PLACAR

Corajoso, Felipe cai mas deixa ótima impressão

O tendão de Aquiles do pé esquerdo voltou a incomodar na hora errada e foi o maior empecilho para Felipe Meligeni lutar por vaga na terceira rodada do US Open. Com mobilidade limitada, ele desistiu após se concretizar a virada de Sebastian Baez, ao final do terceiro set. Mas não há qualquer motivo para abaixar a cabeça.

Felipe jogou de forma corajosa o tempo inteiro, abusando de seu pesado forehand para encurralar o ‘baixinho’ argentino justamente no seu ponto mais forte, a troca de fundo de quadra. Baez saiu na frente, com 4/1 e 5/2, mas na hora de fechar faltou postura e isso sobrou ao brasileiro o tempo inteiro. Meligeni não abandonou jamais a postura ofensiva e levou o tiebreak.

Talvez tudo tivesse sido diferente caso Felipe tivesse aproveitado o 0-40 do sexto game do segundo set, o que colocaria ainda mais pressão num Baez claramente incomodado por ter de jogar na defensiva o tempo todo. Pior ainda, o brasileiro perdeu o serviço em seguida e isso custou o set.

Na virada de lado, pediu atendimento e a situação já parecia complicada, porque afinal o tendão tem sido um problema que ele tem administrado nos últimos três anos e custou outros abandonos, como na semana passada em Santo Domingo. Mesmo perdendo dois serviços, ainda lutou para recuperar uma quebra e ainda teve outro 0-40 para empatar tudo no game final. Não deu e desistir foi o correto.

Com uma sequência de boas atuações na quadra dura e em torneios grandes, Meligeni sairá de Nova York entre os top 140 e deverá ser titular da Copa Davis contra a Dinamarca, dentro de 10 dias, caso se recupere. Não sei se seria a melhor ideia, mas é difícil opinar sem ter a dimensão do problema no tendão. De qualquer forma, pretende aproveitar os challengers sul-americanos para buscar o top 100 e a vaga direta no Australian Open. Aos 25 anos, está em ótimo caminho.

Resumão

  • Carlos Alcaraz não correu reais riscos, ainda que poderia ter perdido o terceiro set quando Lloyd Harris sacou com 4/2, mas as falhas no saque preocupam. Cedeu 10 break-points. Compensou com 49 subidas à rede e 31 pontos.
  • O espanhol pode pegar dois britânicos seguidos: agora virá Dan Evans, a quem já venceu duas vezes, e depois talvez Cameron Norrie, que parece confiante de novo.
  • Grigor Dimitrov vinha de maratona, mas foi muito melhor que Andy Murray e pode ser um problema para Alexander Zverev. Quem vencer, jogará contra Jannik Sinner ou Stan Wawrinka. O italiano foi muito firme contra Sonego e Stan mostrou que ainda sobra fôlego ao tirar Etcheverry.
  • John Isner deu adeus. Venceu os dois primeiros sets contra Michael Mmoh, aí perdeu dois tiebreaks e levou uma improvável virada. Chorou e no final do dia ainda perdeu nas duplas com Jack Sock, outro top 10 que encerrou a carreira neste US Open.
  • Andrey Rublev foi um paredão e barrou Gael Monfils. A porta está aberta para as quartas, já que pega Rinderknech agora e depois Mmoh ou Draper. Gosto muito desse canhoto britânico, mas ele vem de três meses de lesão.
  • Aryna Sabalenka teve outra rodada bem tranquila, se livrou de Karolina Pliskova e acho difícil que não passe por Daria Kasatkina, que fez um jogo enrolado contra Sofia Kenin.
  • Ons Jabeur está no seu caminho de quartas, porém a tunisiana de novo sofreu muito em quadra e pega uma perigosa Marie Bouzkova.
  • Jessica Pegula fez outra partida rápida e agora terá a guerreira Elina Svitolina. A ucraniana está definitivamente mais agressiva e sacando com mais força. Pode complicar. Quem passar, pega Liudmila Samsonova e Madison Keys. Nada fácil.
  • Como o piso nem está tão veloz, Marketa Vondrousova economizou energia e enfrentará Ekaterina Alexandrova. A vencedora dificilmente não estará nas quartas, seja contra Boulter ou Stearns.
  • Ótima estreia de Luísa Stefani nas duplas ao lado de Brady. Bia e Azarenka demoraram um pouco para embalar. Demoliner pegou adversários muito duros e Melo se despediu rápido nas mistas.
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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