PLACAR

Nadal recusa o adeus. Afinal os deuses são eternos

Pelo tom do discurso essa não foi a última vez que Rafael Nadal pisou no saibro de Roland Garros. Deixou clara a possibilidade de voltar nos Jogos Olímpicos e, confesso, com boas chances de medalhas, até mesmo porque deve fazer dupla com Carlos Alcaraz. Por outro lado, para alegria dos inúmeros fãs, o espanhol deverá jogar outras competições nessa mesma superfície. O bom, e o que pode ser o ruim, é possibilidade de vê-lo em ação mais algumas vezes, mas com a chance de não realizar as campanhas que mostrou ao longo dos tempos.

Ouvi muito esses dias que Nadal não deu sorte na chave de Roland Garros. Afinal, dentro de outra situação poderia ganhar mais alguns jogos. Mas a pergunta é: também poderia perder? Sim… por isso ser eliminado por um dos grandes como Alexander Zverev soa como algo um pouco mais normal. Acho que seria pior se perdesse para um jogador de nível inferior, né?

Nas suas últimas declarações Nadal não tem sido taxativo. Tipo um dia atrás do outro para definir seu futuro. Por isso, numa conversa com Amelie Mauresmo, tenista e atual diretora de Roland Garros, preferiu não aceitar nenhuma cerimônia de despedida. Seria uma grande celebração com um show de emoção e a entrega do troféu emblemático, com as diversas fases da chamada terra batida. Por isso, ao final da partida os diretores da Federação Francesa se aproximaram do espanhol e perguntaram se ele gostaria de dar entrevista em quadra, pois nada havia sido formalizado. O bom foi que aceitou e correspondeu às expectativas do público, não só nas palavras, mas também na sua boa atuação diante do forte tenista alemão.

Apenas um parêntese – prometo não sair do assunto – é que nos meus 30 anos de Roland Garros, um curiosidade é que nas entrevistas coletivas dos grandes jogadores, os jornalistas britânicos sempre conseguem puxar um assunto sobre Wimbledon. E desta vez não foi diferente. Nadal, porém, parece ter decepcionado os colegas do Reino Unido e deixou poucas possibilidades de disputar o Grand Slam inglês. As razões são convincentes. Buscar uma adaptação a uma superfície tão diferente poderia prejudicar ainda mais o seu físico. E como ele mesmo disse, a ideia é manter-se no saibro para estar em boas condições para Paris 2024.

Enfim, muitos esperavam que realmente este Roland Garros fosse o último de sua brilhante carreira. Agora, será que se despede na Olimpíada? Difícil dizer, pois o combustível do tenista é a vitória. E, por isso, acho muito curioso o que mantém um jogador já consagrado e milionário manter-se no nível competitivo. Veja o exemplo de Andy Murray. Segue arriscando sua saúde apenas pelo prazer de competir. Os resultados do escocês não têm sido bons e chega a ser desanimador. Fica então uma questão. Lembro que Pete Sampras passou meses e meses sem bons resultados. De repente foi campeão do US Open e anunciou a aposentaria. Será que Nadal não estaria planejando o mesmo? Talvez uma medalha em Paris?

 

 

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Paulo Mala
Paulo Mala
22 dias atrás

Duplas até dá, mas em simples esquece…
Mesmo em duplas, vão ter problemas se ele não melhorar o saque.

André Aguiar
André Aguiar
22 dias atrás

Penso que o Nadal odeia perder, sobretudo no saibro e ainda mais em Roland Garros. Fica de mau humor. Talvez resida aí a recusa da homenagem pós-partida. Creio que fará a despedida das quadras na Olimpíada ou mesmo na Laver Cup, atendendo a um pedido do amigo Roger. Poderá ser homenageado pelo torneio de Roland Garros no ano que vem, mas já aposentado. Quem sabe numa bonita cerimônia antes da final masculina, voltando à quadra depois para entregar o troféu ao campeão?

Última edição 22 dias atrás by André Aguiar
Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como TV Globo, SporTV, Grupo Bandeirantes de Comunicações e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 21, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.
Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como TV Globo, SporTV, Grupo Bandeirantes de Comunicações e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 21, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.

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