Wimbledon já vislumbra finalista inédito

Jannik Sinner e o troféu de Wimbledon (Foto: AELTC)

O primeiro saque nem foi dado no All England Club, mas existe um gigantesca probabilidade de que Wimbledon verá um finalista inédito na edição 2026. Isso porque o lado inferior da chave ficou com um único jogador que já decidiu o torneio, o italiano Matteo Berrettini em 2021. Algo que só pode animar muito Alexander Zverev, Ben Shelton, Taylor Fritz e Alex de Minaur, os quatro principais cabeças desse setor.

De todo esse grupo, apenas Fritz fez semifinal no Club, enquanto Shelton e De Minaur atingiram quartas. O “azarão” é mesmo Sascha, já que o campeão de Roland Garros nunca passou sequer das oitavas de final em Wimbledon, embora seja um tenista com currículo tão bom na grama como seus mais diretos concorrentes.

Para superar esse tabu pessoal, Zverev terá provavelmente de barrar Jiri Lehecka ou Francisco Cerúndolo na quarta rodada, já que o sorteio colocou três jogos iniciais aparentemente tranquilos. Com 1-1 diante do tcheco e 5-3 frente o argentino, nenhum desses jogos aconteceu sobre grama. Mas é bom lembrar que Cerúndolo acaba de ganhar o 500 de Queen’s com ótimas atuações.

Se enfim der esse passo mais à frente, Zverev então deve rever Fritz e aí vêm mais problemas, já que o norte-americano, sempre muito bem adaptado ao piso, ganhou todos os últimos sete confrontos com o alemão, três deles na grama e o mais recente há poucos dias, em Halle. Quem sabe os deuses do tênis estejam novamente com Sascha, porque Fritz terá uma perigosíssima estreia diante do canhoto Jack Draper e seu caminho cruzaria nas oitavas com Frances Tiafoe, que acaba de vencê-lo na final de Halle, ou o habilidoso Alexander Bublik.

Shelton e De Minaur são outros dois nomes fortes que podem sonhar com essa inédita final de Slam. A expectativa é que Shelton faça duelo de canhotos com Ugo Humbert na terceira rodada e pegue Jakub Mensik nas oitavas, jogos em que seria favorito natural. A tarefa do australiano parece ainda menos difícil, tendo Alejandro Tabilo, Karen Khachanov ou Flavio Cobolli no caminho.

Sinner ou Djokovic?

A parte de cima da chave masculina, por sua vez, começa com a perspectiva de um duelo direto entre campeões, o atual detentor do título Jannik Sinner e o hepta Novak Djokovic. E há pouca gente que ameace isso, principalmente do lado do número 1 do ranking, a menos que a onda de calor que novamente assola a Europa resolva lhe causar o mesmo desgaste de Roland Garros.

Sem jogar desde aquela incomum derrota na segunda rodada, Sinner pegou uma sequência de partidas que caem como uma luva, ou seja, adversários de pouca intimidade com a grama e muito mais afeitos ao jogo de base. Casos de Miomir Kecmanovic, Nuno Borges, Ignacio Buse e Rafael Jodar. Aliás, um trecho muito sujeito a surpresas. Dentre elas, Ethan Quinn, que ainda jogando muito bem na grama.

Tommy Paul e Daniil Medvedev são os principais cabeças em provável quartas diante de Sinner, quadrante que tem Hubert Hurkacz e Marin Cilic como nomes soltos e que podem causar estragos. Curiosamente, a única vitória de Paul sobre Sinner aconteceu na grama, em Eastbourne, porém lá em 2022, enquanto Medvedev superou o italiano em Wimbledon de dois anos atrás e já fez duas semis no Club. Portanto, há muito molho a se colocar na disputa.

Se existe um lugar onde Nole pode realmente acreditar no 25º Slam, esse é Wimbledon. Não apenas por conta de seu histórico espetacular e habilidades tão encaixadas no piso, como saque, devolução, slices e jogo de rede, mas também porque as partidas tendem a ser bem menos desgastantes.

O sorteio colocou Arthur Rindernekch na terceira rodada, Andrey Rublev ou João Fonseca nas oitavas e Félix Aliassime ou os canhotos Cameron Norrie e Learner Tien nas quartas, ou seja, jogadores de diferentes estilos e currículos. A lógica diz que, ao atingir as oitavas, Djokovic estará confiante o bastante para seguir até a semi e reencontrar Sinner. A dúvida é o quanto estará com físico sobrando para tal.

Claro que novamente ficaremos torcendo por um duelo direto entre Fonseca e Djokovic. O carioca tem primeira rodada contra o veterano Roberto Bautista, depois pode encarar o atrevido Rinky Hijikata e em seguida reencontrar Andrey Rublev. Não é caminhada fácil e ainda não se sabe se o abandono de Eastbourne foi somente precaução com o ombro direito. Tomara que sim.

E mais

– Draper disputa nesta semana Eastbourne, apenas seu quinto torneio da temporada. Agora auxiliado por Andy Murray, parece recuperado do joelho direito. No histórico contra Fritz, lidera por 3 a 2.
– Bautista, Wawrinka, Evans e Goffin jogam seu último Wimbledon. O britânico e o belga caíram no quali, mas Evans ainda poderá se despedir na dupla. Outros que rumam para aposentadoria, Monfils pediu e não recebeu convite e Nishikori sequer tentou.
– Medvedev e Cilic marcam apenas a sexta vez que acontecerá um duelo de campeões de Slam logo na primeira rodada de Wimbledon, repetindo Vilas-Kodes (1977), Vilas-Smith (1978), Edmondson-Vilas (1981), Stich-Courier (1997) e Djokovic-Ferrero (2012).
– Outros bons jogos de primeira rodada: Shapovalov-Carreño, Ruud-Hurkacz, Wawrinka-Berrettini, Collignon-Fils, Humbert-Bergs, Kokkinakis-Bublik e Lehecka-Popyrin.
– Se chegar na terceira rodada, Sinner baterá o recorde de Nicolas Pietrangeli e se tornará o italiano com mais vitórias em Slam (95).
– Borg era o único profissional a vencer Roland Garros e Wimbledon seguidamente (e o fez por três vezes), até chegar o Big 3. Nadal (2008 e 2010), Federer (2009) e Djokovic (2021) repetiram o feito, depois alcançado por Alcaraz (2024).
– O tênis masculino não vê dois tenistas debutando em títulos de Slam na mesma temporada desde Wawrinka e Cilic, em 2014.
– Em caso de sucesso, Djokovic se tornará o profissional de maior idade a ganhar um Slam, aos 39 anos e 51 dias.
– Zverev encerrou sua “seca” por títulos de Slam na 41ª tentativa e agora a pressão recai sobre Fritz, que disputa seu 40º Slam.
– Stich, Agassi e Djokovic são os únicos profissionais a ganhar em Wimbledon seu primeiro título geral sobre a grama.
– Djokovic precisa de três vitórias para igualar o recorde de 105 de Federer no torneio.
– Apenas quatro juvenis ganharam o título e repetiram o sucesso no profissional: Borg, Cash, Edberg e Federer.
– Nadal, em 2010, foi o último dos cinco canhotos que conquistaram Wimbledon desde 1968. Laver, Connors, McEnroe e Ivanisevic foram os outros.
– Historicamente, Wimbledon é o Slam onde o campeão mais defende o título, o que já ocorreu 22 vezes na Era Aberta, contra 20 em Paris, 16 em Melbourne e apenas 12 no US Open.
– No próximo post, a análise do feminino.

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Luiz Fernando
Luiz Fernando
2 horas atrás

Depois do ocorrido em RG, melhor não opinar quem vai fazer isso ou aquilo, ainda mais num piso traiçoeiro como a grama. Melhor ir observando as atuações, os que ficarem muito tempo em quadra, as eventuais contusões. Creio que os três principais favoritos, pela ordem são Sinner, Zverev e Fritz…

André Aguiar
André Aguiar
47 minutos atrás
Responder para  Luiz Fernando

Tirou o Djoko

SANDRA
SANDRA
3 horas atrás

Dalcim , vc não acha que ele deveria ter jogado esse torneio anterior ? Era chance de somar e não pegar mais essas chaves complicadas !

Refaelov
Refaelov
4 horas atrás

Essa metade da chave encabeçada pelo Zverev realmente ficou muiiito aberta pra um possivel finalista inédito de Slam.. além dos postulantes bem citados pelo Dalcin eu adicionaria o Tiafoe, q ja tem 2 SF de Slam, vem de uma campanha muito impressionante em Halle e já mostrou capacidade na grama sagrada, levando o Alcaraz a 5 sets..

Marco Aurelio
Marco Aurelio
5 horas atrás

Maia um texto saboroso, prezado Dalcim. Muitas informações interessantes. De minha parte, já estarei muito feliz se nosso João Fonseca chegar ás oitavas. . Se avançar mais ainda, então…. D+++

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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