha viagem e as próximas semanas do circuito, acho pertinente voltar à grande surpresa do último Grand Slam do ano: o brilho renovado da estrela chinesa Qinwen Zheng, justamente às vésperas do circuito que agora desembarca na Ásia.
Ex-número 4 do mundo, Qinwen vinha atravessando um período difícil desde que precisou se afastar do circuito por quatro meses para tratar uma lesão no cotovelo, que acabou exigindo cirurgia. Aos 23 anos, voltou a encontrar a confiança necessária para brilhar em Nova York, com vitórias importantes e uma campanha que pode representar um novo ponto de partida em sua carreira.
E talvez um dos momentos mais simbólicos dessa retomada tenha sido justamente disputar o qualificatório. Lutar por uma vaga na chave principal pode ter funcionado como uma verdadeira virada de chave, assim como sobreviver a partidas em que chegou a estar perdendo por 0/5.
Se a recuperação de Qinwen ganhou força no US Open, sua derrota para Elena Rybakina nas quartas de final também mostrou o quanto as duas estão próximas em nível. Em 2026, elas se enfrentaram três vezes: Doha, Madri e US Open. Nas três, Rybakina levou a melhor, em partidas decididas no terceiro set.
Poucos dias depois, já em Shenzhen, Qinwen voltou à quadra pela Billie Jean King Cup e perdeu para Jasmine Paolini por 6/3 e 7/6. Mais um resultado que mostra que a retomada ainda está em construção, apesar dos sinais muito positivos apresentados em Nova York.
Depois do ouro olímpico em Paris, em 2024, Qinwen ganhou projeção enorme e se transformou em uma das principais referências do tênis chinês. A imprensa do país chegou a falar no “fenômeno Zheng Qinwen”. No China Open de 2024, sua estreia levou cerca de 39 mil espectadores ao torneio em um único dia, recorde de público para o evento.
Após algumas semanas na China, voltei impressionada com a força de trabalho, a disciplina e a determinação que encontrei por lá. Se ela levar essa energia para a quadra, pode voltar com tudo nesta temporada asiática.
No Brasil, o SP Open também ganhou destaque extra. Em uma edição marcada pelas dificuldades provocadas pela chuva e pelo bicampeonato de Luisa Stefani, a presença de Maria Sharapova chamou atenção e trouxe uma dimensão ainda maior ao torneio.
A participação de uma estrela desse tamanho também mostra o quanto os patrocinadores e o mercado estão olhando com mais atenção para os eventos femininos no Brasil. É um movimento importante para o crescimento e a valorização do tênis feminino por aqui.
É nesse circuito cada vez mais global que chegamos à reta final da temporada e à corrida pelo Finals.
Rybakina já garantiu sua vaga e chega com dois Grand Slam no bolso: Australian Open e US Open, vivendo o melhor momento de sua carreira.
Mas há uma surpresa nessa corrida: Iga Swiatek, que disputou os últimos cinco Finals consecutivamente, está neste momento fora das oito vagas. Ainda há muita coisa para acontecer na fase asiática, e esse fica como assunto para a próxima coluna, quando acompanharemos de perto essa disputa.










Que ótimo texto pra motivar ainda mais o olhar para essa temporada asiática! O circuito feminino está bem dinâmico mesmo com trocas de vitórias que animam mais assistir elas jogando. Vou prestar atenção na Qinwen em especial e aproveito pra saber se nesse seu giro pela China vc viu muitas quadras de tênis por onde passou.
Olá Patrícia
Que bom que gostou do texto.
Sim, vi algumas quadras de tênis e até me surpreendeu em um dos espaços o estilo do teto retrátil , à base de metal tipo aquelas portas internas de elevador antigo.
Abrem a quadra depois que o sol da uma trégua.
Quinzen deu uma demonstração de força mental e mandou o recado de que está voltando e as adversarias q se cuidem!
E sempre bom ver uma brasileira brilhando, no caso esoecífico, Luisa e sua parceira canadense Gabriela.
Torço pela continuação do SP Open para q possamos ver de bem perto estrelas nacionais e internacionais do tênis mundial!