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Confederação monitora WTA sobre volta ao Brasil

Foto: Gabriel Heusi/ HeusiAction

por Mário Sérgio Cruz, de Brasília

No momento em que o tênis feminino do Brasil tem acumulado resultados importantes, com uma geração liderada por Beatriz Haddad Maia, Luísa Stefani e Laura Pigossi, a possibilidade de recolocar o país no calendário de elite da WTA é observada de perto. De acordo com Rafael Westrupp, presidente da Confederação Brasileira, a entidade “espera pela primeira oportunidade” para realizar um torneio de nível 250 no futuro. O calendário de 2024 da WTA já foi divulgado na última segunda-feira, e o único evento deste porte na América do Sul é o de Bogotá, na Colômbia, a partir de 8 de abril.

O último WTA 250 realizado no Brasil foi em 2016, em Florianópolis. Na época, o próprio Westrupp era diretor do torneio. A primeira edição foi em 2013. Na semana que vem, a capital catarinense receberá um evento da série 125, o maior torneio feminino no país nos últimos sete anos. O dirigente aponta dois caminhos para e realização de um torneio, a iniciativa direta da Confederação ou com apoio de alguma promotora parceira.

“A Confederação está na fila. Temos contatos com a WTA e queremos muito resgatar isso. Seja só com a CBT ou com alguma promotora parceira, a possibilidade de trazer de volta um torneio para o Brasil”, disse Westrupp a TenisBrasil no último sábado, após a vitória brasileira no confronto contra a Coreia do Sul pelos playoffs da Billie Jean King Cup, em Brasília. “Acho que um 250 atenderia a todas as meninas que estão aqui, com a capacidade de a maioria delas entrar direto na chave, abrindo a possibilidade para convites para a novas meninas. Diferente do que acontecia 10 anos atrás”.

Principal jogadora do país na atualidade, Bia Haddad Maia também falou em coletiva de imprensa sobre a possibilidade de o Brasil receber torneios maiores. “Acho que tanto a CBT quanto os apoiadores do tênis feminino estão fazendo esforços, mas tem toda uma logística e coisas que fazem parte dessas decisões para que isso aconteça, principalmente por causa da geografia do calendário. Para você ter um torneio, tem que comprar a data de um que já exista, mas sei que estão tentando. Eu sou a primeira a vir para o microfone e pedir, a gente sempre insiste, brinco com o Lui [Carvalo, diretor do Rio Open] com a hashtag ‘Rio Open pra elas’, mas a gente tem que olhar também para os torneios menores, que representam bastante para o tênis feminino para dar oportunidade para as meninas que não jogam os WTA, mas daqui a pouquinho vamos ter um torneio, que a gente está merecendo”.


Rafael Westrupp e Beatriz Haddad Maia falaram sobre a possibilidade de o Brasil voltar a ter um WTA 250 (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Westrupp também falou da observação de jovens jogadoras, incluindo as que treinam fora do país, como Carolina Bohrer de 16 anos e Victoria Barros de apenas 13. “A Carol é de Florianópolis e nosso acompanhamento é por meio de ações como as semanas de treinamento ou torneios que realizamos no Brasil. Os Estados Unidos têm ótimos locais de treinamentos. E quando está em Santa Catarina, tem também um base de treinos com Marcelo Rebello. A Victoria é uma menina que gosta de competir pelo time e pelo país. Temos contato com o agente dela, com quem conversamos mais, e sempre abrimos as portas para ela participar de todas as ações”.

A entrevista de Rafael Westrupp a TenisBrasil será publicada em duas partes. Em primeiro lugar, a respeito do cenário do tênis feminino no país e a possibilidade de o Brasil voltar a receber torneios da elite do circuito da WTA. A segunda parte da entrevista tratará das ações da Confederação a respeito de casos de doping do tênis brasileiro e banimento de jogadores envolvidos com manipulação de resultados. O dirigente também falará sobre a relação institucional da entidade com a Federação Internacional (ITF), Ministério do Esporte e governos.

Confira a primeira parte da entrevista com Rafael Westrupp

Em primeiro lugar, gostaria de uma avaliação geral do confronto, em termos de jogo, de estrutura e do cenário do tênis feminino no Brasil hoje:
Falando especificamente do confronto, a CBT entende que a estrutura atendeu exatamente os anseios da comissão técnica. E falando do evento como um todo, tivemos um público presente e participativo, enfrentando um calor que não é o normal nessa época do ano. Mas apoiando e empurrando as nossas jogadoras. O maior gesto é ver a Bia Maia encerrando o calendário dela na China, com dois títulos, mas comprometida a postergar as férias para estar aqui, junto com o time e liderando todas essas meninas.

Temos que destacar também o comprometimento de todas as atletas com esse confronto. É o primeiro passo para chegar muito mais longe. Lógico que elas têm os calendários individuais delas e a Confederação sempre deu todo o suporte para elas poderem participar. Hoje elas têm patrocínio direto da CBT para disputarem torneios lá fora, temos trazido torneios importantes para o Brasil, W60 e W80, criando a oportunidade delas conquistarem pontos jogando em casa, ganhando em dólar e gastando em real. Como aconteceu com a Laura, que ganhou um título em Feira de Santana, chegou à semifinal em Brasília, e saiu de 180 do ranking para próximo de 120.

Você foi diretor do WTA 250 de Floripa durante alguns anos, então conhece os processos sobre como trazer um torneio desse tamanho para o Brasil. O que falta no momento para que a gente possa pleitear uma vaga no calendário da WTA? Ainda mais pensando que vem terão mudanças de regras no circuito, como a questão de as jogadoras top 30 não poderem jogar a menos que sejam do próprio país ou atuais campeãs.
A Confederação está na fila. Temos contatos com a WTA e queremos muito resgatar isso. Seja só com a Confederação ou com alguma promotora parceira, a possibilidade de trazer de volta um torneio para o Brasil. Lógico, existem essas novas restrições. As top 30 não poderiam jogar os 250, mas se for uma jogadora do país, sim. Então, acho que atenderia a todas as meninas que estão aqui, com a capacidade de a maioria delas entrar direto na chave, abrindo a possibilidade para convites para a novas meninas. Diferente do que acontecia 10 anos atrás.

Fazendo uma retrospectiva, o primeiro WTA da vida da Bia foi um convite da CBT em Floripa. Isso tem uma conotação importante, porque é quando a atleta começa a se ambientar nesse tipo de torneio. O evento teve uma importância muito grande não só para ela, porque a Laura também ganhou convite para jogar duplas na época, Carol também jogou, tínhamos a Paula Gonçalves e outras jogadoras que também aproveitaram. A Bia talvez seja o maior símbolo da oportuniade que criamos há dez anos, em fevereiro de 2013, e agora a estamos esperando a primeira oportunidade para trazer de volta um 250 para o Brasil.

Pensar em torneios ainda maiores que os 250 não está nos planos? O México, por exemplo, fez um 1000 e também o Finals este ano.
A gente entende que o melhor é fazer tudo passo a passo. E independente se é 250 ou 500, temos que fazer bem feito e ter o olhar de dar oportunidade para as brasieiras. No mesmo torneio que jogou a Venus Williams em 2013, jogou a Bia com 16 anos, recebendo wildcard, porque a gente olhava para a frente.

A gente trouxe para um jogar um 250 a Venus Williams, [Garbiñe] Muguruza, [Naomi] Osaka, [Jelena] Ostapenko, [Francesca] Schiavone, [Jelena] Jankovic… Todas jogaram o nosso torneio, tenistas que foram número 1 do mundo ou campeãs de Grand Slam. Então, a gente quer ter a oportunidade de fazer um 250 muito bem feito, criar um ambiente de oportunidade para as brasileiras e para depois, por que não, tentar dar um próximo passo. Mas a gente está mirando um 250.

Ainda com esse olhar para a nova geração, a gente teve nesta semana a campanha até as quartas de final da Billie Jean King Cup Junior, de 16 anos, com a Carolina Bohrer, a Pietra Rivoli e a Helena Bueno. Como a CBT está olhando para essas meninas mais novas? Queria citar especialmente duas que estão mais baseadas fora do Brasil, a Bohrer nos Estados Unidos, e a Victoria Barros que foi para a França com 13 anos. Como é feito o acompanhamento das carreiras delas?
A Carol Bohrer foi morar fora por questões profissionais da família dela. Se não me engano, a mãe foi trabalhar lá, e a família se mudou. A Carol é de Florianópolis e nosso acompanhamento é por meio de ações como as semanas de treinamento ou torneios que realizamos no Brasil, como por exemplo no ITF W80 que fizemos aqui em Brasília e ela ganhou convite e jogou muito bem. É uma sub-16 com ranking profissional. Aqui no Brasil, o ponto focal de treinamento dela é o Marcelo Rebello, que também treina o Dudu Ribeiro. E nos Estados Unidos, um país que respira esse esporte, ela tem bons locais para treinar. E temos essa conversa direta, tanto que ela jogou o Sul-Americano de 16 anos em Assunção e agora a Billie Jean Junior.

Sobre a Victoria, que teve essa opção de ir para a França, nós estamos sempre convidando para participar das ações, seja de treinamento quanto da participação de torneios sul-Americanos e mundiais. A equipe dela tem buscado um calendário mais individualizado, com torneios sub-18, mas a gente acompanha de forma próxima. Temos contato com o agente dela, com quem conversamos mais, e sempre abrimos as portas para ela participar de todas as ações.

A Victoria foi convocada para os mundiais de 14 e 16 anos?
Ela foi convocada para os de 14, mas tinha compromissos no circuito de 18 anos. E sempre contaremos com ela. Lembro que em Lima, no Sul-Americano de 12 anos, em 2021, a gente estava lá. É uma menina que gosta de competir pelo time e pelo país. Respeitamos essa opção agora de formulação do calendário e estruturação da carreira dela e de seu corpo técnico. A CBT sempre vai contar com ela.

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