Título recompensa o jogo mental de Cerundolo
Por Mario Sérgio Cruz
março 1, 2021 às 9:24 pm

Com estilo de jogo cada vez menos comum, Cerundolo se destacou pela disciplina e pelo preparo mental para jogar muitos pontos longos (Foto: Cordoba Open)

Um campeão improvável marcou o início da breve temporada de torneios sul-americanos em quadras de saibro. O argentino de 19 anos Juan Manuel Cerundolo disputou em Córdoba uma chave principal de ATP 250 pela primeira vez na carreira e terminou a semana com o troféu nas mãos. Cerundolo é o primeiro jogador desde 2004 a vencer um torneio logo em sua estreia na elite do circuito. O último a conseguir essa façanha foi o espanhol Santiago Ventura no saibro de Casablanca.

Cerundolo chegou a ser número 9 do ranking mundial juvenil e ainda dá os primeiros passos no tênis profissional. Então 335º do ranking na campanha, ele se tornou o quinto pior colocado a vencer um torneio deste porte. O recorde de Lleyton Hewitt, que foi campeão em Adelaide em 1998 ocupando o 550º lugar dificilmente será alcançado. Pelo título no saibro argentino, o jovem jogador de 19 anos salta para o 181º lugar. Além disso, é o argentino mais jovem a vencer um torneio deste porte desde Guillermo Coria em 2001.

Mas o que mais chamou atenção ao longo da semana de Cerundolo foi seu estilo de jogo cada vez menos comum e a possibilidade de ‘entrar na cabeça’ dos adversários. O argentino não força o saque, joga bem atrás da linha de base, sustenta várias trocas longas do fundo de quadra e muitas vezes recorre às bolas mais altas. Ele teve muita disciplina para manter esse padrão de jogo mesmo em partidas muito longas, mas também mostrou que tinha outros recursos nos momentos em que precisava atacar mais a bola ou disputar um ponto junto à rede.

“Na quadra, sou um jogador mais defensivo e de contra-ataque. Gosto de usar o ritmo dos meus adversários contra eles, e quando posso atacar com o forehand, eu o uso para ditar os pontos”, disse Cerundolo, em entrevista ao site da ATP após a conquista do título em Córdoba.

Seu pai, Alejandro, jogou profissionalmente na década de 1980 e deu um apelido muito curioso para o filho. “Eu o chamo de Hannibal Lecter. Ele come miolos de rivais”, confessa Alejandro, em entrevista ao jornal argentino La Nación. A referência é o personagem de ficção criado pelo escritor Thomas Harris no livro ‘Dragão Vermelho‘, de 1981, e interpretado no cinema por Anthony Hopkins.

Monteiro relata a dificuldade para enfrentar o argentino
O brasileiro Thiago Monteiro, que enfrentou Cerundolo nas quartas de final do torneio, teve dificuldades para lidar com as frequentes trocas longas do fundo de quadra e cometendo muitos erros não-forçados que custaram caro na partida. “O adversário foi muito sólido. Ele tem um jogo muito diferente do que estou acostumado a jogar, com muita bola alta e variação. É um bom jogador e que exige muito, ele teve o mérito de vencer o jogo. Não consegui encontrar uma forma de ser agressivo com consistência, cometi muitos erros e isso custou um pouco o jogo, principalmente no terceiro set”, disse após a derrota por 6/2, 2/6 e 6/3 na última sexta-feira.

Ao longo da incrível campanha em Córdoba, Cerundolo venceu oito jogos seguidos. Inclui três brasileiros, já que ele também derrotou João Menezes e Thiago Wild. Outras vitórias expressivas foram sobre o sérvio Miomir Kecmanovic (número 41 do mundo), além da final contra o experiente espanhol Albert Ramos, jogador de 33 anos e então 46º do ranking.

“Sinceramente, nunca pensei ou imaginei que pudesse ser campeão. Acho que foi acontecendo passo a passo, aos poucos. Primeiro, o meu objetivo era passar pelo quali e depois queria vencer uma rodada”, admitiu o argentino. “Aí comecei a pensar no jogo contra o [Miomir] Kecmanovic, depois o venci. Eu só estava pensando partida a partida. Nunca na minha vida imaginei que poderia ganhar o torneio. Então talvez essa fosse a chave, porque nunca me senti ansioso”.

Com o salto no ranking, apesar de não entrar no top 100, Cerundolo já traça os objetivos para os próximos meses. “Tenho pensado um pouco sobre isso. Vou competir nas chaves principais dos challengers e talvez jogar qualis em mais torneios da ATP e nos Grand Slam, que é o que me deixa mais feliz. Antes disso, eu nem pensava no top 100. Estava mirando no Top 200, e que ainda assim parecia muito longe. Agora, só preciso continuar jogando e aproveitar ao máximo”.

Conquista brasileira nas duplas

A semana em Córdoba também foi ótima para dois brasileiros, Rafael Matos e Felipe Meligeni Alves, que conquistaram o título de duplas no saibro argentino. Com histórico ainda pequeno em torneios deste porte, ambos atuavam apenas pela terceira vez em eventos de nível ATP, sendo que Meligeni já havia disputado uma semifinal no Rio Open do ano passado, ao lado de Thiago Monteiro. Nenhum deles havia ainda alcançado uma final, mesmo atuando com outros parceiros.

Com a conquista, ambos saltam no ranking e se aproximam do top 100. Aos 25 anos, o gaúcho Rafael Matos era o número 131 do mundo e passou a ser o 102º colocado. Já o paulista Felipe Meligeni, de 22 anos, saltou do 123º para o 101º lugar. “Foi uma semana especial. Estávamos inscritos como alternates [na lista de espera] e entramos na chave de última hora. Foi uma experiência muito boa para nós, que jogamos juntos em um torneio da ATP pela primeira vez”, disse Meligeni, que havia atuado ao lado de Matos em dois challengers na Turquia este ano.

“Espero que possamos ganhar mais títulos juntos, e até mesmo em simples também”, afirmou o paulista ao site da ATP, após a vitória na final contra o monegasco Romain Arneodo e o francês Benoit Paire por 6/4 e 6/1. “Acho que a cada jogo estávamos melhorando. As quartas e as semifinais foram muito difíceis contra grandes jogadores. Conseguimos jogar nosso melhor tênis nos momentos difíceis. Então na final sabíamos o que fazer, embora estivéssemos um pouco nervosos no início”.

O Filho da Lenda
No sul do Brasil, Porto Alegre recebeu mais uma etapa do Brasil Juniors Cup (antiga Copa Gerdau e Campeonato Internacional Juvenil). O título do torneio ITF J1 deste ano ficou com Leo Borg, sueco de 17 anos e então 43º colocado no ranking mundial da categoria. Filho do ex-número 1 do mundo Bjorn Borg, dono de 11 títulos de Grand Slam, Leo recebeu convite para jogar o quali na capital gaúcha e teve a presença do pai nas arquibancadas da Associação Leopoldina Juvenil, que não poderia receber público externo.

“É um sentimento indescritível, este é meu primeiro título de um torneio J1 e estou muito feliz”, disse Leo Borg após a vitória na final sobre o norte-americano Bruno Kuzuhara por 3/6, 6/4 e 6/2. “Consegui jogar muito bem durante a semana inteira e certamente ir para o próximo torneio com um título destes me faz chegar ainda mais confiante. Só tenho a agradecer a todos, que foram muito gentis durante toda a semana”.

Seu pai, a lenda do tênis Bjorn Borg, comemorou a campanha do filho e a estadia no Brasil. “Eu e minha esposa estamos muito felizes por estar no Brasil. Não é minha primeira vez no país e, em todas as vezes que estive aqui, adorei as cidades e as pessoas, que sempre foram muito hospitaleiras. Parabenizo a organização por realizar esse torneio mesmo nos tempos difíceis que atravessamos e com certeza estaremos aqui no ano que vem se formos convidados”, disse ao site da CBT.

Victoria Barros rouba a cena

Outro nome que merece destaque ao fim do Brasil Juniors Cup é o da paranaense Victoria Barros. Com apenas 11 anos e vinda do projeto social Instituto Ícaro, de Curitiba, ela conseguiu chegar à final da categoria 14 anos, enfrentando adversárias mais velhas. A diferença de idade nessa categoria costuma ser considerável. Ainda assim, ela fez ótima campanha e só parou na argentina Sara Conde, que venceu a final disputada na Sogipa por 6/4 e 6/2.

As lições das derrotas de Swiatek e Aliassime
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 15, 2021 às 2:38 pm

Representantes mais jovens nas oitavas de final feminina e masculina do Australian Open, Iga Swiatek e Felix Auger-Aliassime se despediram do torneio no último domingo em momentos muito distintos. A polonesa de 19 anos reencontrou a número 2 do mundo Simona Halep, a quem havia derrotado na campanha para o título de Roland Garros, e começou bem, mas não conseguiu lidar com as mudanças táticas que a experiente romena adotou a partir do segundo set. Já o canadense de 20 anos entrou como favorito diante do russo vindo do quali Aslan Karatsev, 114º do ranking, e venceu os dois primeiros sets, mas deixou escapar uma grande chance de chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez ao permitir a virada. Para ambos, ficam as lições das derrotas para a sequência da temporada.

“Estou um pouco decepcionada, porque o primeiro set foi perfeito para mim. Senti que estava jogando bem. Acho que a Simona conseguiu mudar suas táticas, começou a jogar com mais topspin e isso foi difícil para mim. Eu já não conseguia controlar os golpes”, disse Swiatek, depois da derrota por 3/6, 6/1 e 6/4 para Halep em 1h50 de partida. “Eu tenho muito respeito pela Simona. Parece que ela tem muitas opções. E quando algo não está dando certo, ela apenas muda a tática e isso é ótimo. Essa é a diferença entre as campeãs e as jogadoras menos experientes, porque eu não sentia que tinha muitas opções”.

Apesar de ser uma tenista com muita habilidade e capaz de variar bastante o jogo com muitos recursos, Swiatek mostrou que também tinha condição física e potência nos golpes para sustentar as trocas de fundo contra uma rival tão sólida como Halep. A polonesa fez um primeiro set muito consistente, ao anotar 14 winners contra 8 e cometer 11 erros, apenas um a mais que a romena.

Mas Swiatek perdeu consistência do fundo de quadra a partir do segundo set e as estatísticas mostram isso. Enquanto no set inicial ela havia vencido 19 dos 31 pontos com cinco ou mais trocas de bola, o número de ralis caiu para apenas 17 na parcial seguinte com 10 a 7 para Halep. A romena também dominava os pontos mais curtos, com até quatro trocas, por 16 a 6. E não foi necessário para a vice-líder do ranking encurtar os pontos ou jogar de forma mais agressiva, porque era Swiatek quem errava cedo demais. “Ela jogou de forma muito inteligente. Talvez eu estivesse batendo muito forte na bola e arriscando demais, mas tive que fazer isso porque ela estava variando muito o jogo e eu precisava definir os pontos”, avalia a 17ª do ranking.

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“Os golpes dela estavam mais pesados que no primeiro set, e eu precisava atacá-la mais vezes e cometi muitos erros não-forçados”, comentou a polonesa, que cometeu 12 erros não-forçados na parcial, sendo sete ainda nas quatro primeiras trocas de cada ponto. Halep cedeu apenas quatro pontos em seus games de serviço, pressionou nas devoluções para quebrar duas vezes, e só precisou fazer cinco winners no set, um a mais que Swiatek, além de cometer apenas três erros não-forçados. “E eu senti que eu não tinha tanta energia no segundo set, tentei me poupar para o terceiro. Mas aí no terceiro, quando tive o saque quebrado, eu não consegui devolver a quebra. Mas assim é o tênis”.

A campeã de Roland Garros acredita que soube lidar bem melhor com a pressão a expectativa por um outro resultado depois de seu primeiro título de Grand Slam. “Eu me sinto muito melhor agora do que na minha primeira semana aqui, quando eu joguei o torneio da WTA. Eu não tive nenhum problema com isso nessa semana. E mesmo no jogo de hoje, eu ainda me sentia como a zebra, porque estava jogando contra a Simona. Mas no geral isso não me incomodou aqui. Vamos ver como será nos próximos torneios, porque cada semana é diferente. Eu não posso dizer com certeza que vou ter a mesma atitude pelo resto do ano, mas esse é o meu objetivo”.

A derrota difícil de engolir para Aliassime

Já Aliassime sente que deixou escapar uma ótima oportunidade de conseguir uma campanha expressiva em Grand Slam e dar continuidade ao bom início de temporada que está fazendo. Depois de ter superado o compatriota Denis Shapovalov, número 12 do mundo na terceira rodada, ele não repetiu o mesmo desempenho diante de Karatsev e reconhece que é um resultado difícil de assimilar. Entretanto, o canadense tenta tirar as lições da derrota para que situações como a do último domingo não se repitam.

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“É difícil de engolir, mas o tênis é assim. A vida é assim. Sinceramente, acho que esse jogo pode me ajudar no futuro. É a primeira vez que jogo uma partida de cinco sets e é a primeira vez que isso acontece comigo. Talvez não seja a última. Veremos, mas tentarei aprender com isso e ser melhor da próxima vez”, comentou depois de perder por 3/6, 1/6, 6/3, 6/3 e 6/4.

“Com certeza há muitos pontos positivos para tirar desse torneio. É realmente uma pena que não consegui passar hoje, mas eu não desisti. Tentei de tudo. Eu joguei bem. Claro que eu gostaria de ter sacado melhor, mas não posso simplesmente estalar os dedos para fazer isso acontecer. Eu só tenho que ser um jogador melhor no geral para superar essas situações. Acho que o lado bom é que mentalmente continuei pensando positivo. Eu acreditei até o fim. Mesmo quando estava atrás no quinto set eu ainda tentei e ainda acreditei”, explica Aliassime, que atingiu as oitavas de um Grand Slam pela segunda vez na carreira.

O jovem de 20 anos acredita que está evoluindo no aspecto mental do jogo e que, em outros tempos, não conseguiria sequer continuar lutando até o final da partida. “Acho que em comparação com o jogador que fui, digamos em 2019 ou mesmo no ano passado, acho que foi uma melhoria contra um jogador que, como todos vimos, fez uma grande partida e está jogando em um bom nível. Mentalmente tentei ficar no jogo e acreditar. Acho que isso é positivo para o futuro”, explica o canadense, que ainda persegue seu primeiro título de ATP.

“Eu só preciso de um pouco de tempo. Na semana passada, eu simplesmente não tive escolha. Então eu tive que me recuperar muito rápido. Agora tenho um pouco de tempo até o próximo torneio, então preciso me recuperar. Foi um longo período aqui na Austrália, um período difícil. Preciso me recuperar fisicamente, mentalmente e voltar a treinar”.

Aliassime: ‘Estou cada vez mais maduro e consistente’
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 13, 2021 às 2:23 pm
Aliassime, de 20 anos, é o mais jovem entre os jogadores nas oitavas em Melbourne (Foto: Natasha Morello/Tennis Australia)

Aliassime, de 20 anos, é o mais jovem entre os jogadores nas oitavas em Melbourne (Foto: Natasha Morello/Tennis Australia)

Jogador mais jovem entre os classificados para as oitavas de final da chave masculina do Australian Open, Felix Auger-Aliassime se sente cada vez mais maduro e pronto para atuar de forma consistente no circuito. Ainda sem perder sets em Melbourne, ele já repete o melhor resultado da carreira em um Grand Slam, alcançado no último US Open. O canadense de apenas 20 anos e 19º do ranking da ATP tenta agora dar um novo passo e ficar entre os oito melhores de um Slam pela primeira vez.

“Estou cada vez mais maduro na forma como jogo e sendo mais estável. A minha sensação é que consigo ter consistência durante os jogos a cada semana”, disse Aliassime, durante entrevista coletiva em Melbourne. “Meu objetivo este ano é jogar no meu melhor nível em todas as semanas e fazer muito bem as coisas que estão sob meu controle. Sinto que sou um jogador melhor do que era há 12 meses. Espero que possamos jogar uma temporada um tanto normal este ano e que eu tenha resultados consistentes”.

Aliassime comemorou o desempenho na grande vitória contra o compatriota Denis Shapovalov, um ano mais velho e número 12 do mundo, por 7/5, 7/5 e 6/3 pela terceira rodada. O duelo da última sexta-feira foi o quarto entre os dois jovens canadenses na elite do circuito, sendo o terceiro em Grand Slam. Shapovalov já havia vencido duas vezes no US Open, em 2018 e 2019, enquanto Aliassime prevaleceu no saibro de Madri há dois anos. Houve ainda um confronto no challenger de Drummondville em 2017, também com vitória de Shapovalov.

“Foi um bom jogo da minha parte. Nunca é fácil enfrentar o Denis. Jogamos contra pela primeira vez quando tínhamos nove e dez anos. Ele já me venceu bastante algumas vezes, mas esta noite, o jogo foi mais para o meu lado”, comentou ainda em quadra, depois da partida da terceira rodada. “É uma pena que tivemos que jogar um ao outro tão cedo. Espero que nos futuro, possamos nos enfrentar nas fases finais dos torneios”.

Os dois primeiros sets do jogo tiveram andamento muito parecido. Em ambos os casos, Shapovalov foi o primeiro a quebrar, mas cedia o empate no oitavo e voltava a perder o saque no fim de cada parcial. Aliassime soube variar bastante nas devoluções, ora com bolas profundas, ora fazendo escolhas sem peso, e assim Shapovalov não ficava em situação confortável para mandar nos pontos. Além disso, o mais jovem entre os dois canadenses era quem vinha confirmando os games de saque com maior tranquilidade. Já no terceiro set, ele abriu 3/0 muito rápido e escapou dos break points que enfrentou já na reta final da partida.

“Eu estava impecável e joguei uma partida incrível. Estou muito feliz com meu desempenho. Vencer um jogo como o de hoje em três sets significa muito. É bom para o meu nível, minha confiança e espero poder continuar a partir disso”, complementou o jovem canadense, que caiu ainda no quali em 2019 e na estreia da chave principal no ano passado. “Não tive tanta sorte nos últimos anos, mas sempre adorei este lugar. Finalmente, estou jogando um bom tênis este ano”.

Pressão pelo primeiro título após sete finais perdidas
Muito promissor desde os tempos de juvenil, Aliassime novamente nesta semana falou sobre como tem lidado com a pressão e expectativa, especialmente na busca pelo primeiro título de ATP, já que ele perdeu as sete primeiras finais que disputou, uma delas no último domingo para Daniel Evans.

“Os nervos estão sempre lá. Estou bem ciente do meu histórico, mas tive partidas muito difíceis nas minhas últimas finais em termos de ranking. Enfrentei adversário que, no papel, estão melhores do que eu. Acho que você precisa querer muito. Quando estou assim, eu mantenho o foco em cada ponto e tento ser firme no que faço desde o início. Mas eu não vejo isso de querer muito como uma preocupação, para ser honesto”.

Muito respeito ao adversário das oitavas

O adversário de Aliassime nas oitavas será o russo Aslan Karatsev, jogador de 27 anos e vindo do qualificatório. Karatsev conseguiu na terceira rodada uma expressiva vitória por duplo 6/3 sobre o top 10 argentino Diego Schwartzman. Até por isso, o canadense prega muito respeito ao rival. “Do meu ponto de vista, ele não é mais um russo vindo do quali agora. Ele é um russo que está jogando nas oitavas de final. E será uma partida difícil. Nós vimos o que ele conseguiu fazer contra o Diego, que é um grande jogador e um adversário difícil de vencer”.

Aliassime e Karatsev já se enfrentaram duas vezes em torneios de nível challenger, entre 2018 e 2019, com uma vitória para cada lado. “Eu conheço um pouco o jogo dele. Já o enfrentei antes e sei o quanto ele pode jogar bem. Será um um adversário difícil, então vou tentar relaxar agora e me preparar para jogar meu melhor tênis novamente”.

Andreescu e Swiatek lideram nova geração feminina
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 5, 2021 às 6:46 pm
Bianca Andreescu está de volta ao circuito depois de um ano e quatro meses

Bianca Andreescu está de volta ao circuito depois de um ano e quatro meses

Duas campeãs de Grand Slam lideram a nova geração feminina no Australian Open, que começa na próxima segunda-feira. Mas Bianca Andreescu e Iga Swiatek chegam a Melbourne em momentos muito distintos de suas carreiras. A canadense foi campeã do US Open em 2019 e está retornando às competições depois de um longo afastamento, já a polonesa terminou o ano passado com o título de Roland Garros e quer manter sua franca evolução.

Campeã do US Open de 2019, Andreescu está com 20 anos e é a atual número 8 do mundo. Ela volta ao circuito depois de um ano e quatro meses. O Australian Open será seu primeiro torneio desde o WTA Finals de 2019, quando sofreu uma lesão no joelho esquerdo. Com o calendário de 2020 bastante prejudicado pela pandemia da Covid-19, a jovem jogadora achou melhor focar na preparação para 2021.

A canadense teve o azar de chegar a Melbourne em voo com duas pessoas contaminadas pela Covid-19, uma delas era o seu técnico Sylvain Bruneau. Com isso, fez parte do grupo de 72 tenistas (vindos de três voos) que ficaram em rígida quarentena por 14 dias, sem acesso às quadras de treino. A WTA chegou a criar um torneio só para as jogadoras que ficaram em completo isolamento por duas semanas, mas Andreescu preferiu não jogar e utilizar essa semana para treinar.

Muita dor, mas sem pressão

“Eu sei que vou estar dolorida para caramba depois da minha primeira partida. Isso é certo. E não estou nada ansiosa por isso”, disse Andreescu, que estreia no Australian Open contra a canhota romena Mihaela Buzarnescu. “Quando joguei meus primeiros sets de treino já fiquei toda dolorida no dia seguinte”.

“Todas as emoções e toda a adrenalina vão ser um pouco mais enfatizadas. Obviamente, eu não jogo há muito tempo. Não sei como vou estar. Mas provavelmente ficarei muito mais nervosa do que o normal”, acrescenta a canadense, que pode enfrentar a taiwanesa Su-Wei Hsieh ou a búlgara vinda do quali Tsvetana Pironkova na segunda rodada. Já Venus Williams, Qiang Wang, Sara Errani e Kirsten Flipkens podem pintar na fase seguinte.

Por outro lado, Andreescu pode dizer que chega a um Grand Slam sem pressão alguma por resultados. “Eu sinto que não tenho muita pressão sobre meus ombros. Sim, eu sou cabeça de chave, mas estou sem jogar há muito tempo. Eu só quero ir até lá e jogar. Tenho em mente de que preciso ser muito grata só por estar na quadra de novo”.

Vida nova para a campeã Iga Swiatek

Iga Swiatek disputa seu primeiro Grand Slam desde o título de Roland Garros

Iga Swiatek disputa seu primeiro Grand Slam desde o título de Roland Garros

Iga Swiatek desembarcou em Melbourne numa situação muito diferente da que havia chegado a Paris em setembro do ano passado. A polonesa deu um salto do 54º para o 17º lugar depois do título em Roland Garros e sabe que terá que lidar com uma carga emocional diferente. Logo no primeiro jogo da temporada, em que venceu a eslovena Kaja Juvan por 2/6, 6/2 e 6/1 pelo Gippsland Trophy, Swiatek comentou que o controle dos nervos foi fundamental para a vitória.

“Com certeza, o início foi difícil. Eu sentia que não conseguia me concentrar muito bem e minha cabeça não estava no lugar certo”, disse ao site da WTA. “Eu não diria que estava nervosa, mas me senti estressada de uma maneira diferente. Estava muito lenta no início do jogo, mas não foi a primeira partida que me senti assim. Às vezes eu estava chegando atrasada para muitas bolas e não estava jogando tênis consistente. Mas estou muito feliz por ter sido paciente o suficiente para mudar isso e não ficar com raiva”.

https://twitter.com/iga_swiatek/status/1357300057750466564

A polonesa acabou caindo nas oitavas do torneio preparatório para o Australian Open, superada pela russa Ekaterina Alexandrova por 6/4 e 6/2. Depois do jogo, mostrou plena consciência de que precisa assimilar lições da derrota. “Nem sempre as coisas são brilhantes. Com certeza esse jogo vai ficar comigo. Às vezes você sabe como e o que fazer, mas quando você pisa na quadra, há estresse e muita luta. Vou me recuperar e fazer melhor”.

A estreia de Swiatek no Australian Open será contra a holandesa Arantxa Rus. Em caso de vitória, pode enfrentar a italiana Camila Giorgi ou a cazaque Yarolasva Shvedova. A cabeça de chave mais próxima é também cazaque Elena Rybakina, de 21 anos. Já nas oitavas, há possibilidade de um reencontro com a número 2 do mundo Simona Halep, a quem eliminou na mesma fase da campanha vitoriosa em Roland Garros.

Gauff é a caçula, Fernandez e Kostyuk tiveram bons resultados


Como de costume, a norte-americana de 16 anos Coco Gauff será a caçula do torneio e estreia contra a suíça Jil Teichmann. Elas já se enfrentaram nesta semana pelo Gippsland Trophy e Gauff venceu uma batalha de 2h45 por 6/3, 6/7 (6-8) e 7/6 (7-5). “Honestamente, acho que a chave apenas foi positiva mentalmente. Acho que também que todo o treinamento que fiz na pré-temporada me deixou capaz de jogar três sets difíceis e não me sentir tão cansada”.

A canadense de 18 anos Leylah Fernandez vem de uma vitória sobre Sloane Stephens em Melbourne e terá uma estreia difícil diante da top 20 belga Elise Mertens. Já a ucraniana de 18 anos Marta Kostyuk, 78ª do ranking, está de volta ao Australian Open três temporadas depois de uma incrível campanha desde o quali até a terceira rodada. Ela começou a temporada chegando à semifinal do WTA 500 de Abu Dhabi e estreia no Slam australiano contra a russa Veronika Kudermetova.

Seis jovens promessas furaram o quali

Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

A nova geração do circuito feminino mostrou força no qualificatório, disputado em Dubai. Ao todo, seis jovens jogadoras com até 21 anos conseguiram suas vagas na chave principal. Um dos destaques é a eslovena Kaja Juvan, que já vai disputar seu sexto Grand Slam com apenas 20 anos e desafia a britânica Johanna Konta na estreia. Também furou o quali foi a norte-americana de 18 anos Whitney Osuigwe. A filha de imigrante nigeriano e 163ª do ranking já vai para o quinto Slam da carreira e enfrenta a chinesa Lin Zhu.

Outras jovens jogadoras que passaram pelas três rodadas da fase prévia são a sérvia Olga Danilovic, a francesa Clara Burel, a italiana Elisabetta Cocciaretto (todas de 19 anos) e a britânica de 20 anos Francesca Jones. Essa última, aliás, nasceu com uma síndrome rara chamada displasia ectrodactilia ectodérmica e tem apenas quatro dedos em cada mão. Ela chegou a ser aconselhada por médicos a não jogar tênis. Jones, que disputará seu primeiro Slam, estreia contra a norte-americana Shelby Rogers.

Alcaraz e Sinner são os caçulas em Melbourne
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 5, 2021 às 5:17 pm
Alcaraz cumpriu uma quarentena rígida na Austrália e conseguiu vencer Goffin no ATP 250 da semana

Alcaraz cumpriu uma quarentena rígida na Austrália e conseguiu vencer Goffin no ATP 250 da semana

Apenas dois jogadores com menos de 20 anos vão disputar a chave principal masculina do Australian Open, que começa na próxima segunda-feira. O espanhol Carlos Alcaraz será o caçula da competição, ao disputar seu primeiro Grand Slam com apenas 17 anos. O segundo jogador mais jovem do torneio é o italiano Jannik Sinner, com 19 anos.

Vindo de um qualificatório com três rodadas e disputado em Doha, Alcaraz é o jogador mais jovem da chave desde 2014, quando Thanasi Kokkinakis entrou no torneio como convidado. Aos 17 anos e 292 dias, o espanhol é também o mais jovem a furar o quali do Australian Open desde 2005, quando Novak Djokovic conseguiu esse feito com 17 anos e 253 dias.

A estreia de Alcaraz no Australian Open será contra o holandês Botic van de Zandschulp, outro que disputa seu primeiro Grand Slam. Van de Zandschulp está com 25 anos e também veio do quali. Quem vencer encara o sueco Mikael Ymer ou o polonês Hubert Hurkacz (cabeça 26 do torneio). Já para uma eventual terceira rodada, o adversário mais cotado é o grego Stefanos Tsitsipas, número 6 do mundo.

Espanhol cumpriu quarentena rígida e ganhou de Goffin
Escolhido como a Revelação de 2020 pela ATP, Alcaraz deu um salto de 350 posições no ranking ao longo da última temporada ao conquistar três títulos de challenger. Este ano, depois de furar o quali do Australian Open, ele teve o azar de chegar a Melbourne em um voo que tinha uma pessoa contaminada pela Covid-19. Com isso, acabou fazendo parte do grupo de 72 jogadores (vindos de três voos diferentes) que ficaram em quarentena rígida na Austrália, sem acesso às quadras de treino durante 14 dias.

Mesmo com a limitação nas condições de treinamento, anotou uma expressiva vitória sobre o número 14 do mundo David Goffin por duplo 6/3 no Great Ocean Road Open, um dos dois ATP 250 da semana no Melbourne Park, e só caiu nas oitavas de final, superado pelo brasileiro Thiago Monteiro em partida equilibrada e com grande atuação do número 1 do país. Monteiro chegou a salvar set point na vitória por 7/6 (7-3) e 6/3.

Sinner e Alissime chegam embalados por semis de ATP

Sinner chegou às quartas em Roland Garros e disputa o quinto Slam da carreira (Foto: Tennis Australia/ Natasha Morello)

Sinner chegou às quartas em Paris e disputa o quinto Slam da carreira (Foto: Tennis Australia/Natasha Morello)

Enquanto Alcaraz é um novato em Grand Slam, Jannik Sinner já vai para seu quinto torneio deste porte e tenta repetir o ótimo desempenho que teve em Roland Garros, onde chegou às quartas de final. O italiano de 19 anos e 36º do ranking já tem um título de ATP, conquistado em Sófia no ano passado, e está entre os semifinalistas do Great Ocean Road Open. Ele enfrenta o russo Karen Khachanov neste sábado. Já na final, pode encarar Monteiro ou o também italiano Stefano Travaglia.

A estreia de Sinner no Australian Open será em um duelo da nova geração contra o canadense de 21 anos Denis Shapovalov, número 12 do mundo, em confronto inédito no circuito. O vencedor enfrenta o japonês Yuichi Sugita ou o australiano Bernard Tomic. Um possível rival para eles na terceira rodada é o também jovem canadense Felix Auger-Aliassime, de 20 anos e 21º do ranking.

Aliassime iniciou a temporada com bons resultados e pode alcançar sua sétima final com apenas 20 anos

Aliassime iniciou a temporada com bons resultados e pode alcançar sua sétima final com apenas 20 anos

Aliassime inicia o Grand Slam australiano contra o lucky-loser alemão Cedrik-Marcel Stebe, e pode enfrentar o bósnio Damir Dzumhur ou o australiano James Duckworth na segunda fase. O jovem canadense é outro que começou bem a temporada e está na semifinal do Murray River Open e tenta alcançar a sétima final e o primeiro título da carreira. No sábado, ele enfrenta o francês Corentin Moutet. Se vencer, encara Jeremy Chardy ou Daniel Evans.

Sete jogadores disputam o 1º Slam
O Australian Open deste ano tem 18 jogadores que disputam o torneio pela primeira vez. Desse número, fazem parte oito tenistas vindos do quali, seis que entraram diretamente na chave, três convidados e um lucky-loser. Sete jogadores disputam o primeiro Grand Slam da carreira. Além dos já citados Alcaraz e Van de Zandschulp, estão na lista o português Frederico Ferreira Silva, os russos Aslan Karatsev e Roman Safiullin, o dinamarquês Mikael Torpegaard, o convidado local Li Tu.

Promissora, Osuigwe quer tornar o tênis acessível
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 24, 2021 às 6:10 pm
Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

Considerada uma das grandes promessas do circuito feminino, a norte-americana Whitney Osuigwe busca não apenas os grandes feitos dentro de quadra, mas também uma transformação da sociedade fora dela. Filha de imigrante nigeriano, Osuigwe está com 18 anos, ocupa o 162º lugar no ranking da WTA, e disputará o Australian Open depois de ter passado por um qualificatório com três rodadas. Ciente de que teve boas oportunidades no início da carreira, a norte-americana espera contribuir para que o tênis se torne um esporte mais acessível.

“Cresci com muitas oportunidades e ainda tenho muitas. Mas também entendo que muitas crianças não têm isso”, disse Osuigwe, em entrevista ao site da ITF. “Meu pai era um deles e eu mesma cresci em torno de muitas crianças que não tinham as mesmas oportunidades. Se alguém pudesse simplesmente dar-lhes uma chance, as vidas delas teriam sido completamente diferentes”.

“Isso não tem nada a ver com elas se tornarem atletas profissionais ou algo assim. Elas simplesmente estariam vivas hoje, ou não estariam na prisão. Então isso vai muito além do esporte. Eu quero dar às pessoas a oportunidade de fazer o que eles querem”, acrescenta a norte-americana, que já chegou a ocupar o 105º lugar da WTA em 2019.

O pai de Osuigwe, Desmond, chegou a jogar alguns torneios na Nigéria durante a juventude. Em meio à violência constante no país durante a década de 1980, foi graças ao tênis que ele conseguiu deixar sua terra natal e se estabelecer nos Estados Unidos. Ele frequentou a Jackson State University, tornou-se tenista profissional, e posteriormente fez carreira como técnico da renomada IMG Academy. Já a mãe da tenista, Jessica, é natural da Flórida e também jogou tênis no circuito universitário norte-americano.

A jovem jogadora conta que já atua em alguns projetos sociais e pretende seguir esse trabalho, especialmente depois que deixar o circuito. “Acredito que posso usar o tênis como plataforma para ajudar. Eu faço tutoriais quando posso, brincando com crianças pequenas e fazendo com que elas se inscrevam em aulas de tênis para que fiquem longe de problemas. Mas ter um projeto maior fica para o futuro, quando eu puder me dedicar 100% a isso”.

“Muitas vezes penso que as crianças nos Estados Unidos são esquecidas de alguns projetos de caridade, porque somos um país desenvolvido. É verdade que temos muitas oportunidades, mas definitivamente há muitas crianças que não têm essa chance”, afirmou a norte-americana.

Apesar da pouca idade de Osuigwe, o Australian Open será o quinto Grand Slam que ela disputa na chave principal. Ela reconhece que a temporada passada foi bastante prejudicada em virtude da pandemia, mas acredita estar cada vez mais pronta para dar um salto na carreira. “O ano passado foi um ano muito difícil para todos, e também para mim também devido a circunstâncias externas, mas estou me concentrando em uma coisa que é me divertir na quadra. Se eu trabalhar duro, tudo vai se encaixar”.

“Quanto a mudar como pessoa, sinto que estou mais madura. Ainda sou a mesma Whitney, mas em uma versão mais velha, e tenho grandes sonhos e grandes objetivos. Sempre há espaço para melhorias, mas não diria que não estou feliz onde estou”, afirma a norte-americana. “Como disse, estou apenas focada em ser feliz na quadra. Sabendo que minha felicidade está em primeiro lugar, estou confiante de que os resultados virão”.

Número 1 juvenil quer vencer challengers já em 2021
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 15, 2021 às 4:14 pm
O dinamarquês Holger Rune, de 17 anos, conquistou três títulos profissionais de nível future em 2020

O dinamarquês Holger Rune, de 17 anos, conquistou três títulos profissionais de nível future em 2020 (Foto: ITF)

Líder do ranking mundial juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF), o dinamarquês Holger Rune estabeleceu uma meta ambiciosa para a temporada que está apenas começando. O jogador de 17 anos, e que completa seu 18º aniversário em abril, quer conquistar títulos de challenger já em 2021 e tentar dar os primeiros passos na elite da circuito da ATP.

Rune foi campeão juvenil de Roland Garros ainda em 2019. No mesmo ano, conseguiu suas duas primeiras vitórias em challenger. Já na temporada passada, mesmo com o calendário bastante prejudicado pela pandemia da Covid-19, venceu seus três primeiros títulos como profissional, em torneios ITF de US$ 15 mil e US$ 25 mil em Klosters, Antalya e Valldoreix. Atualmente, aparece na 475ª posição no ranking e teria que mesclar o calendário neste início de temporada entre torneios da ITF e alguns qualis de challenger.

“Quero seguir em frente. Acho importante dar o próximo passo e competir nos eventos ATP challenger. Já ganhei torneios M15 e M25 no ano passado, então o caminho natural seria entrar nos challengers”, escreveu Rune, em seu blog publicado no site da ITF. Nesta semana, ele está disputando um ITF M15 na Rafa Nadal Academy, em Manacor.

“O corte nas listas de inscritos ainda é muito alto devido à pandemia da Covid-19 em andamento, mas espero que eu possa entrar nos qualis em breve”, avaliou o dinamarquês. “Este é um objetivo para 2021. Quero vencer challengers e dar os primeiros passos nos torneios da ATP. Posso dizer isso em voz alta, porque sei o quanto quero e o quanto estou disposto a fazer para atingir esse objetivo. É uma energia que vem de dentro, uma paixão”.

“É muito mais fácil perseguir seus sonhos e objetivos se você ama o processo e ama o que faz. É por isso que não me preocupo em dizer que quero vencer challengers este ano porque amo esse esporte e tenho paixão para fazer isso acontecer”, complementou o jovem jogador, que também já defende seu país na Copa Davis.

Dinamarquês tenta ser mais focado
Para cumprir o objetivo de vencer torneios maiores, Rune sabe que precisa de resultados mais consistentes. No ano passado, ele conseguiu 31 vitórias e 16 derrotas no circuito profissional, ficando com aproveitamento de 66%. O dinamarquês acredita que, com um pouco mais de foco nas partidas, pode melhorar muito esses números.

“Um dos meus objetivos este ano é me esforçar mais nas minhas partidas. Preciso trabalhar constantemente em um determinado nível e manter o foco extra em certas jogadas, como saque e primeira bola, e não desistir de nenhum ponto. É algo em que o [Daniil] Medvedev, por exemplo, é excelente”.

“Eu vi algumas estatísticas recentemente, em um e-mail de que ITF manda para os jogadores, que mostravam minha porcentagem de vitórias e derrotas em 2020. Sei que houve momentos em que não dei o máximo de esforço nas partidas do ano passado, então não é uma surpresa que eu não esteja satisfeito com esses números”, admitiu o jogador de 17 anos.

“Fiquei muito chateado comigo mesmo quando vi aqueles números no e-mail. Fui muito descuidado e sei que deveria ter feito melhor em pelo menos 10 partidas”, avaliou o dinamarquês. “Eu pensei novamente em todos esses jogos e acho que aquela proporção de vitórias de 65% deveria estar em torno de 80%. Então a meta principal para 2021 é aumentar minhas estatísticas para que correspondam ao meu nível real de tênis”.

Confira 15 jovens tenistas para assistir em 2021
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 31, 2020 às 7:01 am

O ano de 2020 termina nesta quinta-feira e a temporada 2021 do circuito profissional tem início já na próxima semana, com os homens em Delray Beach e as mulheres em Abu Dhabi. Em meio às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, o calendário do tênis internacional passou por uma série de adaptações e o primeiro Grand Slam de 2021, o Australian Open, só começa no dia 8 de fevereiro.

O que não muda é o ímpeto da nova geração do circuito em evoluir e bater de frente com as principais estrelas do esporte. Alguns desses nomes, aliás, já têm títulos expressivos no currículo mesmo com tão pouca idade. Neste último dia do ano, TenisBrasil destaca 15 jovens tenistas nascidos a partir de 2000 e que mostram grande potencial para se destacar no circuito.

Bianca Andreescu (20 anos, Canadá, 7ª da WTA)

Sensação da temporada de 2019, quando conquistou seu primeiro Grand Slam no US Open e também venceu torneios grandes em Indian Wells e Toronto, Bianca Andreescu está afastada do circuito há mais de um ano, mas fará seu retorno às competições no início de 2021.

A canadense, ainda com 20 anos, sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo no fim de 2019, quando atuava no WTA Finals. Ela tentaria voltar no meio deste ano, mas a pandemia paralisou o circuito por praticamente cinco meses. Além disso, Andreescu também teve que tratar de uma lesão crônica no pé e preferiu focar sua preparação na próxima temporada. Sua volta ao circuito deve acontecer em um dos dois torneios WTA 500 que Melbourne receberá às vésperas do US Open.

Apesar do longo período de inatividade, Andreescu não teve prejuízo no ranking. Isso porque a WTA modificou temporariamente o cálculo das pontuações, considerando os 16 melhores resultados obtidos entre março de 2019 e dezembro de 2020. Assim, a canadense conseguiu se manter no top 10 com os o resultados do ano passado. 

Iga Swiatek (19 anos, Polônia, 17ª da WTA)

Outra campeã de Grand Slam que merece bastante atenção dos fãs é Iga Swiatek. A polonesa de apenas 19 anos brilhou em Roland Garros ao vencer sete jogos seguidos sem perder um set sequer e deu um salto no ranking do 53º para o 17º lugar. Tanto Swiatek quanto Andreescu apostam em trabalhos muito elaborados de preparação psicológica para as partidas. 

Com um jogo inteligente e muitos recursos técnicos à disposição, Swiatek pode exibir um tênis competitivo em diferentes pisos e condições de quadra e tem grandes chances de ampliar sua sala de troféus. É questão de tempo para que ela logo apareça entre as dez primeiras do ranking. Fora do WTA 500 de Abu Dhabi, que acontece na semana que vem, deve iniciar a temporada já em solo australiano.

Felix Auger-Aliassime (20 anos, Canadá, 21º da ATP)
Apesar de ainda não ter conquistado um título de ATP, Felix Auger-Aliassime vem de duas temporadas consistentes no circuito e já disputou seis finais em torneios deste porte, sendo três em 2019 e mais três este ano. A lista inclui torneios no saibro, como o Rio Open e o ATP de Lyon, na grama de Stuttgart, e no piso duro de Roterdã, Colônia e Adelaide.

O canadense até já chegou a figurar entre os 20 melhores do mundo, ocupando o 17º lugar em 2019. Além do desempenho ruim em finais, ainda falta a Aliassime ter uma boa sequência de resultados em torneios grandes. Ele fez sua pré-temporada na academia de Rafael Nadal estabeleceu como metas para 2021 a chegada ao top 10 e a classificação para o ATP Finals.

Jannik Sinner (19 anos, Itália, 37º da ATP)

Jogador mais jovem no top 100 do ranking da ATP, Jannik Sinner terminou a temporada com seu primeiro título no circuito, em Sófia, e ocupando a melhor marca da carreira no 37º lugar. Também em 2020, o italiano venceu seus três primeiros jogos contra top 10 e alcançou as quartas de final de Roland Garros.

Sinner tem uma boa oportunidade de evoluir como jogador no início de 2021 por ter sido escolhido como o parceiro de treinos de Rafael Nadal na primeira semana de preparação para o Australian Open.

Dayana Yastremska (20 anos, Ucrânia, 29ª da WTA)
Apesar da pouca idade, Dayana Yastremska já é um nome consolidado na elite do circuito. A ucraniana de 20 anos já tem três títulos de WTA e chegou a ocupar o 21º lugar do ranking no início da temporada. Mas para dar outro salto, precisa melhorar seu desempenho nos Grand Slam, já que nunca passou da terceira rodada em torneios deste porte.

Thiago Wild (20 anos, Brasil, 116º da ATP)

Grande esperança para o futuro do tênis brasileiro, Thiago Wild se tornou o tenista mais jovem do país a conquistar um título de ATP em Santiago. Ele também foi o primeiro jogador nascido a partir de 2000 a vencer um evento na elite do circuito. Na última temporada, o paranaense também debutou na Copa Davis e disputou seu primeiro Grand Slam no US Open.

Número 2 do Brasil com apenas 20 anos, Wild começa 2021 jogando o quali do Australian Open, que foi excepcionalmente transferido para Doha e acontece entre os dias 10 e 13 de janeiro. Depois, parte para o challenger de Istambul, na Turquia. Depois de terminar o ano com uma sequência de resultados negativos, a volta ao caminho das vitórias, a vaga na chave principal do Grand Slam australiano e a entrada no top 100 são os primeiros objetivos no curto prazo.

Amanda Anisimova (19 anos, Estados Unidos, 30ª da WTA)
A norte-americana Amanda Anisimova não repetiu em 2020 a ótima temporada que teve no ano passado, quando foi semifinalista de Roland Garros e chegou a ser número 21 do mundo. Ainda assim, conseguiu permanecer entre as 30 melhores e deverá ser uma das cabeças de chave do Australian Open. Ela já começa a temporada na semana que vem, em Abu Dhabi.

Coco Gauff (16 anos, Estados Unidos, 48ª da WTA)

 

 

 

 

 

 

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Com apenas 16 anos, completados em março, Coco Gauff já aparece entre as 50 melhores jogadoras do mundo. A promissora atleta norte-americana ocupa atualmente a 48ª colocação no ranking, apenas uma abaixo da melhor marca da carreira.

Gauff já tem boas campanhas em Grand Slam, como as oitavas de Wimbledon e do Australian Open e a terceira rodada em Nova York, além de já ter vencido seu primeiro WTA no ano passado em Linz. Fora das quadras, a jovem jogadora também se mostra bastante consciente de seu papel na sociedade e é engajada na luta contra o racismo e por maior justiça social.

Carlos Alcaraz (17 anos, Espanha, 141º da ATP)

Escolhido como a Revelação do Ano pela ATP, o espanhol Carlos Alcaraz deu um salto de 350 posições no ranking ao longo de 2020. Ele iniciou a temporada no 491º lugar e termina na 141ª colocação. O novato de apenas 17 anos conquistou seus três primeiros títulos de challenger na última temporada, em Trieste, Barcelona e Alicante. Além de ficar com o vice em Cordenons.

Apenas Alcaraz e o argentino Francisco Cerundolo venceram três challengers em 2020. O espanhol é também o segundo mais jovem de seu país a conquistar um torneio deste porte, ficando atrás apenas do ídolo Rafael Nadal. Seu treinador, o ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, aposta em um futuro promissor e diz que o jovem espanhol logo chegará aos Grand Slam.

Leylah Fernandez (18 anos, Canadá, 88ª da WTA)

A canhota Leylah Fernandez foi uma das revelações da última temporada feminina. Ela derrotou jogadoras de destaque como a então número 5 do mundo Belinda Bencic e a campeã de Slam Sloane Stephens. A canadense também alcançou uma final de WTA em Acapulco, fez uma boa terceira rodada em Roland Garros e terminou o ano com o melhor ranking da carreira, no 88º lugar.

Em recente entrevista ao site da ITF, Fernandez declarou que parte de seu treinamento consiste em estudar os movimentos de atletas de diferentes modalidades. Isso inclui nomes do passado como Pelé, ou contemporâneos como Lionel Messi e o boxeador Floyd Mayweather.

Lorenzo Musetti (18 anos, Itália, 128º da ATP)

Outro prodígio do tênis italiano, Lorenzo Musetti aproveitou muito bem a oportunidade que teve no Masters 1000 de Roma e derrotou jogadores de respeito como Stan Wawrinka e Kei Nishikori. O jovem de 18 anos também conquistou seu primeiro challenger em Forli, vencendo o brasileiro Thiago Monteiro na final, e foi semifinalista no ATP 250 da Sardenha.

Em 2020, Musetti ganhou 233 posições ao longo do ano, saltando do 361º para o 128º lugar. Já na próxima temporada, o italiano tentará em 2021 disputar seu primeiro Grand Slam e entrar no top 100 do ranking mundial.

Marta Kostyuk (18 anos, Ucrânia, 99ª da WTA)
Considerada como uma das principais apostas para a nova geração do circuito, a ucraniana de 18 anos Marta Kostyuk chegou enfim ao top 100 já na reta final da última temporada. Apesar da pouca idade, ela já se destaca há algum tempo. Exemplo disso foi a campanha até a terceira rodada do Australian Open de 2018, quando ela tinha apenas 15 anos.

Campeã juvenil do Australian Open de 2017 e ex-número 2 no ranking da categoria, Kostyuk não conseguia ter um calendário completo nas últimas temporadas por causa das restrições da WTA para tenistas com menos de 18 anos. Além disso, sofreu uma lesão nas costas no ano passado. Este ano, chegou à terceira fase do US Open e só foi superada pela campeã Naomi Osaka.

Sebastian Korda (20 anos, Estados Unidos, 118º da ATP)

 

 

 

 

 

 

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O norte-americano Sebastian Korda foi um dos destaques na reta final da temporada, especialmente depois da ótima campanha que fez em Roland Garros, onde foi desde o quali até as oitavas de final, sendo superado pelo campeão Rafael Nadal. Além disso, conquistou seu primeiro challenger nas quadras de carpete de Eckental, na Alemanha, e ficou mais perto de entrar no top 100.

O jovem jogador de 20 anos vem de uma família com muita história no tênis. Ele é filho de Petr Korda, ex-número 2 do mundo e campeão do Australian Open de 1998, e de Regina Kordova, que também jogou profissionalmente e chegou a ser número 26 do ranking da WTA. A mãe, aliás, foi sua principal mentora no início da carreira. Durante a pré-temporada, foi acompanhado de perto por duas lendas do tênis, Andre Agassi e Steffi Graf.

Clara Tauson (18 anos, Dinamarca, 152ª da WTA)


A dinamarquesa Clara Tauson comemorou na última temporada sua primeira vitória em Grand Slam. Vinda do qualificatório em Roland Garros, ela derrubou a favorita Jennifer Brady, número 25 do mundo. Tauson completou 18 anos agora em dezembro e aparece atualmente no 152º lugar do ranking da WTA. Até por isso, tentará o quali para o Australian Open.

Sua principal inspiração é a compatriota Caroline Wozniacki, que encerrou sua carreira profissional no início desta temporada, ainda aos 29 anos, no Australian Open. Nos últimos 31 anos, Wozniacki e Tauson foram as únicas dinamarquesas a vencer partidas de Grand Slam, mas a jovem jogadora tenta evitar comparações com a ex-número 1 do mundo. Elas até já treinaram juntas e têm os pais como mentores no tênis, mas há uma clara diferença em estilos de jogo. Enquanto Wozniacki se destacava pela consistência e pela construção de pontos mais longos, Tauson joga um tênis mais agressivo e tenta definir cedo suas jogadas.

Brandon Nakashima (19 anos, Estados Unidos, 166º da ATP)
O norte-americano de 19 anos Brandon Nakashima terminou a temporada conquistando seu primeiro challenger em Orlando e ocupando o melhor ranking da carreira no 166º lugar. Ele já foi número 3 do mundo como juvenil e campeão do ITF Junior Masters em 2018. Nakashima começou a se firmar no tênis profissional este ano, com boas campanhas em challengers e três vitórias em nível ATP, uma delas no US Open.

* Três ótimos nomes de 1999
Como a lista destacou apenas os tenistas nascidos a partir de 2000 e que completam até 21 anos em 2021, alguns jovens em franca evolução acabaram ficando fora. Mas ainda assim, é interessante olhar com atenção para dois nomes. O principal destaque é para a cazaque de 21 anos Elena Rybakina disputou cinco finais de WTA em 2020, ganhando um título em Hobart, e venceu nomes de destaque como Sofia Kenin e Karolina Pliskova para terminar o ano no 19º lugar.

Outra jogadora de 21 anos que merece destaque é Catherine Bellis. Considerada uma grande promessa do tênis norte-americano desde que venceu um jogo no US Open de 2014 com apenas 15 anos, Bellis chegou a ser 35ª do mundo em 2017, antes de sofrer com lesões no punho e no cotovelo, que a fizeram passar por quatro cirurgias em pouco menos de dois anos. Atualmente no 133º lugar, está voltando aos poucos a ter bons resultados.

Já no circuito da ATP, destaque para o finlandês de 21 anos Emil Ruusuvuori, que venceu quatro challengers em 2019 e manteve sua evolução na última temporada. Ruusuvuori debutou no top 100, chegou a uma semifinal de ATP em Nur-Sultan e aparece atualmente na 86ª posição.

Nova geração comemorou 6 títulos de ATP em 2020
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 12, 2020 às 1:27 pm
Thiago Wild foi o segundo campeão mais jovem na temporada da ATP

Thiago Wild foi o segundo campeão mais jovem na temporada da ATP

Em uma temporada mais curta no circuito profissional, já que o circuito ficou paralisado por praticamente cinco meses em razão da pandemia, seis jogadores com até 21 anos conquistaram títulos de ATP em 2020. A título de comparação, a temporada passada teve 66 torneios e nove campeões da mesma faixa etária.

O campeão mais jovem da temporada foi o italiano Jannik Sinner, primeiro jogador nascido em 2001 a vencer um torneio deste porte. Ele conquistou o ATP 250 de Sófia, já na reta final da temporada, aos 19 anos e 4 meses.

Quem também venceu um ATP nessa idade foi o brasileiro Thiago Wild, que março foi campeão em Santiago aos 19 anos e 11 meses. Wild foi também o jogador de ranking mais baixo a vencer um torneio deste porte. Ele ocupava o 182º lugar quando foi campeão na capital chilena. O paranaense também foi o único convidado a vencer um ATP.

Outros quatro tenistas conquistaram títulos aos 21 anos: A lista conta com o sérvio Miomir Kecmanovic em Kitzbuhel, além do norueguês Casper Ruud em Buenos Aires, do francês Ugo Humbert em Auckland e do grego Stefanos Tsitsipas em Marselha. Se considerados os campeões com até 23 anos, a lista chega a 17 jogadores, comparados a 23 vencedores de ATP nessa idade na temporada passada.

A final mais jovem da temporada envolveu Stefanos Tsitsipas (21) e Felix Auger-Aliassime (19) em Marselha. Logo depois aparece a disputa entre Thiago Wild e Casper Ruud em Santiago. A diferença na soma das idades fica na casa dos meses.

O ano teve seis vencedores inéditos no circuito da ATP: Além dos jovens e já citados Sinner, Wild, Kecmanovic, Ruud e Humbert, outro que venceu seu primeiro ATP em 2020 foi o australiano John Millman, campeão em Nur-Sultan aos 31 anos.

Com três títulos, Alcaraz salta 350 posições na ATP
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 9, 2020 às 7:41 pm
Alcaraz iniciou a temporada no 491º lugar e termina na 141ª colocação

Alcaraz iniciou a temporada no 491º lugar e termina na 141ª colocação

Indicado como uma das revelações do ano, o espanhol Carlos Alcaraz foi um dos destaques do circuito challenger em 2020. Após a última semana com torneios deste porte no ano, a ATP consolidou os dados da temporada que colocam o espanhol entre os líderes em várias estatísticas.

Alcaraz conquistou três challengers em 2020. O primeiro foi em Trieste na Itália, e os outros dois foram no saibro espanhol, em Barcelona e Alicante. Também ficou com o vice no torneio italiano de Cordenons. Além do jovem espanhol de 17 anos, apenas o argentino Francisco Cerundolo ganhou três challengers na temporada, o último na semana passada em Campinas.

Os ótimos resultados renderam a Alcaraz um salto de 350 posições no ranking. Ele iniciou a temporada no 491º lugar e termina na 141ª colocação. Com isso, obteve o maior salto no ranking entre os jogadores no top 150 da ATP. O segundo que mais evoluiu é o italiano Lorenzo Musetti, que ganhou 233 posições ao longo do ano, saltando do 361º para o 128º lugar.

Com 20 vitórias e apenas quatro derrotas nos torneios challenger na temporada, Alcaraz teve aproveitamento de 83,3% no circuito, a melhor marca entre os tenistas que disputaram pelo menos 19 partidas na temporada.

Ele é também o segundo jogador que mais venceu desde o retorno às competições, após cinco meses de paralisação do calendário devido à pandemia. Só fica atrás de Cerundolo, com 22 vitórias a partir de 17 de agosto. Em números absolutos, o jogador que mais venceu partidas de challenger no ano foi o russo Aslan Karatsev, com 27 vitórias, seis derrotas e dois títulos.

Alcaraz e Musetti foram os campeões mais jovens do ano
A conquista em Trieste, aos 17 anos e três meses, fez de Alcaraz o vencedor de challenger mais jovem da temporada. Ele também foi o único tenista dessa idade a vencer um torneio deste porte em 2020. Em seguida aparece Musetti, que venceu o challenger italiano de Forli aos 18 anos e 6 meses. Depois, estão o norte-americano Brandon Nakashima e o tcheco Tomas Machac, únicos com 19 anos a vencer. Ao todo, a temporada teve seis títulos para tenistas com menos de 20 anos e nove conquistas de jogadores com até 21 anos.

Os jovens Alcaraz e Musetti também conseguiram outras duas façanhas entre os vencedores de challenger em 2020. O espanhol foi o único campeão vindo do quali, ao vencer sete jogos em nove dias no torneio de Trieste. Já o italiano foi o único convidado que era não cabeça de chave e mesmo assim conquistou o título.