PLACAR

American dream

Com uma leva de jogadores jovens mas já suficiente experientes no circuito de alto nível, o tênis norte-americano engatou uma série notável de vitórias na abertura da terceira rodada do US Open, colocando Coco Gauff, Taylor Fritz, Frances Tiafoe, Tommy Paul e Ben Shelton nas oitavas de final, tendo ainda a chance de aumentar o exército de sonhares neste sábado com Jessica Pegula, Madison Keys, Michael Mmoh e Peyton Stearns.

Fritz por incrível que pareça chega pela primeira vez nas oitavas do US Open e pela terceira em qualquer outro Slam, um currículo pequeno para um top 10. Confessou estar duplamente aliviado, primeiro com a quebra do jejum – joga o torneio pela oitava vez -, depois com o fato de ter feito três jogos muito fáceis. Perdeu somente 13 games e evitou os três únicos break-points que encarou até agora. O aniversariante Jakub Mensik, que faz 18 anos, sentiu demais o peso e não jogou nada. Fritz encara outro adolescente, o canhoto suíço Dominic Stricker. Cheio de recursos mas um tanto emocional, ele vem na direção contrária e já disputou 14 sets.

Por falar em canhoto, Tiafoe não perde de um desde junho de 2021 e completou 19 vitórias seguidas diante do veterano Adrian Mannarino. Semi do ano passado, demorou a achar o ritmo e entender que precisaria de paciência e do saque. Ao contrário de Fritz, faz oitavas pelo quarto ano seguido, repetindo marca de Andre Agassi de quase 20 anos atrás. E é amplo favorito contra o australiano Rinky Hijikata, 22 anos e fora do top 100, mas campeão de duplas do Australian Open em janeiro. Agressivo, disparou 54 winners contra Zhizhen Zhang, o chinês que tirou o vice Casper Ruud há duas noites.

Depois de ter virada de 0-2 contra Roman Safiullin, Paul havia deixado dúvidas, mas encarou um Alejandro Davidovich totalmente impotente por dois sets e com isso enfim também chegou nas oitavas do US Open. O espanhol, de conhecidos altos e baixos, cometeu 44 erros. Semifinalista em Melbourne deste ano, Paul fará duelo caseiro contra o canhoto Ben Shelton, que fez 26 aces, um deles a 235 km/h, para derrubar Aslan Karatsev com enorme apoio da torcida. O garotão de 20 anos fez quartas em Melbourne e perdeu justamente para Paul. Quem ganhar, muito provavelmente irá enfrentar Tiafoe.

Djokovic na madrugada
O problema quiça insolúvel para todos esses americanos é que em algum momento terão de cruzar com Novak Djokovic na rota para a final do campeonato. E apesar de ter feito uma partida estranha e perdido os dois primeiros sets para o animado amigo Laslo Djere, o recordista de Grand Slam fez nos três sets finais o que era de se esperada dele na Arthur Ashe.

O duelo sérvio foi marcado por pontos longos e uso até exagerado do slice, mas tudo basicamente se resolveu quando Nole achou o tempo de devolução – ainda que o adversário jamais tenha dado um saque a 200 km/h -, apostou no físico com um tênis cada vez mais sólido e esperou os erros de um já exausto Djere, que afinal das contas jogou acima do esperado nos dois primeiros sets.

Nole enfrentará mais um tenista dos balcãs, o pouco conhecido Borna Gojo, croata que nunca chegou ao top 100 e, apesar de ter 25 anos, se profissionalizou apenas em 2020. Aliás, neste ano perdeu para Felipe Meligeni e Thiago Monteiro, mas seu forte são mesmo quadras mais velozes, já que tenta abusar do saque o tempo todo.

Coco contra Cinderela
Pela segunda vez em três rodadas, Coco Gauff se mostrou muito irregular e por vezes insegura e precisou de viradas. Só que nesta sexta-feira a adversária era a experiente Elise Mertens e assim o ‘pneu’ no terceiro set tem um significado de maior peso, ainda que até a reta final do segundo set a jovem norte-americana não tenha empolgado, com alguns erros e precipitações.

De qualquer forma, ficou garantido um duelo hiper interessante contra Caroline Wozniacki, a Cinderela deste US Open. A dinamarquesa mostrou como está confiante e em plena forma ao reagir diante de Jennifer Brady, num jogo em que foi crescendo paulatinamente, o que deixou a adversária sem opções. Parece incrível que alguém três anos afastada do circuito possa ter recuperado de maneira tão completa seu ritmo e acima de tudo as decisões acertadas, que de hábito é o ponto mais difícil.

Iga Swiatek por seu lado continua economizando energia. Ficou apenas 49 minutos em quadra e chegou a 20 ‘pneus’ somente neste temporada, oito deles em Grand Slam, diante da amiga Kaja Juvan. Agora vem um desafio curioso, já que perdeu todos os três jogos que fez contra Jelena Ostapenko, o mais recente deles em Dubai do ano passado.

Quem surpreendeu foi a romena Sorana Cirstea, que sempre gostou de jogos grandes e pisos duros. Fez uma batalha incrível para eliminar Elena Rybakina, jogo que até poderia ter liquidado em dois sets. Vai enfrentar Belinda Bencic em jogo imprevisível e quem ganhar encara Karolina Muchova ou Xinyu Wang. A tcheca fez dois sets duros e tirou Taylor Townsend.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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