A primeira rodada do US Open, que já começa neste domingo, prevê uma série de jogos entre nomes consagrados e tenistas da nova geração, alguns deles motivados por bons resultados das últimas semanas. Será uma oportunidade para os jovens jogadores se testarem nos grandes palcos.
Logo no primeiro dia do torneio, a sessão norturna do Arthur Ashe Stadium reserva uma partida entre o tetracampeão Novak Djokovic, número 7 do mundo e o norte-americano Learner Tien, canhoto de 19 anos e 48º do ranking. O sérvio não disputou torneios preparatórios para o US Open, mas apesar da falta de jogos, garante que conseguiu treinar com intensidade nas últimas semanas e, com toda sua experiência, consegue administrar bem o ritmo das partidas.
Para Tien, que já acumula quatro vitórias contra top 10 na temporada e vem de uma campanha até as oitavas em Toronto, será mais uma experiência inédita na carreira. Não apenas por enfrentar um jogador histórico, mas também por atuar no maior estádio de tênis do mundo.
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“Acho que é uma oportunidade incrível. É como um sonho de infância que finalmente se tornou realidade”, disse Tien após o sorteio da chave “Será surreal entrar em quadra com ele. Já disse algumas vezes que adoraria enfrentá-lo antes que ele se aposente. E é muito legal poder jogar contra ele em um palco como este e não em um ATP 250 ou algo assim. Sou muito grato pelas oportunidades que tive este ano de enfrentar alguns desses caras de ponta”.
Também no primeiro dia de torneio, o norte-americano Ben Shelton, número 6 do mundo e recente campeão em Toronto, enfrentará o peruano Ignacio Buse, de 21 anos e 136º do ranking. Vindo do quali, Buse disputará uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez. O peruano conseguiu em julho suas primeiras vitórias na ATP, em uma grande campanha até a semifinal de Gstaad.
O russo Karen Khachanov, finalista em Toronto e número 9 do mundo, enfrenta outro nome da nova geração norte-americana, o jovem de 20 anos Nishesh Basavareddy, 106º do ranking. O jovem tenista recebeu convite para a chave principal em Nova York. Já o também top 10 Lorenzo Musetti tem uma estreia perigosa contra o francês Giovanni Perricard, de 22 anos e 39º do ranking, que é um exímio sacador e vem de uma semifinal em Winston-Salem. Além do bom nível do adversário, Musetti não vive bom momento nas últimas semanas. Desde a chegada à semifinal de Roland Garros, quando abandonou a partida contra Carlos Alcaraz por lesão, o italiano tem apenas uma vitória, conquistada no Canadá.
Mboko desafia Krejcikova na primeira rodada feminina

Na chave feminina, destaque para o duelo entre a tcheca Barbora Krejcikova, ex-número 2 do mundo e vencedora de dois títulos de Grand Slam, contra a jovem canadense Victoria Mboko, que conquistou recentemente o WTA 1000 de Montréal.
Com Krejcikova voltando ao circuito de uma lesão nas costas, que a tirou das competições por seis meses, enquanto a canadense está no melhor momento da carreira no 24º lugar do ranking, pode-se esperar até um favoritismo de Mboko. Mas a experiência da tcheca, que hoje ocupa a 61ª posição, e seu estilo de jogo com variações podem proporcionar um duelo interessante.
Outro jogo que chama atenção na primeira rodada feminina é entre a cazaque Elena Rybakina e a norte-americana Julieta Pareja, de apenas 16 anos e número 1 do ranking juvenil. Pareja recebeu convite da USTA. E apesar da pouca idade, já acumula alguma bagagem no tênis profissional, ocupando o 338º lugar da WTA e chegando à semifinal em Bogotá. Rybakina, de volta ao top 10, fez três bons torneios preparatórios, com semifinais em Washington, Toronto e Cincinnati.
A primeira rodada ainda prevê dois bons duelos de jovens em momentos distintos. A dinamarquesa Clara Tauson, de 22 anos e número 15 do mundo, enfrenta a filipina Alexandra Eala, de 20 anos e 70ª do ranking. Enquanto Tauson já acumula alguma experiência nos torneios do Grand Slam desde 2020 e agora se estabelece entre as cabeças de chave, Eala disputa apenas sua terceira chave principal de Slam e a primeira em Nova York, onde já foi campeã com juvenil. Ambas já fizeram boas campanhas em WTA 1000: Tauson foi vice em Dubai e semifinalista em Montréal, enquanto Eala fez semi em Miami.
Destaque também para o duelo entre a andorrana de 20 anos Victoria Jimenez Kasintseva, 132ª do ranking e que disputará seu primeiro Grand Slam depois de furar o quali em Nova York, e a australiana de 19 anos Maya Joint, 42ª do mundo e vencedora de dois WTA na temporada, em Rabat e Eastbourne. A vencedora poderá enfrentar na segunda rodada a norte-americana Amanda Anisimova, finalista de Wimbledon.
João Fonseca fica distante dos top 10, mas tem estreia dura

Aniversariante da última quinta-feira, quando completou 19 anos, João Fonseca está longe dos top 10 e só pode enfrentar um dos primeiros do ranking se chegar às oitavas contra Taylor Fritz. Mas o número 1 do Brasil e 44º do mundo sabe que terá uma estreia dura contra o sérvio Miomir Kecmanovic, 45º do ranking, que acontecerá na próxima segunda-feira.
“Acho que vai ser um bom jogo. Já cheguei a treinar com ele, mas vai ser a primeira vez em que vou jogar contra ele. É um bom jogador, que pode ganhar de qualquer um, então tenho que ir preparado mentalmente e fisicamente para partir com tudo”, disse a respeito de Kecmanovic. O sérvio de 25 anos tem como melhor ranking da carreira o 27º lugar, alcançado há duas temporada e tem cinco vitórias contra top 10, além de ter vencido dois torneios da ATP, um deles este ano em Delray Beach.
Se vencer, o carioca pode enfrentar o tcheco Tomas Machac, 22º do ranking e cabeça 21 em Nova York, ou o italiano Luca Nardi, 83º colocado. Ambos também seriam adversários inéditos em sua carreira profissional. Caso alcance a terceira rodada, o adversário mais cotado seria o também tcheco Jakub Mensik, também de 19 anos e já 16º colocado no ranking da ATP. Campeão do Masters 1000 de Miami, Mensik estreia contra o chileno Nicolas Jarry.
Tien tem jogo muito diferente do restante do circuito, joga com variação, não tem muita potência, mas consegue ficar nos pontos, não tem um golpe “matador”, é um tenista “chato”, o adversário necessita ser agressivo, caso queira especular, o jovem fica confortável.
Gosto muito do jogo Tien, esperava, principalmente na temporada de saibro, que fosse crescer, não aconteceu, tem jogado bem ultimamente.
E acho que ele poderá dar um bom susto no Djoko. Mas no fim a experiência do GOAT deve prevalecer…
Sim, caso o sérvio esteja (muito) fora do ritmo, pode ter problemas, o Tien não tem muitos golpes para incomodar, é um tenista que aposta numa bola alta, outra baixa, um ângulo aqui, outro ali, tudo com muita competência, mas não resiste a um adversário agressivo (num bom dia).