Rock clássico e mente sã: Conheça Iga Swiatek
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 11, 2020 às 7:21 am
Swiatek conquistou o primeiro título de Grand Slam, com uma campanha muito dominante (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Swiatek conquistou o primeiro título de Grand Slam, com uma campanha muito dominante (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Como tem sido comum nos últimos anos, o mundo do tênis apresentou uma nova campeã de Grand Slam. Iga Swiatek conquistou o título de Roland Garros no último sábado exibindo um tênis vistoso, com muitos recursos e variações táticas. Jovem de apenas 19 anos, Swiatek não perdeu sets no torneio e cedeu apenas 28 games em Paris. Foi a campanha mais dominante desde o título de Steffi Graf em 1988, com somente 20 games perdidos.

Fora das quadras, a promissora polonesa se destaca pela personalidade tranquila, mas sempre muito centrada em suas entrevistas, e também pelo gosto musical. Swiatek já se declarou fã de clássicos do rock como Pink Floyd, AC/DC, Bon Jovi, Guns N’ Roses e do guitarrista Carlos Santana. Sua trilha sonora em Paris foi “Welcome to the Jungle”, que a acompanhava no momento de entrar em quadra.

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“Antes do jogo eu estava ouvindo ‘Welcome to the Jungle’ para manter a rotina. Na verdade, eu queria mudar um pouco, porque é chato ouvir a mesma música todos os dias, mas fiquei com o Guns N ‘Roses porque queria ganhar”, disse após a vitória sobre a italiana Martina Trevisan por 6/3 e 6/1 nas quartas de final. “Às vezes ouço algumas músicas mais calmas quando preciso baixar o nível de adrenalina, mas hoje estava com um pouco de sono antes da partida”.

Nascida em maio de 2001, a polonesa conta que adquiriu o gosto por clássicos da década de 80 de seus treinadores. “Quando era mais nova, eu viajava com muitos técnicos diferentes, da Associação Polonesa de Tênis, e cada um deles me apresentava uma coisa nova. É por isso que o meu gosto musical é assim. Gosto de todos estilos”, explicou depois de vencer Simona Halep nas oitavas por 6/2 e 6/1. “Comecei a ouvir jazz recentemente, então isso é algo novo para mim”.

Em entrevista ao site da WTA no ano passado, Swiatek já havia falado um pouco mais sobre seu estilo de música favorito. “Sou obcecada por música. Eu tenho um tipo de música para cada estado de espírito, mas eu amo o rock e amo o Pink Floyd. Minhas músicas favoritas são ‘Learning to Fly’ e ‘Comfortably Numb’ e recentemente eu tenho escutado ‘Shine On You Crazy Diamond’”, comentou durante o Premier de Toronto da última temporada. “Se eu tiver mais vontade de ouvir pop, eu gosto do ABBA. Mas também gosto do Coldplay, Florence and the Machine e do Santana. E se eu quiser algo mais agressivo, o AC/DC me deixa de bom humor. Eu tenho ouvido ‘Thunderstruck’ antes dos jogos”.

Trabalho psicológico também fez diferença
Também é importante destacar a preparação psicológica que Swiatek faz para suas partidas. Ela trabalha desde março do ano passado com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, que foi atleta profissional da vela. “Acredito que a resistência mental é provavelmente a coisa importante do tênis agora porque todas podem jogar no nível mais alto. Mas aquelas que são mais fortes mentalmente e suportam a pressão são as melhores. Então, eu sempre quis me desenvolver dessa forma”, explicou quando venceu seu jogo contra Halep em Paris.

O triunfo diante da romena aconteceu um ano depois de uma dura derrota nas oitavas de final do ano passado, em jogo que durou apenas 45 minutos. “Aquele jogo foi uma grande lição para mim. Então eu estava pensando nele de uma forma positiva, sabendo de todo o progresso que fiz nesse tempo. Não era como se eu estivesse com medo, porque eu perdi em 45 minutos no ano passado. Foi meio que uma forma de me motivar para jogar melhor”, explicou. “Basicamente, tudo foi diferente. Eu sabia que era uma grande oportunidade para mim e que poderia jogar meu melhor tênis em um grande estádio, porque já joguei outros jogos assim”.

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Ao longo do torneio, o discurso construído pela polonesa era o de muito foco nos objetivos. E até por isso, ela sentia que não deixaria abalar pela pressão. “Normalmente sou aquele tipo de tenista que joga melhor sob pressão. Acho que vai dar tudo certo. Mas há uma razão pela qual fui tão eficiente. É sério. Estou ficando super focada e não estou deixando as minhas oponentes jogarem seu melhor tênis. Então eu espero fazer isso de novo no sábado”, disse Swiatek depois de vencer a semifinal contra a argentina Nadia Podoroska por 6/2 e 6/1.

Já depois da vitória na final sobre a número 6 do mundo Sofia Kenin, com parciais de 6/4 e 6/1, a polonesa afirmou que vai conseguir lidar bem com a maior exposição que ela certamente terá nos próximos meses, e que continuará lutando por títulos importantes. “É difícil comentar sobre isso agora, porque eu preciso voltar para casa primeiro e ver o que está acontecendo na Polônia. Sei que vai ser uma loucura, mas acho que vou acostumar com isso e que não vai ser um problema para mim. Eu não tive problemas com receber mais atenção ou com as pessoas ao meu redor. Acho que vai ficar bem para mim”.

Sem convites e nem contrato de raquetes
Outros dois pontos chamaram a atenção nas entrevistas de Swiatek durante a semana. Apesar de ter sido uma juvenil de destaque, com direito a um título de Wimbledon da categoria em 2018, ela sempre teve que batalhar por vagas nos grandes torneios do tênis profissional, já que recebeu pouquíssimos convites. Além disso, a polonesa está atualmente sem contrato para fornecimento de raquetes e utiliza o mesmo modelo desde a época de juvenil.

“Estou jogando com a Prince há muito tempo e não tive tempo para mudar ou testar outras raquetes. Quando eu era mais jovem, foi difícil para me decidir. Mas estou jogando sem contrato. Em algum momento eu vou mudar isso, com certeza”, comenta a polonesa que gosta de utilizar um material mais leve, mesmo sendo uma jogadora de golpes muito potentes. “Mas sempre adorei essa raquete, então continuei jogando com ela. Na verdade, não sei se é mais leve que as raquetes das outras jogadoras. Estou acostumada com essa, mas acho que vamos testar mais algumas durante esta pré-temporada”.

Sobre os convites, apenas cinco na carreira profissional e só para torneios da ITF, ela diz que a situação a fortaleceu. “No começo, era muito chato, mas tive que aceitar que se você é de um país pequeno, pode ser um pouco mais difícil conseguir convites. Não temos grandes torneios na Polônia e a federação não pode trocar convites com outros países. Assim que aceitei isso, percebi que seria muito melhor se eu merecesse as vagas. Eu sabia que se jogasse bem, não importava se tivesse que jogar o quali, eu conseguiria os pontos no ranking. Sabia que se eu fosse top 50 estaria na chave de qualquer torneio que eu quisesse. Continuei trabalhando duro. No começo era muito chato, mas depois eu não me importei”.

Stricker é campeão juvenil sob as bênçãos de Federer e Wawrinka
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 10, 2020 às 9:55 pm
O canhoto Dominic Stricker venceu uma final suíça neste sábado (Foto: FFT)

O canhoto Dominic Stricker venceu uma final suíça neste sábado (Foto: FFT)

Em duelo entre dois jogadores suíços, o canhoto Dominic Stricker conquistou o título no torneio juvenil de Roland Garros. O jogador de 18 anos e número 10 no ranking da categoria venceu o compatriota Leandro Riedi por 6/2 e 6/4 na final disputada neste sábado. O resultado acabou servindo de revanche para Stricker, que havia perdido os três duelos anteriores, sendo dois no circuito juvenil e um no profissional.

Esta é a primeira final de um Grand Slam juvenil entre dois suíços. Stricker repete o feito de Stan Wawrinka, que foi campeão em 2003. Ele se tornou o oitavo tenista da Suíça a vencer um Slam juvenil. A lista conta com nomes de respeito, como Martina Hingis (com três conquistas), Roger Federer e Belinda Bencic.

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“Roger e Stan nos enviaram mensagens de texto”, disse Stricker, em entrevista ao site da ITF. Uma diferença entre eles e seus veteranos compatriotas é que nenhum dos dois jovens suíços executa o backhand com uma mão. “O Roger mandou uma mensagem para o técnico do Leandro e disse para dar os parabéns a nós dois, dizendo para a gente aproveitar essa conquista. Stan enviou mensagens para nós dois ontem, em um bate-papo para nos desejar boa sorte”.

“É incrível estar em uma lista de campeões de Grand Slam juvenil com jogadores assim”, acrescenta o canhoto de 18 anos. “Eu realmente não posso descrever como é isso. É incrível. Vamos comemorar juntos esta noite, toda a equipe suíça. Leandro e eu tivemos uma ótima semana e estou ansioso para que todos nós tenhamos um jantar juntos e aproveitar o momento”.

Jacquetmot comemora o título em casa


O título na chave feminina ficou com a francesa de 17 anos Elsa Jacquemot, sexta colocada no ranking mundial juvenil. Ela venceu a final contra a Alina Charaeva por 4/6, 6/4 e 6/2. Foi um jogo divertido de acompanhar. Mesmo sendo uma disputa típica do saibro, com ampla maioria pontos construída do fundo de quadra, a russa mostrou muita mão para executar algumas variações e a francesa teve boas intervenções junto à rede.

Jacquemot tenta é a oitava campeã da casa, e a primeira desde Kristina Mladenovic em 2009. “É simplesmente incrível. Acho que ainda não me dei conta do que conquistei”, disse a francesa, que nunca havia passado das quartas de final em um Grand Slam juvenil. “Ganhar aqui e ser a primeira francesa a fazê-lo desde 2009, isso me deixa muito feliz”.

Apesar de muito jovem, Jacquemot já está em transição para o circuito profissional. Ela ocupa o 525º lugar no ranking da WTA e recebeu convite para a chave principal de Roland Garros, sendo superada pela mexicana Renata Zarazua. “Essa vitória é um bônus para o futuro e espero que vencer aqui me ajude, mas há um longo caminho a percorrer na minha carreira”.

Natan e Oliveira ficam com o vice

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O tênis brasileiro foi bem representado pelo baiano Natan Rodrigues e o mineiro Bruno Oliveira, finalistas da chave de duplas. Os dois jogadores de 18 anos encerraram o ciclo como juvenis com o vice-campeonato. O título ficou mais uma vez com Dominic Stricker, que jogou ao lado do italiano Flavio Cobolli e venceu por 6/2 e 6/4.

“Foi uma semana fantástica. Eles jogaram muito bem. Um deles [Stricker] foi campeão de simples e, como eu falei, tivemos nossas chances, mas saímos derrotados no jogo de hoje”, disse Natan Rodrigues, em entrevista ao canal por assinatura SporTV após a partida. “Como dupla, a gente sempre ganhou muito. Estávamos sempre nas cabeças, nas semis e nas finais. Nossa dupla é muito forte. Vamos seguir juntos, com certeza, e ganhar muitos títulos no profissional”, acrescentou o baiano, que é número 7 do ranking juvenil e recentemente marcou o primeiro ponto na ATP.

O canhoto Bruno Oliveira, 41º colocado no ranking da categoria, destacou a boa semana em Paris. “É só o começo. É a recompensa de quatro anos jogando juntos. Foi uma semana de sonho por estar segurando esse troféu agora. E não quero largar. Acho que tivemos algumas oportunidades, mas eles jogaram um bom nível de tênis e mereceram ganhar. Enfim, é só trabalhar para chegar bem no profissional”.

Roland Garros tem sua final mais jovem em 17 anos
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 9, 2020 às 7:26 pm
Aos 21 anos, Sofia Kenin vai em busca do segundo título de Grand Slam (Foto: Nicolas Gouhier)

Aos 21 anos, Sofia Kenin vai em busca do segundo título de Grand Slam (Foto: Nicolas Gouhier)

Pelo segundo ano consecutivo, a nova geração do circuito marca presença na final feminina de Roland Garros. A norte-americana Sofia Kenin e a polonesa Iga Swiatek decidem o título do Grand Slam francês a partir das 10h (de Brasília) deste sábado. Aos 21 anos e número 6 do mundo, Kenin busca seu segundo título de Slam. Ela já foi campeã do Australian Open no início da temporada. Já Swiatek, de apenas 19 anos e 54ª colocada, faz o melhor resultado da carreira.

Kenin e Swiatek nunca se enfrentaram pelo circuito profissional, mas já duelaram há bastante tempo nas quadras de saibro em Paris. Elas se enfrentaram pelo torneio juvenil de Roland Garros em 2016 e a polonesa, então com 16 anos, venceu o duelo por 6/4 e 7/5.

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“Lembro que perdi, mas não me lembro de como eu joguei. Mas posso dizer que me sentia menos confortável no saibro do que agora, ou como no ano passado, quando eu comecei a jogar melhor”, disse Kenin, depois da vitória na semifinal sobre a tcheca Petra Kvitova na última quinta-feira. “Não me lembro do que aconteceu no jogo. É claro, nós dois somos jogadoras diferentes e eu tenho que descobrir o que ela faz. Ela teve duas ótimas semanas aqui, com ótimos resultados e está jogando muito bem”.

Roland Garros não tinha uma final entre duas jogadoras tão jovens desde 2003, no duelo entre as belgas Justine Henin e Kim Clijsters. Na época, a campeã Henin tinha 21 anos e sua compatriota estava com 20. Já a última final de Grand Slam com duas atletas tão foi no Australian Open de 2008, quando Maria Sharapova e Ana Ivanovic tinham apenas 20 anos e a russa foi campeã. No ano passado em Paris, a australiana Ashleigh Barty venceu seu primeiro Slam aos 23 anos. Sua rival foi a canhota tcheca Marketa Vondrousova, então com 19 anos.

Estilos de jogo das finalistas
Se não há um exato contraste de estilos, já que as duas jogadoras são mais familiarizadas com o jogo de fundo de quadra, vale destacar a variedade de recursos de Swiatek. A polonesa consegue adaptar seu jogo para atuar de forma mais agressiva, quando necessário, já que tem muita potência nos golpes, ou fazer um cheio de variações. Ela tem facilidade para quebrar ritmo com slices e utilizar os drop shots. Ao longo do torneio, enfrentou rivais com estilos muito distintos e se saiu muito bem.

Kenin aposta mais na consistência, mas também tem uma ótima leitura de jogo. Na semifinal contra Kvitova, a norte-americana sabia que não poderia competir com a tcheca na pancadaria, e tentou devolver os saques da rival um pouco mais próxima da linha de base e entrou em quadra ciente de que suas bolas não poderiam ficar curtas. Mesmo dando alguns pontos de graça, manteve-se fiel à tática até o fim.

Pontos, ranking e premiação
É certo que Swiatek terá o melhor ranking da carreira. Com 1.300 pontos já garantidos, ela está saltando para o 24º lugar do ranking. Se for campeã, a polonesa leva 2 mil pontos e entrará no top 20, ocupando a 17ª posição. Já Kenin está igualando o melhor ranking da carreira, ao atingir o quarto lugar, e pode ser a número 3 do mundo em caso de título.

O título de Roland Garros rende uma premiação de 1,6 milhão de euros, ou US$ 1,9 milhão. Já a vice-campeã recebe 800 mil euros, o equivalente a US$ 950 mil. O prêmio acumulado na carreira profissional de Kenin é de US$ 6,2 milhões. Já Swiatek tem US$ 1,6 milhão.

Polonesa ainda não perdeu sets
Swiatek ainda não perdeu sets nesta campanha em Roland Garros. A polonesa cedeu apenas 23 games nos seis jogos anteriores do torneio. A última campeã sem perder sets foi Justine Henin em 2007. Já a campeã com menor número de games perdidos por Steffi Graf em 1988, com apenas 20 games perdidos.

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Há uma diferença significativa de tempo em quadra entre as duas jogadoras. Swiatek passou exatamente 7h em quadra durante o torneio. Em média, seus jogos duraram 1h10. Kenin disputou 16 sets em Roland Garros, venceu 12 e perdeu quatro. A norte-americana passou 10h34 em quadra, com média de 1h46 de duração em cada partida.

Lado mental tem ajudado Swiatek

Algoz de Simona Halep, principal cabeça de chave do torneio nas oitavas de final, Swiatek destaca bastante sua evolução no aspecto mental do jogo. A polonesa tem um trabalho de longo prazo com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, que foi atleta profissional da vela. “Trabalhei com alguns outros psicólogos quando era mais jovem, mas a Daria foi a melhor, porque ela me entende e me conhece muito bem. Ela também foi atleta e treinadora, então faz o pacote completo. Ela me fez mais inteligente e agora sei mais sobre o esporte. Então, ela aumenta o meu nível de confiança”, comentou logo após a vitória sobre Halep no último domingo.

“Acredito que a resistência mental é provavelmente a coisa importante do tênis agora porque todas podem jogar no nível mais alto. Mas aquelas que são mais fortes mentalmente e suportam a pressão são as melhores. Então, eu sempre quis me desenvolver dessa forma”, explica a polonesa. Desde que superou Halep, Swiatek soube atuar como favorita nas fases seguintes. Ela enfrentou a italiana Martina Trevisan e argentina Nadia Podoroska, ambas vindas do qualificatório, e venceu com bastante tranquilidade. “Conversei com Daria sobre isso, mas mantive minha mentalidade das partidas anteriores. Eu fui apenas me concentrando no tênis, e não que eu estava jogando nas quartas de final e nem que estava enfrentando uma menina com ranking mais baixo”.

Mesmo sendo uma juvenil de destaque, teve poucos convites
Apesar de ter sido uma juvenil de destaque, com direito a um título de Wimbledon da categoria em 2018, Swiatek sempre teve que batalhar para disputar os grandes torneios do tênis profissional. Em toda sua carreira recebeu apenas cinco convites, e só para torneios do circuito da ITF, mas diz que a situação a fortaleceu.

“No começo, era muito chato, mas tive que aceitar que se você é de um país pequeno, da Europa Central ou Leste Europeu, pode ser um pouco mais difícil conseguir convites, porque não temos grandes torneios na Polônia e a federação não pode trocar convites com outros países. Assim que aceitei isso, percebi que seria muito melhor se eu merecesse as vagas e apenas continuei trabalhando. Eu sabia que se jogasse bem, não importava se tivesse que jogar o quali, eu conseguiria os pontos no ranking. Sabia que se eu fosse top 50 estaria na chave de qualquer torneio que eu quisesse. Continuei trabalhando duro. No começo era muito chato, mas depois eu não me importei”.

Kenin sofreu um duplo 6/0 há três semanas

Em uma temporada muito atípica do circuito, em razão da pandemia da Covid-19, houve apenas um grande torneio preparatório para Roland Garros. Há três semanas, as principais jogadoras do circuito estavam em Roma. Kenin sofreu uma dura derrota ainda na estreia, um duplo 6/0 para Victoria Azarenka em apenas 61 minutos. A norte-americana explica que retira lições desse jogo, mesmo sem ter nenhuma vontade de assistir ao vídeo.

“Quando eu perco uma partida, não gosto de assistir a mim mesma. Já é assim até quando venço, na verdade. Não gosto de me assistir. E esse jogo de Roma eu nunca quis ver. É claro que a Vika jogou muito bem e eu não vou para tirar qualquer mérito dela. Ela estava jogando um ótimo tênis e eu obviamente senti que não consegui encontrar meu jogo. Depois disso, viemos para Paris e eu tive uma semana ou mais para treinar e acostumar com o saibro e tentei não pense sobre esse jogo. Mas, sim, esse é um jogo que eu nunca vou assistir (sorrindo). Foi um desastre.

Seis norte-americanas já venceram Roland Garros
Na Era Aberta, seis jogadoras norte-americanas já foram campeãs de Roland Garros. A mais recente foi a tricampeã Serena Williams, que triunfou pela última vez em 2015. Jennifer Capriati, Chris Evert, Martina Navratilova, Billie Jean King e Nancy Richey já venceram em Paris. Já em 2018, Sloane Stephens foi vice.

Já Swiatek tenta dar o primeiro de Grand Slam em simples para a Polônia. Ela já repetiu a campanha de Jadwiga Jedrzejowska, vice-campeã de Roland Garros no distante ano de 1939. Recentemente, em 2012, a ex-número 2 do mundo Agnieszka Radwanska foi finalista de Wimbledon.

 

Revanche contra Halep ilustra evolução de Swiatek
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 4, 2020 às 6:54 pm
Swiatek conseguiu superar Halep um ano depois da dura derrota (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Swiatek conseguiu superar Halep um ano depois da dura derrota (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Há pouco mais de um ano, na edição passada de Roland Garros, Iga Swiatek chegava pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam. Então com 18 anos, e ocupando apenas o 104º lugar do ranking, a jovem polonesa sofreu uma dura derrota para Simona Halep por 6/1 e 6/0 em apenas 45 minutos. As duas jogadoras voltaram a se encontrar neste domingo, novamente nas oitavas em Paris, e novamente a romena era favorita e vinda de 17 vitórias consecutivas. Mas desta vez, Swiatek deu sinais claros de seu amadurecimento no circuito e despachou a número 2 do mundo com parciais de 6/1 e 6/2 em apenas 1h07 de partida.

Basicamente, tudo foi diferente. Eu sabia que era uma grande oportunidade para mim e que poderia jogar meu melhor tênis em um grande estádio porque eu já joguei umas quatro partidas assim”, disse Swiatek, agora número 54 do ranking. Ao longo deste ano, a polonesa foi ganhando experiência em jogos grandes. Ela já derrotou Caroline Wozniacki no ano passado no Canadá e fez bons jogos contra Naomi Osaka e Victoria Azarenka.

“Agora estou mais experiente, posso lidar com a pressão. Sinto que evoluí para jogar uma partida como essa e ganhar. Então tudo correu bem. Fiz tudo que meu treinador me falou sobre táticas. Então foi uma partida perfeita para mim”, acrescenta a jovem jogadora, que marcou sua primeira vitória contra top 10 na carreira.

Swiatek explica que a partida do ano passado serviu como uma forma de motivação, para extrair coisas positivas. “Eu estava pensando nisso, porque aquele jogo foi uma grande lição para mim. Então eu estava pensando de uma forma positiva, sabendo de todo o progresso que fiz nesse tempo. Não era como se eu estivesse com medo porque eu perdi em 45 minutos no ano passado. Foi meio que uma forma de me motivar para jogar melhor”.

As declarações vão ao encontro do que ela própria havia dito quando perdeu para Halep no ano passado. “Obviamente é muito diferente enfrentar uma jogadora como Simona do que assisti-la na TV”, comentou após a derrota em 2019. “A maior coisa que mais me surpreendeu foi sua capacidade de jogar numa direção que eu não estava preparada. Quando eu sentia que ela ia jogar na cruzada, ela jogava na paralela, e eu não estava pronta para isso. Acho que mentalmente talvez eu não estivesse pronta. Mas isso é uma coisa normal. Sou muito jovem e terei muitas oportunidades para aprender. Se eu quiser jogar em um nível como o dela, eu tenho que me acostumar com isso”.

Polonesa tem muitos recursos e diferentes planos de jogo
Durante a partida contra Halep, Swiatek mostrou um tênis agressivo e tentava sempre a definição dos pontos. Ela fez 30 winners contra apenas 12 de Halep e 20 erros não-forçados, cinco a mais que a rival. Também pressionou o saque da romena o tempo todo, com quatro quebras e 10 break points e não teve o serviço ameaçado.

Mas o jogo da polonesa não se resume à potência dos golpes. Ela também tem outros recursos técnicos e facilidade para mudar o estilo de jogo. Nos últimos meses, já foi possível ver Swiatek entrando em quadra com muitas variações, utilizando drop shots, slices e indo à rede, como também foi capaz de vencer jogos com um estilo mais conservador do fundo de quadra, jogando no erro da adversária. A qualidade de pensar o jogo e criar diferentes estratégias é uma grande virtude.

Trabalho psicológico fez a diferença
No aspecto mental do jogo, Swiatek dá todos os méritos à psicóloga esportiva Daria Abramowicz, que foi atleta profissional da vela, e foi anunciada para sua equipe em março do ano passado. “Tenho uma psicóloga na minha equipe há mais ou menos dois anos. Não me lembro ao certo. Acredito que a resistência mental é provavelmente a coisa importante do tênis agora porque todas podem jogar no nível mais alto. Mas aquelas que são mais fortes mentalmente e suportam a pressão são as melhores. Então, eu sempre quis me desenvolver dessa forma”.

“Eu fui trabalhando com alguns outros psicólogos quando era mais jovem, mas a Daria foi a melhor, porque ela me entende e me conhece muito bem. Acho que ela pode ler a minha mente, o que é estranho, explica a jovem polonesa. “Ela também foi atleta e treinadora, então ela faz o pacote completo. Ela me fez mais inteligente, eu sei mais sobre o esporte e mais sobre psicologia e posso entender meus próprios sentimentos e dizê-los em voz alta. Então, ela aumenta o meu nível de confiança”.

Durante a primeira semana de Roland Garros, Swiatek já venceu a canhota tcheca Marketa Vondrousova (finalista no ano passado), e também passou pela veterana taiwanesa Su-Wei Hsieh e pela ex-top 5 Eugenie Bouchard. Sua próxima rival é a italiana vinda do quali Martina Trevisan, uma das surpresas do torneio e número 159 do ranking. Trevisan já venceu sete jogos seguidos em Paris e vem de uma expressiva vitória sobre a número 8 do mundo Kiki Bertens. Elas já se enfrentaram duas vezes, com uma vitória para cada lado.

“Eu já joguei contra ela em um ITF há alguns anos e perdi. Foi uma partida em Varsóvia, então eu estava muito estressada porque era na minha cidade natal e eu queria jogar bem. Mas eu acho que isso não vai importar, porque já faz muito tempo e agora estamos em um lugar totalmente diferente. É muito bom que ela tenha chegado às quartas de final depois de ter jogado o quali. Quero dizer, é incrível. Ainda não pude ver os jogos dela, porque estou tentando me concentrar apenas no meu tênis e descansar quando puder. Então, vamos nos preparar amanhã provavelmente e meu treinador vai me contar tudo sobre a tática”.

Sinner lidera a nova geração nas oitavas em Paris
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 2, 2020 às 8:52 pm
Escolhido como a revelação da última temporada, Sinner faz seu melhor resultado em Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Escolhido como a revelação da última temporada, Sinner faz seu melhor resultado em Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Escolhido pela ATP como o tenista revelação da temporada passada, Jannik Sinner consegue o melhor resultado de sua carreira em um Grand Slam. O jovem italiano de 19 anos e número 75 do mundo garantiu seu lugar nas oitavas de final de Roland Garros depois de vencer o argentino Federico Coria por 6/3, 7/5 e 7/5.

Sinner já havia despachado o belga David Goffin, número 13 do mundo, na rodada de estreia. Já na segunda fase, confirmou o favoritismo contra o francês vindo do quali Benjamin Bonzi. Até então, o italiano tinha apenas uma vitória em chave principal de Grand Slam, obtida no Australian Open deste ano.

A rápida evolução de Sinner no circuito começou no ano passado. Ele partiu do 551º lugar no ranking no início da temporada, mas já era top 100 em outubro. No caminho, venceu três challengers e dois futures, além de ter furado o quali do US Open e disputado uma semifinal de ATP na Antuérpia. Campanhas até as quartas em Roterdã e oitavas no Masters 1000 de Roma são seus melhores resultados em 2020.

O próximo adversário é o alemão Alexander Zverev, número 7 do mundo, e também ainda muito jovem com 23 anos. O italiano tem duas vitórias contra top 10 no circuito. A mais recente foi sobre o grego Stefanos Tsitsipas em Roma, há duas semanas.

Vindo do quali, Korda vai desafiar Nadal nas oitavas
Outro jovem jogador nas oitavas de final de Roland Garros é o norte-americano Sebastian Korda, de apenas 20 anos e 213º do ranking. Depois de ter passado por um qualificatório com três rodadas, ele embalou na chave principal. Logo de cara, passou pelos veteranos Andreas Seppi e John Isner, ambos em quatro sets. Já nesta sexta-feira, venceu o espanhol Pedro Martinez por 6/4, 6/3 e 6/1.

Nas oitavas, Korda terá a difícil missão de desafiar Rafael Nadal, doze vezes campeão do Grand Slam francês, e que 96 vitórias e apenas duas derrotas no saibro parisiense. “Ele é meu maior ídolo e é uma das razões pelas quais eu jogo tênis. É um competidor inacreditável. Eu me inspiro na mentalidade dele de nunca desistir. Sempre que estou na quadra, tento ser como ele. Quando eu era mais novo, chamei meu gato de Rafa em homenagem a ele. Isso diz muito sobre o quanto eu amo esse cara”.

O jovem norte-americano tenta seguir os passos de seu pai, o ex-número 2 do mundo Petr Korda, finalista de Roland Garros em 1992 e campeão do Australian Open de 1998. No entanto, a mãe Regina Kordova também foi fundamental para sua formação como tenista. Ela jogou profissionalmente no circuito da WTA e chegou a ser número 26 do mundo em 1991 e se tornou treinadora depois que parou de jogar. O casal de ex-tenistas profissionais tem duas filhas mais velhas, Jessica (27 anos) e Nelly (22), que optaram pelo golfe e viajavam com Petr no circuito da modalidade.

“Quando eu decidi trocar o hóquei pelo tênis, meu pai viajava com a irmã. Ela estava no último ano de juvenil e primeiro como profissional. Então, eu jogava tênis com a minha mãe. Ela é provavelmente uma das maiores influências que tenho. A forma como executo os meus golpes foi toda moldada por ela. Passamos muito tempo em quadra juntos quando eu era uma criança. Provavelmente mais do que com meu pai”.

Gaston derruba Wawrinka e acumula façanhas
Um novato que já se destacou neste Roland Garros é Hugo Gaston, francês de 20 anos e ex-número 2 do ranking mundial juvenil. Convidado para a chave principal em Paris, Gaston é apenas o número 239 da ATP e conseguiu a maior vitória da carreira ao superar o suíço Stan Wawrinka, campeão de Roland Garros em 2015 e cabeça 16 do torneio, com parciais de 2/6, 6/3, 6/3, 4/6 e 6/0.

Gaston nunca havia vencido um jogo de ATP antes dessa edição de Roland Garros. E a vitória sobre Wawrinka foi a primeira em partidas de cinco sets. Último francês restante na chave, é o atleta com ranking mais baixo nas oitavas de final desde o também francês Arnaud Di Pasquale, que era o número 283 do mundo no torneio de 2002. Agora ele terá outra difícil missão, contra o número 3 do mundo Dominic Thiem.

“Tentei manter o foco no meu jogo. Acho isso muito importante para mim. Eu sou muito calmo fora da quadra e tento dar o meu melhor. Claro, no momento é incrível para mim, é um sonho. Mas tento manter o foco”, disse Gaston, após a grande vitória desta sexta-feira. “Estou muito feliz por jogar contra o Dominic. Ele é um jogador fantástico, um grande lutador. Será um jogo duro com certeza, mas vou tentar aproveitar a oportunidade”.

Promessa dinamarquesa evita comparações com Wozniacki
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 29, 2020 às 11:52 pm
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Clara Tauson, de 17 anos, venceu seu primeiro jogo de Grand Slam nesta terça-feira (Foto: Jimmie48/WTA)

Com apenas 17 anos, a dinamarquesa Clara Tauson comemorou sua primeira vitória em Grand Slam. Vinda do qualificatório em Roland Garros, a atual 188ª do ranking estreou na chave principal com a difícil missão de enfrentar a norte-americana Jennifer Brady, semifinalista do US Open e número 25 do mundo. A dinamarquesa precisou lutar por 2h45 e salvou dois match points antes de vencer a partida por 6/4, 3/6 e 9/7.

Tauson foi campeã juvenil do Australian Open no ano passado e deu um salto no ranking profissional ainda na última temporada, do 863º para o 267º lugar, conquistando quatro títulos de ITF. Este ano, foram mais duas conquistas, além de uma vitória no WTA de Praga. Sua principal inspiração é a compatriota Caroline Wozniacki, que encerrou sua carreira profissional no início desta temporada, ainda aos 29 anos, no Australian Open. Nos últimos 31 anos, Wozniacki e Tauson foram as únicas dinamarquesas a vencer partidas de Grand Slam, mas a jovem jogadora tenta evitar comparações com a ex-número 1 do mundo.

“A Dinamarca é um país muito pequeno e com pouca tradição no tênis. É claro que ela foi meu maior modelo, enquanto eu crescia. Ela conseguiu fazer sucesso e isso me fez pensar que eu poderia fazer o mesmo no circuito. Somos muito comparadas, mas eu e ela somos pessoas diferentes. Estou apenas tentando me concentrar na minha carreira”, disse Tauson, em entrevista ao site de Roland Garros. Ela conta que já treinou algumas vezes com Wozniacki no ano passado. Outro ponto em comum: A jovem dinamarquesa treina com o pai, Soren, que tenta repetir o caminho de sucesso traçado por Piotr Wozniacki.

Mas em termos de jogo, Tauson não segue o mesmo estilo de Wozniacki. Enquanto a ex-líder do ranking e campeã do Australian Open de 2018 se destacava por sua consistência do fundo de quadra e preferia construir pontos mais longos, embora tivesse incorporado alguns elementos mais agressivos ao longo da carreira, a jovem de 17 anos tenta definir cedo as jogadas. Exemplo disso foram 48 winners no duelo com Brady, sendo 30 com seu forehand.

“Jogamos uma partida incrível hoje. Provavelmente, foi o tênis da mais alta qualidade que já joguei na minha vida”, avaliou a dinamarquesa. “Eu me adaptei e acho que estou pronta para estar neste nível, mas tenho que entrar no top 100 e ainda há um longo caminho pela frente”, comenta a jovem jogadora, que agora encara a também norte-americana Danielle Collins, 57ª do mundo. “Ela bate muito forte na bola, como a Jen também foi hoje, mas talvez seja um pouco mais consistente. Nunca enfrentei meninas desse nível antes, então não posso falar muito. Mas sei que ela é uma jogadora muito boa”.


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Wozniacki já esperava pelo sucesso dos jovens
Em uma das últimas entrevistas coletivas de sua carreira, Wozniacki já se mostrava muito animada com a nova geração de seu país. Vale destacar que além de Tauson, os dinamarqueses apostam muito no Holger Rune, também de 17 anos e campeão juvenil de Roland Garros no ano passado. Outro juvenil que tenta se firmar é Elmer Moller, 50º colocado no ranking mundial da categoria.

“É incrível ver esses jovens, tanto as meninas quanto os meninos, em quadra e ver que o tênis está prosperando e indo bem. É ótimo, espero que possamos seguir em frente e espero ter provado para essaa geração mais jovem que é possível ser da Dinamarca e ser uma grande jogadora de tênis. Portanto, espero que tenhamos muitos mais no futuro”.

Jovens promessas na segunda rodada
A segunda rodada da chave feminina de Roland Garros tem outras jovens promessas e até mesmo um confronto da nova geração entre duas jogadoras de 19 anos, a eslovena Kaja Juvan e a francesa Clara Burel. Juvan é a número 103 do mundo e vem de uma expressiva vitória por duplo 6/3 sobre Angelique Kerber, enquanto a convidada Burel é a 357ª do ranking venceu seu primeiro jogo de Grand Slam na última segunda-feira sobre a holandesa Arantxa Rus por 6/7 (7-9), 7/6 (7-2) e 6/3.

Jogadora mais jovem da chave e número 51 do mundo, Coco Gauff vem de vitória sobre a cabeça 9 Johanna Konta por duplo 6/3. A norte-americana de 16 anos disputa apenas seu segundo torneio no saibro como profissional e vai enfrentar a italiana Martina Trevisan. Também na próxima fase, a canadense de 18 anos Leylah Fernandez encara a eslovena Polona Hercog, a polonesa de 19 anos Iga Swiatek terá um jogo divertido contra a taiwanesa Su-Wei Hsieh, enquanto a norte-americana de 19 anos Amanda Anisimova, semifinalista no ano passado, enfrenta a compatriota Bernarda Pera.

Destaques da nova geração superam o quali em Paris
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 25, 2020 às 8:18 pm
O jovem norte-americano de 20 anos Sebastian Korda disputará seu segundo Grand Slam (Peter Staples/ATP Tour)

O jovem norte-americano de 20 anos Sebastian Korda disputará seu segundo Grand Slam (Peter Staples/ATP Tour)

Com o término do qualificatório de Roland Garros, quatro bons nomes da nova geração masculina e uma grande revelação do tênis feminino conseguiram suas vagas na chave principal do Grand Slam francês, que já começa no próximo domingo.

Um dos que conseguiram superar as três rodadas da fase prévia foi o norte-americano de 20 anos Sebastian Korda, 212º colocado. Ele já foi líder do ranking juvenil e campeão do Australian Open da categoria em 2018, além de ser filho do ex-número 2 do mundo Petr Korda.

A vaga de Korda em Paris foi confirmada após a vitória por 7/5 e 6/2 sobre o russo Aslan Karatsev. Antes disso, ele havia vencido o norte-americano Mitchell Krueger e o canadense Brayden Schnur. Sua estreia na chave principal será contra o italiano Andreas Seppi. Será o segundo Grand Slam para o norte-americano, que jogou o US Open como convidado.

Outro jovem norte-americano a avançar foi Michael Mmoh. O jogador de 22 anos e 177º do ranking venceu na rodada final do quali o argentino Renzo Olivo por 7/6 (8-6) e 6/4. Também havia superado o australiano Alex Bolt e o tcheco Lukas Rosol. Agora, enfrentará o francês Pierre-Hugues Herbert. Mmoh já jogou sete Grand Slam, mas nunca havia disputado a chave principal de Roland Garros.

Já o tcheco de 19 anos Tomas Machac, 252º do ranking, conseguiu uma inédita classificação para um Grand Slam. Ele venceu o português Frederico Ferreira Silva por 7/6 (8-6) e 6/4 na rodada final do quali, depois de ter passado por Julian Lenz e Go Soeda. Seu primeiro adversário na chave principal será Taylor Fritz.

Quem também disputará seu primeiro Grand Slam é o austríaco Jurij Rodionov, canhoto de 21 anos e 169º do ranking. A vaga foi confirmada depois da vitória sobre o compatriota Sebastian Ofner por 6/4, 3/6 e 6/3. Na chave principal, ele desafia o francês Jeremy Chardy.

Tauson disputa o primeiro Slam aos 17 anos


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No feminino, o destaque fica para a dinamarquesa de 17 anos, ex-líder do ranking mundial juvenil e já 187ª colocada na WTA. Tauson vinha de vitórias sobre a romena Gabriela Talaba e sobre a italiana Elisabetta Cocciaretto. Nesta sexta-feira, superou a sérvia Ivana Jorovic por 7/6 (7-5) e 6/4.

Tauson foi campeã juvenil do Australian Open no ano passado e deu um salto no ranking profissional ainda na última temporada, do 863º para o 267º lugar, conquistando quatro títulos de ITF. Este ano, foram mais duas conquistas, além de uma vitória no WTA de Praga. Sua estreia em Roland Garros será contra a norte-americana Jennnifer Brady, semifinalista do US Open.

Jovens francesas ganham chance em Paris
A chave principal feminina de Roland Garros tem outras cinco estreantes em Grand Slam, entre elas a convidada francesa de 16 anos Elsa Jaacquemont, atual número 6 do ranking juvenil e apenas 522ª colocada na WTA. Sua adversária na estreia é a mexicana de 22 anos Renata Zarazua, 178ª do ranking e que furou o quali para também disputar seu primeiro Slam.

A lista de convidadas também contempla as francesas Diane Parry e Clara Burel, ambas ex-líderes do ranking mundial juvenil. Parry, de 18 anos e 277ª do ranking, disputa Roland Garros pelo segundo ano seguido. Na temporada passada, ela aproveitou a chance e venceu um jogo na chave principal. Agora, encara a eslovena Polona Hercog, vencedora de três torneios da WTA no saibro. Já Burel, de 19 anos e 415ª do ranking, só havia atuado no Australian Open e fará sua estreia em Roland Garros contra a holandesa Arantxa Rus.

Naomi Osaka é o retrato de sua geração
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 14, 2020 às 6:15 pm
Osaka tem três Grand Slam, é a atleta mais bem paga do mundo, mas também atua em causas relevantes (Simon Bruty/USTA)

Osaka tem três Grand Slam, é a atleta mais bem paga do mundo, mas também atua em causas relevantes (Simon Bruty/USTA)

Campeã pela segunda vez no US Open e agora dona de três títulos de Grand Slam, Naomi Osaka é o símbolo de uma nova geração. Apesar de ter apenas 22 anos e de estar absolutamente focada no tênis, Osaka tem plena consciência de seu papel como personalidade público e utiliza o espaço que tem para conscientizar o meio de tênis a respeito das causas que defende.

O engajamento não abalou o foco de Osaka, que venceu 11 jogos seguidos nas últimas três semanas de torneios, tendo perdido apenas seis sets nesse período. Ela ganhou uma premiação de US$ 3 milhões pelo título do US Open, ampliando um prêmio acumulado na carreira, que já passa de US$ 17,7 milhões. A japonesa, vale destacar, é a atleta mais bem paga do mundo. Segundo levantamento da Forbes, ela recebeu mais de US$ 37,4 milhões nos últimos doze meses, sendo que mais de US$ 34 milhões vêm de patrocínios e contratos publicitários.

No momento em que vivemos, cada vez mais as marcas tentam se posicionar a respeito de causas sociais relevantes e se posicionar para novos públicos. Durante muitos anos, nos acostumamos a ver personalidades públicas fugindo de temas importantes, muitas vezes pelo temor de afugentar seus patrocinadores. O cenário hoje é diferente, e declarar seu posicionamento é cada vez mais incentivado. Atualmente, Osaka é porta-voz de marcas como a Procter & Gamble, All Nippon Airways e Nissin, que também são apoiadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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Nas três semanas em que os olhos do tênis estavam voltados para a “bolha” da modalidade em Nova York, Osaka foi protagonista dentro e fora de quadra. Além do título do Grand Slam norte-americano e da chegada à final do Premier de Cincinnati -excepcionalmente transferido para o complexo Billie Jean King- a japonesa também encabeçou protestos condenando o racismo e violência policial contra os negros nos Estados Unidos e por maior justiça social no país.

“Antes de ser uma atleta profissional, sou também uma mulher negra. E como mulher negra, eu sinto que tem coisas mais importantes e que merecem atenção mais imediata do que me ver jogar uma partida de tênis” escreveu Osaka em suas redes sociais em 26 de agosto, uma quarta-feira à noite. “Se eu conseguir promover essa conversa em um esporte majoritariamente branco, acho que é um passo na direção certa. Assistir ao genocídio da população negra nas mãos da polícia embrulha o meu estômago. Estou exausta de ter que postar uma nova hashtag a cada poucos dias e extremamente cansada de ter as mesmas conversas o tempo todo. Quando isso vai parar?”

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Na ocasião, Osaka fazia um comunicado de que não entraria em quadra para enfrentar a belga Elise Mertens na semifinal de Cincinnati marcada para o dia seguinte. A declaração da japonesa acompanhava o boicote iniciado pelos jogadores de basquete da NBA e que foi apoiado por atletas de outras ligas esportivas norte-americanas, como a MLB (beisebol) e MLS (futebol). Os protestos começaram após a repercussão do caso de Jacob Blake, homem de 29 anos, que levou sete tiros pelas costas durante abordagem policial na cidade de Kenosha, em Wisconsin. A direção do torneio apoiou a causa proposta pela jogadora e paralisou as competições por um dia.

Esta não havia sido a primeira manifestação pública de Osaka contra a violência policial nos Estados Unidos. A japonesa, que mora e treina na Flórida, participou de protestos de rua após a morte de George Floyd, asfixiado por um policial branco em Minneapolis.

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“Eu só queria criar consciência. Eu me senti como a NBA, em que as pessoas falam sobre isso e todo mundo usa as camisetas. Então, eu só queria criar essa consciência na bolha do tênis. E acho que fiz meu trabalho”, comentou Osaka, em entrevista coletiva após a vitória sobre Mertens, em 28 de agosto. “Antes eu pensava que só o Big 3 (Djokovic, Nadal e Federer) e a Serena tivessem esse poder. Mas também, ao mesmo tempo, reconheço o fato de que talvez a WTA e a ATP quisessem fazer algo assim, mas precisavam de um empurrão de um jogador. Então, talvez eu fosse esse essa jogadora. Eu acho que é definitivamente muito legal da parte deles fazerem isso e estarem abertos a mudanças por questões sociais”.

Osaka também acredita que outras atletas de gerações mais jovens têm mais facilidade para se expressar sobre temas relevantes. Ela destacou especialmente a norte-americana de 16 anos Coco Gauff, que também participou de marchas contra o racismo e também é bastante ativa em suas manifestações. “Sinto que os jogadores estão usando mais a voz, especialmente a Coco. Eu a amo por isso. Ela parece estar assumindo o comando dentro e fora da quadra, então é muito bom ver. Talvez esta geração de tenistas não tenha muito medo das consequências de falar o que pensa. Seria muito bom ver isso”.

As sete máscaras em Nova York

Japonesa utilizou sete máscaras com nomes de vítimas de racismo

Japonesa utilizou sete máscaras com nomes de vítimas de racismo

Durante o US Open, Osaka aproveitou a visibilidade de fazer os sete jogos no Arthur Ashe Stadium, incluindo cinco partidas nas sessões noturnas, e lembrou os nomes de sete vítimas de violência policial ou de crimes de ódio no país. Casos de muita repercussão deste ano, como os do próprio George Floyd e de Breonna Taylor foram lembrados.

Os demais homenageados são Elijah McClain, Trayvon Martin, Ahmaud Arbery, Philando Castile e Tamir Rice. Chama atenção o caso de Ahmaud Arbery, morto a tiros enquanto se exercitava em uma rua residencial em Brunswick, na Geórgia. A promotoria do caso trabalha com a possibilidade de a execução ter sido feita por supremacistas brancos. O homenageado da final, Tamir Rice, era uma criança de apenas 12 anos e que morreu baleada por um policial, enquanto carregava uma arma de brinquedo.

Familiares dessas vítimas estiveram em contato com Osaka. Ela falou diretamente com Sybrina Fulton, mãe de Travyon Martin, e Marcus Arbery, pai de Ahmaud Arbery. Ambos demonstraram apoio ao trabalho de conscientização proposto pela japonesa. “Isso significa muito. Sinto que eles são tão fortes. Não tenho certeza do que seria capaz de fazer se estivesse no lugar deles. Mas sinto que sou como um navio neste momento, com a missão de viajar para espalhar a consciência. Não vai diminuir a dor que eles sentem, mas espero poder ajudar com tudo o que eles precisarem”, comentou Osaka em entrevista à ESPN norte-americana.

Já em seu discurso na cerimônia de premiação do US Open, Osaka foi perguntada sobre qual mensagem gostaria de deixar: “Acho que a questão mais adequada é ‘Qual a mensagem que você recebeu?’ O importante foi fazer as pessoas começarem a falar”, disse a japonesa. “Eu fiquei o tempo todo dentro da bolha, então não sei o que está acontecendo no mundo exterior. Tudo o que eu acompanhei é o que eu vejo nas redes sociais, mas sinto que tem mais gente falando sobre isso”.

Jovem Campeão superou o câncer

Outra conquista de um jovem tenista no US Open veio no torneio de tênis em cadeira de rodas. O holandês de 20 anos Sam Schröder conquistou seu primeiro título de Grand Slam na divisão Quad, destinada aos atletas com deficiência em três ou mais membros. Ele venceu a final contra o favorito australiano Dylan Alcott por 7/6 (7-5), 0/6 e 6/4. Schröder sofre de uma rara doença genética chamada, caracterizada pela falta de alguns dedos das mãos e dos pés. Além disso, ele batalhou contra um câncer de cólon em 2017.

+ Cadeirantes destacam apoios de Murray e Federer
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A inclusão das competições para cadeirantes no US Open de 2020 foi uma vitória para os atletas da modalidade. Os eventos não constavam nos planos da direção do torneio, que diminuiu o número de eventos na edição deste ano, com os cancelamentos do quali, do juvenil e das duplas mistas. Os jogadores também criticaram o torneio pelo fato de não terem sido consultados sobre o assunto.

Alcott, que é bicampeão do US Open o líder do ranking mundial na divisão Quad, foi quem liderou as queixas dos atletas da modalidade. Após conversas com a USTA e com a ITF e o apoio de outros tenistas profissionais nos bastidores, especialmente Andy Murray, a direção do US Open voltou atrás e incluiu a disputa no cronograma do torneio.

https://twitter.com/AustralianOpen/status/1305273406112190465

US Open tem mais jovens nas oitavas em 19 anos
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 6, 2020 às 2:41 pm
Aos 20 anos, Aliassime é o mais jovem nas oitavas e faz melhor campanha em Slam (Foto: Adam Glanzman/USTA)

Aos 20 anos, Aliassime é o mais jovem nas oitavas e faz melhor campanha em Slam (Foto: Adam Glanzman/USTA)

Com a definição dos 16 classificados para as oitavas de final do US Open, é certo que a edição deste ano é com maior número de jogadores nessa fase nos últimos 19 anos. Em uma temporada atípica, com várias desistências, dez tenistas com até 24 anos estão nas oitavas. Isso não acontecia desde 2001 em Nova York. Além disso, o último Grand Slam com tantos jovens nas oitavas foi o Australian Open de 2009.

O jogador mais jovem nas oitavas de final é o canadense Felix Auger-Aliassime, que completou 20 anos em agosto e faz sua melhor campanha em Grand Slam. Algoz do brasileiro Thiago Monteiro na estreia, Aliassime teve uma atuação de gala contra Andy Murray na segunda rodada e bateu o jovem francês Corentin Moutet na fase seguinte.

Três jogadores com 21 anos estão nas oitavas. Um deles é o também canadense Denis Shapovalov, que iguala o resultado de 2017 depois de ter vencido uma batalha de cinco sets contra Taylor Fritz. Com a mesma idade nas oitavas, estão o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, que faz seu melhor resultado em Slam, e também o australiano Alex De Minaur.

Tiafoe é o último norte-americano na chave

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O último norte-americano na chave masculina de simples é Frances Tiafoe, de 22 anos. Filho de imigrantes de Serra Leoa e bastante engajado na luta contra o racismo e em outras causas sociais para tornar o tênis mais acessível em comunidades pobres, Tiafoe é também o anfitrião mais jovem nas oitavas desde Donald Young, em 2011.

Outro atleta de 22 anos nas oitavas de final do US Open é o russo Andrey Rublev, que já tem até um resultado melhor no torneio. Ele já foi às quartas em 2017. Já com 23 anos, estão nas oitavas o alemão Alexander Zverev e croata Borna Coric, dois dos principais expoentes da nova geração.

Dois jovens jogadores de 24 anos tentam repetir as ótimas campanhas da temporada passada. O russo Daniil Medvedev foi vice-campeão em 2019, enquanto o italiano Matteo Berrettini parou na semifinal no ano passado.

Apenas dois trintões nas oitavas
Por outro lado, apenas dois jogadores com mais de 30 anos estão nas oitavas de final. Um deles é o número 1 do mundo Novak Djokovic, tricampeão do US Open e vencedor de 17 títulos de Grand Slam. O sérvio completou 33 anos em maio e é o único campeão de Slam restante na chave.

O segundo mais velho nas oitavas é o canadense Vasek Pospisil, de 30 anos. Ele vem de boas vitórias contra Milos Raonic e Roberto Bautista Agut. Esse o menor número de trintões nas oitavas do US Open desde 2011, com Roger Federer e Juan Carlos Ferrero. Já o último Grand Slam com dois jogadores com mais de 30 anos nas oitavas foi o Australian Open de 2013, com o mesmo Federer e também David Ferrer.

Alcaraz conquista seu 1º challenger aos 17 anos
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 5:48 pm

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Grande esperança para o futuro do tênis espanhol, Carlos Alcaraz conquistou neste domingo o primeiro título de challenger da carreira. O jovem jogador de apenas 17 anos foi campeão no saibro de Trieste, na Itália, depois de vencer o anfitrião anfitrião de 27 anos Riccardo Bonadio, 408º do ranking, por 6/4 e 6/3.

Alcaraz vinha de uma vitória muito difícil na semifinal, em duelo da nova geração contra o italiano de 18 anos Lorenzo Musetti por 7/5, 2/6 e 6/3. Atual 310º do ranking, o promissor jogador espanhol vai receber 100 pontos na ATP e dar um salto no ranking, aproximando-se do top 200. Uma de suas metas é estar no quali de Roland Garros.

Antes deste torneio, Alcaraz tinha apenas sete vitórias em torneios de nível challenger, todas elas conquistadas no ano passado. Mas alguns desses triunfos foram expressivos, contra rivais do top 200, como Pedro Martinez e Yannick Hanfmann. No início deste ano, recebeu convite para o Rio Open, como parte do acordo com a IMG, e conseguiu sua primeira vitória na ATP sobre o top 50 Albert Ramos-Vinolas. No ano passado, também atuou Brasil, ainda como juvenil no Banana Bowl e no Campeonato Internacional de Porto Alegre.

Feitos próximos de Nadal, Zverev e Aliassime
A primeira vez que Alcaraz chamou a atenção do mundo do tênis foi em abril do ano passado, quando ele estava ainda com 15 anos. A vitória sobre Martinez, então número 140 do ranking, o colocou ao lado de outros grandes nomes do tênis. Desde o ano 2000, apenas cinco jogadores dessa idade conseguiram vencer jogos contra adversários do top 200. Ele se juntou a Rafael Nadal, Richard Gasquet, Ryan Harrison e Bernard Tomic.

Aos 17 anos e três meses, Alcaraz é o segundo espanhol mais jovem a vencer um challenger. Só fica atrás de Nadal, que ganhou dois torneios em 2003. O atual número 2 do mundo tinha 16 anos quando foi campeão em Barletta, e 17 anos e um mês no título de Segóvia.

Além disso, nos últimos dez anos, apenas dois jogadores mais jovens que Alcaraz venceram torneios de nível challenger. Alexander Zverev tinha 17 anos e dois meses quando foi campeão em Braunschweig na temporada 2014. Já em 2017, o canadense Felix Auger-Aliassime foi campeão em Lyon e Sevilla. O primeiro título foi aos 16 anos e o segundo aos 17 anos e um mês.

Russo é campeão em Praga
Também nesta semana, o título do challenger de Praga ficou com o russo Aslan Karatsev. O jogador de de 26 anos e 194º do ranking venceu a final contra o holandês de 24 anos Tallon Griekspoor, número 173 do mundo, por 6/4 e 7/6 (10-8). Karatsev conquistou seu segundo título de challenger em sete finais disputadas.