Madri (Espanha) – Gabriela Sabatini gostaria de ver mais variedade no tênis atual. A argentina considera que o jogo se tornou excessivamente baseado na potência, com dependência excessiva do físico, e sente falta de mudanças de ritmo. Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal espanhol El País, também questionou o calendário e demonstrou preocupação com o desgaste das jogadoras.
“Hoje existe muito mais potência do que antes. Há outra velocidade. Potência demais. Quando aparece alguém com um pouco mais de variedade, que consegue jogar uma bola curta, uma bola alta ou um slice, isso confunde um pouco as jogadoras, porque elas não estão acostumadas”, afirmou a campeã do US Open de 1990.
Sabatini também questionou o estilo de jogo predominante no circuito feminino. “As jogadoras estão habituadas a receber a bola em determinada velocidade e, quando o ritmo muda, isso complica. Gostaria de ver mais esse tipo de jogo, com variações”, explicou a ex-número 3 do mundo.
Entre as atletas que mais aprecia, Sabatini destacou a tcheca Karolina Muchova, a tunisiana Ons Jabeur e as norte-americanas Hailey Baptiste e Taylor Townsend. “Muchova tem um jogo muito completo e consegue fazer de tudo. Gosto muito dela. Townsend também tem estilo, consegue subir à rede, voleiar e fazer outras coisas”, comentou a dona de 27 títulos de simples no circuito.
A argentina também questionou a ampliação dos Masters 1000 para quase duas semanas de duração. Na avaliação da ex-top 3, o formato aumenta o desgaste físico e psicológico das tenistas, especialmente diante da quantidade de torneios e do pouco tempo disponível para recuperação.
“Não é a mesma coisa saber que você vai jogar durante uma semana ou durante duas. Acho que o desgaste é maior nos dois aspectos. Não há muito descanso e, por isso, vemos mais lesões”, avaliou a medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, que também conquistou dois títulos do WTA Finals, em 1988 e 1994.
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Sabatini, que encerrou a carreira em 1996, aos 26 anos, lembrou que também enfrentava uma temporada extensa, mas tinha maior liberdade para escolher os torneios. “Hoje existe um mínimo de competições obrigatórias e é preciso assumir esse compromisso. Isso torna tudo muito mais difícil”, observou a integrante do Hall da Fama do Tênis desde 2006.
A argentina ainda apontou as redes sociais como uma pressão adicional sobre os atletas. “Na minha época não existiam e, de certa forma, agradeço por isso”, afirmou. Sabatini considera importante que os profissionais estabeleçam limites para lidar com a exposição fora das quadras.









Com todo o respeito à opinião de uma grande campeã que foi a Gabriela Sabatini, eu acho que as novas gerações adotam o estilo de jogo que dão mais resultado. Das jogadoras citadas pela argentina como tenistas que possuem estilo de jogo variado, a Ons Jabeur tem três finais de grand slam e nenhum título e duas finais de WTA 1000 e um título. A Karolina Muchova tem duas finais de grand slam e nenhum título e três finais de WTA 1000 e um título. A Taylor Townsend tem títulos de torneios importantes apenas nas duplas, em simples até agora não conseguiu. A Hailey Baptiste estava numa boa fase e em ascensão, acabou sofrendo um lesão grave e está afastada do circuito. A Marketa Vondrousova, não citada pela Sabatini, foi finalista em Roland Garros de 2019 e campeã de Wimbledon de 2023. Porém, as tenistas que estão conseguindo os melhores resultados atualmente são as que possuem o estilo mais veloz e agressivo. Obviamente que esse estilo mais veloz e agressivo oferece mais riscos de causar lesões graves e o excesso de torneios obrigatórios também contribui para piorar o cenário. De qualquer forma, acredito que a prioridade das tenistas que estão começando é copiar o estilo de jogo daquelas que estão conquistando títulos. Além disso, outro fator importante é a questão financeira. Imagino que na época em que a Sabatini jogava as premiações para as mulheres eram menores do que são atualmente. Por isso, para viabilizar o pagamento de prêmios maiores, a WTA, patrocinadores e organizadores de torneios exigem das jogadoras um número maior de torneios obrigatórios.
Concordo 100% com a Sabatini, pois o tênis feminino se limitou demais na pancadaria de fundo de quadro com jogo reativo, veja a Andressa que tem bia habilidade está se tornando uma jogadora medíocre por causa da sua fraca treinadora, mas há algumas excessões como Muchova e outras, infelizmente 90% do tênis feminino foge da qualidade técnica, por isso que a maioria do público prefere o tênis masculino não só porque é melhor, mas também é mais vistoso.