Líder do ranking juvenil conquista seu 1º título profissional no Brasil
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 14, 2021 às 5:01 pm

Título em Aparecida de Goiânia rende 65 pontos e deve levar Kasintseva ao top 300 (Foto: Luiz Candido/CBT)

Líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional. A jogadora de apenas 16 anos e natural de Andorra foi campeã do ITF W25 de Aparecida de Goiânia, em quadras de saibro. Kasintseva superou neste domingo a húngara Panna Udvardy, cabeça 1 do torneio e 116ª do mundo, por 6/3 e 7/5 em 1h44 de partida.

Apesar da pouca idade, Kasintseva já ocupa o 378º lugar no ranking profissional da WTA. A canhota de 16 anos foi campeã juvenil do Australian Open no ano passado e iniciou este ano sua transição para o tênis profissional. Ela jogou o quali do Australian Open, recebeu convite para o WTA 1000 de Madri, onde enfrentou a então top 10 Kiki Bertens, e disputou sua primeira final como profisisonal no ITF W60 de Gran Canária, na Espanha, onde venceu sete jogos seguidos desde o quali e só perdeu para a top 70 Arantxa Rus.

“É incrível, eu sinto que todas as pessoas estavam torcendo muito por mim. Eles fizeram a partida ser incrível. Eu estava um pouco nervosa no fim porque tive a chance de vencer, estava com 4/0, e de repente estava perdendo por 5/4. Eu precisava acordar no fim e estou muito feliz por ter superado esses momentos difíceis”, disse Kasintseva, em entrevista ao canal SporTV, que transmitiu a partida neste domingo no Country Clube de Goiás.

“No começo do ano eu defini como meta conquistar meu primeiro torneio de tênis profissional e eu consegui agora em novembro. Estou muito feliz, porque lutei muito durante o ano inteiro e finalmente agora eu consegui fazer meu objetivo se tornar realidade”, acrescenta a jovem jogadora, que passou por duas brasileiras durante a semana, Julia Konishi na estreia e Ingrid Martins nas quartas.

Depois de iniciar a temporada sem ranking, Kasintseva marcou sua 30ª vitória pelo circuito profissional em 2021 e vai receber mais 65 pontos no ranking da WTA a ser divulgado em 22 de novembro. A campanha deverá colocá-la no top 300 do mundo. Udvardy, vice-campeã do torneio, recebe 40 pontos no ranking.

Título ratifica que Alcaraz está alguns degraus acima
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 14, 2021 às 12:36 am

Alcaraz cedeu apenas um set durante os cinco jogos que fez no Next Gen ATP Finals (Foto: ATP)

A maneira como Carlos Alcaraz conquistou o título do Next Gen ATP Finals nesta semana em Milão ratifica sua condição como o grande nome entre os jovens jogadores que disputaram a competição. Em cinco jogos no torneio, o espanhol de 18 anos e já número 32 do mundo cedeu apenas um set e confirmou não apenas sua posição de principal cabeça de chave do evento, como também a diferença para os jovens em diferentes estágios de evolução no tênis profissional.

Alcaraz superou o norte-americano Sebastian Korda, 39º do ranking, na final deste sábado. E antes disso também havia passado pelo dinamarquês Holger Rune, pelos argentinos Sebastian Baez e Juan Manuel Cerundolo e também pelo norte-americano Brandon Nakashima. Apenas Cerundolo, 91º colocado, escapou de uma derrota por 3 a 0.

“Esses jogadores com menos de 21 anos estão jogando em ótimo nível. Cada um deles derrotou muitos grandes jogadores. Eles estão ganhando experiência, assim como eu. Tenho certeza de que todos esses jogadores estarão entre os 100 primeiros em breve. E com certeza eles vão jogar os melhores torneios, senão no próximo ano, em dois anos. É claro que existem diferenças entre eles e os jogadores de ponta, mas com certeza eles estarão lá muito em breve”, disse Alcaraz, durante entrevista coletiva em Milão.

“Vencer este torneio significa muito para mim. Estou muito animado e emocionado. Eu estava muito nervoso no início e tive que ficar calmo para salvar os break points no primeiro set. Sei que Korda estava sacando muito bem, então eu tive que jogar o meu melhor nesses momentos”, comenta o espanhol, após superar Korda por 4/3 (7-5), 4/2 e 4/2. O momento de maior pressão foi durante o primeiro set, em que salvou cinco break points. “Estou tentando me concentrar em cada saque. Acho que o saque é muito, muito importante neste tipo de quadra coberta e eu sabia disso. Estou tentando melhorar o saque e acho que é a chave para jogar um bom nível”.

Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, o espanhol pôde aproveitar a experiência que teve de receber instruções dentro de quadra durante as partidas desta semana. “Quando você está jogando a partida, não percebe muitas coisas. Mas fora da quadra é possível perceber as coisas melhor. Em algumas devoluções ou algumas bolas que eu errava, ele pôde me dizer como fazer melhor”, comentou jovem de 18 anos. “Juan Carlos também me disse que nos momentos difíceis você tem que jogar de forma agressiva e é isso que eu faço. Estou trabalhando também para ficar mais calmo nos momentos difíceis. Essa é a chave para vencer os pontos importantes”.

Escolhido como a Revelação do Ano em 2020 pela ATP, Alcaraz confirmou as expectativas e evoluiu muito. Ele iniciou a temporada ocupando apenas a 141ª posição do ranking. Em 2021, conquistou seu primeiro ATP em Umag e as três primeiras vitórias contra top 10, sobre Stefanos Tsitsipas, Matteo Berrettini e Jannik Sinner. Além disso, disputou os quatro Grand Slam, chegando às quartas de final do US Open.

“Foi uma temporada muito boa para mim e estou muito feliz com os momentos que vivi. Derrotei Stefanos [Tsitsipas] no US Open, cheguei às quartas de final em um Grand Slam e ganhei meu primeiro ATP. Mas acho que isso não teria sido possível sem a experiência que ganhei em Madri, jogando contra o Rafa [Nadal] ou em Acapulco, contra o [Alexander] Zverev. Foram muitos jogos que me deram muita experiência para me tornar mais maduro”.

Vice-campeão do torneio em Milão, Korda acredita que o algoz logo estará ainda melhor no ranking. “Carlos jogou incrivelmente bem. Ele definitivamente está jogando muito melhor do que seu ranking mostra e não ficará nessa posição por muito tempo”, afirma o norte-americano de 21 anos. “Tive algumas chances no primeiro set e não as aproveitei, mas ele estava apenas jogando um ótimo tênis nos momentos difíceis, especialmente no tiebreak. Foi uma grande partida dele e às vezes não há nada que eu pudesse realmente fazer”.

Espanhol começou a temporada na 141ª posição do ranking e já está na 32ª posição (Foto: Peter Staples/ATP)

Next Gen ATP Finals inicia 4ª edição nesta terça. Saiba tudo!
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 8, 2021 às 8:01 pm
Competição em Milão terá oito jogadores de até 21 anos e testa novas regras para o circuito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Competição em Milão terá oito jogadores de até 21 anos e testa novas regras para o circuito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Depois de uma edição cancelada no ano passado, por conta da pandemia e a necessidade de readequação do calendário do circuito, o Next Gen ATP Finals está de volta em 2021. A quarta edição do torneio terá oito jogadores de até 21 anos que se destacaram ao longo da temporada e começa nesta terça-feira em Milão.

A edição deste ano também contará pela primeira vez com tenistas sul-americanos, os argentinos Sebastian Baez e Juan Manuel Cerundolo, além de contar com estrelas em ascensão como Carlos Alcaraz, Holger Rune, Lorenzo Musetti, Sebastian Korda, Hugo Gaston e Brandon Nakashima. Os oito tenistas estão divididos em dois grupos, classificam-se os dois melhores de cada chave para as semifinais até a decisão do torneio no sábado.

Além de apresentar novos nomes do circuito, o evento também vai servir novamente para o teste de novas regras, que pode entrar ou não em vigor nos próximos anos.

Veja quem joga:

GRUPO A
Carlos Alcaraz: Escolhido como a Revelação do Ano em 2020 pela ATP, Carlos Alcaraz confirmou as expectativas e evoluiu muito na temporada. O espanhol de 18 anos já ocupa o 32º lugar do ranking, depois de ter iniciado a temporada na 141ª posição. Em 2021, Alcaraz conquistou seu primeiro ATP em Umag e as três primeiras vitórias contra top 10, sobre Stefanos Tsitsipas, Matteo Berrettini e Jannik Sinner.

Ele também disputou os quatro torneios do Grand Slam, furando qualis na Austrália e Roland Garros e chegando às quartas de final do US Open. Além disso, fez outros resultados de destaque como as semifinais de ATP em Marbella, Winston-Salem e Viena. O espanhol também venceu um challenger, no saibro português de Oeiras. De suas 28 vitórias em nível ATP, 27 foram conquistadas este ano.

Brandon Nakashima: O norte-americano de 20 anos iniciou a temporada no 166º lugar do ranking e já ocupa a 63ª posição. Nakashima venceu 15 jogos de nível ATP em 2021 e disputou duas finais seguidas, nas quadras duras de Atlanta e Los Cabos, em julho. Há três semanas, também fez boa campanha no ATP da Antuérpia, indo do quali até as quartas. Já em torneios challenger, conquistou dois títulos em quadras cobertas na França.

Juan Manuel Cerundolo: Canhoto de 19 anos, Juan Manuel Cerundolo praticamente só jogou no saibro durante o ano, exceto apenas pelo quali de Wimbledon, e foi recompensado com vários bons resultados. O argentino conquistou seu primeiro ATP jogando em casa, na cidade de Córdoba, mas só teve seis vitórias em nível ATP no ano. Já em torneios challenger, venceu 36 partidas, com três títulos e dois vices. Ele começou a temporada no 341º lugar e já é o número 91 do mundo.

Holger Rune: O dinamarquês de 18 anos Holger Rune foi um dos jogadores que mais evoluíram na temporada. O ex-número 1 juvenil ocupava o 474º lugar na virada do ano e atingiu nesta segunda-feira o melhor ranking da carreira, no 109º lugar. Ele conquistou quatro títulos de challenger, com 36 vitórias nesse nível, além de ter vencido seis partidas no circuito da ATP. Rune disputou seu primeiro Grand Slam no US Open, em furou o quali e teve boa apresentação contra o número 1 do mundo Novak Djokovic e também chegou às quartas no ATP de Metz. Rune chegará a Milão embalado por um título no challenger de Bérgamo, conquistado no domingo.

GRUPO B
Sebastian Korda: Mais velho entre os oito jogadores do torneio, Sebastian Korda está com 21 anos e ocupa o 39º lugar do ranking. Ele já iniciou a temporada disputando sua primeira final de ATP em Delray Beach. Meses depois, venceu seu primeiro título, no saibro de Parma. Ele venceu 27 jogos na elite do circuito, duas sobre top 10 contra Roberto Bautista Agut e Diego Schwartzman, e teve outros bons resultados como as quartas em Miami e oitavas em Wimbledon. Korda é o atual 39º do mundo e ocupava o 119º lugar no início do ano.

Lorenzo Musetti: Representante da casa no torneio, Lorenzo Musetti teve ótimo início de temporada, mas não vem bem no segundo semestre. Ainda assim, o italiano de 19 anos está no 58º lugar do ranking, uma posição abaixo da melhor marca da carreira. Musetti venceu 20 jogos de ATP, com destaque para a semifinal de Acapulco e as oitavas em Roland Garros, e disputou duas finais de challenger. Ele também conseguiu sua primeira vitória contra top 10. Na virada de ano, aparecia apenas no 128º lugar.

Sebastian Baez: Com um calendário focado em challengers no saibro, Sebastian Baez aproveitou bem o grande número de torneios no piso. Foram 39 vitórias, cinco títulos e três vices. Ele teve 84,8% nesse nível de competição, com apenas sete derrotas. Também marcou sua primeira vitória em chave principal de ATP, no saibro de Hamburgo. O argentino de 20 anos saltou do 309º para o atual 111º lugar do ranking. Seus únicos torneios fora do saibro foram os qualis de Wimbledon e US Open.

Hugo Gaston: Embalado por uma ótima campanha no Masters 1000 de Paris, em que foi do quali até as quartas de final, Hugo Gaston saltou 36 posições no ranking e está agora com o melhor ranking da carreira no 67º lugar. O francês de 21 anos conseguiu nove vitórias na ATP e mais 32 em challenger, disputando quatro finais, mas ficando com quatro vices. Ele ocupava o 162º lugar do ranking na virada do ano.

Confira a programação do primeiro dia do torneio:

Allianz Cloud – 10h
[4]Brandon Nakashima (EUA) vs. [5]Juan Manuel Cerundolo (ARG)
Não antes de 11h
[1]Carlos Alcaraz (ESP) vs. [7]Holger Rune (DIN)
Não antes de 15h30
[2]Sebastian Korda (EUA) vs. [8]Hugo Gaston (FRA)
[3]Lorenzo Musetti (ITA) vs. [6]Sebastian Baez (ARG)

Transmissão: ESPN e Star+

Evento testa regras diferentes:
Como de costume desde sua primeira edição em 2017, o evento serve para testar algumas regras do circuito. Entre as novidades para este ano estão a redução do tempo de aquecimento, de quatro minutos para apenas um minuto, a presença dos técnicos em quadra, podendo instruir os jogadores e limitações de tempo médico (o jogador só pode pedir um por partida) e de idas ao banheiro (com cronômetro de três minutos).

Outras regras que já foram testadas antes foram mantidas: As partidas são disputadas em cinco sets de até quatro games, sem juízes de linha (substituídos pela marcação eletrônica), games com No-Ad e ponto decisivo nos 40-iguais, e liberdade de circulação do público durante os pontos. Pontos que já estão em vigor no circuito, como o relógio de saque e o uso de ganchos para as toalhas, também valem para o torneio.

Prêmios em dinheiro:
Apesar de o torneio não valer pontos no ranking da ATP, há uma boa premiação em dinheiro em jogo. O evento distribui US$ 1,3 milhão em prêmios e um campeão invicto pode receber US$ 400 mil. A simples participação no torneio já rende US$ 80 mil. Cada vitória na fase de grupos paga US$ 23 mil, a vitória na semi paga US$ 109 mil e a na final US$ 142 mil.

Jovens aproveitam torneios no Brasil e somam pontos
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 24, 2021 às 8:28 pm

Pedro Boscardin conquistou seu primeiro título em Rio do Sul, superando Gustavo Heide na final (Foto: Luiz Candido/Divulgação)

A série de torneios profissionais no Brasil durante o segundo semestre tem sido positiva para tenistas da nova geração do país. Enquanto nomes como o paulista de 19 anos Gustavo Heide e o catarinense de 18 Pedro Boscardin já estão na luta por títulos e finais, outros jovens tenistas estão aproveitando a oportunidade para marcarem seus primeiros pontos no ranking da ATP.

Boscardin conquistou neste domingo seu primeiro título profissional ao superar Heide na final do ITF M25 de Rio do Sul por 7/6 e 6/4. Ex-número 6 juvenil e atual 988º colocado na ATP, ele receberá 20 pontos no ranking do dia 1º de novembro. “Em primeiro lugar, estou muito feliz por poder voltar a jogar um torneio profissional aqui no Brasil. Fazia um bom tempo que não tinha essa oportunidade por conta da pandemia e, por conta disso, boa parte dos torneios que disputei foram na Europa. Foram 4 meses e meio de gira, então estou contente por finalmente competir em casa”, disse Boscardin, que conquistou seu primeiro ponto na ATP em abril deste ano, jogando na Sérvia.

Por sua vez, Heide já disputou três finais na temporada, com dois títulos e um vice. A primeira conquista foi em Ibagué, na Colômbia, e a segunda aconteceu há duas semanas, no Recife. Atualmente com o melhor ranking da carreira, ocupando o 766º lugar, ele comemora a chance de jogar em casa. “Ganhar no meu País é muito especial, principalmente por ter a torcida me apoiando. Estou contente por novamente ter este contato com público, tirar fotos com a galera e sentir este calor que me motiva muito a seguir em frente” destacou o jovem paulista. “Jogar fora é outra realidade, é mais caro viajar, mais difícil, e jogar no Brasil é sempre muito bom, estar mais perto da sua cidade, entre outras coisas. Então, neste aspecto, são semanas muito positivas”.

Primeiros pontos na ATP para Lima, Schiessl e Obeid
Entre os jogadores que pontuaram pela primeira vez na ATP está o paranaense de 16 anos Matheus Lima. Depois de ter atuado na Copa Davis Júnior, ele recebeu convite para jogar o ITF M25 de Rio do Sul e venceu seu primeiro jogo profissional contra Pedro Cressoni por 6/2 e 6/0. “Estou muito feliz por essa conquista. Foi um jogo muito bom, e me senti muito bem dentro de quadra. Foi um começo um pouco nervoso, por ser o meu primeiro torneio profissional, mas fiquei pensando no que o meu treinador disse, que era pra entrar em quadra e fazer o meu jogo, jogar solto. Aos poucos fui me soltando até conseguir esse bom resultado”, comemorou o curitibano, que caiu nas oitavas para o experiente Wilson Leite.

O juvenil de 16 anos Matheus Lima marcou seu primeiro ponto na ATP nesta semana em Rio do Sul (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

Também paranaense, o jovenil de 17 anos João Eduardo Schiessl já acumula duas vitórias no circuito. Durante o ITF de Recife, há duas semanas, Schiessl derrotou o uruguaio Ignacio Carou, salvando três match-points. Já em Rio do Sul, ele foi além e eliminou o cabeça 2 Matheus Alves, 493º do ranking.

Por sua vez, o goiano de 20 anos Lucas Obeid superou uma grave lesão que o fez duvidar se poderia voltar a jogar. Ele venceu uma partida na capital pernambucana. “No começo desse ano, passei por um momento muito difícil e até pensei em parar de jogar por conta de dores no ombro direito, já que tive síndrome do impacto nessa região e fiquei 5 meses sem bater com a direita”, revelou, em entrevista ao Instituto Sports. “Meu pai, o Habib Obeid, me motivou bastante. Passamos em vários fisioterapeutas e nada de achar a solução para essa dor. Foi então que decidimos estudar por conta própria essa lesão, uma vez que ele é médico e eu entrei para a faculdade de medicina, e pude ir melhorando a cada semana”.

Meninas também aproveitam a chance em Piracicaba e Rio do Sul
As competições femininas também foram retomadas nas últimas semanas, primeiro com um ITF W15 em Piracicaba e agora com um W25 em Rio do Sul. Diferente do que acontece na ATP, a WTA exige que uma jogadora pontue em três torneios diferentes ou faça 10 pontos para entrar no ranking. Ainda assim, jovens jogadoras como Ana Candiotto, Juliana Munhoz, Ana Maria Coelho e Sofia Mendonça puderam comemorar suas primeiras vitórias no circuito profissional.

“Estou muito feliz com a minha primeira vitória no profissional, ainda mais sendo no Brasil. Com certeza lá na frente eu vou olhar para trás e me lembrar desse momento. Acho que é um começo muito importante na minha carreira, consegui fazer um bom jogo, apesar de um pouco de nervosismo pelo primeiro torneio”, disse Ana Candiotto, de 17 anos, que venceu uma partida em Piracicaba contra Beatriz Verdial por 6/0 e 6/2, antes de cair para a italiana Miriana Tona nas oitavas. A paulista é a atual 181ª colocada no ranking juvenil e disputou a chave de Roland Garros na categoria no ano passado.

Juliana Munhoz, de 17 anos, aproveitou a chance em Piracicaba e venceu dois jogos para chegar às quartas (Foto: João Pires)

Juliana Munhoz também se destacou. A tenista de 17 anos venceu dois jogos em Piracicaba, contra a paraguaia Susan Doldan e a brasileira Sofia Mendonça. Ela caiu nas quartas de final para a argentina de 27 anos Victoria Bosio, principal cabeça de chave do torneio e 446ª do ranking, em uma partida de 3h03. “Estou muito feliz com a minha performance, foi realmente acima do que eu estava esperando. Um dos melhores jogos da minha vida. Acho que foi muito no detalhe. Eu tive vários match points, mas não é que eu joguei mal naqueles momentos. Ela jogou muito bem, subiu o nível. Eu fiz tudo que pude, é frustrante não sair com a vitória, mas é uma experiência que vou levar”, analisou a paulista. “Eu levo muita experiência, aprendizado de como ela lidou com situações adversas e também de como eu consegui lidar. Ela estava sacando em 5/4 no segundo set, 30-0, eu consegui virar e botar muita energia e acho que tudo soma para o aprendizado”.

“Estou mais acostumada a jogar torneios juvenis e a de um torneio profissional organização é totalmente diferente. Fiquei muito surpresa com as quadras de treino, tem para quando a gente quer. A bola é um pouco rápida, as quadras estão muito boas e adorei a organização”, comentou a juvenil de 17 anos. “Eu acho que é para isso que a gente treina, né? Eu ainda sou júnior e estar tendo essa experiência é incrível. Jogar contra a cabeça 1 de um torneio profissional é uma bela experiência e também um jeito de medir o nível”.

Ana Maria Coelho, de apenas 14 anos, também marcou sua primeira vitória no tênis profissional (Foto: João Pires)

Ainda mais jovem, Ana Maria Coelho conseguiu sua primeira vitória como profissional aos 14 anos no interior paulista. Vinda do quali em Piracicaba, ela passou por Mariana Galvão Borges por 7/6 (7-5), 4/6 e 6/1. Ela só caiu nas oitavas para a chilena Fernanda Astete. “Não caiu a ficha ainda. Oito dias antes, eu nem sabia que ia ter o torneio e agora estou fazendo ponto na WTA. Eu não sei nem explicar. Estou muito feliz, não só pelo resultado, mas comigo mesma. No primeiro set eu estive o tempo todo atrás, ela coloca muita bola na quadra. No segundo eu estava ganhando de 4/3, perdi de 6/4 e estava destruída fisicamente”.

Já Sofia Mendonça, de 19 anos, tenta entrar no ranking depois de ter conseguido vitórias nas chaves principais de Piracicaba e Rio do Sul. Para ela, basta apenas pontuar em mais um torneio. A jovem tenista lembra da dificuldade que teve para manter um calendário durante a pandemia. “Foi muito difícil, por conta da pandemia, a gente se manter ativa no circuito. Eu tive só uma oportunidade de viajar nesses dois anos. Então, ter oportunidade de jogar no Brasil foi crucial. Esse período de transição já é difícil, a gente na América do Sul já tem dificuldade de competir por ser muito afastado de onde tem mais torneios, na Europa, na África. Poder competir no Brasil é muito bom e espero que aumentem os torneios para os próximos anos”.

Circuito juvenil também em andamento
O calendário de competições do circuito mundial juvenil também foi retomado em solo brasileiro. Nas últimas semanas, já foram disputadas etapas em Itajaí, Gaspar, Blumenau e Londrina. As jogadoras que mais estão se destacando são Maria Turchetto e Olivia Carneiro, que já dipsutaram três finais seguidas de ITF. Carneiro foi campeã em Gaspar, enquanto Turchetto ganhou os torneios de Blumenau e Londrina. A catarinense Carolina Laydner levou a melhor em Itajaí.

No masculino, Victor Tosetto jogou duas finais, com título em Itajaí e vice em Londrina, sendo superado pelo rival argentino Segundo Goity Zapico. Luis Felipe Miguel e Bruno Fernandez também venceram etapas valendo pontos no ranking juvenil.

+ Maria Turchetto ganha 2º ITF seguido em Londrina
+ Luis Miguel e Maria Turchetto vencem ITF de Blumenau

+ Olivia Carneiro e Bruno Fernandez vencem ITF de Gaspar

Russos e tchecas conquistam Davis e BJK Jr, Brasil é 9º
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 3, 2021 às 2:24 pm

As Copas Davis e Billie Jean King Júnior, destinadas para tenistas de até 16 anos, chegaram ao fim neste domingo em Antalya, na Turquia. Os russos levaram a melhor na disputa masculina, enquanto as tchecas foram campeãs da chave feminina. Os meninos do Brasil ficaram com a nona posição.

A Rússia conquistou o título depois de superar a França na final por 2 a 0. A série começou com Yaroslav Demin vencendo Gabriel Debru por 3/6, 6/3 e 6/1. Coube a Maxim Zhukov definir o confronto depois de vencer Antoine Ghibaudo por 6/1 e 6/3. A última vez que os russos haviam vencido a competição foi em 2016. Já a antiga União Soviética venceu a edição de 1990.

Ao longo da semana, os russos venceram cinco dos seis confrontos que disputaram. Em número de partida, foram 12 vitórias e apenas três derrotas. Eles haviam perdido para o México na abertura da competição, mas ficaram ficaram na primeira posição do Grupo B, que também contou com Tunísia e Bulgária. Eles passaram nas quartas pelo Canadá e derrotaram também a Argentina na semi. O destaque da equipe russa foi Yaroslav Demin, de 16 anos, que venceu todos os seis jogos de simples que disputou durante a semana. Ele é o atual 139º do ranking. Maxim Zhukov, 79º colocado, venceu quatro partidas e perdeu uma. Já Danil Panarin, 273º, foi escalado para apenas um jogo de simples e dois de duplas.

Tchecas contaram com jovem promessa de 14 anos
A equipe da República Tcheca conquistou o quarto título na Copa Billie Jean King Júnior, repetindo so feitos de 2000, 2001 e 2015. As tchecas venceram o Japão, que buscava um título inédito neste domingo, por 2 a 0. A série começou com a jovem promessa de apenas 14 anos Brenda Fruhvirtova superando Sara Saito por 6/1 e 6/3. Na sequência, foi a vez de Sara Bejlek garantir o título ao vencer Sayaka Ishii por 6/3 e 7/6 (9-7).

Brenda Fruhvirtova é tida como um juvenil muito promissora na República Tcheca, desde que ganhou o Les Petits As, e já teve a oportunidade de disputar exibições contra jogadoras profissionais do top 100 da WTA. Ela já é a número 24 do ranking mundial juvenil para tenistas de até 18 anos e venceu todos os oito jogos que disputou na semana, cinco em simples e três em duplas. Sua irmã mais velha, Linda Fruhvirtova, é número 8 juvenil aos 16 anos e 333ª colocada entre as profissionais.

As tchecas venceram todos os seis confrontos que disputaram. Além disso, venceram 14 partidas em 15 realizadas. Em número de sets, foram 29 vencidos e apenas dois perdidos. Elas ficaram em 1º lugar do grupo, passando por Peru, Egito e Argentina, também derrotaram o México nas quartas e a Alemanha na semi. Sara Bejlek, de 15 anos, venceu seus quarto jogos. Já Nikola Bartunkova venceu dois jogos e perdeu um.

Brasil supera a Bulgária no último dia da Davis Júnior

O Brasil encerrou sua participação na Copa Davis Júnior vencendo a Bulgária por 2 a 1 neste domingo e terminou a competição em nono lugar. A série começou com Luis Felipe Carvalho vencendo Iliyan Radulov por 6/4 e 6/1, depois os búlgaros empataram com Adriano Dzhenev que venceu Matheus Lima por 7/6 (8-6), 2/6 e 10-7. Nas duplas, Matheus Lima e Henrique Britto venceram Viktor Markov e Iliyan Radulov por 6/2 e 6/4.

Durante a primeira fase da Copa Davis Júnior, o Brasil ficou em terceiro lugar do Grupo C, que também contava com Alemanha, Argentina e Coreia do Sul e não conseguiu se classificar para as quartas de final. Por isso, a equipe brasileira foi para a disputa de um playoff que define do 9º ao 16º lugar do evento. Nesses playoffs, os brasileiros também venceram Tunísia e Turquia.

Em sua última participação na Copa Davis Júnior, o Brasil havia ficado em sétimo lugar com uma equipe formada por Bruno Oliveira, Natan Rodrigues e Pedro Boscardin. Outros bons resultados recentes foram o quinto lugar em 2014, com Orlando Luz, Felipe Meligeni e Lucas Koelle, além da quarta posição com 2007, com equipe formada por Andrez Pereira, Bernardo Lipschitz e Idio Escobar.

Copa Davis Júnior já começa com Brasil x Argentina
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 27, 2021 às 11:25 pm

Brasil terá a mesma equipe que conquistou o Sul-Americano de 16 anos no Paraguai.

A edição 2021 da Copa Davis Júnior já começa com um duelo sul-americano. Brasil e Argentina se enfrentam nesta terça-feira pela primeira rodada da competição, que acontece em Antalya, na Turquia. Os dois países estão no Grupo C do evento para jogadores de até 16 anos. Na mesma chave estão os times da Alemanha e Coréia do Sul.

Brasileiros e argentinos se enfrentaram recentemente pela final do Sul-Americano da categoria, disputado no Paraguai em agosto. Na ocasião, o Brasil levou a melhor por 2 a 1 e conquistou o título. O capitão Rodrigo Ferreiro manteve a equipe, formada pelos paulistas Henrique Brito e Luis Felipe Carvalho, além do paranaense Matheus Lima. Os argentinos também mantiveram o mesmo time, Gonzalo Zeitune, Nicolas Eli e Juan Estevez.

A competição terá 16 países divididos em quatro grupos. Classificam-se os dois melhores de cada chave para as quartas de final, até a definição do campeão no domingo. Paralelamente, acontece também a disputa da Copa Billie Jean King Júnior para as meninas. O Brasil não conseguiu classificar sua equipe feminina, ficando em quarto lugar no Sul-Americano. As vagas da seletiva regional ficaram com Argentina, Chile e Peru. Realizadas desde 1985, a Davis e a Copa Billie Jean King Júnior já apresentaram lendas do esporte como Lindsay Davenport em 1991, Gustavo Kuerten em 1992, Roger Federer em 1996, Rafael Nadal (campeão pela Espanha em 2002) e a atual número 1 do mundo na WTA Ashleigh Barty, campeã pela Austrália em 2011. Recentemente, os canadenses Felix-Auger Aliassime e Denis Shapovalov, a norte-americana Coco Gauff, e a polonesa Iga Swiatek também levaram seus países ao título.   A edição mais recente das Copas Davis e Billie Jean King Júnior aconteceu no ano de 2019 em Lake Nona, na Flórida. O Japão conquistou o título masculino pela segunda vez em sua história, repetindo o resultado de 2010. Já no feminino, o domínio dos Estados Unidos foi mantido, com o sexto título e o terceiro seguido. Na ocasião, o Brasil teve apenas a equipe feminina, que ficou em 15º lugar, enquanto a equipe masculina não se classificou para o evento. 

Grupos da Copa Davis Júnior
Grupo A: República Tcheca (1), Japão (6), Chile, Turquia
Grupo B: México (3), Bulgária (7), Tunísia, Rússia
Grupo C: Alemanha (4), Brasil (5), Argentina, Coréia do Sul
Grupo D: França (2), Hong Kong (8), Canadá, Egito

Grupos da Copa Billie Jean King Júnior
Grupo A: República Tcheca (1), Argentina (5), Egito, Peru
Grupo B: Canadá (3), Hungria (6), Turquia, Alemanha
Grupo C: Romênia (4), Japão (7), Chile, Marrocos
Grupo D: Rússia (2), Tailândia (8), Hong Kong, México

+ Confira a lista de países e jogadoras campeãs da Copa Billie Jean King Júnior

+ Veja a lista de países e tenistas campeões da Copa Davis Júnior

Geração 2000 já tem três campeãs de Grand Slam e cinco no top 30
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 13, 2021 às 8:10 pm

Emma Raducanu se juntou a Bianca Andreescu e Iga Swiatek entre as campeãs nascidas a partir de 2000 (Foto: Darren Carroll/USTA)

O título de Emma Raducanu no US Open foi o terceiro troféu de Grand Slam para uma jogadora nascida a partir de 2000. A britânica de 18 anos se junta à canadense Bianca Andreescu, que puxou a fila ao ser campeã em Nova York há duas temporadas. Já no ano passado, foi a vez de a polonesa Iga Swiatek vencer Roland Garros.

As conquistas de jogadoras tão jovens em grandes torneios acompanham um momento de renovação no ranking, já com três tenistas com até 21 anos entre as 20 melhores do mundo e cinco nessa faixa etária dentro do top 30. Entre as cem primeiras no ranking divulgado nesta segunda-feira, são 14 jogadoras nessa idade, algumas já com títulos no circuito da WTA e quase todas com pelo menos uma campanha de terceira rodada em Grand Slam na carreira.

Entre as tenistas com até 21 anos, Swiatek é a que está em melhor momento no ranking, ocupando atualmente a oitava posição. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, caindo nas quartas de final este ano, a polonesa faz uma temporada consistente. Ela chegou pelo menos às oitavas em todos os Grand Slam e conquistou títulos em Adelaide e Roma.

Gauff é a mais jovem do top 100, Andreescu cai
Jogadora mais jovem de todo o top 100, Coco Gauff é a 19ª do ranking aos 17 anos. Ela está com o melhor ranking da carreira, já tem dois títulos de WTA, e chegou recentemente às quartas em Roland Garros. Uma posição abaixo abaixo está Bianca Andreescu, já campeã de Grand Slam, e que perdeu os pontos do título do US Open de 2019. A canadense de 21 anos tem três títulos expressivos na carreira, já que também conquistou Indian Wells e Toronto há duas temporadas.

Ainda no top 30, aparecem as duas finalistas do US Open: Emma Raducanu saltou 127 posições depois de ter feito uma campanha impressionante, com dez vitórias seguidas desde o qualificatório até conquistar o título logo no segundo Grand Slam que disputava. Agora 23ª do mundo, a britânica só havia jogado antes em Wimbledon, quando aproveitou o convite e foi até as oitavas. A vice Leylah Fernandez também deu um bom salto, da 73ª para a 28ª posição do ranking. A canadense de 19 anos recém-completados tem um título de WTA, conquistado este ano em Monterrey, já venceu quatro tenistas do top 10, e agora também tem uma final de Slam no currículo.

Nova geração pode ter mais nomes chegando
As ucranianas Dayana Yastremska, de 21 anos e 53ª do ranking, e Marta Kostyuk, 56ª colocada aos 19 anos, são fortes candidatas a também surpreenderem em grandes torneios em um futuro próximo. Yastremska já tem três títulos de WTA, chegou a ocupar o 21º lugar do ranking no ano passado e chegou às oitavas de final de Wimbledon em 2019. Kostyuk está apenas uma posição abaixdo melhor ranking da carreira e este ano fez oitavas em Roland Garros.

Atrás delas aparecem Clara Tauson e Maria Camila Osorio, números 70 e 71 do mundo. Ambas já têm títulos de WTA, Tauson em Lyon e Osorio em Bogotá. A colombiana de 19 anos fez uma surpreendente campanha do quali até a terceira rodada na grama de Wimbledon, enquanto a dinamarquesa de 18 anos ainda não conseguiu passar da segunda rodada de torneios do Grand Slam, em quatro participações.

Um pouco abaixo está a russa Varvara Gracheva, de 21 anos e 77ª do ranking. Ela ainda não tem títulos ou finais de WTA na carreira, mas já chegou à terceira rodada em três Grand Slam, incluindo dois este ano, Roland Garros e US Open. Bem mais conhecidas são Amanda Anisimova, 81ª do mundo, e Anastasia Potapova, 89ª, ambas de 20 anos. Anisimova já foi semifinalista de Roland Garros em 2019, enquanto Potapova chegou à terceira fase na Austrália este ano. Ambas foram campeãs juvenis de Grand Slam e estiveram nas primeiras posições do ranking da categoria.

Também prodígios nos tempos de juvenil, a francesa Clara Burel e a norte-americana Claire Liu aparecem no 92º e no 96º lugar, respectivamente. Burel, de 20 anos, chegou à terceira rodada de Roland Garros no ano passado, enquanto Liu está com o melhor ranking da carreira nesta segunda-feira, aos 21 anos, apesar de ainda não ter passado da segunda fase de um Grand Slam.

Canhota de golpes potentes, Montgomery é campeã juvenil do US Open
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 11, 2021 às 8:27 pm

Robin Montgomery é tratada como uma grande promessa do circuito desde 2019 (Foto: Andrew Ong/USTA)

A nova geração do tênis feminino norte-americano voltou a mostrar força no torneio juvenil do US Open. A canhota Robin Montgomery, de 17 anos e oitava no ranking da categoria, conquistou o título depois de vencer a bielorrussa Kristina Dmitruk, sétima colocada, por 6/2 e 6/4 neste sábado em Nova York.

Montgomery é a primeira norte-americana a vencer o torneio juvenil do US Open desde 2017, quando Amanda Anisimova superou Coco Gauff na final. Lembrando que o torneio do ano passado não teve disputas pela chave juvenil. Nos últimos anos, Kayla Day (2016), Samantha Crawford (2012) e Grace Min (2011) também venceram o torneio. Destaque também para o vice-campeonato de Sofia Kenin em 2015.

A jovem norte-americana já é tratada como uma grande promessa do circuito desde 2019, ano em que ajudou a equipe norte-americana a ser campeã da Fed Cup Junior e também foi campeã do Orange Bowl com apenas 15 anos. Como profissional, já tem um título de ITF W25, conquistado no ano passado em Las Vegas e disputou o US Open de 2020 como convidada. Ela 365º lugar no ranking profissional da WTA.

Durante a final deste sábado, Montgomery chamou atenção pela potência de seus golpes, batendo muito forte na bola dos dois lados e causando muito dando com o backhand na cruzada. Ela também soube usar alguns golpes com mais spin durante os ralis. Depois de dominar o primeiro set, com duas quebras e sem enfrentar break-point. Dmitruk conseguiu uma quebra na abertura do segundo set e chegou a liderar por 4/2, mas Montgomery retomou o domínio da partida e venceu os últimos quatro games.

Montgomery também conquistou o título de duplas, em uma final com quatro norte-americanas em quadra. Ela e a compatriota Ashlyn Krueger venceram Reese Brantmeier e Elvina Kalieva por 5/7, 6/3 e 10-4.

Daniel Rincon é o segundo espanhol a vencer o torneio

Daniel Rincon treina na Rafa Nadal Academy e superou líder do ranking na final (Foto: Andrew Ong/USTA)

O título da chave masculina ficou com o espanhol Daniel Rincon, quinto no ranking juvenil, que venceu o chinês Juncheng Shang, líder do ranking mundial da categoria, por 6/2 e 7/6 (8-6). Rincon é o segundo espanhol a vencer a chave juvenil de simples no US Open, igualando-se a Javier Sanchez, em 1986.

Este foi o sétimo título de Rincon no circuito da ITF, sendo o quarto na temporada. O espanhol de 18 anos e que treina na Rafa Nadal Academy tem pouca experiência entre os profissionais, ocupando atualmente o 1.215º lugar no ranking da ATP, com seis pontos conquistados.

Os campeões de duplas foram Max Westphal, da França, e Coleman Wong, natural de Hong Kong. Eles venceram na final o ucraniano Viacheslav Bielinskyi e o búlgaro Petr Nesterov por 6/3, 5/7 e 10-1.

Jovens e filhas de imigrantes, Fernandez e Raducanu protagonizam final histórica
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2021 às 11:27 pm

Emma Raducanu, de 18 anos, disputa apenas o segundo Grand Slam da carreira e já está na final (Foto: Darren Carroll/USTA)

A final feminina do US Open é histórica por diferentes motivos. Leylah Fernandez, de 19 anos, e Emma Raducanu, 18, fazem um confronto da nova geração neste sábado, a partir das 17h (de Brasília). Nova York não assistia a uma final entre duas jogadoras tão jovens desde 1999, quando Serena Williams tinha 17 anos e superou Martina Hingis, 18, na decisão. Outro ponto em comum entre Fernandez e Raducanu está o fato de ambas serem filhas de imigrantes com heranças multiculturais.

Nascida em Montréal em setembro de 2002, Leylah Fernandez tem pai equatoriano e avós maternos das Filipinas. O pai, Jorge Fernandez, é também seu treinador, dividindo as funções com Romain Deridder. Já Raducanu tem pai romeno e mãe chinesa. Curiosamente, nasceu em Toronto, no Canadá, em novembro de 2002, mas sua família se mudou para Londres quando a filha única do casal tinha apenas dois anos. Toda a formação de Raducanu como tenista, incluindo o suporte médico, financeiro e de preparação física, foi fruto de um trabalho da Lawn Tennis Association, que desenvolve a modalidade no Reino Unido.

“Acho que ter uma mãe chinesa me fez aprender desde muito jovem a trabalhar duro e ter disciplina. Quando eu era mais jovem, eu me inspirava muito em Na Li, porque ela era muito competitiva. Ela tinha armas extremamente boas, ótimos movimentos e boa mentalidade, mas sua força interior e confiança realmente se destacaram para mim. Lembro-me de vê-la jogar com Schiavone na final de Roland Garros. Foi definitivamente uma partida longa e difícil. Mas a quantidade de força mental e resiliência que ela mostrou, naquele dia ainda fica na minha cabeça hoje”, disse Raducanu sobre sua fonte de inspiração.

A tenista ainda mantém um vínculo muito forte com a Romênia e tem a número 3 do mundo Simona Halep como fonte de inspiração. “Meu pai é romeno de Bucareste e a minha avó, Mamiya, ainda mora lá. Eu volto algumas vezes por ano e fico com ela. É muito bom. Eu amo a comida romena, e a comida da minha avó também é especial. Tenho muitos laços com Bucareste”, comentou durante o torneio de Wimbledon. Admiro muito a Simona Halep, pela movimentação dela e também a forma como ela luta e compete. Em algumas das situações do jogo, eu penso em competir da mesma forma que algumas jogadoras como a Halep fazem”.

Já Fernandez fica surpresa com a receptividade que o tênis está tendo nas Filipinas, apesar de não saber muito sobre a cultura do país. “Estou muito feliz em saber que todos nas Filipinas estão torcendo por mim e me apoiando. Infelizmente eu não sei muito sobre a cultura filipina, mas eu sei que minha família faz pratos incríveis. Espero que, quando eu voltar para o Canadá e visitá-los, façam um prato filipino especial. E mal posso esperar para aprender mais sobre a cultura no futuro”.

Duelo entre elas apenas no juvenil

Apesar da pouca diferença de idade, Fernandez e Raducanu nunca se enfrentaram pelo circuito profissional. Mas já tiveram um confronto pelo torneio juvenil de Wimbledon em 2018 e a britânica, então com 15 anos, levou a melhor. Esta é a primeira vez que o US Open tem uma final entre duas jogadoras que não são cabeças de chave. Raducanu é a número 150 do mundo e veio do quali, enquanto Fernandez é 73ª colocada. Ambas vão subir bastante no ranking, a canadense está saltando para o 27º lugar e pode ser a 19ª se for campeã, enquanto a britânica está indo para a 32ª posição, podendo alcançar o 24º posto em caso de título.

Raducanu tenta encerrar jejum britânico, Fernandez pode repetir Andreescu
Primeira jogadora vinda do qualificatório a disputar uma final de Grand Slam na Era Aberta, Raducanu é também a segunda tenista de fora do top 100 a chegar à decisão do US Open. Ela disputa apenas seu segundo Slam como profissional, repetindo o feito de Pam Shriver no US Open de 1978 ao atingir a final. Além disso, pode se tornar a primeira britânica a vencer um Grand Slam desde Virginia Wade, na grama de Wimbledon em 1977. Wade também foi a única britânica a vencer o US Open na Era Aberta, em 1968.

Já a história do tênis canadense no US Open é mais recente. Ao chegar à final, Leylah Fernandez se coloca em posição de repetir o feito de Bianca Andreescu em 2019. Há dois anos, Andreescu derrotou Serena Williams na final para conquistar seu primeiro e até hoje único título de Grand Slam. Curiosamente, ela tinha a mesma idade que sua compatriota. Outra canadense a disputar uma final de Slam recentemente foi Eugenie Bouchard, vice na grama de Wimbledon em 2014.

Com três jogos a mais, Raducanu passou menos tempo em quadra
Ainda sem perder sets no torneio, Raducanu venceu nove jogos seguidos em Nova York. E curiosamente, passou menos tempo em quadra do que Fernandez, que vem de quatro batalhas seguidas em três sets. A britânica acumula 7h42 em quadra durante a chave principal e mais 3h52 do quali. Com isso, tem 11h34 de tempo acumulado em quadra durante o torneio. Já Fernandez, que derrubou as campeãs do US Open Naomi Osaka e Angelique Kerber, a número 5 do mundo Elina Svitolina e a vice-líder do ranking Aryna Sabalenka, ficou em quadra por 12h45.

Quanto vale o título do US Open?
O prêmio em dinheiro para a campeã do US Open é de US$ 2,5 milhões, além de 2 mil pontos no ranking mundial da WTA. A vice-campeã recebe US$ 1,25 milhão e 1.300 pontos no ranking. Fernandez acumulou na carreira uma premiação de US$ 786.772, tendo conquistado um título de WTA no início deste ano em Monterrey e alcançado o 66º lugar do ranking. Já Raducanu, que não era nem top 300 há dois meses, quando recebeu convite em Wimbledon e chegou às oitavas, acumulou na carreira um prêmio de US$ 303.376.

Expectativas para a final de sábado
Raducanu acredita que o fato de ser uma jogadora jovem e sem precisar lidar com tanta pressão a ajudou na campanha até a final do US Open. “Honestamente, quando você é jovem, pode jogar completamente livre. Mas tenho certeza que quando for mais velha ou tiver mais experiência, acho que a situação vai virar e algumas jogadoras ainda mais jovens aparecerão. Mas agora estou apenas pensando no meu plano de jogo, como executá-lo. Isso foi o que me colocou nesta situação e é o que estou fazendo muito bem no momento”.

Já Fernandez se lembrou das vezes em que duvidaram de seu potencial. “Acho que muita gente duvidou de mim, da minha família e dos meus sonhos. Eles ficavam dizendo não, que eu não seria uma jogadora profissional, que deveria parar e apenas focar nos estudos. Lembro-me de uma professora que me disse para parar de jogar tênis, porque eu nunca iria conseguir, e deveria apenas me concentrar na escola”.

“Sabe de uma coisa, estou feliz que ela me disse isso, porque todos os dias tenho essa frase na minha cabeça e isso me faz querer continuar avançando, para provar à ela que posso alcançar tudo que eu sonhei. Mas isso é basicamente apenas a ponta do iceberg. Há muito mais coisas pelas quais passamos como família. Acho que agora posso dizer que fiz um ótimo trabalho na realização dos meus sonhos”.

Algoz de grandes nomes do circuito, ela se sente muito bem no Arthur Ashe Stadium e tem entretido o público. “Acho que tenho feito coisas incríveis. Estou apenas me divertindo, tentando produzir algo para o público aproveitar. Estou feliz que tudo o que estou fazendo na quadra, os fãs estão adorando e eu também estou adorando. Diremos que é um momento mágico”.

As chances de Fernandez e Raducanu nas semifinais
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 9, 2021 às 8:48 pm

Fernandez pode apostar nas variações de altura, peso e direção de bola para tentar quebrar o ritmo agressivo de Sabalenka (Foto: Darren Carroll/USTA)

Duas representantes da nova geração do tênis feminino disputam nesta quinta-feira as semifinais do US Open. A rodada começa com a canadense Leylah Fernandez, de 19 anos, desafiando a número 2 do mundo Aryna Sabalenka a partir das 20h (de Brasília). Na sequência, será a vez de Emma Raducanu, de 18 anos e vinda do qualificatório, enfrentar a grega Maria Sakkari, 18ª colocada. Apesar do favoritismo das adversárias mais experientes, Fernandez e Raducanu têm motivos para acreditar em suas chances.

Fernandez terá a missão de encarar uma das adversárias mais agressivas e de golpes mais potentes no circuito. Aryna Sabalenka é uma jogadora que prefere ter o total controle das ações dentro de quadra, sempre partindo para a definição dos pontos em poucas trocas de bola. Em seus melhores dias, é uma máquina de winners e não há muito o que fazer contra ela. Já nas atuações abaixo de seu melhor nível, acaba se perdendo com grande número de erros não-forçados e dá muitos pontos de graça.

A canadense até já enfrentou adversárias que tinham muito peso de bola no torneio e se saiu muito bem, tanto contra Naomi Osaka na terceira rodada, como diante de Angelique Kerber nas oitavas. Entre as duas, o estilo de Osaka lembra mais o de Sabalenka. Entre as soluções para a canadense estão as variações de altura e peso de bola, algo que ela faz bem desde que começou a se firmar no circuito da WTA. A ideia é tirar a bola da linha de cintura de Sabalenka e quebrar o ritmo da bielorrussa, levando a rival a cometer um número maior de erros.

Fernandez também passou no teste quando precisou controlar o ritmo do jogo. Foi assim no primeiro set e também em alguns momentos do terceiro contra Elina Svitolina nas quartas de final. A canadense conseguia mexer bastante a rival do fundo de quadra. Svitolina é uma jogadora que costuma se defender até melhor que Sabalenka, que pode se complicar se tiver que bater na bola em posições desconfortáveis. Manter a intensidade é outro ponto chave para tentar vencer a bielorrussa.

Raducanu vai precisar de boas devoluções contra Sakkari

Emma Raducanu precisa conter o saque da grega Maria Sakkari e tem boas estatísticas nas devoluções (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

No caso de Emma Raducanu, vale prestar atenção no saque de Maria Sakkari. A grega fez uma partida impecável nesse quesito contra Karolina Pliskova na última quarta-feira. Sakkari não enfrentou break-points, cedeu apenas oito pontos nos games de saque e só perdeu dois pontos quando colocou o primeiro serviço em quadra.

A boa notícia para a britânica são as estatísticas favoráveis. Raducanu é a jogadora do torneio com maior percentual de pontos vencidos no saque das adversárias, 53%. E quando as rivais dependem do segundo serviço, venceu 61% dos pontos. Com isso, divide com Salenka a liderança entre as tenistas que mais conquistaram quebras de serviço no torneio, 22 para cada uma.

Raducanu tem oito vitórias seguidas no torneio, sendo três do qualificatório e mais cinco da chave principal. Durante o torneio, conseguiu vitórias muito contundentes contra nomes como a espanhola Sara Sorribes, a norte-americana Shelby Rogers e a suíça Belinda Bencic, número 12 do mundo e atual campeã olímpica. A britânica ainda não perdeu nenhum set sequer e tem mostrado um tênis bastante agressivo, capaz de equilibrar as ações do fundo de quadra contra Sakkari, uma jogadora que se destaca pelos golpes potentes e excelente preparo físico.

Atual 150ª do mundo, Raducanu é apenas a terceira jogadora de fora do top 100 a alcançar uma semifinal de US Open. Ela é também a primeira tenista vinda do qualificatório a chegar tão longe em Nova York. Apenas outras três mulheres vindas do quali conseguiram chegar tão longe em torneios do Grand Slam, a primeria foi Christine Dorey no Australian Open de 1978, seguida por Alexandra Stevenson na grama de Wimbledon em 1999 e pela argentina Nadia Podoroska, no saibro de Roland Garros em 2020.