PLACAR

Coco tem mais uma chance

Quase uma veterana de 19 anos, Coco Gauff terá a segunda chance de dar o passo mais aguardado por todo mundo que acompanha sua ainda curta carreira. Depois de ter feito uma inesperada final sobre o saibro de Roland Garros no ano passado, em que as chances diante de Iga Swiatek eram de fato pequenas, ela decidirá agora o US Open com o evidente apoio maciço da torcida. Apesar da ótima fase, não há como tirar o favoritismo da adversária, a futura número 1 Aryna Sabalenka, mas sem dúvida a distância desta vez para o sonho é muito menor.

Gauff, todo mundo sabe, é considerada a substituta natural de Serena Williams e lida com essa pressão extra desde sua estreia no circuito, em 2018, ainda uma adolescente sem padrão físico e técnico bem definido. Apesar de não ter vencido um único torneio no ano passado, a final em Paris a levou enfim ao top 10, mas não lhe deu ainda o gabarito imaginado.

Sua temporada teve altos e baixos neste primeiro semestre, até que enfim Gauff parece ter achado seu tênis nas quadras duras, com um claro dedo de Brad Gilbert, que foi agregado ao time do técnico Pere Riba. A mescla mais equilibrada entre ataque e defesa passou por um trabalho no saque e no jogo de rede e eis que Coco faturou em sequência seus maiores títulos, em Washington e em Cincinnati.

A expectativa só aumentou e Gauff então precisou de duas viradas e mais um jogo de três sets até as quartas deste US Open, quando então massacrou Jelena Ostapenko. Ainda em busca do ajuste fino, superou Karolina Muchova nesta quinta-feira com autoridade, embora a tcheca tenha feito um começo muito ruim de partida. O final do jogo no entanto teve nível muito alto.

Gauff se torna assim a mais jovem tenista norte-americana a atingir a final do US Open desde que Serena Williams, então 17 anos, foi campeã em 1999. E tenta se juntar ao pequeno grupo de quatro jogadoras da casa a ganhar o torneio neste século, repetindo Serena, Venus Williams e Sloane Stephens.

Em caso de título no sábado, Gauff atingirá inédito terceiro lugar do ranking, embora 2 mil pontos atrás de Swiatek, e ao mesmo tempo tem chance de sair do US Open com a número 1 de duplas outra vez. Esta será apenas a sétima final de sua jovem carreira, em que soma cinco títulos e um vice, justamente o de Paris.

Sabalenka por sua vez tentará o segundo Slam numa margem de apenas oito meses e, de quebra, abriria uma distância folgada sobre Swiatek, vislumbrando largas portas para terminar na ponta do ranking até o final do calendário. É bem verdade que viveu perigosos altos e baixos na madrugada desta sexta-feira e por duas vezes esteve contra as cordas diante de Madison Keys.

A norte-americana, que foi finalista do US Open há seis anos, mostrou seu conhecido pecado: controlar os nervos na hora importante. Foi a tenista dominante na maior parte do tempo, aproveitando-se também dos erros de ataque de Sabalenka, e sacou para a vitória no final do segundo set. Falhou feio e perdeu o tiebreak por margem larga.

Pediu atendimento para a coxa esquerda e recuperou a estabilidade. De novo quebrou antes, chegou a 4/2, e não sustentou. Grandes méritos para a bielorrussa, que a partir daí jogou seu melhor tênis do dia, com coragem de buscar linhas e fazer voleios firmes. Foi mais agressiva nas devoluções e mereceu.

Apesar de a Gauff liderar o histórico por 3 a 2 e ter obviamente o público a seu lado, Sabalenka entra como natural favorita. Em Indian Wells de março, em momento em que Gauff oscilava muito, venceu em dois sets e um ‘pneu’, sabendo explorar o segundo saque da americana que ainda machuca pouco.

Façanhas no caminho de João Fonseca
Ninguém tem dúvida de que o carioca João Fonseca é o tenista de maior potencial que surgiu no tênis brasileiro nos últimos cinco anos e ele está correspondendo à expectativa. Nesta sexta-feira, mostrando um perfeito equilíbrio entre consistência e agressividade, avançou a sua primeira semifinal de simples em nível Grand Slam, ao derrotar o dono da casa e o atual número 3 do mundo, diante de outra tarde infernal em Nova York, com sensação térmica de 37 graus. O pupilo de Guilherme Teixeira não abriu brechas no terceiro set e foi oportuno na hora de quebrar.

Fonseca volta na tarde desta sexta-feira para enfrentar o italiano Federico Cina, ainda mais jovem que ele, de apenas 16 anos, e responsável pela queda do número 1 do mundo, o russo Yaroslav Demin. Em caso de terceira vitória sobre Cina nos confrontos diretos, João se tornará o segundo brasileiro de mais baixa idade a atingir uma final de Slam. Ele está com 17 anos e 17 dias, marca apenas inferior à do alagoano Tiago Fernandes, que festejou 17 anos quando venceu sua semi no Australian Open de 2010 e no dia seguinte conquistou o histórico título.

Segundo avaliação de Mário Sérgio Cruz, no ‘Primeiro Set’, Fonseca tem chance matemática de repetir Fernandes e o gaúcho Orlando Luz e chegar ao número 1 do ranking. Isso acontecerá se for campeão ou se terminar vice, desde que o adversário não seja o norte-americano Learner Tien.

E mais

  • Luísa Stefani e a parceira Jennifer Brady entram em quadra na tarde desta sexta-feira para buscar vaga na final. Enfrentam as mesmas Siegemund e Zvonareva que venceram o torneio em 2020 e eliminaram na quarta-feira Bia Haddad e Azarenka. De qualquer forma, Stefani já garantiu a volta ao top 10.
  • Há uma chance de Stefani decidir seu primeiro Slam de duplas femininas – ela é campeã de mistas em Melbourne com Matos – diante da ex-parceira Dabrowski, que atua ao lado de Routliffe e enfrenta Hsieh e Xinyu Wang.
  • Pela primeira vez em 20 anos e a oitava desde a criação dos rankings femininos, em 1975, haverá troca simultânea de liderança em simples e duplas. Sabalenka já garantiu o posto inédito, mas a dupla ainda depende de Hsieh, que irá recuperar o número 1 em caso de título. Se não o fizer, Gauff volta à ponta junto com Pegula, esta de forma inédita.
  • Ram e Salisbury buscarão nesta sexta o tricampeonato de duplas no US Open. Eles enfrentam Ebden, campeão de Wimbledon no ano passado, e Bopanna. O indiano de 43 anos só fez uma final de Slam, lá mesmo em Nova York, em 2010, e está na sua 56ª tentativa de enfim vencer um Slam. Curiosamente, Ram detém esse recorde de espera, já que gastou 58 até conseguir o seu.
  • Bopanna também se torna o mais velho finalista de duplas em toda a Era Aberta, aos 43 anos e oito meses, superando o recorde de Nestor, que é dois meses mais novo.
  • A final de mistas de sábado terá Pegula e Krajicek contra Danilinina e Heliovaara. A número 3 do mundo ainda sonha com seu primeiro troféu de Slam.
  • Três ativistas retardaram o começo do segundo set entre Gauff e Muchova e forçaram longa parada. Como havia acontecido em Washington, o protesto era contra o aquecimento global. Um dos manifestantes se colou ao chão do estádio e daí a demora para ser retirado.
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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