Thiem: “Nunca quis parar, mas hoje não sinto tanta falta do tênis”

Foto: Corinne Dubreuil/FFT

Viena (Áustria) – Poucos meses depois de sua despedida do tênis, Dominic Thiem começa a se adaptar à vida longe das quadras. Embora admita que não queria encerrar a carreira, o austríaco conviveu por anos com dores no punho direito e hoje valoriza a rotina mais tranquila, longe das viagens e da pressão do circuito.

O adeus aconteceu em outubro de 2024, diante da torcida em Viena. Um momento especial, mesmo que o desempenho já não fosse o mesmo de antes. “Aproveitei muito em Viena. Também preciso ser sincero: eu já não tinha o nível que costumava ter, mas aquele momento foi simplesmente especial, porque apareceu muita gente que eu não encontrava havia anos, inclusive várias lendas do tênis e de outros esportes. No fim das contas, também fiquei aliviado que tudo tivesse terminado”, admitiu o campeão do US Open de 2020.

Apesar da despedida não ter sido planejada, Thiem reconhece que fez o possível para prolongar sua trajetória, mas que hoje não sente falta do circuito. “Nunca quis me afastar do tênis, mas também estou feliz por estar em casa, por finalmente ter passado um inverno no frio. Joguei uma exibição, mas se bato bolas por vários dias seguidos, meu braço volta a travar. Nunca quis parar, mas hoje não sinto muita falta do tênis. Em janeiro, meu irmão esteve na Austrália acompanhando alguns garotos no torneio juvenil, e eu estava feliz por estar em casa”, revelou.

A lesão no punho, que surgiu em junho de 2021, marcou o declínio do ex-número 3 do mundo. Foram altos e baixos constantes, até perceber que não voltaria a ser o mesmo. “Houve períodos em que as coisas iam melhor, depois fases em que tudo parecia dar errado, e de novo momentos em que eu jogava bem e conseguia vencer adversários fortes. No fim da carreira, algo era constante: faltava aquela sensação de acertar a bola no ponto certo. Não sei se era algo mecânico, mental ou relacionado a um nervo do punho. Eu poderia ter feito uma cirurgia, mas seria algo bastante invasivo, então estou convencido de que tomei a decisão certa”, explica.

Já aposentado, ele vê com clareza o peso do calendário no desgaste dos atletas e defende mudanças: “Não há nenhum esporte com um calendário tão apertado quanto o do tênis. Todas as viagens, o jet lag, dormir apenas em hotéis, nunca estar em casa — tudo isso gera estresse. Um pouco mais de tempo livre, uma temporada um pouco mais curta, faria sentido”, opinou.

Nova geração, velhos obstáculos

Campeão do US Open em 2020, Thiem enfrentou os maiores nomes da história e também se vê como parte de uma geração que, mesmo muito talentosa, teve o caminho bloqueado. Um desses nomes é Alexander Zverev, a quem derrotou naquela final em Nova York, e que ainda busca seu primeiro título de Grand Slam.

“Espero que o Zverev consiga ganhar um Slam, mas hoje é ainda mais difícil do que há cinco anos. Ele teve uma carreira grande demais para não ter conseguido isso ainda. A verdade é que, sem o Big 3, todo mundo dizia que seria mais fácil, mas para ganhar hoje é preciso vencer o Sinner ou o Alcaraz — se não os dois. Ambos são tão difíceis de bater quanto foram Djokovic, Nadal e Federer no seu tempo”, completou.

Subscribe
Notificar
guest
2 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Helton
Helton
17 horas atrás

O esporte de alto desempenho não é saudável.

Luciano
Luciano
15 horas atrás

Sempre gostei do Thiem. Faz muita falta. O mais humilde que já vi até hoje nesse meio. Essa lesão no punho deve ser umas das piores.

Comunicar erro

Comunique a redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nessa página.

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente ao TenisBrasil.