Rybakina celebra US Open e número 1 após semanas de incertezas

Elena Rybakina (Foto: Jimmie48/WTA)

Nova York (EUA) – Elena Rybakina ainda tentava assimilar tudo o que havia acabado de conquistar quando chegou à entrevista coletiva após a vitória sobre Aryna Sabalenka na final do US Open. Aos 27 anos, a cazaque levantou pela primeira vez o troféu em Nova York, conquistou seu terceiro Grand Slam e, a partir de segunda-feira, também será a nova número 1 do mundo.

“É incrível. Ainda é muito difícil processar o que aconteceu. Foram muitas conquistas nestas últimas semanas. Estou muito feliz, muito orgulhosa de todo o trabalho. É simplesmente incrível. É difícil encontrar palavras, mas estou muito feliz”, afirmou a cazaque.

A conquista ganhou ainda mais peso pelo caminho percorrido nas últimas semanas. Em agosto, Rybakina abandonou a partida contra Iga Swiatek em Cincinnati por causa de uma lesão e chegou a Nova York sem saber como o corpo responderia. Na semana anterior ao US Open, passou sete dias sem pegar na raquete e concentrou a preparação em recuperação e trabalho físico.

“Não foi o melhor momento, com certeza, porque eu estava muito chateada. Eu não sabia como seria dia após dia. Chegamos a Nova York, fizemos uma ressonância e não parecia muito bom. Tivemos que conversar com muitos médicos para saber o que deveríamos fazer”, contou.

A cazaque explicou que passou a semana entre o hotel e a academia, em uma rotina intensa de recuperação. Com o auxílio da equipe e de uma médica na Austrália, montou um plano para conseguir chegar em condições de competir. “Por sete dias, eu simplesmente ia do meu quarto de hotel para a academia, passava três horas lá, fazia muita recuperação e tratamentos. Também tivemos alguns jantares para mudar um pouco a cabeça”, relatou.

Segundo a tenista, o trabalho foi feito diariamente, enquanto a participação no torneio ainda era uma incógnita. “De alguma forma, com a equipe, fizemos um plano e fomos seguindo. Todos os dias conversávamos sobre o que podíamos fazer.”

Cazaque admite que sentiu a pressão

Na decisão deste sábado, Rybakina começou melhor e teve a oportunidade de fechar a partida em dois sets, mas viu Sabalenka reagir e levar a segunda parcial. A campeã, porém, conseguiu recuperar o controle no terceiro set. “Eu sinto que a partida foi muito equilibrada. Mesmo no primeiro set, consegui uma quebra cedo. Então ficou um pouco mais fácil entrar na quadra e ser agressiva”, explicou.

“No segundo, fomos ganhando nossos games de saque. Senti que ela jogou de forma mais agressiva justamente nos momentos importantes. Ela arriscou os golpes. Eu tive algumas oportunidades e cometi alguns erros. Mas, no terceiro set, disse a mim mesma que ainda poderia conseguir. Precisava me concentrar no saque e arriscar um pouco mais quando tivesse a oportunidade.”

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O serviço, aliás, foi um dos pontos de atenção da cazaque durante a decisão. No primeiro set, ela acertou apenas 28% dos primeiros saques, mas encontrou maneiras de compensar a baixa porcentagem e terminou a parcial na frente. “Eu estava pensando que realmente precisava melhorar a porcentagem do primeiro saque. Não estava funcionando. Então tentava escolher um lugar e pelo menos ser um pouco mais agressiva com o segundo saque. Cometi algumas duplas faltas aqui e ali, mas tinha um plano na cabeça e estava apenas seguindo”, disse.

Nos momentos decisivos, o saque voltou a funcionar. No último game, Rybakina chegou a cometer duas duplas faltas, mas também acertou dois aces e fechou a conquista justamente com um serviço vencedor. “Claro que havia pressão. Havia nervosismo. Era difícil manter o foco. Acho que tudo veio das emoções. Você sabe que do outro lado está uma grande jogadora, que pode arriscar os golpes, e que eu precisava vencer por mim mesma. Foi muita pressão e nervosismo”, explicou.

Número 1 e a sensação de alívio

A conquista também encerra uma sequência de semanas de pressão pelo topo do ranking. Rybakina já tinha garantido matematicamente a liderança antes da final, mas precisava enfrentar justamente Sabalenka, que começou o US Open no topo e encerrará seu reinado após 99 semanas consecutivas.

Para a cazaque, conquistar o título e ratificar a liderança torna a sensação ainda mais especial. “Vai ser muito diferente acordar na manhã seguinte sabendo que você acabou de ganhar o US Open, alcançou o número 1 e, de certa forma, é um alívio. Você faz todas essas rotinas nas últimas duas ou três semanas. É muito trabalho, muitos nervos também”, afirmou.

Conquistas construídas com processo

Rybakina também foi questionada sobre a transformação de sua carreira desde a temporada passada. Depois de um período de resultados menos expressivos, ela acumulou grandes conquistas, incluindo o título do WTA Finals, o Australian Open e agora o US Open, além de assumir o topo do ranking.

A cazaque, porém, não apontou um momento específico como responsável pela mudança. Para ela, o processo foi construído com o tempo. “É claro que eu sempre acreditei que era possível. Tivemos ótimos resultados. É claro que nem todo ano é igual. Ganhei Wimbledon em 2022. Depois não estava vencendo os Slam, mas joguei a final do Australian Open no ano seguinte. Acho que sempre estivemos lá”, avaliou.

“É claro que, no caminho, você aprende muito, muitas coisas acontecem. Sinto que agora tenho uma grande equipe, ótimas pessoas ao meu redor, e simplesmente continuamos trabalhando. Finalmente valeu a pena, e estou muito feliz, muito orgulhosa.”

A nova número 1 sabe, porém, que o desafio agora será permanecer no topo. Ela destacou a necessidade de cuidar do físico, organizar melhor o calendário e manter estabilidade para seguir competitiva nos maiores torneios. “A principal prioridade, como eu disse antes, é que não estou ficando mais jovem. É tentar me manter saudável e escolher o calendário corretamente, o processo de treinamento. É claro que o objetivo são sempre os maiores torneios, você quer vencê-los. O trabalho nunca termina, para ser sincera.”

A próxima meta natural será completar o Career Grand Slam, já que Rybakina ainda não conquistou Roland Garros. Mas, depois de uma temporada que já lhe rendeu dois títulos de Grand Slam e a liderança da WTA, a cazaque prefere pensar primeiro na continuidade. “Vamos ver o que vai acontecer, mas definitivamente ainda há muito trabalho a faze”, concluiu.

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