Naomi Osaka é o retrato de sua geração
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 14, 2020 às 6:15 pm
Osaka tem três Grand Slam, é a atleta mais bem paga do mundo, mas também atua em causas relevantes (Simon Bruty/USTA)

Osaka tem três Grand Slam, é a atleta mais bem paga do mundo, mas também atua em causas relevantes (Simon Bruty/USTA)

Campeã pela segunda vez no US Open e agora dona de três títulos de Grand Slam, Naomi Osaka é o símbolo de uma nova geração. Apesar de ter apenas 22 anos e de estar absolutamente focada no tênis, Osaka tem plena consciência de seu papel como personalidade público e utiliza o espaço que tem para conscientizar o meio de tênis a respeito das causas que defende.

O engajamento não abalou o foco de Osaka, que venceu 11 jogos seguidos nas últimas três semanas de torneios, tendo perdido apenas seis sets nesse período. Ela ganhou uma premiação de US$ 3 milhões pelo título do US Open, ampliando um prêmio acumulado na carreira, que já passa de US$ 17,7 milhões. A japonesa, vale destacar, é a atleta mais bem paga do mundo. Segundo levantamento da Forbes, ela recebeu mais de US$ 37,4 milhões nos últimos doze meses, sendo que mais de US$ 34 milhões vêm de patrocínios e contratos publicitários.

No momento em que vivemos, cada vez mais as marcas tentam se posicionar a respeito de causas sociais relevantes e se posicionar para novos públicos. Durante muitos anos, nos acostumamos a ver personalidades públicas fugindo de temas importantes, muitas vezes pelo temor de afugentar seus patrocinadores. O cenário hoje é diferente, e declarar seu posicionamento é cada vez mais incentivado. Atualmente, Osaka é porta-voz de marcas como a Procter & Gamble, All Nippon Airways e Nissin, que também são apoiadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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Nas três semanas em que os olhos do tênis estavam voltados para a “bolha” da modalidade em Nova York, Osaka foi protagonista dentro e fora de quadra. Além do título do Grand Slam norte-americano e da chegada à final do Premier de Cincinnati -excepcionalmente transferido para o complexo Billie Jean King- a japonesa também encabeçou protestos condenando o racismo e violência policial contra os negros nos Estados Unidos e por maior justiça social no país.

“Antes de ser uma atleta profissional, sou também uma mulher negra. E como mulher negra, eu sinto que tem coisas mais importantes e que merecem atenção mais imediata do que me ver jogar uma partida de tênis” escreveu Osaka em suas redes sociais em 26 de agosto, uma quarta-feira à noite. “Se eu conseguir promover essa conversa em um esporte majoritariamente branco, acho que é um passo na direção certa. Assistir ao genocídio da população negra nas mãos da polícia embrulha o meu estômago. Estou exausta de ter que postar uma nova hashtag a cada poucos dias e extremamente cansada de ter as mesmas conversas o tempo todo. Quando isso vai parar?”

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Na ocasião, Osaka fazia um comunicado de que não entraria em quadra para enfrentar a belga Elise Mertens na semifinal de Cincinnati marcada para o dia seguinte. A declaração da japonesa acompanhava o boicote iniciado pelos jogadores de basquete da NBA e que foi apoiado por atletas de outras ligas esportivas norte-americanas, como a MLB (beisebol) e MLS (futebol). Os protestos começaram após a repercussão do caso de Jacob Blake, homem de 29 anos, que levou sete tiros pelas costas durante abordagem policial na cidade de Kenosha, em Wisconsin. A direção do torneio apoiou a causa proposta pela jogadora e paralisou as competições por um dia.

Esta não havia sido a primeira manifestação pública de Osaka contra a violência policial nos Estados Unidos. A japonesa, que mora e treina na Flórida, participou de protestos de rua após a morte de George Floyd, asfixiado por um policial branco em Minneapolis.

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“Eu só queria criar consciência. Eu me senti como a NBA, em que as pessoas falam sobre isso e todo mundo usa as camisetas. Então, eu só queria criar essa consciência na bolha do tênis. E acho que fiz meu trabalho”, comentou Osaka, em entrevista coletiva após a vitória sobre Mertens, em 28 de agosto. “Antes eu pensava que só o Big 3 (Djokovic, Nadal e Federer) e a Serena tivessem esse poder. Mas também, ao mesmo tempo, reconheço o fato de que talvez a WTA e a ATP quisessem fazer algo assim, mas precisavam de um empurrão de um jogador. Então, talvez eu fosse esse essa jogadora. Eu acho que é definitivamente muito legal da parte deles fazerem isso e estarem abertos a mudanças por questões sociais”.

Osaka também acredita que outras atletas de gerações mais jovens têm mais facilidade para se expressar sobre temas relevantes. Ela destacou especialmente a norte-americana de 16 anos Coco Gauff, que também participou de marchas contra o racismo e também é bastante ativa em suas manifestações. “Sinto que os jogadores estão usando mais a voz, especialmente a Coco. Eu a amo por isso. Ela parece estar assumindo o comando dentro e fora da quadra, então é muito bom ver. Talvez esta geração de tenistas não tenha muito medo das consequências de falar o que pensa. Seria muito bom ver isso”.

As sete máscaras em Nova York

Japonesa utilizou sete máscaras com nomes de vítimas de racismo

Japonesa utilizou sete máscaras com nomes de vítimas de racismo

Durante o US Open, Osaka aproveitou a visibilidade de fazer os sete jogos no Arthur Ashe Stadium, incluindo cinco partidas nas sessões noturnas, e lembrou os nomes de sete vítimas de violência policial ou de crimes de ódio no país. Casos de muita repercussão deste ano, como os do próprio George Floyd e de Breonna Taylor foram lembrados.

Os demais homenageados são Elijah McClain, Trayvon Martin, Ahmaud Arbery, Philando Castile e Tamir Rice. Chama atenção o caso de Ahmaud Arbery, morto a tiros enquanto se exercitava em uma rua residencial em Brunswick, na Geórgia. A promotoria do caso trabalha com a possibilidade de a execução ter sido feita por supremacistas brancos. O homenageado da final, Tamir Rice, era uma criança de apenas 12 anos e que morreu baleada por um policial, enquanto carregava uma arma de brinquedo.

Familiares dessas vítimas estiveram em contato com Osaka. Ela falou diretamente com Sybrina Fulton, mãe de Travyon Martin, e Marcus Arbery, pai de Ahmaud Arbery. Ambos demonstraram apoio ao trabalho de conscientização proposto pela japonesa. “Isso significa muito. Sinto que eles são tão fortes. Não tenho certeza do que seria capaz de fazer se estivesse no lugar deles. Mas sinto que sou como um navio neste momento, com a missão de viajar para espalhar a consciência. Não vai diminuir a dor que eles sentem, mas espero poder ajudar com tudo o que eles precisarem”, comentou Osaka em entrevista à ESPN norte-americana.

Já em seu discurso na cerimônia de premiação do US Open, Osaka foi perguntada sobre qual mensagem gostaria de deixar: “Acho que a questão mais adequada é ‘Qual a mensagem que você recebeu?’ O importante foi fazer as pessoas começarem a falar”, disse a japonesa. “Eu fiquei o tempo todo dentro da bolha, então não sei o que está acontecendo no mundo exterior. Tudo o que eu acompanhei é o que eu vejo nas redes sociais, mas sinto que tem mais gente falando sobre isso”.

Jovem Campeão superou o câncer

Outra conquista de um jovem tenista no US Open veio no torneio de tênis em cadeira de rodas. O holandês de 20 anos Sam Schröder conquistou seu primeiro título de Grand Slam na divisão Quad, destinada aos atletas com deficiência em três ou mais membros. Ele venceu a final contra o favorito australiano Dylan Alcott por 7/6 (7-5), 0/6 e 6/4. Schröder sofre de uma rara doença genética chamada, caracterizada pela falta de alguns dedos das mãos e dos pés. Além disso, ele batalhou contra um câncer de cólon em 2017.

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A inclusão das competições para cadeirantes no US Open de 2020 foi uma vitória para os atletas da modalidade. Os eventos não constavam nos planos da direção do torneio, que diminuiu o número de eventos na edição deste ano, com os cancelamentos do quali, do juvenil e das duplas mistas. Os jogadores também criticaram o torneio pelo fato de não terem sido consultados sobre o assunto.

Alcott, que é bicampeão do US Open o líder do ranking mundial na divisão Quad, foi quem liderou as queixas dos atletas da modalidade. Após conversas com a USTA e com a ITF e o apoio de outros tenistas profissionais nos bastidores, especialmente Andy Murray, a direção do US Open voltou atrás e incluiu a disputa no cronograma do torneio.

US Open tem mais jovens nas oitavas em 19 anos
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 6, 2020 às 2:41 pm
Aos 20 anos, Aliassime é o mais jovem nas oitavas e faz melhor campanha em Slam (Foto: Adam Glanzman/USTA)

Aos 20 anos, Aliassime é o mais jovem nas oitavas e faz melhor campanha em Slam (Foto: Adam Glanzman/USTA)

Com a definição dos 16 classificados para as oitavas de final do US Open, é certo que a edição deste ano é com maior número de jogadores nessa fase nos últimos 19 anos. Em uma temporada atípica, com várias desistências, dez tenistas com até 24 anos estão nas oitavas. Isso não acontecia desde 2001 em Nova York. Além disso, o último Grand Slam com tantos jovens nas oitavas foi o Australian Open de 2009.

O jogador mais jovem nas oitavas de final é o canadense Felix Auger-Aliassime, que completou 20 anos em agosto e faz sua melhor campanha em Grand Slam. Algoz do brasileiro Thiago Monteiro na estreia, Aliassime teve uma atuação de gala contra Andy Murray na segunda rodada e bateu o jovem francês Corentin Moutet na fase seguinte.

Três jogadores com 21 anos estão nas oitavas. Um deles é o também canadense Denis Shapovalov, que iguala o resultado de 2017 depois de ter vencido uma batalha de cinco sets contra Taylor Fritz. Com a mesma idade nas oitavas, estão o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, que faz seu melhor resultado em Slam, e também o australiano Alex De Minaur.

Tiafoe é o último norte-americano na chave

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O último norte-americano na chave masculina de simples é Frances Tiafoe, de 22 anos. Filho de imigrantes de Serra Leoa e bastante engajado na luta contra o racismo e em outras causas sociais para tornar o tênis mais acessível em comunidades pobres, Tiafoe é também o anfitrião mais jovem nas oitavas desde Donald Young, em 2011.

Outro atleta de 22 anos nas oitavas de final do US Open é o russo Andrey Rublev, que já tem até um resultado melhor no torneio. Ele já foi às quartas em 2017. Já com 23 anos, estão nas oitavas o alemão Alexander Zverev e croata Borna Coric, dois dos principais expoentes da nova geração.

Dois jovens jogadores de 24 anos tentam repetir as ótimas campanhas da temporada passada. O russo Daniil Medvedev foi vice-campeão em 2019, enquanto o italiano Matteo Berrettini parou na semifinal no ano passado.

Apenas dois trintões nas oitavas
Por outro lado, apenas dois jogadores com mais de 30 anos estão nas oitavas de final. Um deles é o número 1 do mundo Novak Djokovic, tricampeão do US Open e vencedor de 17 títulos de Grand Slam. O sérvio completou 33 anos em maio e é o único campeão de Slam restante na chave.

O segundo mais velho nas oitavas é o canadense Vasek Pospisil, de 30 anos. Ele vem de boas vitórias contra Milos Raonic e Roberto Bautista Agut. Esse o menor número de trintões nas oitavas do US Open desde 2011, com Roger Federer e Juan Carlos Ferrero. Já o último Grand Slam com dois jogadores com mais de 30 anos nas oitavas foi o Australian Open de 2013, com o mesmo Federer e também David Ferrer.

Alcaraz conquista seu 1º challenger aos 17 anos
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 5:48 pm

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Grande esperança para o futuro do tênis espanhol, Carlos Alcaraz conquistou neste domingo o primeiro título de challenger da carreira. O jovem jogador de apenas 17 anos foi campeão no saibro de Trieste, na Itália, depois de vencer o anfitrião anfitrião de 27 anos Riccardo Bonadio, 408º do ranking, por 6/4 e 6/3.

Alcaraz vinha de uma vitória muito difícil na semifinal, em duelo da nova geração contra o italiano de 18 anos Lorenzo Musetti por 7/5, 2/6 e 6/3. Atual 310º do ranking, o promissor jogador espanhol vai receber 100 pontos na ATP e dar um salto no ranking, aproximando-se do top 200. Uma de suas metas é estar no quali de Roland Garros.

Antes deste torneio, Alcaraz tinha apenas sete vitórias em torneios de nível challenger, todas elas conquistadas no ano passado. Mas alguns desses triunfos foram expressivos, contra rivais do top 200, como Pedro Martinez e Yannick Hanfmann. No início deste ano, recebeu convite para o Rio Open, como parte do acordo com a IMG, e conseguiu sua primeira vitória na ATP sobre o top 50 Albert Ramos-Vinolas. No ano passado, também atuou Brasil, ainda como juvenil no Banana Bowl e no Campeonato Internacional de Porto Alegre.

Feitos próximos de Nadal, Zverev e Aliassime
A primeira vez que Alcaraz chamou a atenção do mundo do tênis foi em abril do ano passado, quando ele estava ainda com 15 anos. A vitória sobre Martinez, então número 140 do ranking, o colocou ao lado de outros grandes nomes do tênis. Desde o ano 2000, apenas cinco jogadores dessa idade conseguiram vencer jogos contra adversários do top 200. Ele se juntou a Rafael Nadal, Richard Gasquet, Ryan Harrison e Bernard Tomic.

Aos 17 anos e três meses, Alcaraz é o segundo espanhol mais jovem a vencer um challenger. Só fica atrás de Nadal, que ganhou dois torneios em 2003. O atual número 2 do mundo tinha 16 anos quando foi campeão em Barletta, e 17 anos e um mês no título de Segóvia.

Além disso, nos últimos dez anos, apenas dois jogadores mais jovens que Alcaraz venceram torneios de nível challenger. Alexander Zverev tinha 17 anos e dois meses quando foi campeão em Braunschweig na temporada 2014. Já em 2017, o canadense Felix Auger-Aliassime foi campeão em Lyon e Sevilla. O primeiro título foi aos 16 anos e o segundo aos 17 anos e um mês.

Russo é campeão em Praga
Também nesta semana, o título do challenger de Praga ficou com o russo Aslan Karatsev. O jogador de de 26 anos e 194º do ranking venceu a final contra o holandês de 24 anos Tallon Griekspoor, número 173 do mundo, por 6/4 e 7/6 (10-8). Karatsev conquistou seu segundo título de challenger em sete finais disputadas.

Jovens promissoras ganham chance no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 30, 2020 às 9:38 am
A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

A canadense de 17 anos Leylah Fernandez disputará o segundo Slam da carreira

Em uma edição atípica do US Open, sem as disputas do quali e do torneio juvenil, a organização do Grand Slam norte-americano acabou dando algumas chances já na chave principal para algumas jovens promissoras. Atletas que ainda estão se firmando no circuito profissional como Leylah Fernandez, Whitney Osuigwe e Hailey Baptiste, e juvenis como Robin Montgomery e Katrina Scott são algumas das representantes da nova geração em quadra.

Desse grupo, a canadense Leylah Fernandez é quem mais se destaca no início da carreira profissional. A jogadora de 17 anos e 104ª do ranking já tem uma vitória contra top 10, obtida diante de Belinda Bencic na Fed Cup, e derrotou Sloane Stephens duas vezes este ano. A canhota também já disputou uma final de WTA, no início do ano em Acapulco.

Campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, Fernandez disputará uma chave principal de Grand Slam pela segunda vez. No início da temporada, ela furou o quali do Australian Open. Sua estreia em Nova York será em duelo de gerações contra a russa de 35 anos Vera Zvonareva, ex-número 2 do mundo. Se vencer, tem chance de encarar a número 4 do ranking Sofia Kenin já na segunda rodada.


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Outra jovem promessa que já teve a oportunidade de vivenciar um ambiente de Grand Slam é Whitney Osuigwe, que aos 18 anos vai para seu terceiro US Open e o quarto Slam. A norte-americana ocupa o 143º lugar do ranking e acabou entrando diretamente na chave, já que o torneio feminino teve muitas desistências. A estreia de Osuigwe, que busca sua primeira vitória em Grand Slam será contra a ucraniana Kateryna Kozlova, 99ª do ranking. E, se vencer, pode encarar a cabeça 6 Petra Kvitova na rodada seguinte.

O convite inicialmente reservado a Osuigwe foi para Katrina Scott, de apenas 16 anos e número 637 do mundo. Apesar da pouca experiência entre as profissionais, ela já deu trabalho para a húngara Timea Babos no WTA de San Jose do ano passado e também venceu um jogo no quali do US Open de 2019. Integrante da equipe norte-americana campeã da Fed Cup Júnior do ano passado, Scott terá sua primeira chance na chave principal de um Grand Slam. Ela estreia contra a Natalia Vikhlyantseva.

Companheira de Scott na Fed Cup Júnior do ano passado, Robin Montgomery debutará em um Grand Slam com apenas 15 anos. Ela é a atual número 5 do ranking mundial juvenil da ITF e atual campeã do Orange Bowl. Entre as profissionais, já venceu um ITF de US$ 25 mil e aparece no 597º lugar do ranking da WTA. Convidada para o US Open, Montgomery jogou o quali de Cincinnati na semana passada e estreia em Nova York contra a cazaque Yulia Putintesva.

Outra estrante em Grand Slam é Hailey Baptiste, de 18 anos e número 236 do ranking. Ela já tem uma vitória sobre Madison Keys, então número 17 do mundo, conquistada em Washington no ano passado. Baptiste já tem três títulos profissionais em torneios de US$ 25 mil e vai enfrentar na primeira rodada a francesa Kristina Mladenovic, cabeça 30 em Nova York.

Onze jogadoras com menos de 20 anos
Segundo a WTA, onze jogadoras na chave principal do US Open têm menos de 20 anos. A mais jovem é Robin Montgomery, de 15 anos. Logo depois aparecem a já consolidada Coco Gauff, número 51 do mundo aos 16 anos, e também as já citadas Scott, Fernandez, Baptiste e Whitney Osuigwe. Também com 18 anos, atuam a ucraniana Marta Kostyuk e a norte-americana Catherine McNally. Já com 19 anos, as atrações são Amanda Anisimova, Iga Swiatek e Kaja Juvan.

A entidade que comanda o circuito feminino também destaca que oito jogadoras do US Open estão disputando um Grand Slam pela primeira vez. Além das já citadas Baptiste, Scott e Montgomery, outras estreantes são a norte-americana de 21 anos Usue Arconada (128ª do ranking), a russa de 20 anos Varvara Gracheva (102ª), a polonesa de 27 anos Katarzyna Kawa (125ª), a alemã de 25 anos Tamara Korpatsch (118ª) e a ucraniana de 20 anos Katarina Zavatska (108ª).

Por outro lado, a chave principal do US Open tem 26 jogadoras com mais de 30 anos. Os destaques ficam para as ex-líderes do ranking Venus Williams, já com 40 anos, Serena Williams, que tem 38, e Kim Clijsters, que volta ao circuito aos 37 anos. A última campeã de Slam com mais de 30 anos foi Angelique Kerber, na grama de Wimbledon em 2017.

Wild será um dos dez estreantes em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 28, 2020 às 7:13 am
Thiago Wild, de 20 anos, disputará o primeiro Grand Slam da carreira profissional (Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Wild, de 20 anos, disputará o primeiro Grand Slam da carreira profissional (Foto: João Pires/Fotojump)

Em meio às várias adaptações no regulamento, a edição de 2020 do US Open tem início na próxima segunda-feira em Nova York. Para reduzir o número de jogadores circulando no complexo e minimizar o risco de transmissão do coronavírus, a competição deste ano cortou algumas disputas, como as de duplas mistas, o torneio juvenil e também o qualificatório. Nesse cenário, alguns tenistas que originalmente estariam no quali disputarão a chave principal de um Grand Slam pela primeira vez. Um deles é o brasileiro Thiago Wild.

Wild, que completou 20 anos em março, foi um dos jogadores beneficiados pela mudança momentânea do regulamento. Afinal, o atual número 2 do Brasil é o 113º colocado no ranking e não precisou do quali. No início da temporada, o jovem paranaense tentou uma vaga no Australian Open e caiu ainda na fase prévia.

A estreia de Thiago Wild em Grand Slam será contra o britânico Daniel Evans, número 28 do mundo. Se vencer, o campeão do ATP 250 de Santiago pode enfrentar o canhoto tcheco Jiri Vesely ou o francês Corentin Moutet. Há ainda a chance de um duelo nacional contra Thiago Monteiro, número 82 do mundo, na terceira rodada. Mas para isso, o número 1 do Brasil teria que superar uma chave difícil, com Felix Auger-Aliassime na estreia e Andy Murray ou Yoshihito Nishioka na segunda rodada.


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Estreantes jovens ou experientes
Segundo a ATP, 20 integrantes na chave principal masculina atuam no US Open pela primeira vez. Entre eles, dez jogadores disputarão o primeiro Grand Slam da carreira. Entre esses estreantes, aparecem algumas jovens promessas do tênis norte-americano, como Brandon Nakashima (de 19 anos e 220º do mundo), Sebastian Korda (de 20 anos e 225º colocado) e Ulises Blanch (de 22 anos e 241º do ranking).

A relação de jogadores estreantes em Grand Slam também contempla alguns nomes mais experientes. É o caso do italiano de 25 anos Gianluca Mager, número 75 do mundo e finalista do Rio Open, do argentino de 28 anos Federico Coria (103º) e do húngaro de 31 anos Attila Balazs (76º).

Três destaques do circuito challenger também farão parte do Grand Slam nova-iorquino. O finlandês de 21 anos e número 100 do mundo Emil Ruusuvuori já venceu quatro torneios deste porte no ano passado. Outro com quatro títulos é J.J. Wolf, de 21 anos e 143º do ranking. Já Maxime Cressy de 23 anos tem dois títulos e ocupa o 163º lugar.

Onze jogadores com até 21 anos, trintões são 43 ao todo
O italiano de 19 anos Jannik Sinner, 73º do ranking e nascido em agosto de 2001 será o jogador mais jovem da chave. Além dele, outros dez tenistas com até 21 anos estão na chave: Brandon Nakashima (19), Felix Auger-Aliassime (20), Sebastian Korda (20), Thiago Wild (20), Miomir Kecmanovic (20), Alejandro Davidovich Fokina (21), Corentin Moutet (21), Denis Shapovalov (21), Emil Ruusuvuori (21) e Alex de Minaur (21).

Por outro lado, 43 jogadores com mais de 30 anos disputam o US Open. A lista é encabeçada pelo veteraníssimo croata Ivo Karlovic, de 41 anos, seguido por Feliciano Lopez e Paolo Lorenzi, com 38 anos, e Philipp Kohlschreiber de 36 anos.

Técnico de Paes prepara Stefani: ‘Vai dominar o mundo’
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 19, 2020 às 9:12 am
O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O indiano Sanjay Singh tem quase três décadas de experiência com Paes e também treina Stefani há dois anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O título de Luisa Stefani na chave de duplas do WTA de Lexington e o bom momento vivido pela brasileira, que atingiu o melhor ranking da carreira no 39º lugar, passam pelas mãos de um dos maiores especialistas na modalidade. O técnico indiano Sanjay Singh, que trabalha há quase três décadas com o veteraníssimo Leander Paes, é também o treinador pessoal de Stefani há duas temporadas e fez parte da constante evolução da jovem paulista de 23 anos.

Sob o comando de Sanjay, Stefani ganhou seus dois primeiros títulos na elite do circuito. Ela foi campeã em Tashkent no ano passado e em Lexington no último domingo. As duas conquistas foram ao lado da norte-americana Hayley Carter. A parceria também foi finalista em Seul em 2019 e venceu nesta temporada um torneio da série 125k (equivalente a um challenger) em Newport Beach.

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No fim de 2018, quando a parceria com Sanjay ainda vinha em formação, Stefani aparecia apenas no 182º lugar do ranking. E a meta do experiente treinador é ambiciosa: Colocar a brasileira entre as 10 melhores jogadoras do mundo na modalidade. Segundo o indiano, Stefani apresenta totais condições de dominar o circuito, por sua capacidade técnica e disciplina nos treinos.

“Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve”, disse Sanjay Singh ao TenisBrasil. “Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e estar em uma das melhores duplas do mundo”.

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Mesmo durante a paralisação de cinco meses do circuito, devido à pandemia da Covid-19, Sanjay acompanhou de perto a evolução de Stefani. A brasileira conseguiu se manter em atividade, disputando exibições de simples na Acadmia Saddlebrook, onde ela mora e treina na Flórida. Ela conseguiu 16 vitórias em 28 jogos entre maio e julho. Uma das vitórias foi sobre Whitney Osuigwe, uma das jovens promessas do tênis norte-americano: “Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade”.

O treinador conta que o próprio Leander Paes, ex-número 1 de duplas e vencedor de oito Grand Slam nas duplas masculinas e dez nas duplas mistas, enalteceu o trabalho com a brasileira. A lenda do tênis indiano está com 47 anos e segue em atividade. “Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso”, comentou. “Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora”.

“Ela é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como fazer. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah“, explicou o treinador.

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Confira a entrevista com Sanjay Singh.

Você está trabalhando com ela há mais de um ano. Como o jogo dela evoluiu durante esse tempo? Que sinais você pode ver na evolução dela?
Estou trabalhando com a Luisa há dois anos e ela realmente melhorou muito e entende muito bem o plano de jogo. Ela é uma menina muito trabalhadora, como o Leander também é, joga muito bem e é rápida na rede. Essa é sua força, além de seu saque. Ela pode colocar a bola em qualquer lugar.

Como foi a comunicação com Luisa quando o circuito parou por causa da pandemia?
Nossa comunicação foi boa porque eu também moro aqui. Então nós podíamos treinar pela manhã. E depois, durante a tarde, eu podia falar com ela sobe o que fazer e o que tinha sido bom no treino. Não é apenas bater na bola que importa. Então nós trabalhamos no lado físico, mental e também no tênis, o que foi ótimo. Tivemos um tempo de muita qualidade em quadra, trabalhando em pontos e golpes específicos a cada dia. Então foi um tempo muito bom aqui na Saddlebrook, em Tampa.

A Stefani fez muitas partidas de exibição entre maio e julho e obteve alguns bons resultados. Foram 16 vitórias em 28 jogos. Como você avaliou o desempenho dela nesses meses?
Ela fez boas exibições aqui. Estamos trabalhando no jogo dela de simples e esse evento deu a oportunidade para ela ganhar experiência. Ela jogou contra adversárias com ranking melhor que o dela e estava vencendo algumas delas com facilidade. Estava usando saque e voleios, drop-shots, lobs, e as meninas não faziam ideia dessas coisas, porque ela só batiam na bola. E Luisa era tão boa na rede, que ela subia, voleava, e as adversárias não sabiam o que fazer.

 

Você trabalhou com Leander por muito tempo. O quanto essa experiência agregou à sua carreira de treinador?
Eu trabalho com o Leander desde 1990. Nós viajamos por todo o mundo, chegamos a 37 finais de Grand Slam e ganhamos 18. Temos o melhor aproveitamento em Copa Davis no mundo. É claro que tivemos alguns altos e baixos juntos, mas temos muita experiência. Isso impacta no jeito dele jogar e no meu jeito de passar as informações para ele. É isso que estou tentando fazer com a Luisa agora, porque eu a vejo sacando e voleando, entrando na quadra, sendo bastante energética na quadra e eu amo ver isso. Estou feliz que ela está ficando mais forte a cada dia.

Eu gostaria que a Luisa tivesse mais patrocinadores no Brasil, porque isso pode ajudá-la a conseguir vencer ainda mais, porque tudo no tênis é muito caro. E ela está trabalhando muito duro. Depois do Leander, eu encontrei alguém que trabalha tanto quanto ele. Então eu tenho certeza de que ela vai dominar o mundo em breve. Se tudo der certo, minha meta para o próximo ano é levá-la ao top 10 e ter uma das melhores duplas do mundo. E também vamos trabalhar no jogo de simples. Então em novembro ou dezembro, ela vai jogar muitas partidas de simples.

Também sobre Leander. Você sabe se ele mudou seus planos de aposentadoria este ano devido à pandemia? Você acha que ele pode jogar mais um ano e ir para as Olimpíadas em 2021?
Eu falei com ele quando a Luisa ganhou o torneio. Ele me deu os parabéns e perguntou: ‘Você quer começar outro time para dominar o mundo?’ e eu disse que sim. Estou pronto para isso. Então ele disse: ‘Parabéns! Mas eu preciso treinar de novo, porque eu quero voltar a jogar e quero me aposentar depois das Olimpíadas’.

Então eu acho que ele vai voltar a jogar. Em novembro, ele vem para Tampa e vai treinar comigo. E acho que ele jogar mais cinco ou seis torneios, pedir um convite para Wimbledon e tentar jogar em Tóquio e se aposentar. Seria a oitava vez dele nas Olimpíadas.

Quanto o jogo de duplas evoluiu nesses anos? E você acha que o estilo de jogo feminino e o masculino são muito diferentes para as duplas?
O jogo de duplas mudou demais, por causa da bola e dos pisos. Hoje temos tenistas que ficam no fundo da quadra e batem na bola o mais forte que podem, mas se você tem um bom jogo de rede pode dar problema para os outros jogadores, porque eles não sabem o que fazer. É por isso que o Leander continua jogando o seu melhor e a Luisa está indo tão bem. Acredito que o jogo masculino seja um pouco diferente, com mais potência nos golpes.

Mas a Luisa está jogando muito bem e é uma jogadora difícil de enfrentar. Ninguém consegue dar uma passada quando ela está na rede. As jogadoras não fazem ideia de como passar. Ela define os pontos muito rápido e as adversárias se assustam com ela na rede. Então se ela tiver uma boa parceira, que saca e joga bem do fundo de quadra, ela toma conta de toda a rede. É como um cheetah.

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Juvenil de 13 anos vence a número 54 do mundo na República Tcheca
Por Mario Sérgio Cruz
julho 19, 2020 às 1:57 pm

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Enquanto as competições oficiais do circuito profissional seguem paralisadas por conta da pandemia da Covid-19, algumas tenistas seguem tentando recuperar ritmo de jogo disputando exibições em seus países. E um resultado no circuito da República Tcheca chamou a atenção durante a semana. A juvenil de 13 anos Brenda Fruhvirtova superou a número 54 do mundo Katerina Siniakova por 7/6 (7-5) e 6/1 na última quinta-feira em Prostejov.

Nascida em abril de 2007, Brenda Fruhvirtova começou a se destacar no início deste ano, quando conquistou o título do tradicional torneio juvenil de 14 anos Les Petits As, na França. O evento é disputado desde 1983 e tem em seu quadro de campeãs jogadoras como Martina Hingis, Kim Clijsters, Dinara Safina, Jelena Ostapenko e Bianca Andreescu.

A conquista de Brenda na França foi a segunda seguida da família Fruhvirtova. Sua irmã mais velha, Linda Fruhvirtova, é nascida em 2005 e venceu a edição de 2019 do . Atualmente com 15 anos, ela já é número 20 do ranking mundial juvenil da ITF. Entre as profissionais, ocupa o 822º lugar na WTA e, inspirada por Coco Gauff, pretende chegar ao top 200 já no ano que vem.

“Quando comecei a jogar tênis, sempre jogava contra jogadores mais velhos que eu, então isso é normal”, disse Brenda Fruhvirtova em recente entrevista para o site da ITF. O pai delas, Hynek, também falou sobre o ambiente competitivo em casa. “Elas tiveram algumas batalhas intensas conforme foram crescendo. A mais jovem sempre quer vencer a mais velha, que nunca quer perder. Mas elas competem apenas na quadra. Quando saem, é uma história diferente. Elas se motivam e são realmente solidárias uma com a outra”.

Não superdimensionar o resultado
Por mais promissoras que sejam as duas jogadoras, que vêm se destacando em suas categorias, não se deve ainda superdimensionar os resultados das exibições. Além de não ser um torneio oficial, estamos em um contexto em que muitas tenistas estão ainda sem ritmo e retomando aos poucos a rotina de jogos. O circuito da WTA será reiniciado no dia 3 de agosto em Palermo, na Itália.

Siniakova, de 24 anos, já chegou a ser a 31ª do ranking em 2018. Ela também tem dois Grand Slam nas duplas, ao lado de Barbora Krejcikova, e chegou a liderar o ranking da modalidade. A tcheca, que também ainda é muito jovem, vem disputando alguns torneios amistosos em seu país para recuperar ritmo de competição. Imagens da partida estão disponíveis na internet (a partir de 1h 45:45 deste link) e é possível ver a ex-top 40 claramente abaixo do nível do que é capaz de mostrar, já que cometeu muitas duplas-faltas e sustentava poucos ralis do fundo de quadra.

O resultado da última quinta-feira chama atenção, é curioso, e as duas tenistas têm um enorme potencial, mas o contexto do jogo deve ser levado em consideração.

Nova geração protagoniza a luta contra o racismo
Por Mario Sérgio Cruz
junho 7, 2020 às 10:32 am

Enquanto as competições oficiais do circuito permanecem suspensas por conta da pandemia da Covid-19, alguns expoentes da nova geração do tênis voltaram a se destacar nas últimas semanas por suas ações e posicionamentos fora de quadra.

A morte de George Floyd, homem negro que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis, foi o estopim para uma onda de protestos contra o racismo que se espalhou pelos Estados Unidos e também por diversas partes do mundo. Nesse cenário, nomes como Naomi Osaka, Frances Tiafoe, Coco Gauff, Felix Auger-Aliassime e Taylor Townsend compartilharam suas experiências e marcaram posições firmes contra o preconceito.

Tiafoe se sente um estranho no ninho

“A morte do George Floyd fez eu me sentir horrível. Especialmente por pensar que poderia ser um dos meus entes queridos e talvez pudesse acontecer até comigo”, revelou Tiafoe ao programa Tennis United, produzido para as redes sociais da ATP e da WTA. “Quando se é negro nos Estados Unidos, mesmo para quem é uma pessoa comum e não um atleta, você sente que precisa ser duas vezes melhor para ter reconhecimento”.

https://twitter.com/FTiafoe/status/1267202313057427458

O jovem jogador de 22 anos e 81º do ranking é um dos poucos negros entre os 100 melhores do mundo e ressalta que a falta de diversidade no tênis às vezes o faz se sentir como um estranho no ninho. “Quanto mais sucesso eu tenho, mais me sinto um outsider“, afirmou, em entrevista à CNN. “É claro que eu recebo muito apoio e reconhecimento, mas sinto que nem todo mundo quer me ver fazendo sucesso. Sinto como se estivesse tomando algo de alguém que gostaria de estar no meu lugar. Com certeza, sinto isso porque no fundo eles não querem nos ver no topo”.

Filho de imigrantes de Serra Leoa, Tiafoe foi campeão do ATP 250 de Delray Beach em 2018 e chegou a ser 29º do ranking em fevereiro do ano passado, depois de alcançar as quartas de final do Australian Open. Mas para o ex-top 30, ainda há muito a ser feito para promover a igualdade de oportunidades no tênis. “O tênis não é como o basquete, que você só precisa de uma tabela e da bola, ou o futebol que você precisa de um gramado e da bola. Então, como podemos tornar isso acessível? Como conseguir uma grande quantidade de raquetes, cordas, redes, bolas e calçados? Essa é a parte mais difícil”.

Gauff, com apenas 16 anos, discursou em protesto

Ainda mais jovem que Tiafoe, a norte-americana de 16 anos Coco Gauff tem encorajado os fãs a agirem além das redes sociais. E para dar o exemplo, ela própria compareceu a um protesto pacífico em sua cidade natal, Delray Beach, e discursou diante dos manifestantes. Gauff lamentou ter que protestar pela mesma causa que os avós já lutavam há 50 anos, relembrou outros casos recentes de violência contra os negros, incentivou o voto (que não é obrigatório nos Estados Unidos) e falou sobre como tem trazido cada vez mais pessoas para apoiar suas causas.

“Acho que é triste que eu esteja protestando pela mesma causa que a minha avó teve que protestar há 50 anos”, disse Gauff, na última quarta-feira. “Passei toda a semana conversando com amigos que não são negros, tentando educá-los sobre como eles poderiam ajudar o movimento. Nós temos que agir, e é por isso que estamos aqui. Eu ainda não tenho idade para votar, mas está nas mãos de vocês decidirem sobre o meu futuro, o do meu irmão e também o de vocês”.

“Vocês precisam usar suas vozes. Não importa o tamanho e o alcance de suas plataformas. Como o Martin Luther King disse: ‘O silêncio das pessoas boas é pior que a brutalidade das pessoas ruins’. Então, não devemos ficar em silêncio. Se você escolhe ficar em silêncio, você fica ao lado do opressor”, acrescentou a atual 52ª colocada no ranking mundial e vencedora do WTA de Linz no ano

“Eu exijo mudanças agora. É triste que outra vida negra tenha sido perdida para que tudo isso estivesse acontecendo. Não estamos aqui apenas por causa do George Floyd, mas também pelo Eric Garner, pelo Travyon Martin, pela Breonna Taylor e muitos outros”, afirmou a jovem tenista norte-americana. “Eu tinha apenas oito anos quando o Travyon Martin foi morto. Por que estou aqui, aos 16 anos, ainda protestando por isso? Eu estou lutando pelo futuro do meu irmão e dos meus futuros filhos. Então, precisamos mudar isso agora. E eu prometo usar a minha plataforma para divulgar informações vitais”.

Atleta mais bem paga, Osaka também foi às ruas


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#justiceforgeorgefloyd

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Há pouco mais de duas semanas, revista norte-americana Forbes divulgou que a japonesa Naomi Osaka foi a atleta mais bem paga de 2019. Ela ficou pela primeira vez à frente de Serena Williams, que liderava essa lista desde 2016. Osaka faturou US$ 37,4 milhões entre premiações de torneios e contratos de patrocínio. Considerando os ganhos de atletas homens e mulheres, a japonesa de 22 anos está na 29ª posição do ranking, enquanto Serena esta na 33ª posição. Elas são as únicas mulheres entre os 100 atletas mais bem pagos.

É bem comum que personalidades com muitos contratos publicitários busquem maior neutralidade e evitem se posicionar, mas essa não foi uma opção para Osaka. A jogadora que tem pai haitiano e mãe japonesa já foi vítima de preconceito por diversas vezes, até mesmo em seu país de origem. Atualmente em Los Angeles, ela fez questão de comparecer a um dos protestos pela morte de Floyd e tem sido bastante atuante também nas redes sociais.

“Só porque não está acontecendo com você, não significa que não esteja acontecendo”, escreveu Osaka, em seu perfil no Twitter. Ela também questionou aqueles que criticaram os protestos, mas que ficaram em silêncio sobre a morte de Floyd. “Vejo que algumas pessoas ficaram quietas no Twitter por uma semana quando tudo começou, mas assim que começaram os saques, já vieram para falar de hora em hora sobre como estão se sentindo. Eles falam sobre os saques antes de falar da morte de um homem negro desarmado”.

Aliassime lembra racismo sofrido por seu pai

O canadense de apenas 19 anos Felix Auger-Aliassime é um dos grandes nomes da nova geração, ocupando atualmente o 20º lugar do ranking mundial e já com cinco finais de ATP no currículo. Aliassime também é filho de um imigrante. Seu pai, Sam, é professor de tênis, nasceu no Togo e já foi discriminado durante uma abordagem policial.

Em vídeo publicado no Instagram, Aliassime conta que seu pai estava voltando do trabalho para casa em Québec quando passou a ser seguido pela polícia. “Ele virou à esquerda, à direita, fez um círculo completo, e a polícia continuava seguindo. Até que ele parou o carro. E então o carro da polícia parou logo atrás e uma policial bateu na janela dele”.

“Meu pai perguntou se havia cometido alguma infração e ela respondeu que não. Então ele perguntou: ‘Então por que estou sendo abordado?’ e ela explicou que era raro ver ‘uma pessoa de cor’ [reproduzindo palavras da policial] dirigindo aquele tipo de carro (uma Mercedes) naquele bairro. Meu pai ainda perguntou se havia alguma denúncia de roubo de carro nas redondezas, e ela novamente respondeu que não”, acrescentou o jovem jogador.

“Esta pequena história, que não foi violenta, e que tudo acabou em paz. Mas este tipo de situação cria coisas como as que estamos vendo hoje. Acho que as pessoas precisam ficar cientes que isso não acontece com ‘os outros’. Pode acontecer com seus amigos, professores, treinadores e com qualquer pessoa”, complementou Aliassime, que ainda assim se sente privilegiado por ter crescido em um lugar onde há maior liberdade de expressão.

Townsend relata preconceito nos torneios

A canhota norte-americana Taylor Townsend ocupa o 73º lugar do ranking mundial e ganhou notoriedade no ano passado por seu estilo de jogo com saque e voleio e pela surpreendente vitória sobre Simona Halep no US Open. Apesar disso, ela conta que sofre com a discriminação até mesmo no ambiente dos torneios.

“Quando estou circulando, pedem para checar a minha bolsa, checar a minha credencial, checar bolsas e credenciais do meu técnico. Tem uma segurança extra e precauções extras para ter certeza de que nós pertencemos àquele lugar. Isso acontece toda semana, em qualquer torneio que eu jogar, nos Estados Unidos ou no exterior”, revelou ao Tennis United.

“Mesmo no tênis, nós perdemos nossa identidade, como se todas nós fôssemos iguais. Todo mundo que vê uma mulher negra nos torneios já pensa que é a Venus, a Serena ou a Sloane [Stephens]. Tem pessoas que perguntam para mim se eu sou a Coco Gauff!”, explicou a jogadora de 24 anos.

“Aqui nos Estados Unidos temos muitas tensões raciais, muitas revoltas, mas também muitos protestos pacíficos”, acrescentou Townsend. “A comunidade negra foi suprimida. Nossa identidade foi roubada de nós. Homens negros estão sendo baleados e mortos no meio da rua, em plena luz do dia, por policiais. Essa foi a nossa realidade por muitos anos, mas agora as pessoas estão começando a acordar”.

Pausa no circuito adia os planos dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
abril 15, 2020 às 7:13 am
Natan Rodrigues e Gustavo Heide estavam no top 20 do ranking e garantidos em Roland Garros e Wimbledon (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

Natan Rodrigues e Gustavo Heide estavam no top 20 do ranking e garantidos em Roland Garros e Wimbledon (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O bom início de temporada para os brasileiros que disputam o circuito mundial juvenil foi interrompido de maneira abrupta pela pandemia da Covid-19. Jogadores como Natan Rodrigues, Gustavo Heide e Pedro Boscardin vinham de resultados positivos nos primeiros meses do ano e já estariam no início da preparação para Roland Garros e Wimbledon, mas esses planos terão que ser adiados.

As disputas em Paris foram remarcadas para o segundo semestre e o Grand Slam francês acontecerá entre 20 de setembro e 4 de outubro. Já o torneio de Wimbledon não será realizado em 2020, dada a dificuldade que os organizadores teriam para deixar as quadras de grama em boas condições de jogo em outra época do ano que não fosse o verão do hemisfério Norte.

A estimativa da Federação Internacional de Tênis (ITF) é que mais 900 torneios de todos níveis tenham sido cancelados por conta do risco de transmissão do novo coronavírus. As decisões dos circuitos profissionais da ATP e da WTA de suspenderem todas competições até 13 de julho, com possibilidade de prolongar ainda mais o período de paralisação, foram acompanhadas pela ITF e por federações nacionais ou continentais.

Roland Garros adiado, Wimbledon cancelado

O baiano Natan Rodrigues é o sétimo do ranking juvenil (Foto Marcello Zambrana/CBT)

O baiano Natan Rodrigues é o sétimo do ranking juvenil (Foto Marcello Zambrana/CBT)

Brasileiro mais bem colocado no ranking mundial juvenil, o baiano Natan Rodrigues aparece na sétima posição na lista da ITF. O jogador que completou 18 anos em fevereiro já estaria garantido nos dois próximos Grand Slam e poderia atuar no saibro parisiense pela primeira vez, já que estava se recuperando de uma cirurgia no apêndice durante a edição passada do torneio.

“Como já sou 7 do mundo na ITF, eu estaria garantido e seria cabeça de chave. Fico um pouco triste, mas não tem o que fazer. É aceitar e seguir a diante. Ainda tenho mais dois Grand Slam”, disse Natan Rodrigues, que começou a temporada com um título na Costa Rica e ainda foi finalista do Banana Bowl em Criciúma e do Sul-Americano Individual em Brasília.

“Acho que seria mais triste se cancelassem Roland Garros, porque eu nunca joguei lá. Eu fiz uma cirurgia no ano passado e não pude jogar. Mas como eu falei, tem que seguir em frente e continuar treinando para estar preparado quando voltar”, relembrou o jovem baiano, que já disputou Wimbledon e US Open como juvenil no ano passado.

Heide iria treinar na Espanha

O paulista Gustavo Heide faria um período de treinos na Espanha, mas cancelou os planos (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O paulista Gustavo Heide faria um período de treinos na Espanha, mas cancelou os planos (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

Gustavo Heide foi campeão do Sul-Americano e aparece na 16ª posição do ranking juvenil. Ao contrário de Natan Rodrigues, o paulista jogou Roland Garros no ano passado depois de ter vencido uma seletiva nacional em Santa Catarina e um triangular em Paris contra adversários da China e da Índia. Na época, ele ainda ocupava o 139º lugar do ranking e, por isso, não se classificou para Wimbledon.

“Quando eu fiquei sabendo que Wimbledon foi cancelado, eu fiquei triste. Era o Grand Slam que eu tinha mais vontade de jogar. Nunca joguei na grama, então acho que seria uma experiência incrível”, afirmou o Heide. “Todo mundo fala que é o Grand Slam mais legal de ir, porque é bem diferente dos outros”.

“É o meu último ano no juvenil, mas eu fico pensando que tomara que eu consiga jogar em Wimbledon no futuro. É uma motivação a mais para eu poder chegar ali entre os melhores”, acrescentou o jovem paulista, que completou 18 anos em fevereiro e está em sua última temporada no circuito juvenil.

O cancelamento das competições também fez Heide desmarcar um período de treinos na Espanha, que faria ao lado do técnico brasileiro Tiago Leivas. “Recebi essa notícia em uma sexta-feira, se não me engano. No sábado, eu iria jogar o quali para o challenger de Olímpia, que acabou sendo cancelado. E no fim-de-semana seguinte eu iria para a Espanha, para treinar por duas semanas. Depois, voltaria para e jogar os futures que teriam em abril [quatro torneios aconteceriam nas cidades de Recife, Curitiba, Brasília e Piracicaba]. Já estava programado e eu estava animado para os treinos na Espanha. Mas, infelizmente, deu no que deu. Tomara que tudo isso passe logo e a gente possa voltar para as quadras”.

Boscardin foca na transição

O catarinense Pedro Boscardin ainda pode jogar o circuito juvenil no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O catarinense Pedro Boscardin ainda pode jogar o circuito juvenil no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

Já o catarinense Pedro Boscardin, número 52 do ranking mundial juvenil, está com 17 anos e tem a chance de disputar seus primeiros Grand Slam na próxima temporada. Até por isso, quando o circuito voltar, ele busca motivação na transição para a carreira profissional. “Não é só desses grandes torneios que a gente vive. Também estou com bastante vontade de jogar os torneios profissionais, como os challengers e futures, então não preciso ficar pensando só nos Grand Slam do juvenil. Já consigo ter uma motivação bem grande com o profissional”.

“Acho que como todo tenista, eu fiquei chateado por não poder jogar, mas a gente está vendo a cada dia que foi a decisão correta. E isso faz parte do circuito. Todo mundo está nessa situação e todo mundo tem que seguir trabalhando duro. É claro que não dá para manter o mesmo ritmo de treinos, mas manter a forma física já é super bom”, explicou o catarinense, que disputou finais na Costa Rica e Colômbia e jogaria o challenger de Olímpia.

Mudança nas rotinas de treinos e estudos

Por conta das regras de isolamento social, a rotina de treinamento também foi bastante afetada. Entre os três jogadores consultados, apenas Boscardin ainda consegue treinar em quadra. Já Heide e Natan apostam na preparação física. “Quando eu recebi a notícia, a gente parou por uma semaninha. E depois disso, já voltei a fazer trabalho físico. O tênis eu consigo treinar dia sim, dia não, tomando bastante cuidado nessa questão de onde tocar para manter pelo menos um pouquinho do contato com a bola”, disse Boscardin.

“Na quadra não tem como, por enquanto. Está um pouco difícil”, relatou Natan Rodrigues. “O que eu tenho feito são os treinos físicos em casa”. Situação parecida vive Heide. “Para manter minha rotina, estou treinando o físico em casa. Eu falo com a minha equipe e eles me passam os exercícios”.

Os três jovens jogadores também falaram sobre suas rotinas de estudo em tempos de quarentena. Natan concluiu o Ensino Médio no fim de 2019 e pretende ingressar em uma faculdade em breve, enquanto Heide precisou interromper os estudos no ano passado para se dedicar ao tênis. Um ano mais jovem que eles, Boscardin aproveita o período sem viagens e competições para finalizar o colégio. “Eu já estudo à distância desde o primeiro ano do Ensino Médio. Então, no último ano, é praticamente a mesma coisa”, afirmou. “Mas agora eu tenho mais tempo para estudar e estou dando uma antecipada para, quando voltar ao normal, eu já ter terminado ou estar bem mais adiantado”.

Jogo agressivo e controle emocional ajudaram Wild a fazer história
Por Mario Sérgio Cruz
março 2, 2020 às 9:56 pm

Com apenas 19 anos, Thiago Wild entrou para a história do tênis brasileiro no último domingo ao conquistar o título do ATP 250 de Santiago. A vitória sobre o norueguês Casper Ruud, 38º do ranking, por 7/5, 4/6 e 6/3 fez de Wild o atleta nacional mais jovem a vencer um torneio da elite do circuito. Sua franca evolução é reflexo do estilo de jogo agressivo e de uma melhora significativa na preparação psicológica para lidar com o aspecto mental do esporte.

Wild tem um jeito de jogar diferente do que é apresentado pela maioria dos atletas brasileiros ou sul-americanos. É muito comum assistirmos os tenistas do continente atuando distantes da linha e prolongando bem mais os ralis. Mas mesmo tendo uma predileção pelo saibro, o jovem jogador brasileiro aposta na potência de seus golpes para encurtar os pontos e comandá-los desde o início, jogando mais próximo da linha de base. É um estilo que tem sido adotado por grande parte das jovens promessas que têm surgido nos últimos anos.

https://twitter.com/TennisTV/status/1234228143289970690

Por muitas vezes, a tática agressiva de Wild esbarrava na falta de regularidade. E com os erros, vinham também as frustrações. Desde os tempos de juvenil, o paranaense sempre foi um jogador muito intenso e vibrante em quadra, sempre deixando bem expostas as suas emoções. Um fator fundamental para que ele continuasse a evoluir, sem perder sua personalidade, foi canalizar essa energia e para transformar isso em coisas positivas.

Em entrevista ao TenisBrasil no início de 2018, durante um torneio de nível future em São José do Rio Preto, Wild já identificava o problema da perda de concentração e começava a trabalhar para mudar isso. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Cenas em que Wild perdia a concentração por elementos externos ao jogo ou descontava a raiva na raquete aconteciam de vez em quando nessa fase de transição para o circuito profissional. Há pouco tempo, vimos acontecer de novo, quando Wild foi eliminado na estreia do challenger de Punta del Este e, em ato bastante imprudente, arremessou uma raquete para longe.

https://twitter.com/doublefault28/status/1222748814269931520

Wild superou bons testes do ponto de vista mental
Dois anos depois, com o título do ATP chileno em mãos, o treinador João Zwetsch destaca o quanto a presença de um psicólogo na equipe fez diferença. “É um trabalho importante que vem sendo feito também pelo psicólogo Felipe Vardiero, uma peça fundamental que entrou em nosso time uns meses atrás para lidar nesse processo dele”, comenta o atual técnico de Wild, que também coordena o centro de treinamento Tennis Route, no Rio de Janeiro.

Nas duas últimas semanas, Wild foi frequentemente testado no aspecto mental do jogo. Um desses casos foi logo na estreia no Rio Open, diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina, quando ele precisou salvar três match points ainda no segundo set da partida e venceu por 5/7, 7/6 (7-3) e 6/3. O jogo de 3h49 foi o mais longo da história do torneio. Além de toda a competitividade, o paranaense também que lidar com o jogo imprevisível do espanhol que usava muitos slices e drop shots. Também no Rio de Janeiro, equilibrou as ações contra o croata Borna Coric, 32º do ranking, em partida de oitavas de final definida apenas no tiebreak do terceiro set.

https://twitter.com/TennisTV/status/1229587115538817028

Já em Santiago, passou por argentinos mais experientes e melhor colocados no ranking, Facundo Bagnis e Juan Ignacio Londero nas rodadas iniciais, antes de enfrentar a estrela local Cristian Garin. Vencedor de quatro torneios da ATP e número 18 do mundo, Garin atraiu um grande público para o duelo das quartas e teve a torcida a favor o tempo inteiro. Wild esteve atrás no placar e chegou a salvar seis set points antes de vencer a parcial no tiebreak e ver o rival abandonar a disputa por lesão na região lombar.

Depois de confirmar o favoritismo na semifinal contra o argentino Renzo Olivo, Wild encarou outro grande teste diante do norueguês Casper Ruud. Quebrado em seus dois primeiros games de saque, o brasileiro perdia o set inicial por 3/1 quando iniciou a reação em um game fundamental. Salvando vários break points, um deles combinando um grand-willy e uma passada, evitou que o rival colocasse duas quebras de vantagem na parcial e, logo depois, devolveu a quebra e fez seu melhor game de saque no jogo até então. Depois de não ter um break point a favor em todo o segundo set, Wild reagiu muito bem no início do terceiro, com uma quebra de serviço para abrir 3/0 e também não deu chances ao rival no momento em que sacava para o jogo.

https://twitter.com/TennisTV/status/1234199716008800273

‘Furando a fila’ de outras promessas
O título em Santiago também fez de Wild o primeiro jogador nascido a partir de 2000 a conquistar um torneio da ATP. Com isso, o brasileiro acabou ‘furando a fila’ de outras jovens promessas do tênis já consolidadas na elite do circuito. O canadense de 19 anos Felix Auger-Aliassime, número 20 do mundo, disputou cinco finais de ATP e perdeu todas. Já o italiano de 18 anos Jannik Sinner foi semifinalista na Antuérpia no fim do ano passado.

Prodígio desde muito cedo
Além da potência nos golpes, aliada ao seu estilo de jogo, e da preparação psicológica, o sucesso precoce de Wild no circuito também é fruto de um trabalho de longo prazo. Ele figura desde 2014 em convocações para equipes de base. Fez parte do Mundial de 14 anos disputado em Prostejov, na República Tcheca, ao lado de Igor Gimenez, João Lucas Reis e Gilbert Klier Junior. No mesmo ano, o paranaense venceu a BNP Paribas Cup, um dos principais eventos do mundo para sua categoria.

Não demorou para que Thiago Wild rapidamente se firmasse no circuito mundial juvenil da ITF, enfrentando jogadores de até 18 anos. Algumas das primeiras experiências em torneios deste porte foram no Banana Bowl e no Campeonato Internacional de Porto Alegre de 2016. No mesmo ano, disputou seu primeiro Grand Slam como juvenil no US Open.

Em 2017, deu um salto de qualidade. O paranaense foi finalista do Banana Bowl, campeão no Sul-Americano Individual e chegou às quartas de final de Roland Garros. Já na temporada seguinte, foi semifinalista em Paris e encerrou sua trajetória no circuito juvenil com o título do US Open. Paralelamente, iniciava a carreira profissional já com uma expressiva vitória sobre o top 100 Nicolas Jarry no challenger do Rio de Janeiro no fim de 2017 e os dois primeiros títulos de nível future. Jarry, aliás, talvez seja o jovem sul-americano com o estilo de jogo mais próximo do apresentado por Wild, embora o chileno seja um pouco mais dependente do saque.

Salto no ranking em pouco mais de um ano
Atualmente no 113º lugar do ranking, Wild ganhou 69 posições em relação à lista da última segunda-feira e está com a melhor marca da carreira. Há pouco mais de um ano, em 25 de fevereiro de 2019, ele ocupava apenas o 449º lugar. Com uma vitória no Brasil Open, em São Paulo. fez 20 pontos na ATP e já foi para a 391ª posição. O paranaense continuaria abaixo do top 300 até outubro, apesar de ter feito alguns bons resultados em challengers e futures.

Nos três últimos torneios da temporada passada, emplacou uma sequência de bons resultados. Foram 13 vitórias em 15 jogos. O evidente destaque para seu primeiro título de challenger em Guayaquil. Wild também chegou às quartas em Lima e foi semifinalista em Montevidéu. Com isso, foi do 342º ao 215º lugar em poucas semanas. A estreia no top 200 foi há apenas uma semana, já que a vitória na estreia do Rio Open o fizera subir da 206ª para a 182ª colocação.

Admiração por Nadal e treinos com Tsonga

Wild teve uma experiência bastante enriquecedora para seu futuro profissional ao treinar com o ex-top 5 Jo-Wilfried Tsonga no challenger de Cassis, na França. Mas o grande ídolo do paranaense é mesmo Rafael Nadal. Em entrevista ao site da ATP após a conquista no Chile, ele falou sobre a admiração pelo espanhol: “A maneira como ele joga, se mantém na quadra e luta por cada ponto é simplesmente incrível. Isso me fez sonhar com tudo o que ele fez. Se eu pudesse conquistar 20% do que ele conquistou em sua carreira, seria ótimo”.