Juvenis jogam sua versão do Finals nesta semana
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 22, 2019 às 8:43 pm

A quinta edição do ITF Junior Finals começa na madrugada desta quarta-feira. Mais uma vez, a cidade chinesa de Chengdu foi escolhida como sede da competição que reúne alguns destaques da temporada do circuito mundial juvenil e ajudará a definir o número 1 do ranking da categoria no fim do ano. Houve uma pequena mudança de nome, já que até o ano passado o evento se chamava ITF Junior Masters.

O formato da competição é o mesmo do ATP Finals e do WTA Finals. Dois grupos com quatro tenistas, sendo que os dois melhores de cada chave avançam para as semifinais até a disputa do título. Os campeões ganham 750 pontos no ranking, com 450 para finalistas. Além disso, o torneio também premia os jogadores com auxílios entre US$ 7 mil e US$ 15 mil para viagens no circuito.

Por ser uma viagem longa e como muitos jogadores dessa faixa etária já estão comprometidos com a transição para o tênis profissional, nem sempre aqueles que estão entre os oito primeiros do ranking participam do evento. Ainda assim, nomes como Jelena Ostapenko, Marketa Vondrousova, Andrey Rublev, Taylor Fritz, Casper Ruud, Anna Blikova, Miomir Kecmanovic e os brasileiros Orlando Luz e Marcelo Zormann já atuaram pela competição.

Neste ano, a ITF não anunciou informações a respeito de transmissões pela internet. Durante a Copa Davis e Fed Cup Júnior, em setembro, os principais jogos foram exibidos pelo canal no YouTube da Federação Internacional.

FEMININO

GRUPO LIANG
Daria Snigur: Quarta colocada no ranking mundial juvenil, a ucraniana de 17 anos foi campeã de Wimbledon, semifinalista do Australian Open e chegou às quartas em Roland Garros. Entre as profissionais, já aparece no 319º lugar do ranking da WTA e conquistou três títulos de ITF na temporada, além de já ter vencido outro torneio no ano passado.

Kamilla Bartone: A letã de 17 anos é a atual nona colocada no ranking e se destacou nas duplas, com título do US Open e vice-campeonato de Wimbledon. Em Nova York, ela foi treinadora pela brasileira Roberta Burzagli, capitã da equipe nacional da Fed Cup e técnica do programa de desenvolvimento da ITF.

Elsa Jacquemot: Francesa de 16 anos e 11º colocada no ranking, Jacquemot ganhou dois títulos na temporada e chegou às quartas na chave juvenil de Roland Garros.

Oksana Selekhmeteva: Apesar de aparecer no 19º lugar do ranking, a canhota russa de 16 anos acumulou bons resultados na temporada. Semifinalista do US Open em simples, formou também uma boa parceria com Kamilla Bartone, com título em Nova York e vice em Wimbledon.

GRUPO LI
Diane Parry: A francesa de 17 anos chega como favorita ao torneio. Afinal, lidera o ranking mundial da categoria e acabou de ganhar um título importante em Osaka. Além disso, ela já começa a se destacar no circuito profissional, ocupando o 328º lugar no ranking da WTA. Convidada para a chave principal de Roland Garros, chegou a vencer uma partida contra a bielorrussa Vera Lapko, número 102 do mundo.

Hurricane Tyra Black: A norte-americana de 18 anos se destacou no Banana Bowl, em Criciúma, ao chegar à final do torneio no Brasil, perdendo para Parry na decisão. Também venceu dois torneios na grama pouco antes de Wimbledon, mas caiu ainda na estreia do Grand Slam londrino.
Qinwen Zheng:

Qinwen Zheng: Chinesa de 17 anos, Zheng foi semifinalista em Roland Garros e no US Open e ocupa o sétimo lugar no ranking mundial juvenil. Nesta reta final de ano, recebeu convite para qualis de WTA em seu país, tendo suas primeiras experiências no alto nível. Ela chegou a enfrentar a veterna Svetlana Kuznetsova em Tianjin.

Natsumi Kawaguchi: A canhota japonesa de 17 anos é a atual oitava colocada no ranking mundial da categoria. Seus principais resultados foram o título de duplas no Australian Open e o vice-campeonato em Porto Alegre.

MASCULINO

GRUPO SHUAI
Jonas Forejtek: Tcheco de 18 anos, Forejtek é o atual líder do ranking mundial juvenil e foi campeão do US Open na categoria. Entre os profissionais, ocupa o 548º lugar no ranking da ATP. Ele tem um título de ITF M25, conquistado no mês de agosto, na Áustria. Ainda que seu nome não seja tão conhecido do grande público, imagens dele ainda quando criança, treinando com uma colher viralizaram nas redes sociais desde 2013.

Holger Rune: O dinamarquês de apenas 16 anos se destacou ao conquistar o título do torneio juvenil de Roland Garros e ocupa atualmente no 3º lugar do ranking da categoria. Também em 2019, conquistou mais dois títulos no circuito juvenil. Ele treina na academia de Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams.

Harold Mayot: Quinto colocado no ranking mundial juvenil, Mayot chega embalado pelo título do ITF JA de Osaka, no Japão, na última semana. Nos Grand Slam, destaque para uma campanha até a semifinal de Wimbledon. O francês de 17 anos também disputou, em setembro, sua primeira final entre os profissionais, nas quadras de carpete de Forbach.

Bu Yunchaokete: O chinês de 17 anos e 16º do ranking vive bom momento no circuito juvenil. Ele fez três finais seguidas nos torneios disputados em seu país e ainda chegou às quartas em Oskaka, onde também foi finalista de duplas.

GRUPO YONG
Shintaro Mochizuki: Vice-líder do ranking mundial e campeão de Wimbledon, o japonês de 16 anos também ajudou seu país a conquistar o título da Copa Davis Júnior. Mochizuki está começando a se dedicar ao circuito profissional e ganhou dois títulos de dupas.

Thiago Tirante: O argentino de 18 anos foi campeão juvenil de Roland Garros ao lado do brasileiro Matheus Pucinelli. Também nas quadras de saibro, ficou com o vice-campeonato em Milão, perdendo a final para Jonas Forejtek

Liam Draxl: Nono colocado no ranking juvenil, o canadense de 19 anos teve bons resultados nos torneios preparatórios para Wimbledon, em quadras de grama. Também foi finalista de duplas no Grand Slam londrino. Entre os profissionais, destaque para uma vitória no challenger de Gatineau, em julho.

Valentin Royer: O francês de 17 anos e 12º do ranking ganhou dois títulos no ano, com destaque para o Europeu Individual em Klosters, na Suíça, no mês de agosto. Seu melhor resultado em Grand Slam foi no US Open, onde chegou às quartas de final.

Gauff salta 800 posições em um ano e extrapola meta
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 16, 2019 às 12:36 am

A incrível campanha de Coco Gauff rumo ao título do WTA de Linz na semana passada extrapola metas que já eram ambiciosas para a jovem norte-americana de apenas 15 anos. Gauff ocupava apenas o 879º lugar do ranking em dezembro do ano passado, quando estabeleceu como principal objetivo da temporada chegar ao grupo das cem melhores jogadoras do mundo. Com a conquista do torneio austríaco em quadras duras e cobertas, ela já aparece na 71ª posição.

Gauff conquistou seu primeiro título de WTA aos 15 anos (Foto: GEPA)

As façanhas de Gauff em Linz
Com 15 anos e 214 dias, Gauff é a campeã mais jovem do circuito desde 2004. Naquela temporada, Nicole Vaidisova foi campeã em Tashkent com 15 anos e 177 dias. Desde então, nenhuma jogadora tão jovem havia chegado sequer a uma semifinal de torneio pela elite do circuito. A recordista como campeã mais jovem da WTA é Tracy Austin, com 14 anos e 28 dias em Portland-1977.

Gauff é também a mais jovem norte-americana a ganhar um título desde 1991, quando Jennifer Capriati foi campeã em Toronto com 15 anos e 135 dias. Principais ídolos da jovem norte-americana, as irmãs Venus e Serena Williams conquistaram seus primeiros torneios já aos 17 anos. Ela também se torna a primeira norte-americana a alcançar o top 100 antes de completar 16 anos desde Chanda Rubin em 1991.

“A semana passada foi ótima. No início deste ano, eu nunca pensei que já ganharia meu primeiro título”, disse Gauff, em entrevista ao site da WTA após a conquista em Linz. Ela venceu na final a letã Jelena Ostapenko por 6/3, 1/6 e 6/2. “Realizei todos os objetivos que queria realizar neste ano. Ganhar um título não estava na minha lista, mas estou feliz que tenha acontecido”.

Outras façanhas para Gauff foram sua primeira vitória contra top 10, diante da número 8 do mundo Kiki Bertens, e o fato conquistar um torneio como lucky-loser, algo que só havia acontecido outras duas vezes na história do circuito. A primeira foi Andrea Jaeger em Las Vegas, ainda em 1980. A segunda foi a sérvia Olga Danilovic no saibro de Moscou no ano passado.

A norte-americana perdeu da alemã Tamara Korpatsch na última rodada do quali, mas herdou uma vaga com a desistência da Maria Sakkari e entrou na chave cerca de 40 minutos antes de enfrentar a suíça Stefanie Voegele pela primeira rodada. “Depois que percebi que entrei como lucky-loser, fiquei aliviada e joguei sem pressão, porque eu já deveria estar fora do torneio”.

A derrota na fase classificatória acabou tendo impacto positivo para Gauff, que mudou alguns aspectos de seu jogo e do comportamento em quadra. “Quando perdi a partida do quali, minha equipe e eu sentimos que estávamos saindo demais dos pontos e tentando bater muito forte na bola. Minha linguagem corporal também poderia ter sido melhor, assim como minha atitude em quadra”.

Mudanças de estilo e de mentalidade
Também chamou atenção durante a semana a mudança de postura de Gauff contra adversárias de diferentes estilos. Para efeito de comparação, a norte-americana foi bem mais agressiva e assumiu mais iniciativa dos pontos contra Kiki Bertens, nas quartas, do que na final contra Ostapenko, que tem muito mais peso de bola.

“Meu objetivo não era realmente vencer depois disso, mas sim melhorar meu comportamento e atitude. Isso acabou melhorando meus resultados. Levei isso em conta e usei o que aprendi nas próximas partidas. À medida que cada partida acontecia, ganhei mais confiança nos meus golpes”, avalia a norte-americana. “Joguei contra adversárias difíceis, então minha confiança está bem alta agora. Tento tratar todos os jogos da mesma forma. Obviamente, quando você joga com jogadoras diferentes e tem que se ajustar ao estilo de jogo delas, mas tento entrar em todos os jogos com a mesma mentalidade”.

A escalada no ranking ao longo do ano
Gauff iniciou a temporada já na 685ª colocação, por conta da reestruturação no sistema de pontuação dos torneios menores. O primeiro salto foi ainda em fevereiro, quando ela disputou uma final de ITF W25 em Surprise, no Arizona, e ganhou em torno de cem posições com os 30 pontos conquistados. Em março, recebeu convite para o Premier de Miami e venceu um duelo da nova geração norte-americana contra Catherine Mcnally, o que lhe rendeu 35 pontos no ranking e a levou do 456º para o 383º lugar do ranking.

A evolução de Gauff seguiu com duas campanhas até as quartas nas quadras de saibro em torneios da ITF em Charleston e Saint Gaudens. Convidada para o qualificatório de Roland Garros, depois de ter sido campeã juvenil no ano passado, ela já aparecia na 324ª posição e venceu um jogo, recebendo 20 pontos e debutando no top 300, ao alcançar o 299º lugar.

Um grande passo na evolução de Gauff foi em Wimbledon. Novamente convidada para um quali, a jovem norte-americana aproveitou a chance e venceu três jogos na grama de Roehampton para alcançar uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira. Ela se tornou a mais jovem jogadora a furar um quali de Slam na Era Aberta. Na sequência, voltou a brilhar e venceu mais três jogos, despachando até mesmo a pentacampeã Venus Williams. Sua algoz seria a romena Simona Halep, que terminaria o torneio como campeã. Com isso, acumulou 280 pontos e foi parar no 141º lugar do ranking.

Cercada de muita expectativa, Gauff furou o quali do WTA de Washington e ainda recebeu convite para o US Open. Com duas novas vitórias em Nova York, teve a oportunidade de enfrentar a número 1 do mundo Naomi Osaka, em jogo no horário nobre do Arthur Ashe Stadium e da TV americana. Ela fez 18 pontos na capital de seu país e mais 130 em Nova York para alcançar o 106º posto e ficar muito perto de debutar no top 100. Por conta da pouca idade e da regra que impõe um limite no número de torneios, Gauff pulou a temporada asiática e só voltou a jogar na semana passada em Linz, como 110ª do ranking. As vitórias e o título renderam 280 pontos e a sonhada vaga entre as cem melhores do mundo.

Japão conquista a Davis Júnior, Brasil é 15º na Fed
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 29, 2019 às 8:04 pm

A edição de 2019 da Copa Davis Júnior, mundial para tenistas de até 16 anos, chegou ao fim neste domingo com o título do Japão. A equipe contou com Shintaro Mochizuki, campeão juvenil de Wimbledon e vice-líder do ranking mundial da categoria, para vencer os forte time dos Estados Unidos na final e conquistar a competição pela segunda vez. O primeiro título foi ainda em 2010.

Shintaro Mochizuki e Yamato Sueoka (de boné) definiram a série com vitória nas duplas. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Os norte-americanos jogavam em casa, nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida, e tinham dois top 10, o quarto colocado Martin Damm e o oitavo Toby Kodat. A série começou com Kodat vencendo Kokoro Isomura por duplo 6/3. Na sequência, Mochizuki empatou o confronto ao vencer Damm por 7/6 (7-3) e 7/5.

A decisão ficou para o jogo de duplas. Mochizuki voltou à quadra, ao lado de Yamato Sueoka, e ajudou o time japonês a vencer a forte parceria de Damm e Kodat por 6/3 e 6/4. A partida teve um momento divertido ainda no primeiro set, quando Sueoka aplicou um incrível lob e correu para o abraço, mas foi solenemente ignorado pelo parceiro.

https://twitter.com/DavisCup/status/1178393273775382535

Tenho gostado bastante dos jogos de Mochizuki, especialmente pela maneira como ele executa o backhand saltando, algo parecido com o que Gael Monfils ou Daria Kasatkina fazem atualmente nos circuitos profissionais masculino ou feminino. O japonês de 16 anos tem golpes potentes, mas também mostra ter muitos recursos. Sabe bem o que fazer quando está à rede e varia bem o saque. Um grande potencial a ser explorado.

Outra coisa que me anima na conquista dos japoneses é ver o capitão Ko Iwamoto conquistar o título. Ele vem sempre ao Brasil para trazer alguns jovens jogadores japoneses para jogar no saibro durante o Banana Bowl e o Juvenil de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau). Tive a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes, a primeira ainda em 2015 e também em 2016 para este blog. Ambas foram conversas muito proveitosas.

Norte-americanas conquistam o terceiro título seguido
O título da Fed Cup Júnior ficou mais uma vez com os Estados Unidos, que conquistam a competição pela sétima vez na história e pela terceira ocasião seguida. Diferente do que havia acontecido nos últimos anos, quando Whitney Osuigwe, Caty McNally e Coco Gauff estiveram em quadra, a capitã Jamea Jackson (ex-top 50) levou uma equipe sem campeãs ou finalistas de Grand Slam juvenil.

As norte-americanas escaladas para a competição foram Robin Montgomery (39ª colocada no ranking da ITF), Katrina Scott (43ª) e Connie Ma (329ª). Menos conhecida entre as três atletas dos Estados Unidos, Ma não é uma jogadora alta, tampouco forte fisicamente, mas isso não a impedia de jogar em cima da linha, bater reto na bola e controlar a direção dos pontos. Um bom exemplo para outras meninas da mesma idade e de mesma estrutura física.

Na final diante da República Tcheca, Connie Ma marcou 6/1 e 6/3 contra Barbora Palicova. O confronto ficou empatado depois que Linda Noskova venceu Katrina Scott por 6/2, 3/6 e 6/3. Nas duplas, Ma e Montgomery venceram Noskova e Palicova por 6/2 e 7/5.

Brasil termina apenas no 15º lugar
A equipe brasileira da Fed Cup Júnior terminou a competição na 15ª posição entre 16 equipes. O único confronto vencido pelo Brasil foi neste domingo diante da Coreia do Sul, no playoff que definiu as duas últimas posições da competição. A catarinense Priscila Janikian venceu Ji Min Kwon por 6/1 e 6/3, a paulista Juliana Munhoz perdeu para Bo Young Jeong 4/6, 6/1 e 6/4. Nas duplas, Janikian e a goiana Lorena Cardoso venceram Hyeongju Han e Bo Young Jeong por 6/1 e 6/3.

O Brasil não havia vencido nenhum confronto na fase de grupos, em que enfrentou Estados Unidos, Coreia do Sul e Tailândia. Sem chances de disputa pelo título, a equipe nacional participou do playoff que define do 9º ao 16º lugar. Elas foram superadas nos duelos sul-americanos contra Peru e Argentina antes de reencontrarem e vencerem a equipe sul-coreana neste domingo. Demos todos os resultados no TenisBrasil, basta clicar nos nomes dos países adversários.

Do que eu acompanhei entre as brasileiras (todas são nascidas em 2003), a Lorena me pareceu um pouco mais pronta para jogar torneios juvenis de 18 anos e os primeiros ITFs no circuito profissional. É quem eu mais vi jogar mais em cima da linha de base e pegando mais bolas na subida. Pude ver também a Juliana devolvendo saques mais fracos das rivais com um ou dois passos dentro da quadra. Mas também vi algumas vezes as brasileiras indo para trás e apostando em bolas altas, algo bem comum entre as sul-americanas.

Em termos de resultado, preocupa ver que o Brasil perder cinco dos seis confrontos na semana, e vencer apenas três jogos em 16 possíveis. Em simples, a equipe do capitão Mário Mendonça só ganhou uma partida das doze que disputou. É extremamente injusto criticar ou atribuir culpa a meninas de 15 ou 16 anos. E não farei isso. Mas é preciso olhar com mais atenção para as etapas de formação dessas jogadoras e torcer para que um dia possamos noticiar e divulgar mais vitórias e bons resultados dessas meninas, como tantas vezes fizemos para outros bons nomes do tênis feminino brasileiro.

Não custa lembrar que as brasileiras conquistaram a vaga para jogar a Fed Cup Júnior após um terceiro lugar no Sul-Americano da categoria, que aconteceu em agosto no Chile. A equipe masculina do Brasil sequer se classificou para a Davis Júnior, já que ficou apenas na quinta posição da seletiva continental.

Começa a Davis Júnior, que já apresentou Guga, Federer e Nadal
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 25, 2019 às 6:15 pm

Em uma semana com quatro torneios dos circuitos da ATP e WTA concentrados pela Ásia, o fã de tênis tem também a oportunidade de acompanhar um pouco do futuro da modalidade. As edições de 2019 da Copa Davis Júnior e da Fed Cup Júnior começaram na última terça-feira e vão até domingo. Os jogos reúnem atletas de até 16 anos e acontecem nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida.

Realizadas desde 1985, a Davis e a Fed Cup Júnior já apresentaram lendas do esporte como Lindsay Davenport em 1991, Gustavo Kuerten em 1992, Roger Federer em 1996, Rafael Nadal (campeão pela Espanha em 2002) e a atual número 1 do mundo na WTA Ashleigh Barty, campeã pela Austrália em 2011. Recentemente, os canadenses Felix-Auger Aliassime e Denis Shapovalov, além da norte-americana Coco Gauff também conquistaram o título. Confira o quadro completo de vencedores.

https://twitter.com/ITF_Tennis/status/1174001586768613376

Regulamento e países participantes

As duas competições contam com 16 países divididos em quatro grupos. Classificam-se os dois melhores de cada chave para as quartas de final, seguidas pelas semifinais no sábado e finais no domingo. Ainda há um playoff para a definir a classificação final do 9º ao 16º lugar. Cada confronto terá dois jogos de simples e um de duplas e cada um dos países inscreve três tenistas na competição.

Copa Davis Júnior
Grupo A: Grã-Bretanha, Estados Unidos, Bolívia e Canadá. Grupo B: França, Hong Kong, Síria e Ucrânia. Grupo C: Paraguai, Sérvia, Egito e Austrália. Grupo D: República Tcheca, Japão, Marrocos e Espanha.

Fed Cup Júnior
Grupo A: Rússia, Itália, Peru e Taiwan. Grupo B: Argentina, China, República Tcheca e França. Grupo C: Canadá, Alemanha, Sérvia e Marrocos. Grupo D: Brasil, Coreia do Sul, Tailândia e Estados Unidos.

Brasileiras estão no Grupo D da competição
A equipe brasileira é formada pela goiana Lorena Cardoso, a catarinense Priscila Janikian e a paulista Juliana Munhoz. O time nacional começou perdendo para os Estados Unidos na última terça e ainda enfrenta as tailandesas nesta quarta e as sul-coreanas na quinta-feira.

“Nossa expectativa é muito boa. Temos duas meninas que jogaram o Sul-Americano, que são a Juliana e a Priscila, e a Lorena entra no time para fortalecer mais ainda com sua experiência. O Mundial é sempre muito difícil, as melhores atletas do mundo estão aqui. Nossa ideia é evoluir dentro da competição, com o objetivo de ser muito forte taticamente”, frisa o capitão do trio, o treinador Mário Mendonça, ao site da CBT.

As brasileiras conquistaram a vaga para jogar a Fed Cup Júnior após o terceiro lugar no Sul-Americano da categoria, que aconteceu em agosto no Chile. A equipe masculina do Brasil ficou apenas na quinta posição da seletiva continental e não se classificou, assim como a Argentina, sexta colocada. Os representantes sul-americanos são Paraguai e Bolívia.

Onde assistir?
Os confrontos disputados na Quadra Central são transmitidos pelo próprio canal da ITF no YouTube e podem ser acessados neste link. Para este ano, a organização do evento também viabilizou as transmissões das partidas das quadras externas, da 2 a 16, por meio do site da USTA. Também há opção de placares ao vivo para os jogos da Davis e da Fed Cup Júnior.

Bons nomes no torneio e a equipe da Síria
Dois nomes se destacam entre os participantes. Um deles é o japonês Shintaro Mochizuki, campeão juvenil de Wimbledon e vice-líder do ranking mundial da categoria. Outro top 10 na competição é o norte-americano Toby Kodat, oitavo colocado no ranking.

Vale também dar uma olhada na equipe da Síria, país que vive uma grave crise humanitária por conta da guerra civil que já dura quase uma década. É a primeira vez que o país disputa a competição. Em entrevista ao site da ITF, o capitão sírio Wassim Zinnia destacou a experiência que seus jovens jogadores terão nesta semana.

“Acho que meus jogadores aprenderam muito hoje enfrentando alguns dos principais favoritos deste torneio. Jogamos contra um dos melhores times daqui e foram placares apertados”, refletiu Zinnia depois do confronto contra a França na estreia. “Podemos competir em alto nível. Eu disse aos meninos que eles podem fazer muito melhor e espero que eles consigam”.

Esses jovens jogadores sírios já tiveram que treinar em áreas de conflito e hoje vivem longe do país. Ainda assim, defendem suas cores com orgulho. “É uma sensação incrível vestir uma camisa com a bandeira da Síria e o nome do meu país nas costas”, disse Pierre Djaroueh, jogador de 16 anos e que hoje treina no Canadá. “Minha mãe esteve lá na Síria e me disse que as antigas quadras, onde eu costumava jogar, estão com balas e marcas de tiros por toda parte”.

Taym Alazmeh, de 15 anos, está há sete sem visitar seu próprio país. Ele vive há três meses na Alemanha, e antes estava em Doha, no Qatar: “Vivi sete anos na Síria. Saí de lá porque a situação estava ficando muito difícil e não era seguro”.

Também de 15 anos, Mohamed Yaman Naghnagh diz que até jogou no meio do fogo cruzado em Damasco, capital de seu país. “É muito perigoso. Você vê foguetes pelo céu e uma bala já passou do lado da minha perna, mas continuei jogando. É isso o que nós fazemos”, afirmou.

O capitão do time também espera que o esporte possa ser um caminho para transformações na vida de desses jovens e de outros no país. “Estou muito orgulhoso de meus jogadores. Taym, Pierre e Yaman são todos muitos bons. Nós vivendo esse sonho juntos e estou muito feliz em vê-los competindo aqui entre os 16 melhores times do mundo”, comenta o treinador. “Nossa missão é fazer com que o tênis continue existindo na Síria. Só se vive uma vez e você tem que lutar. Nós lutamos no tênis porque é o que amamos”.

 

Andreescu aposta na meditação e ‘visualização criativa’
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2019 às 11:38 am

Campeã do US Open no último sábado, Bianca Andreescu é uma jogadora em franca evolução no circuito. A canadense de apenas 19 anos iniciou a temporada apenas no 152º lugar do ranking, mas escalou rapidamente as posições até a atual quinta colocação. Antes da conquista de seu primeiro Grand Slam, já havia conquistado dois torneios expressivos de nível WTA Premier, o primeiro no mês de março em Indian Wells e o segundo no mês passado, jogando em casa, em Toronto. Ela já tem como próximas metas a busca por novos títulos de Slam e a liderança do ranking.

Uma das apostas de Andreescu para evoluir tão rápido é sua preparação mental. Ao longo da temporada, a canadense falou algumas vezes sobre seus métodos de meditação e ‘visualização criativa’, apresentados por sua mãe, Maria, que partiu da Romênia para o Canadá ainda na década de 1990. De acordo com a jovem jogadora, a ideia é mentalizar situações adversas para que isso a auxilie nas tomadas de decisão em quadra.

“Minha mãe me mostrou como meditar e me apresentou a tudo isso. Eu realmente acho que isso me ajuda a permanecer focada. Eu faço muitas visualizações criativas, onde me imagino em situações difíceis e como sou capaz de lidar com elas. Também sempre me vejo levantando o troféu no final. E é isso que venho fazendo há tantos anos e agora se tornou realidade”, disse Andreescu ao site da WTA, após o título de Indian Wells, onde derrotou a ex-número 1 do mundo Angelique Kerber na final.

Algoz de Serena Williams na decisão do US Open, Andreescu explicou aos jornalistas em Nova York, que sempre se imaginava vencendo a multicampeã em uma final. A canadense sequer era nascida quando a norte-americana ganhou seu primeiro Grand Slam, também em Nova York em 1999, mas acompanhou perto as conquistas mais recentes de Serena, dona de 23 títulos de Slam e recordista de troféus na Era Aberta do tênis.

“Eu estava imaginando isso há muito tempo. Dois meses depois de vencer o [torneio juvenil] Orange Bowl [em 2015], eu já me via nessa situação. Desde aquele dia, eu tenho visualizado essa imagem quase todos os dias. Mas é claro. Quando isso se torna realidade é uma loucura. Parece que essas visualizações funcionam!”

Apesar da pouca idade, Andreescu garante que o trabalho para se tornar uma grande jogadora vem de longa data. “Tenho me dedicado muito desde os 12 anos, porque sabia exatamente o que queria fazer e o que eu queria realizar. Não foi fácil. Sempre há altos e baixos. Mas esses maus momentos realmente me ensinaram muito. Eu tento não cometer os mesmos erros duas vezes e também tento encarar os bons momentos como motivação”, afirmou em entrevista ao site da WTA ainda em agosto de 2017, quando tinha apenas 17 anos e havia vencido a então top 20 Kristina Mladenovic em Washington.

A canadense conta que uma das principais motivações para seguir a carreira profissional foi ter jogado com grande presença de público no tradicional torneio francês Les Petit As, competição juvenil para jogadores de até 14 anos na França. Disputado desde 1983, o evento tem em sua galeria de campeões nomes como Rafael Nadal, Martina Hingis, Kim Clijsters e também já contou com nomes como Roger Federer, Novak Djokovic, Andy Murray, Angelique Kerber e Caroline Wozniacki. “Fui campeã do Les Petit As na França em 2014. É um torneio de muito prestígio, com muitas pessoas assistindo. Eu meio que me senti como uma profissional lá. Assinei autógrafos e tudo isso. Eu realmente amei aquilo. Foi quando pensei que queria ser profissional”.

Ainda neste início de carreira, Andreescu já venceu oito partidas contra jogadoras do top 10 e não perdeu nenhuma. Ela tenta explicar os motivos de tanto sucesso diante das primeiras colocadas no ranking. “Sempre tenho minhas melhores performances quando jogo contra elas. Eu não sei exatamente a razão. Isso sai naturalmente, eu acho. Talvez porque eu sei que se não o jogar bem, eu vou ser esmagada. (risos). Então eu tenho que estar focada desde o início. É o que tenho feito contra essas jogadoras”, comenta depois de ter sido campeã em Toronto, onde bateu três top 10 no caminho para o título.

Após conquistar o US Open, ela reiterou o discurso. “Estou realmente satisfeita com o meu desempenho contra essas grandes jogadoras. Meu treinador Sylvain [Bruneau] sempre me disse que eu posso enfrentar qualquer adversária, porque sou capaz de me adaptar a qualquer situação. Talvez ele esteja certo. Quero dizer, não quero enganar ninguém, mas fatos são fatos. Meus resultados realmente mostraram isso”, afirmou. “Estou satisfeita com minha força mental e com a compostura que mantenho em circunstâncias difíceis, como em Indian Wells, ou diante de grandes torcidas aqui no US Open, ou mesmo quando estava voltando de uma lesão e já venci Toronto fazendo muitos jogos de três sets. Isso é muito legal”.

Tcheco que treinava com colher é campeão juvenil no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 8, 2019 às 9:00 pm
O tcheco Jonas Forejtek conquistou o título neste domingo (Foto: Pete Staples/USTA)

O tcheco Jonas Forejtek conquistou o título neste domingo (Foto: Pete Staples/USTA)

Depois de superar uma rodada dupla no último sábado, o tcheco Jonas Forejtek conquistou o título do torneio juvenil do US Open. O jovem jogador de 18 anos e quinto colocado no ranking mundial da categoria derrotou o norte-americano Emilo Nava, 11º colocado, por 6/7 (4-7), 6/0 e 6/2 em 1h34 de partida.

Talvez o nome de Forejtek não seja tão familiar do grande público, mas um vídeo dele treinando quando ainda era criança viralizou nas redes sociais e é frequentemente replicado. Ainda em 2013, quando tinha apenas doze anos, Forejtek aparece utilizando uma colher de pau para executar seus golpes do fundo de quadra, forehand, backhand com duas mãos e até um slice. O vídeo original no YouTube já tem quase 30 mil visualizações.

O US Open foi o último torneio da carreira juvenil de Forejtek. Este ano, ele já havia sido campeão de duplas no Australian Open e em Wimbledon. Em simples, o tcheco venceu no mês de maio a 60ª ediçao do tradicionalíssimo Trofeo Bonfiglio, em Milão. Outro título expressivo de sua carreira foi o European Junior Championships de 2018, disputado no saibro de Klosters, na Suíça.

Como profissional, Forejtek conquistou em agosto os títulos de simples e duplas no ITF M25 no saibro de Vogau, na Áustria, e tem um título de duplas no challenger de Liberec. O jovem tcheco já aparece na 565ª posição do ranking da ATP em simples e é também o 368º colocado nas duplas.

Colombiana conquista o título no feminino

No feminino, o título ficou com a colombiana de 17 anos Maria Camila Osorio Serrano. Ela completou a festa para seu país, que já havia comemorado na sexta-feira o título de duplas masculinas com a forte parceria de Robert Farah e Juan Sebastian Cabal. Osorio Serrano venceu a norte-americana de 16 anos Alexandra Yepifanova por 6/1 e 6/0 neste domingo. A rápida partida durou apenas 48 minutos. Lembrando que as duas jogadoras disputaram rodadas duplas no sábado.

Oitava colocada no ranking mundial juvenil da ITF, Osorio Serrano só disputou os Grand Slam como juvenil neste ano e já se dedica ao circuito profissional. Ela já aparece no 271º lugar do ranking profissional, com três títulos de ITF. Ela também venceu dois jogos pelo WTA de Bogotá no início deste ano e caiu nas quartas de final para a norte-americana Amanda Anisimova.

Osório Serrano é a primeira colombiana a conquistar um título juvenil de Grand Slam e assumirá a liderança do ranking mundial da categoria. Até então, a melhor marca era de Mariana Duque Marino, finalista de Roland Garros em 2007. A jovem colombiana disputou torneios em solo brasilieiro no ano passado e falou ao TenisBrasil sobre seus objetivos no circuito. Com muita naturalidade, afirmou que “sonha ser a número 1 do mundo”.

Ainda na época, ela já se mostrava ciente de teria menos oportunidades durante a transição para o circuito profissional que outras jogadoras da mesma idade, mas de origem europeia ou norte-americana. “Uma menina dos Estados Unidos ou da Europa ganha convites para torneios importantes. Na América do Sul no máximo que dão é um convite para um torneio de 250 mil. Para elas, dão convite nos Grand Slam”.

Títulos de duplas

O título de duplas no masculino ficou com os norte-americanos Eliot Spizzirri e Tyler Zinc, que venceram a final contra o tcheco Andrew Paulson e o bielorrusso Alexander Zgirovsky por 7/6 (7-4) e 6/4. No feminino, vitória da letã Kamille Bartone e da russa Oksana Selekhmeteva contra as francesas Aubane Droguet e Selena Janicijevic por 7/5 e 7/6 (8-6). Selekhmeteva é treinada pela brasileira Roberta Burzagli, capitã da equipe nacional da Fed Cup e treinadora do programa de desenvolvimento da ITF.

Andreescu e Medvedev: Jovens desafiantes na final do US Open
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 7, 2019 às 5:49 pm

No fim-de-semana decisivo do US Open, as finais das chaves feminina e em Nova York têm pontos em comum. Nos dois casos, uma lenda do esporte será desafiada por um nome da nova geração do circuito. Neste sábado, a canadense de 19 anos encara Serena Williams às 17h (de Brasília). No dia seguinte, será a vez de o russo de 23 anos medir forças com Rafael Nadal. Além da pouca idade e da busca pelo primeiro título de Grand Slam, Andreescu e Medvedev compartilham o ótimo momento no circuito e ambos chegam à final do US Open após doze vitórias seguidas.

Andreescu pode ser campeã logo na primeira participação
Em suas seis vitórias no US Open, Andreescu só perdeu sets para a norte-americana Taylor Townsend nas oitavas e para a belga Elise Mertens nas quartas. Em sets diretos, derrotou a norte-americana Katie Volynets, a belga Kirsten Flipkens e a dinamarquesa Caroline Wozniacki durante a primeira semana, além de vencer a suíça Belinda Bencic em uma difícil semifinal de 2h13 na noite de quinta-feira.

Antes do Grand Slam norte-americano, Andreescu venceu seis jogos seguidos para conquistar o título do Premier de Toronto, tornando-se a primeira canadense a ser campeã em casa na Era Aberta. Algoz de nomes como Kiki Bertens e Karolina Pliskova, ela enfrentou a própria Serena na final. A disputa, entretanto, foi abreviada após quatro games e 19 minutos de jogo, já que a vencedora de 23 títulos de Grand Slam sofria com uma lesão nas costas e abandonou a partida.

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“Nunca me rendo. Isso é algo que está dentro de mim e faço o máximo possível em cada partida. Quando estou acuada é que mostro meu melhor tênis“, disse Andreescu, depois de ter vencido Bencic por 7/6 (7-3) e 7/5 na semi. A canadense sequer era nascida quando Serena venceu seu primeiro Grand Slam, no US Open de 1999, conquista que completa 20 anos nesta temporada. “Ela é uma grande campeã, dentro e fora de quadra. Lembro de assistir aos jogos dela desde quanto eu tinha 10 anos e vi a maioria de seus títulos de Grand Slam. Estou segura de que ela vai jogar seu melhor tênis no sábado”.

Andreescu faz sua primeira participação na chave principal do US Open e já chega à final. A última jogadora a conseguir esse feito em Nova York havia sido Venus Williams, vice-campeã em 1997. Esta é apenas sua quarta aparição em uma chave principal de Grand Slam. Dessa forma, ela pode repetir a façanha de Monica Seles, que também disputava seu quarto Grand Slam quando venceu Roland Garros em 1990.

A jovem canadense tem uma evolução notória no circuito. Ela era a número 208 do mundo há doze meses e começou a temporada apenas no 152º lugar do ranking. Com os títulos expressivos em Indian Wells e Toronto, além das finais de Auckland e Acapulco, chegou ao top 15 no ranking. A campanha até a final do US Open rende 1.300 pontos no ranking e a fará debutar grupo das dez melhores do mundo, podendo chegar ao quinto lugar em caso de título, que dá 2 mil pontos. Lembrando que ela poderia esta ainda melhor no ranking, mas uma lesão no ombro direito a deixou afastada de vários torneios no saibro e na grama entre março e agosto. Nesse período, apenas jogou uma partida em Roland Garros.

A canadense também pode ser a primeira jogadora com menos de 20 anos a conquistar um Grand Slam desde Maria Sharapova no US Open de 2006. Andreescu é a segunda atleta nessa faixa etária em uma final de Slam na temporada, repetindo o que fez a canhota tcheca Marketa Vondrousova no saibro de Roland Garros. Antes disso, a última atleta tão jovem a atingir uma decisão de Grand Slam havia sido Caroline Wozniacki, vice no US Open de 2009.

Medvedev vive momento iluminado no circuito
No domingo, será a vez de Daniil Medvedev tentar fazer valer sua excelente fase no circuito. O russo de 23 anos é o jogador com maior número de vitórias na temporada, com 50 no total. Em sua preparação para o US Open, disputou três finais seguidas, ficando com o vice no ATP 500 de Washington e no Masters 1000 de Montréal antes de conquistar o maior título da carreira no Masters 1000 de Cincinnati. Somando a recente conquista com a campanha em Nova York, defende uma invencibilidade de doze jogos e venceu 20 das últimas 22 partidas que disputou.

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Cinco dos sete jogos de Medvedev neste US Open foram definidos em quatro sets. Foi assim contra o boliviano Hugo Dellien na segunda rodada, o espanhol Feliciano López na terceira fase, o alemão vindo do quali Dominik Koepfer nas oitavas e contra o suíço e campeão de 2016 Stan Wawrinka nas quartas de final. Apenas a estreia contra o indiano Prajnesh Gunneswaran e a semifinal diante do búlgaro Grigor Dimitrov foram definidas em sets diretos.

“Entendo que o que fiz nessas quatro semanas é incrível. Não quero parar. Sempre trabalharei para melhorar. Tentarei fazer o meu melhor todos os dias”, disse Medvedev depois de ter vencido a semi contra Dimitrov por 7/6 (7-5), 6/4 e 6/3. “Antes, meu melhor resultado em Grand Slam era de oitavas de final. Eu sentia que era muito difícil vencer uma partida de cinco sets, mas sabia que estava no caminho certo. Mas aqui, nessas semanas, tudo deu certo. Ganhei muitas partidas em quatro sets, o que mostra o quão bem eu estava aqui mentalmente e fisicamente”.

Uma das raras derrotas para Medvedev nos últimos quatro torneios que disputou foi para Nadal na final do Masters 1000 do Canadá. Até por isso, ele sabe exatamente o que esperar de sua primeira final de Slam. “Ele é um dos maiores campeões da história de nosso esporte. É uma máquina em quadra. A energia que mostra é simplesmente incrível. Enfrentá-lo na minha primeira final de Grand Slam é incrível, será algo incrível de se viver”, comenta o número 5 do mundo sobre o duelo com o tricampeão do US Open e dono de 18 títulos de Slam.

O jogo no Canadá foi muito difícil. Como eu disse, a energia dele era muito maior do que a minha. Eu diria que ele me engoliu na quadra e não me deixou respirar. Ele era mais forte e mais rápido, e eu simplesmente não consegui acompanhar o nível dele. É ótimo que eu já tenha essa experiência anterior de jogar contra ele numa final de Masters 1000. Eu sei o que esperar e sei como me preparar para o jogo”, acrescenta o russo, que deverá terminar o US Open na quarta posição do ranking e já está classificado para o ATP Finals.

Personagens também protagonizaram polêmicas na temporada.
Em comum entre Andreescu e Medvedev também estão alguns episódios polêmicos este ano. O russo incorporou o papel de ‘vilão’ nas primeiras fases deste US Open, mas recuou depois da repercussão negativa e fez as pazes com a torcida. Já a canadense desenvolveu uma rivalidade com a ex-número 1 do mundo Angelique Kerber, alemã de 31 anos, ainda no início da temporada.

Andreescu derrotou Kerber na final de Indian Wells e na terceira rodada em Miami. Nos dois jogos, a alemã se queixou dos seguidos pedidos de atendimento médico de sua jovem adversária e a acusou de supervalorizar os problemas físicos para esfriar o jogo. No cumprimento junto à rede, Kerber disse que Andreescu é “a maior ‘drama queen‘ de todas”, expressão em inglês para dizer que uma pessoa exagera na atuação dramática.

Em entrevista após a partida, Andreescu contornou a situação. “Escutei o que ela falou e não foi bonito, mas entendo que foi no calor do momento. Eram 2h da manhã e ela havia perdido para mim em Miami e Indian Wells. Sei que cada vez que entramos em quadra é uma batalha, mas prefiro ficar na minha e não ficar discutindo”, disse à CBC.

Já as polêmicas de Medvedev no US Open começaram na terceira rodada e continuaram nas oitavas. Durante o primeiro set da partida contra Feliciano Lopez, o russo foi ríspido ao retirar a toalha das mãos de um dos boleiros e acabou sendo advertido pelo árbitro Damien Dumusois. Ele e o juiz entraram em atrito e o russo exibiu o dedo médio, gesto que não foi percebido pelo árbitro de cadeira, mas foi captado pela transmissão de TV e exposto no telão do estádio. Vaiado pela torcida, o russo provocou o público depois de vencer o jogo.

“Foi a energia de vocês que me fez vencer a partida de hoje. Se não fosse por vocês, eu provavelmente perderia o jogo, porque eu estava muito cansado e senti câimbras na última partida. Quero que todos saibam, quando forem dormir hoje à noite, que eu ganhei por causa de vocês. Toda essa energia que vocês me deram hoje vai me abastecer pelos próximos cinco jogos. Quanto mais vocês fizerem isso, mais eu vou vencer”, afirmou ainda na entrevista em quadra.

Multado em US$ 9 mil pelo mau comportamento, Medvedev foi novamente vaiado nas oitavas e continuou provocando a torcida. Mas depois pediu desculpas: “Sobre minha última partida, fui um idiota e fiz coisas que não tenho orgulho. Estou trabalhando para ser uma pessoa melhor em quadra porque creio que sou assim fora dela”. Depois disso, mais duas vitórias e nada de vaias. Deu tempo até para uma comemoração nos braços do povo.

https://twitter.com/DaniilMedwed/status/1169036193952083969

O que esperar da nova geração no US Open?
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 24, 2019 às 12:07 am

Em meio a diferentes expectativas, tenistas da nova geração do circuito iniciam a disputa do US Open na próxima segunda-feira. Primeiras colocadas no ranking, Naomi Osaka e Ashleigh Barty chegam como fortes candidatas ao título da chave feminina, enquanto Sofia Kenin e Bianca Andreescu ganharam moral após os resultados das últimas semanas. Entre os homens, evidente destaque para a grande fase de Daniil Medvedev, enquanto Karen Khachanov, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas seus buscam melhores resultados em Grand Slam. Nomes como Andrey Rublev e Felix Auger-Aliassime também estão dispostos a surpreender.

As jovens líderes do ranking feminino

Como tem sido frequente no circuito, a nova geração feminina mostra força no US Open e terá as duas principais cabeças de chave. Líder do ranking mundial e atual campeã em Nova York, Naomi Osaka é a principal cabeça de chave da competição. A japonesa de 21 anos tem a missão de defender 2 mil pontos no ranking. Já a australiana Ashleigh Barty, vice-líder do ranking e campeã de Roland Garros, é grande candidata a terminar o torneio na primeira posição. Ela defende apenas 240 pontos das oitavas de final de 2018.


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Osaka estreia contra a russa Anna Blinkova. Depois pode enfrentar a polonesa Magda Linette ou a australiana Astra Sharma. Quem pode cruzar o caminho da japonesa na terceira rodada é a ex-top 10 espanhola Carla Suárez Navarro, enquanto a suíça Belinda Bencic pode pintar nas oitavas. O quadrante ainda tem o duelo entre as bielorrussas Victoria Azarenka e Aryna Sabalenka, além da sétima favorita Kiki Bertens.

Já Barty, que está com 23 anos, estreia contra a cazaque Zarina Diyas. Na rodada seguinte, pode pintar a norte-americana Lauren Davis ou uma rival vinda do quali. A australiana pode encarar a grega Maria Sakkari na terceira rodada, antes de um eventual duelo contra a ex-líder do ranking Angelique Kerber nas oitavas. Caso chegue às quartas, ela pode cruzar o caminho da hexacampeã Serena Williams.

Andreescu e Kenin chegam voando, Gauff retorna

Outros três bons nomes para prestar atenção na chave feminina em Nova York são a canadense Bianca Andreescu e as norte-americanas Sofia Kenin e Cori Gauff. Andreescu, de 19 anos, já é número 15 do mundo e foi campeã do Premier de Toronto em uma campanha espetacular, eliminando jogadoras do top 10 como Karolina Pliskova e Kiki Bertens. A final contra Serena Williams foi breve, já que a rival abandonou por lesão nas costas. Kenin, de 20 anos, aparece no top 20 do ranking após semifinais no Canadá e em Cincinnati, com quatro vitórias sobre top 10 no período. Já Gauff, de apenas 15 anos e 141ª do ranking, recebeu convite após a campanha até as oitavas em Wimbledon.

A estreia de Andreescu é contra a convidada local Katie Volynets. Depois, ela pode enfrentar Mona Barthel ou Lesia Tsurenko, enquanto a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki pode pintar na terceira rodada. A canadense pode enfrentar Petra Kvitova ou Sloane Stephens nas oitavas e Simona Halep nas quartas. Kenin terá um duelo norte-americano contra a ex-top 10 CoCo Vandeweghe e pode reeditar a semi de Cincinnati contra Madison Keys já na terceira rodada. Já Gauff estreia contra a russa Anastasia Potapova e pode cruzar o caminho de Osaka na terceira rodada.

https://twitter.com/WTA/status/1162172668365307904

A nova geração norte-americana ainda apresenta duas jovens de 17 anos, Whitney Osuigwe e Catherine McNally. A estreia de Osuigwe será contra a número 5 do mundo Elina Svitolina, enquanto McNally desafia a ex-top 10 Timea Bacsinszky. McNally foi semifinalista no WTA de Washington e aparece no 111º lugar do ranking. Já Osuigwe optou por torneios menores, mas já está muito perto de entrar no top 100. Ela ocupa atualmente a 107ª colocação.

Medvedev em grande fase, Tsitsipas tem estreia dura

O principal nome da nova geração masculina no US Open é Daniil Medvedev. O russo de 23 anos venceu 14 dos 16 jogos que fez em torneios preparatórios, chegando às finais de Washington e Montréal antes de conquistar o maior título da carreira no Masters 1000 de Cincinnati. A grande fase faz com que o russo alcance o inédito lugar no ranking mundial.

Para melhorar a situação, Medvedev tem uma chave favorável. Ele estreia contra o indiano Prajnesh Gunneswaran. Depois, pode enfrentar o boliviano Hugo Dellien ou um jogador vindo do quali. O cabeça de chave mais próximo do russo é o norte-americano Taylor Fritz, enquanto Nikoloz Basilashvili ou Fabio Fognini podem pintar nas oitavas. O primeiro encontro com um rival melhor colocado seria nas quartas, diante do número 1 do mundo Novak Djokovic, a quem já venceu duas vezes este ano.

Outros três jovens jogadores do top 10 estão do outro lado da chave. O grego de 20 anos Stefanos Tsitsipas, número 8 do mundo, terá um duelo da nova geração contra o russo de 21 anos Andrey Rublev, 47º colocado, logo na rodada de estreia. Tsitsipas está no mesmo setor da chave de Nick Kyrgios, seu possível adversário na terceira rodada. Caso chegue até as quartas, pode cruzar o caminho de Dominic Thiem.

Já Alexander Zverev, número 6 do mundo aos 22 anos, e Karen Khachanov, nono colocado aos 23 anos, estão no quadrante do número 2 do mundo e tricampeão Rafael Nadal. Zverev estreia contra o moldavo Radu Albot e pode enfrentar o francês Benoit Paire na terceira rodada. Já Khachanov inicia sua campanha diante do canadense Vasek Pospisil e tem Diego Schwartzman como cabeça de chave mais próximo.

O duelo canadense e os jovens estreantes

Um jogo que merece a atenção do público envolve os canadenses Felix Auger-Aliassime, de 19 anos e 19º do ranking, e Denis Shapovalov, 38º colocado aos 20 anos. Eles já se enfrentaram no US Open do ano passado, quando Aliassime precisou abandonar durante o terceiro set. Este ano, o mais jovem canadense levou a melhor no Masters 1000 de Madri. Já Shapovalov venceu pelo challenger de Drummondville em 2017.

Entre os estreantes nesta edição do US Open, destaque para o italiano de 18 anos Jannik Sinner, que disputará seu primeiro Grand Slam. Ele passou por três rodadas do quali e confirmou sua boa fase. Só neste ano, saltou do 551º lugar do ranking que ocupava em janeiro para a atual 131ª posição. Também furaram o quali o sul-coreano de 23 anos Hyeon Chung, ex-top 20 e atual 151º colocado após ficar cinco meses sem jogar por lesão nas costas, e o norte-americano de 18 anos Jenson Brooksby.

jovem norte-americano de 16 anos Zachary Svajda, jogador que ocupa o modesto 1.410º lugar no ranking da ATP e tem apenas três vitórias em nível future em sua carreira profissional e conseguiu convite para a chave principal do Grand Slam norte-americano depois de ser campeão do USTA Boys’ 18s National Championship, o torneio nacional infanto-juvenil. Seu adversário será o sul-africano Kevin Anderson, ex-top 5 e atual 17º do ranking.

Rock n’ Roll embala a ótima fase de Swiatek na WTA
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 8, 2019 às 7:30 pm

Com apenas 18 anos, a polonesa Iga Swiatek é mais um bom nome da nova geração do tênis feminino apresentada ao grande público ao longo desta temporada. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, Swiatek teve uma rápida e bem sucedida transição ao circuito profissional. Ela começou a temporada na 186ª colocação do ranking da WTA, mas já aparece na 65ª posição.

Na última quarta-feira, Swiatek conseguiu a vitória mais expressiva de sua carreira. Ela surpreendeu a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki, atual 18ª colocada, com parciais de 1/6, 6/3 e 6/4 pela segunda rodada do WTA Premier de Toronto. Vinda do quali no torneio canadense, a polonesa já venceu quatro jogos seguidos e desafiará a vice-líder do ranking mundial Naomi Osaka nesta quinta-feira.

Iga Swiatek é um dos destaques da nova geração feminina em 2019

Iga Swiatek é um dos destaques da nova geração feminina em 2019

Fora das quadras, Swiatek chama atenção pelo gosto musical. É fã de clássicos do rock como as bandas Pink Floyd e AC/DC, além de também admirar o guitarrista mexicano Carlos Santana. “Sou obcecada por música. Eu tenho um tipo de música para cada estado de espírito, mas eu amo o rock e eu amo o Pink Floyd”, disse Swiatek ao site da WTA durante sua boa campanha até as oitavas em Roland Garros.

“Minhas músicas favoritas são ‘Learning to Fly’ e ‘Comfortably Numb’ e recentemente eu tenho escutado ‘Shine On You Crazy Diamond’“, afirmou a jovem polonesa de 18 anos. “Se eu tiver mais vontade de ouvir pop, eu gosto do ABBA. Mas também gosto do Coldplay, Florence and the Machine e do Santana. E se eu quiser algo mais agressivo, o AC/DC me deixa de bom humor. Eu tenho ouvido ‘Thunderstruck’ antes dos jogos”.

Depois de vencer Wozniacki no Canadá, Swiatek voltou a falar sobre música e contou sobre as visitas às lojas de discos de vinil que fez em Toronto. “[Comprei discos de] Sade, Santana, e Florence and the Machine, porque ainda não tenho todos os álbuns dela. Minha treinadora comprou um do Bon Jovi para mim e escreveu “Voe alto, kiddo”.

Dentro de quadra, Swiatek está em franca evolução ao longo da temporada. Ainda em janeiro, furou o quali do Australian Open e disputou seu primeiro Grand Slam na chave principal. Já nas quadras de saibro, disputou uma final de WTA em Lugano, na Suíça. Semanas depois, chegou às oitavas em Roland Garros. Ela venceu quatro jogos antes de cair diante da romena Simona Halep, mas tirou boas lições do duelo contra a ex-número 1.

“Obviamente é muito diferente enfrentar uma jogadora como Simona do que assisti-la na TV”, comentou em entrevista coletiva após a dura por 6/1 e 6/0 para Halep em Paris. “A maior coisa que mais me surpreendeu foi sua capacidade de jogar numa direção que eu não estava preparada. Quando eu sentia que ela ia jogar na cruzada, ela jogava na paralela, e eu não estava pronta para isso. Acho que mentalmente talvez eu não estivesse pronta. Mas isso é uma coisa normal. Sou muito jovem e terei muitas oportunidades para aprender. Se eu quiser jogar em um nível como o dela, eu tenho que me acostumar com isso”.

A experiência do jogo contra Halep ajudou no confronto contra Wozniacki. “Foi muito difícil. Eu estava muito nervosa durante todo o jogo, mas tentei controlar as emoções e colocar a bola na quadra, não arriscar muito. Esse foi o grande erro que cometi em Roland Garros contra a Simona Halep”, avaliou. “Eu pensei muito sobre as táticas com a minha treinadora, porque sou uma jogadora com potência nos golpes, mas achei que não seria a melhor coisa a fazer contra a Caroline, porque geralmente você acaba jogando ainda mais rápido. Eu tentei jogar mais bolas com top spin e esperar pelos erros dela. Joguei fora da minha zona de conforto”.

Juvenil japonês assume o nº 1 após título de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 15, 2019 às 10:02 pm
Shintaro Mochizuki é o primeiro japonês a ganhar um Grand Slam juvenil no masculino (Foto: Arata Yamaoka)

Shintaro Mochizuki é o primeiro japonês a ganhar um Grand Slam juvenil no masculino (Foto: Arata Yamaoka)

Mesmo com pouquíssima experiência em quadras de grama, o japonês de 16 anos Shintaro Mochizuki fez história para seu país e conquistou o título juvenil de Wimbledon no último domingo após a vitória por 6/3 e 6/2 sobre o espanhol Carlos Gimeno Valero. Mochizuki é o primeiro japonês a vencer um Grand Slam juvenil entre os meninos. No feminino, Kazuko Sawamatsu foi campeã de Roland Garros e Wimbledon em 1969.

Chama atenção o fato de Mochizuki ter disputado seu primeiro torneio na grama apenas duas semanas antes de Wimbledon. Mas logo de cara, foi campeão de um torneio ITF J1 em Nottingham. Na sequência, chegou às oitavas em Roehampton, onde também foi semifinalista de duplas, para então ser campeão do Grand Slam londrino.

Se há duas semanas, Mochizuki entrava no top 10 do ranking mundial juvenil, nesta segunda-feira ele já aparece na liderança do ranking. Ele ultrapassou oito concorrentes para assumir a liderança, deixando para trás o dinamarquês Holger Rune (campeão de Roland Garros) e o italiano Lorenzo Musetti (vencedor do Australian Open).

Apesar de ter jogado muito pouco no piso, o estilo de jogo do japonês acabou sendo bem propício ao piso. “Eu gosto de vir para a rede. Meu treinador me ensinou, e eu sou bom nisso. Eu pratiquei muito e melhorei a cada jogo jogo”, comenta Mochizuki, que passou quatro anos na IMG Academy, na Flórida, onde também conheceu Kei Nishikori. “Ele é muito legal. E me deu muitos conselhos na academia. Às vezes eu treino com ele e aprendi bastante com ele. É um cara esperto”.

Superado por Mochizuki na final, Carlos Gimeno Valero está com 18 anos e disputava uma competição na grama pela primeira vez. “Eu nunca havia jogado na grama e foi meu primeiro torneio, então foi uma experiência muito boa. Não foi tão difícil. Desde o primeiro momento, me senti bem e melhorei com o passar dos dias”, comenta o espanhol, que saltou do 49º para o 13º lugar do ranking.

Um dado curioso sobre Gimeno Valero é que ele é treinado pelo espanhol de 27 anos Javier Martí. Apontado como um possível sucessor de Rafael Nadal no início de sua carreira profissional, com 18 títulos de nível future, Martí acumulou 50 vitórias e quatro finais em challenger, mas só venceu dois jogos de ATP. Depois de ter como melhor ranking apenas o 170º lugar, deixou de jogar profissionalmente e investiu na carreira de treinador.

Ucrânia forma mais uma campeã
O título da chave feminina no torneio juvenil de Wimbledon ficou com a ucraniana Daria Snigur, outra que se destacou em torneios preparatórios e venceu doze jogos seguidos na grana. Uma semana antes do Grand Slam londrino, ela foi campeã em Roehampton. Nas duas finais, ela venceu a norte-americana Alexa Noel em sets diretos, marcando um duplo 6/4 no último sábado e as parciais de 6/1 e 6/2 na semana anterior.

Snigur repete a conquista de Kateryna Bondarenko em 2004. Nesta década, outras duas ucranianas foram finalistas do torneio juvenil de Wimbledon, Elina Svitolina em 2012 e Dayana Yastremska em 2016. Recentemente, a Ucrânia ainda formou Marta Kostyuk, que foi campeã juvenil do Australian Open em 2017. Já com 17 anos e com três títulos profissionais no circuito da ITF, Snigur encerra sua trajetória como juvenil e passa a focar nas competições profissionais. Ela já aparece no 423º lugar do ranking da WTA.