Agassi tem uma linda história no Brasil

Foto: Fotojump

O carismático Andre Agassi, que neste domingo empresta todo seu prestígio ao entregar o troféu de campeão do Rio Open, poucos talvez lembrem, ou viram, tem uma linda história no Brasil. Afinal, lá em 1987 ele conquistou o seu primeiro título da ATP no saudoso Club Med na exuberante ilha de Itaparica, Bahia. Sua chegada à maior competição do País, na época, veio repleta de controvérsias. Tudo pela ousadia e bom conhecimento internacional do então diretor do torneio, Ricardo Bernd, que resolveu dar um wild card para uma jovem promessa norte-americana e não para um brasileiro. É um caso, mais ou menos parecido, com o que fez Lui Carvalho trazendo Carlos Alcaraz pela primeira vez.

Com longos cabelos até o ombro, Andre Agassi já deixava claro que se tornaria um ícone na história do tênis internacional. Chegou ao Brasil acompanhado de seu irmão mais velho e ganhou destaque já na primeira rodada da competição. Enfrentou o saudoso José Amin Daher e quase perdeu. Aos poucos mostrou todo seu talento e avançou a final, quando venceu o também brasileiro Luiz ‘NIco’ Mattar.

Agassi nunca esqueceu esses seus primeiros momentos de glória. Lembrou dessa semana do título na Bahia muitos anos depois em 2006, quando teve sua aposentadoria no US Open. Se me permitem um parêntese, eu estive em Itaparica em 87 pelo Estadão e em 2006 em Nova York, pelo mesmo jornal. Na entrevista coletiva falamos sobre sua passagem pela ilha de Itaparica. Com bom humor e simpatia, disse que à época era difícil manter a concentração nos jogos “com tantas lindas mulheres de fio dental.”

Entre os momentos mais marcantes na intensa vida de Agassi – ao meu ver – foi o primeiro título de Grand Slam. Conquistou Wimbledon em 1992 e colocou como prefixo de seu avião particular a data em que ergueu o troféu em Londres. Nessa época, por pauta do ex-editor do Estadão, Roberto Benevides, recebi a missão de escrever uma edição especial do jornal, um tabloide de 8 páginas. Estava em Miami, no torneio de Key Biscayne e precisava saber tudo da vida do já notório tenista. Participei de todas as coletivas e com a ajuda do ATP Tour Manager, Joe Lynch, recebi importantes informações. A edição foi um sucesso que guardo uma cópia, com carinho.

Outros detalhes da vida de Andre Agassi estão muito bem relatados no seu livro, “Open”, que considero um dos dois melhores sobre a vida de tenistas, ao lado do “Mente de Campeão” sobre Pete Sampras, muito bem escrito pelo colega americano Pete Bodo.

A carreira de Agassi, porém , teve seus altos e baixos. Um dos momentos mais críticos parece ter sido ao longo de seu relacionamento com a ‘pretty girl’ Brooke Shields. Curioso também foi seu caso com a atriz Barbra Streisand, uma já quase veterana atriz e cantora, que por um ano esteve no players box do jogador por todo o US Open.

Com a cabeça conturbada, Agassi viveu dias difíceis no tênis. Seu ranking despencou e, com resiliência, chegou a disputar torneios menores, os challengers, para recuperar sua boa condição de gênio da raquete.

Hoje vejo Agassi um homem feliz. Casado com a dona de 22 títulos de Grand Slam, a alemã Steffi Graf, tem dois filhos: Jaden e Jaz. E neste cenário podemos festejar a visita desse incrível personagem e tenista. Muito legal o fato de ter conversado com João Fonseca e depois, em entrevista, colocando os pingos no is, transmitindo tranquilidade sobre o futuro do jovem brasileiro. Nesse tom também sensível o post do colega argentino Danny Mitche. Ele deixa claro que Fonseca tem tudo para chegar longe, mas com apenas 19 anos, já enfrenta uma tremenda pressão.

Enfim, a vinda de Andre Agassi ao Brasil, especificamente ao Rio Open, na minha opinião, só nos traz alegrias e exemplo de um jogador de puro talento, carisma e que enfrentou diversos tipos de adversidades para alcançar o sucesso.

 

 

 

 

 

 

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Evandro
Evandro
3 horas atrás

Ótimo artigo, mas não esclarece os “momentos críticos”, as tais “adversidades” pelas quais passou Agassi. Eu gostaria de saber, sem recorrer a outras fontes, já que essa fonte é top rsrs. Não quer falar?

Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como TV Globo, SporTV, Grupo Bandeirantes de Comunicações e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 21, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.
Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como TV Globo, SporTV, Grupo Bandeirantes de Comunicações e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 21, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.

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