E o show continua

Quem diria que, 17 anos depois, Novak Djokovic, Stan Wawrinka e Marin Cilic novamente estariam juntos na terceira rodada do Australian Open. Os três mais icônicos “velhinhos” do circuito atual avançaram de formas distintas: enquanto Nole e Cilic passaram com muita autoridade, Stan lutou 4h33 e só foi ganhar no supertiebreak de um adversário 19 anos mais jovem. Magnífico.

O melhor resumo sobre a exibição firme e tranquila de Djokovic veio de seu próprio adversário, o pouco experiente italiano Francesco Maestrelli, que agradeceu a “aula” e disse que viveu um “momento inesquecível”. A vitória econômica foi certamente importante para o sérvio, que agora terá pela frente um raro adversário que não tem saldo negativo contra ele, o holandês Botic van de Zandschulp, para quem perdeu no ano passado em Indian Wells e venceu uma vez em 2022.

Wawrinka continua a roubar todas as cenas. Em sua despedida do Slam que ganhou em 2014. ele deu show de intensidade, controle emocional e físico em dia, tendo ficado sob pressão de derrota tanto no quarto como no quinto sets. Aliás, agora é o recordista absoluto de quinto sets disputados (49, com 26 vencidos) da Era Profissional e se torna o tenista de maior idade a vencer dois jogos seguidos em qualquer Slam desde Ken Rosewall em 1978.

O suíço foi um show à parte. No começo da partida, pegou uma lata de cerveja caída na quadra e fingiu tomar um gole. Depois, cumprimentou o público antes de começar o quarto set e fez jogadas espetaculares. Questionado por Mats Wilander como iria se recuperar para enfrentar Taylor Fritz, perto dos 41 anos, ele não titubeou: “Vou começar por uma cerveja, eu mereço”.

Cilic, por sua vez, atropelou o canhoto Denis Shapovalov mesmo sem um saque tão matador e completa duas vitórias no torneio com apenas 15 games perdidos. Tenta repetir as oitavas de final que atingiu em Melbourne em 2020, mas encara verdadeiro desafio, já que perdeu todos os quatro confrontos já feito diante do norueguês Casper Ruud.

Ah, e a aula de Djokovic continuou pouco depois… na entrevista à ESPN, em que optou pelo espanhol para dizer que Stan e Gael Monfils são inspiração para seguir na luta.

Bencic cai em rodada de bate-boca

A primeira grande ‘zebra’ da chave feminina deste Australian Open se chama Nikola Bartunkova. Saída do quali para jogar seu primeiro Slam, a tcheca de 19 anos e 126ª do ranking interrompeu a série de 13 vitórias da suíça Belinda Bencic com uma atuação notável no terceiro set depois de levar “pneu” da top 10. Ela enfrentará agora Elise Mertens.

Mas quase toda a atenção da rodada ficou para a polêmica e bate-boca entre Naomi Osaka e Sorana Cirstea. Tudo começou com um “come on” de autoincentivo da japonesa depois da adversária errar o primeiro saque. O cumprimento final foi seco, o que pegou Osaka de surpresa seguida de acusação ríspida de Cirstea: “Você joga há tanto tempo e não sabe o que é fair-play”. A bicampeã respondeu com alguma ironia em quadra, mas na coletiva oficial se desculpou. Veja toda a confusão.

Favorita contra Maddison Inglis, Osaka se aproxima do confronto com Iga Swiatek, que passou sem sustos por Marie Bouzkova e é favorita frente a Anna Kalinskaya. Única tenista a chegar ao menos na terceira rodada de todos os Slam disputados desde 2020, agora com 24 seguidos, Iga também se envolveu em lance curioso. Conseguiu uma “mexicana” e levou um susto ao ver Bouzkova chegar na bola. Tentou atrapalhar a tcheca, que só não ganhou o ponto porque tocou na rede.

E mais

– Enquanto isso, o bicampeão Jannik Sinner segue seus treinos de luxo: cedeu sete games ao veterano James Duckworth e vai encarar aquele Eliot Spizzirri que tirou João Fonseca. O americano tirou o quali chinês Yibing Wu no quinto set.
– Ben Shelton parece motivado e totalmente recuperado fisicamente, com direito a um dos melhores lances do torneio até agora.
– O canhoto vai enfrentar Valentin Vacherot, que disparou a curiosa frase: “Pela primeira vez na minha vida, perdi o terceiro set e não fui eliminado”. Ele é o primeiro monegasco na terceira rodada de um Slam desde 1948.
– Campeão em Adelaide, Tomas Machac ganhou jogo apertado de Stefanos Tsitsipas, que por muito pouco não foi ao quinto set, e agora desafia Lorenzo Musetti, após atuação muito boa contra o amigo Lorenzo Sonego.
– Desde que fez quartas em Roland Garros de 2024, Tsitsipas só ganhou quatro jogos de Slam e não fez uma única terceira rodada.
– Jabuk Mensik teve desta vez jogo tranquilo contra o jovem espanhol Rafael Jodar e inesperadamente não terá Hubert Hurkacz pela frente: o polonês caiu em sets diretos para Ethan Quinn, 21 anos e 80º do ranking.
– Ruud já avisou mais de uma vez: a filha está perto de nascer na Noruega e ele abandonará o torneio assim que acontecer.
– Elena Rybakina encarou um começo de jogo duro contra Varvara Gracheva, depois embalou e agora pega Tereza Valentova.
– Forte candidata a mais uma final de Slam, Amanda Anisimova passou por Karolina Siniakova, encara Payton Stearns e deve enfrentar Linda Noskova. A lógica diz que Jessica Pegula e Madison Keys lutarão entre si por vaga nas quartas nesse quadrante imprevisível.
– E segue a polêmica nas redes: o que Mirra Andreeva falou exatamente na comemoração de terça-feira? “Fuck you” ou “Thank you”. Veja a cena e palpite.

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Paulo F.
Paulo F.
6 horas atrás

E o “cracaço” Shapovalov?
Tomou um laço do vovô Cilic.
kkkk
Que jogadorzinho patético, realmente ainda vive de ter eliminado o Rafa aquela vez no M1000 do canadá.

Realista
Realista
6 horas atrás

É ótimo ver os velhinhos, da uma nostalgia boa de quando o tenis era melhor.
Nao imaginava o wawrinka na terceira rodada, mas isso só reforça o quanto o circuito está frágil.

Ma Long
Ma Long
4 horas atrás
Responder para  Realista

Quando você vê jogadores que já entram derrotados em quadra e agradecem a “aula” depois de uma partida, sem demonstrar o mínimo de contrariedade, você vê que boa parte da turma tem sangue de barata.

Marquinhos
Marquinhos
6 horas atrás

O melhor back de todos os tempos continua afiado. Parabéns Stan Wawrinka!

Realista
Realista
3 horas atrás
Responder para  Marquinhos

O Wawrinka teve um grande backhand, mas eu ainda considero o do Federer o melhor. Por dois critérios: conquistas de títulos e porcentagem de efetividade contra o Nadal. Contra ele, o Stan venceu 15% das partidas e o Roger 40%. Eu acredito ser uma boa base o confronto contra o Nadal pois é sabido que quando ele jogava contra backhand de uma mão, entre 95 e 99% das bolas ela direcionada na esquerda. Acho que não havia teste melhor para um one handed backhand do que jogar contra o Nadal. Hehe

Marquinhos
Marquinhos
5 horas atrás

Novak tem quebrado vários recordes. Mas tem um que ninguém citou: É o tenista que mais tomou 3×0 em finais de slam para tenistas diferentes. Perdeu de 3×0 para Federer, Medvedev, Nadal, Murray e Alcaraz…. Alguém mais?

SANDRO
SANDRO
4 horas atrás
Responder para  Marquinhos

Você esqueceu de acrescentar no seu comentário de frustrado, que o excelentíssimo Senhor Novak Djokovic venceu “todas” as finais contra o Roger Freguêser em Wimbledon… Kkkkkkkkkkkkkkkkkk Como é sofrido ser “hater” do GOAT Djokovic!!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

João Nestor
João Nestor
5 horas atrás

Os velhinhos passaram e logo mais na próxima rodada os novinhos também serão testados:
– Mensik e Tien, os dois mais promissores tenistas (técnica e fisicamente falando) terao oportunida única de seguir por mais uma rodada no AusOpen.

Djokovic corre um risco real de “ficar” na próxima rodada – frustrando sua cega torcida – enquanto de Cilic e Wawrinka nao podemos esperar muito.

Última edição 5 horas atrás by João Nestor
Jonas
Jonas
5 horas atrás

Se os três estivessem na flor da idade, era papo de título para o Djokovic, que segue dando aulas, como o próprio adversário admitiu.

Tecnicamente está impecável, mas não dá pra afirmar o mesmo sobre o físico visto que o torneio está só começando.

Navratilova anda impressionada com o sérvio: “Pensávamos que ele pudesse estar um pouco enferrujado. Não sei como ele consegue ser tão preciso na idade dele, sem ter jogado nenhuma partida este ano. Mas o golpe que me impressionou foi o backhand paralelo dele, de uma posição aberta. A potência, a flexibilidade e a força física necessárias para executar esse golpe”

Djoko é um gênio e nunca vi alguém jogar em um nível tão alto aos 38 anos.

Dito isso, do jeito que a chave se desenha não me surpreenderia com o Cilic fazendo QF contra o Sinner. Acho bem possível ele passar de Ruud e Shelton.

O reencontro de Wawrinka e Djoko nas quartas seria espetacular, mas acho bem improvável que aconteça. Não vejo o suíço passando por Fritz e Machac/Musetti, enquanto o sérvio tem chave exigente com Botic e Mensik.

SANDRO
SANDRO
4 horas atrás

Sinceramente, sem qualquer tipo de patriotada e sem puxar sardinha para o lado de ninguém, não consigo imaginar o João Fonseca vencendo uma partida como o excelentíssimo Senhor Wawrinka venceu hoje, nem psicologicamente e muito menos fisicamente…

Paulo F.
Paulo F.
3 horas atrás

O GOAT economizando uma bela energia para uma possível segunda semana.
Excelente.

rafael luis
rafael luis
3 horas atrás

Enquanto isso, para desespero de alguns fanaticos sonhadores , Learner Tien, sem midia e mkt e treinado pelo experiente ex-jogador e tecnico Michael Chang, arrasando os adversarios, demonstrando excelente capacidade fisica, tecnica e mental.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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