Montréal vai mudando a ordem do tênis mundial

São dois tenistas com menos de 21 anos, três norte-americanos da nova geração, dois deles canhotos, e três jogadores que atingem o melhor ranking da jovem carreira, tudo isso numa única semifinal de Masters 1000. Montréal causa assim bem-vindas mudanças na ordem do tênis masculino.

O espanhol Rafael Jódar segue, na minha opinião, como a sensação maior do torneio. Soma agora quatro semifinais na temporada, duas delas sobre a quadra dura e consecutivas, a anterior no bom 500 de Washington, onde deixou bem claro que não é apenas um saibrista, já que vinha de quartas em Madri e Roma. O primeiro saque é arma importante, tem buscado decidir mais os pontos da base e não vacila na transição à rede.

Chegou em Washington como 24º do mundo e salta em 10 dias para o 11º posto. Precisará do título para virar top 10, mas isso parece apenas questão de tempo. Primeiro homem nascido em 2006 a atingir uma semi de Masters, voltou a dominar Arthur Fils, como fez dias atrás. O francês escapou de uma derrota avassaladora, reagindo de 1/4 e 15-40 no primeiro set.

Terceiro tenista mais vitorioso da temporada, com 34 triunfos, marca superada apenas pelas 44 de Jannik Sinner e Alexander Zverev, Jódar pulou para o sétimo lugar na Corrida. Enfrentará agora Brandon Nakashima, outro debutante em semi de Masters e também com direito a melhor ranking, o 25º posto. O teste tende a ser bem interessante porque Nakashima evoluiu muito no saque, é bem forte dos dois lados da base e tem muita perna.

A outra semi envolve um duelo de canhotos e, curiosamente, Learner Tien ganhou os dois confrontos em cima de Ben Shelton, o mais recente deles em Indian Wells de março. Aos 20 anos, nunca havia feito semi sequer de evento 500 e agora é o mais jovem de seu país numa penúltima rodada de Masters desde Andy Roddick em 2002. O jogo sem potência conta com aplicação tática e muita disposição física.

Agora 13º do ranking, poderá disputar um posto no top 10 diretamente com Jódar na quinta-feira caso, é claro, derrote o atual campeão. O problema é que Shelton jogou muito nesta terça-feira e, além do tradicional saque forçado, devolveu com enorme qualidade, não dando a menor chance ao tcheco Jakub Mensik. O bicampeonato, diga-se, também vale postos importantes para Shelton, que recuperaria o sexto lugar e daria um salto imenso na Corrida, praticamente garantindo seu lugar em Turim.

Semis sem favoritas em Toronto

Como ironicamente previu Aryna Sabalenka, sua algoz não passou da rodada seguinte: Ekaterina Alexandrova até começou bem, mas depois levou dura virada de Elina Svitolina em jogo realizado na noite de segunda-feira.

E isso só deixa a semi de Toronto ainda mais saborosa: a ucraniana ganhou os dois jogos que fez contra Iga Swiatek neste ano, na dura de Indian Wells e no saibro de Roma. A polonesa vive talvez seu momento mais firme desde janeiro, mostrando confiança no que sabe fazer de melhor: a regularidade lá de trás.

A segunda vaga na decisão será decidida entre Elena Rybakina e Coco Gauff, que tiveram caminhos muito opostos. A norte-americana contou com abandono de Belinda Bencic e sequer entrou em quadra. Já a número 2 do mundo suou horrores para superar Naomi Osaka, tendo ficado duas vezes um set e uma quebra abaixo antes de ver a japonesa ficar a dois pontos da vitória no tiebreak.

Talvez fosse de uma vitória sofrida assim que a cazaque precisasse para se reencontrar. Gauff ganhou o único cruzamento entre elas, curiosamente em Toronto de quatro anos atrás, num jogo eletrizante de três sets e dois tiebreaks.

Saem as chaves de Cincinnati

Alexander Zverev será cabeça 1 pelo segundo Masters consecutivo e tem uma chave que pode levá-lo a enfrentar Jódar nas quartas de final. Novak Djokovic ficou no mesmo lado, tendo Mensik e Alex de Minaur como nomes principais no seu caminho.

João Fonseca aguarda um perigoso holandês na estreia, que sai de Tallon Griekspoor contra Botic van de Zandschulp. Quem vencer, deve cruzar com Casper Ruud e depois Taylor Fritz. O quadrante lista ainda os russos Daniil Medvedev e Andrey Rublev.

Shelton e Tien ficaram no último setor, junto ao cabeça 2 Félix Aliassime. Apesar do problema na mão, Frances Tiafoe manteve a inscrição.

No feminino, Aryna Sabalenka pode ter a revanche de Toronto contra Ekaterina Alexandrova ainda nas oitavas. Coco Gauff e Mirra Andreeva estão nesse lado de cima, mas em situações distintas. Enquanto Gauff vai muito bem em Toronto, a campeã de Roland Garros decepcionou.

Elena Rybakina e Iga Swiatek têm tudo para se cruzar nas quartas. A outra vaga na semi é concorrida: Jessica Pegula, Amanda Anisimova, Linda Noskova e Alexandra Eala estão no setor mais interessante da chave.

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Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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