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Orlandinho: “A conta com o prize money não fecha”

Felipe Priante

Apesar do crescimento exponencial das premiações no circuito de tênis nos últimos tempos, com os principais torneios pagando cada vez mais aos jogadores, a maior parte dos tenistas sofre para conseguir sobreviver da modalidade, o que levou Novak Djokovic a criticar as condições, lamentando que apenas 400 conseguem ganhar a vida com o tênis. Inspirado na fala do número 1 do mundo, TenisBrasil preparou uma série especial com alguns brasileiros que não estão nesta faixa descrita pelo sérvio e que lutam para seguir competindo mesmo com as adversidades financeiras.

Na segunda matéria da série, o gaúcho Orlando Luz acredita que muito ainda precisa ser feito para que os jogadores de ranking mais baixo consigam sobreviver apenas do tênis. “A conta com o prize money (valor pago por jogo dispuado) não fecha, é claro e todo mundo sabe. Fico feliz que o Djoko tenha falado sobre isso, porque o cara é número 1 do mundo e se interessa por isso. Já tem anos que ele comenta sobre o assunto, tem a PTPA que ele vem tentando conseguir mais coisas para os jogadores de baixo”, afirma Orlandinho.

“Se tu for ver o quanto a gente ganha e o quanto a gente gasta para viajar sem treinador, custeando hotel mais barato nos dias que o torneio não paga, ou às vezes quando está jogando future, que não tem hotel. Comida é também a gente que precisa cuidar”, acrescenta o tenista de 25 anos, que busca alternativas para financiar a carreira. Ainda focado em simples, ele tenta jogar o máximo possível de duplas para conseguir uma renda maior nos torneios.

“Eu jogo dupla e isso me ajuda bastante nos challengers, hoje em dia mudou a premiação e quase que dobrou, o que já é de uma grande ajuda. Mas ainda não temos investimento, não temos patrocínio e essas coisas. Tenho algumas pessoas que estão investindo em mim, tentando dar uma ajuda, mas mesmo assim é complicado para se manter. Espero que cada vez mais apareçam investidores e marcas que apareçam para investir na gente”, afirma o gaúcho.

Orlandinho lamenta que tenistas brasileiros e sul-americanos tenham mais dificuldade para sobreviver do esporte, mesmo com nível para isso. “Temos pouco investimento, bem menos que na Europa, não dá para comparar. Treinei lá, tenho muitos amigos e sei como funciona. Só espero que vá melhorando, acho que já está, mas ainda é complicado. Fechar a conta é difícil, se tu jogar mal na semana já está perdendo dinheiro”, observa o brasileiro, que atualmente não figura nem entre os 300 melhores da ATP.

Mesmo contando com apoio de marcas, algumas ajudando com material e outras com investimento, o gaúcho não consegue fechar a conta apenas com patrocínios e premiações, precisando recorrer a alternativas durante o ano. “O que mais me ajuda durante o ano é jogar os interclubes. Jogo na Alemanha e esse ano tive que abdicar de torneios para jogar nos interclubes por causa de grana”, conta Orlandinho, que em 2023 perdeu um mês de torneios no circuito profissional para disputar interclubes.

“Às vezes você tem que deixar de tentar subir no ranking para buscar dinheiro e assim tentar alavancar a carreira, poder trazer um treinador, viajar com alguém. Se já é difícil com alguém do lado, fazer sozinho é ainda mais. O que mais me ajuda (financeiramente) são os interclubes, por isso que todo meio de ano estou na Europa jogando algumas semanas, para adquirir essa grana e depois fazer minha parte”, explica.

Recorrer a interclubes é algo que vários outros jogadores também fazem e por isso o gaúcho conseguiu aproveitar as disputas não apenas para complementar a renda, mas também para ganhar confiança. “Fico feliz que neste ano mostrei um bom nível nos interclubes, venci vários jogadores do top 300 e depois já saí fazendo semi de future, furei quali de challenger e final de duplas. É seguir nesse caminho que os resultados vão surgindo pouco a pouco”, destaca Orlandinho.

Sem nunca ter figurado entre os 250 melhores do mundo em simples – foi o 272º do ranking em 2021 -, o gaúcho ao menos chegou a figurar no top 100 de duplas, alcançando o 90º lugar também em 2021. Mesmo sem ter conseguido despontar na ATP, a paixão pelo tênis é que o motiva a lutar para seguir com a carreira de tenista, apesar das adversidades financeiras.

“Eu amo o que faço, parece ser maluco ficar correndo atrás de bola por pouca recompensa, mas sei que além de grana e resultados, que a gente busca, jogar pelo Brasil e no Brasil é uma das coisas mais gratificantes que tem. Você vê que tem crianças e os pais que trazem elas para quadra, então você tem que se preocupar para não falar uma besteira ou quebrar uma raquete. Lembro de quando era pequeno, quando conheci o Guga, quando fui para o Larri (Passos), quando vi o Marcos Daniel treinando, (Thomaz) Bellucci, (Fernando) Meligeni, (Flávio) Saretta e todos esses caras que tive contato. Cada palavra deles influenciou no meu molde”, finaliza Orlandinho.

Leia também a primeira reportagem da série:

Zé Pereira: “Tem torneio muito pior do que juvenil”

 

7 Comentários
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Nilton
Nilton
2 meses atrás

Essa cara é gente boa. Tiramos uma foto em Campinas e ele se mostrou super humilde, mesmo sendo campeão de Wimblendon com o Zorman…

Cabelinho de Boneca
Cabelinho de Boneca
2 meses atrás

Orlando está melhor do olho? problema de visão que prejudicou muito. boa sorte, muito descanso, e sempre lembrar de bater na esquerda dos adversários. força!

André Borges
André Borges
2 meses atrás

Otima matéria, legal ver esse lado financeiro como funciona. Pq eles não revelam quem são as “pessoas que investem em mim”?

Alexandre De Souza
Alexandre De Souza
2 meses atrás

Houve um tempo, em que o Brasil , era o segundo ou terceiro pais com mais torneios , isso faz muita diferença no ranking.

Marcelo Scotton
Marcelo Scotton
2 meses atrás

Falo disso aqui há tempos. A conta desses caras não fecha. É diferente dos custos de uma atleta europeu (neate nivel), que pega um trem e vai jogar em outro país. Ou de um americano, com muitos ITFs e challengers em seu território.

Nos tempos de selvageria neste fórum, o tal do Cabelo de Boneca enlouquecia com essa realidade. Está aí o Big Coke para não me deixar mentir.

Bricio Cunha Fagundes
Bricio Cunha Fagundes
2 meses atrás
Responder para  Marcelo Scotton

Tudo isso que você falou é a pura verdade. Mas quem geralmente recebe as críticas e ataques pessoais são os jogadores, que estão batalhando honestamente, mesmo com todo esse cenário desfavorável. Como acompanho os comentários do site há bastante tempo, percebo que você mesmo é um dos que adora despejar as frustrações sobre os atletas.

Marcos Antonio Vargas Pereira
Marcos Antonio Vargas Pereira
2 meses atrás
Responder para  Marcelo Scotton

Me desculpe, Mas a forma desrespeitosa que vc trata nossos atleta nao te da o direito de falar em selvageria. Vc sempre foi um expoente da selvageria. No mais ha que haver equilibrio nos comentarios.

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