Campeão em Roland Garros, Pucinelli já pensa na grama
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2019 às 8:44 pm

O tênis brasileiro teve uma ótima notícia no último sábado com a conquista de Matheus Pucinelli na chave de duplas do torneio juvenil em Roland Garros. Ele e o argentino Thiago Tirante venceram a final contra o italiano Flavio Cobolli e o suíço Dominic Stricker por 7/6(3) e 6/4. Pucinelli repete um feito de Gustavo Kuerten, que foi campeão juvenil de duplas em Paris ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti em 1994. Três anos depois, Guga conquistaria o primeiro de seus três títulos em Paris como profissional.

Matheus Pucinelli conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Matheus Pucinelli (de azul) conquistou o título ao lado do argentino Thiago Tirante (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

O título de Pucinelli é o 36º Grand Slam do tênis brasileiro e o nono troféu de Roland Garros. O paulista de 18 anos também é o sétimo atleta nacional a conquistar um Slam como juvenil. Em simples, alagoano Tiago Fernandes foi campeão na Austrália em 2010, enquanto o paranaense Thiago Wild venceu o US Open no ano passado. Nas duplas, Guga venceu Roland Garros há 25 anos, Felipe Meligeni Alves tem um título do US Open em 2016 com o boliviano Jorge Aguilar, enquanto a parceria nacional de Orlando Luz e Marcelo Zormann ganhou Wimbledon em 2014.

A boa campanha de Pucinelli, que também venceu um jogo em simples, faz com que ele ganhe quatro posições no ranking mundial juvenil da ITF e apareça nesta segunda-feira no 22º lugar. O resultado também já o classifica para o US Open, em setembro. Lembrando que para a composição do ranking juvenil de um tenista são considerados os seis melhores resultados do ano em simples e mais 1/4 da soma entre as seis melhores pontuações em duplas. Esta é sua última temporada no circuito de base, mas ele poderá utilizar esse ranking para entrar em algumas competições profissionais do ano que vem.

Em entrevista ao site Roland Garros Ao Vivo, mantido pela Federação Francesa de Tênis, Pucinelli havia dito no início do torneio que o saibro não era seu melhor piso. “Não é um piso que eu prefiro tanto. Mas estou gostando bastante de jogar o torneio pela primeira vez”, disse após a vitória por duplo 6/4 sobre o francês Valentin Royer ainda na primeira rodada. Na ocasião, ele também destacava que as condições mais rápidas daquele dia o ajudaram. “Achei o jogo um pouco rápido, está mais seco, e consegui sacar bem. Acho que isso foi o diferencial”.

Atleta do Instituto Tênis, Pucinelli esteve acompanhado pelo supervisor técnico Rafael Paciaroni em Roland Garros. O calendário de competições para as próximas semanas já foi definido. Primeiro, ele joga dois futures no saibro. Nesta semana, ele atua em Kaltenkirchen, na Alemanha. Depois vai para Balatonalmadi, na Hungria. Na sequência, fará a transição para a grama. Ele disputa o ITF J1 de Roehampton e segue para Wimbledon. Será sua segunda participação no Slam londrino, onde ele caiu ainda no quali de simples no ano passado, mas alcançou as quartas de final em duplas.

“Tive a experiência no ano passado em Wimbledon e já consegui sentir um pouco a grama. Acho que é um bom piso para o meu estilo de jogo. Gosto de sacar e volear, e subir pra rede. Vou trabalhar muito para ver se eu consigo ir bem na chave de simples”, comentou Pucinelli ao Roland Garros Ao Vivo.

O ponto alto da campanha foi a rodada dupla vencida na última sexta-feira. A parceria sul-americana começou aquele dia vencendo o norte-americano Zane Khan e o chinês Bu Yunchaokete pelas quartas de final por 6/3 e 6/2. Horas depois, também venceram o tcheco Andrew Paulson e o ucraniano Eric Vanshelboim por 6/1 e 6/0. Sobre sua parceria com o argentino Tirante, Pucinelli cita que uma antiga rivalidade favoreceu o entrosamento. “Desde pequenos a gente se conhece. Já jogamos juntos muitas vezes, um contra o outro. Tínhamos uma rivalidade desde os 13 ou 14 anos, mas sempre nos demos bem e o jogo acabou encaixando. Ele tem um saque forte e uma direita forte, e eu ia fechando bem a rede”, falou à página oficial do Grand Slam francês.

Canadá, Dinamarca e Mouratoglou

O torneio juvenil de Roland Garros terminou com títulos para a canadense Leylah Fernandez e o dinamarquês Holger Rune. No sábado, Fernandez venceu a norte-americana Emma Navarro por 6/3 e 6/2, enquanto Rune bateu o também estadunidense Toby Kodat por 6/3, 6/7 (5-7) e 6/0.

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Fernandez é mais um prodígio do tênis canadense. Com excelente trabalho de base feito pela federação nacional nos últimos anos, já surgiram Denis Shapovalov, Felix Auger-Aliassime e Bianca Andreescu. A canhota canadense de 16 anos já havia sido finalista do Australian Open juvenil em janeiro e agora aparece no terceiro lugar do ranking da categoria. Embora não pareça muito alta, Fernadez consegue gerar potência nos golpes dos dois lados, bate reto na bola e consegue entrar na quadra para a definição dos pontos.

Já Rune completou 16 anos em abril e já é o novo número 2 no ranking da ITF. Ele dá o segundo título de Grand Slam juvenil para a Dinamarca só neste ano. Lembrando que em janeiro, Clara Tauson foi campeã na Austrália. O bom momento dos jovens dinamarqueses já havia sido comentado pelo veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen, em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open.

“Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”, afirmou Nielsen, em fevereiro. “Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”.

Outro dado a destacar de Rune é que ele é mais uma cria da academia de Patrick Mouratoglou. Nos últimos anos, a renomada escola francesa formou sete finalistas e cinco campeões de torneios juvenis de Grand Slam. Só em Roland Garros, são três conquistas seguidas no masculino com Alexei Popyrin, Jason Tseng e Holger Rune. Entre as meninas, Cori Gauff foi campeã no ano passado em Paris. Além deles, o próprio Tseng ganhou Wimbledon em 2018, enquanto o italiano Lorenzo Musetti tem um vice no US Open e um título na Austrália.

https://twitter.com/MouratoglouAcad/status/1137416514901086208

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Ashleigh Barty, uma campeã que joga diferente
Por Mario Sérgio Cruz
junho 10, 2019 às 11:30 pm

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O título de Ashleigh Barty em Roland Garros representa mais do que uma conquista individual. A jovem australiana de 23 anos e agora número 2 do mundo também mostrou que é possível se manter competitiva e lutar pelas primeiras posições do ranking com um estilo de jogo diferente ao utilizado pela maioria dos grandes nomes da atualidade. Desde a década passada, vimos a consolidação de um estilo dominante no tênis feminino. Costumam levar vantagem as jogadoras mais altas, fortes fisicamente e detentoras de um estilo de jogo agressivo, capazes de bater muito forte na bola dos dois lados. Era quase veredicto de quem não jogasse assim ficaria pra trás. Barty desafiou essa lógica.

Já falamos no blog em fevereiro de 2018 sobre essas características da australiana, quando ela era postulante a um lugar no top 10: Barty tem um bom forehand, mas não compete em potência dos golpes contra nomes como Petra Kvitova, Karolina Pliskova e Garbiñe Muguruza. Nem mesmo a consistência defensiva de uma Caroline Wozniacki ou Simona Halep aparecem tanto no jogo da australiana. Suas apostas são em frequentes slices, drop shots e subidas à rede. A variação aparece também nas devoluções, que em alguns momentos apenas bloqueiam o saque das adversárias. Junte isso com tempo de resposta muito rápido para a tomada de decisões de improviso e temos uma adversária bem chata de ser enfrentada até mesmo pelas melhores do mundo.

Tal como já acontecia nos últimos anos, Barty segue com bom aproveitamento no saque. Atualmente, ela é a sexta jogadora que mais disparou aces na atual temporada e está entre as quatro primeiras no aproveitamento de pontos e games vencidos em seu serviço. Ela também está entre as dez que mais salvaram break points em 2019.  Com apenas 1,66m, a australiana pode não ser dona de um dos saques mais velozes do circuito, mas tem um dos mais eficientes. Barty coloca muito bem o saque e sabe como poucas variar efeito e direção. Jogando ora aberto, ora no T, ora no corpo, ela faz tudo muito bem.

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Uma vítima do próprio sucesso

Barty já começava a dar sinais de que teria um futuro promissor quando tinha apenas 15 anos. Ela foi campeã juvenil de Wimbledon em 2011 e conseguiu vaga na chave principal do Australian Open do ano seguinte depois de vencer a forte seletiva nacional contra jogadoras profissionais. Lidando desde cedo com pressão e expectativas, fez uma pausa na carreira em 2014 e foi jogar críquete. Naquele momento, tinha como melhor ranking em simples o 129º lugar. Entre as duplistas, havia alcançado o 13º posto e disputado três finais de Grand Slam. “Eu era uma desconhecida até ganhar o juvenil de Wimbledon. Seis meses depois, eu estava jogando o Australian Open. Tudo aconteceu rápido demais. Fui vítima do meu próprio sucesso”, disse ao site da WTA em fevereiro de 2016.

A volta às quadras aconteceria em maio de 2016. Em 6 de junho daquele ano, reapareceu no ranking mundial, ocupando o modesto 623º lugar. Disputando apenas torneios menores e ainda sofrendo com lesões, terminaria aquele ano ainda no 325º lugar do ranking mundial. O grande salto no ranking se deu em 2017. Ao longo de uma temporada consistente, conquistou seu primeiro WTA em Kuala Lumpur e disputou finais de torneios grandes em Wuhan e Birmingham, além de conquistar quatro vitórias contra top 10. Terminou aquele ano no 17º lugar, depois de saltar 308 posições. Já em 2018, outro bom ano, com títulos em Nottingham e Zhuhai. Também comemorou seu primeiro Grand Slam nas duplas, o US Open ao lado de Coco Vandeweghe.

O melhor estaria por vir em 2019. Barty começou o ano disputando uma final em Sydney, conquistou o Premier de Miami e debutou no top 10 com os mil pontos conquistados. Mesmo sem um histórico tão positivo no saibro, que não é considerado seu melhor piso, Barty havia feito uma boa preparação para Roland Garros, chegando às quartas de final em Madri e conquistando um título de duplas em Roma. Na condição de cabeça de chave, só precisou enfrentar uma top 20 no caminho para o título de Roland Garros, a norte-americana Madison Keys, 14ª colocada. Após as quedas de outras jogadoras mais bem cotadas, chegou à semifinal na condição de favorita e venceu duas jovens promessas do circuito Amanda Anisimova e Marketa Vondrousova.

Jovens promessas brilham em Paris

Marketa Vondrousova foi finalista em Paris (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Marketa Vondrousova foi finalista em Paris (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Roland Garros também foi o palco para Vondrousova e Anisimova brilhassem pela primeira vez em um Grand Slam. Finalista em Paris, a canhota tcheca de 19 anos jamais havia passado da segunda rodada do torneio e tinha como melhor feito em Slam as oitavas de final do US Open do ano passado. É verdade que ela aproveitou a queda precoce de Angelique Kerber na estreia, mas depois eliminou rivais do quilate das duas ex-top 10 Carla Suárez Navarro e Johanna Konta, além de uma especialista no saibro Petra Martic e da versátil Anastasija Sevastova no caminho para a final. Não jogou bem contra Barty e perdeu por 6/1 e 6/3. O nervosismo e a falta de referências em um estádio onde nunca havia atuado podem ter interferido em seu desempenho.

“Se alguém tivesse me dito antes do torneio que eu chegaria à final, eu diria que essa pessoa estaria louca. Ainda não consigo acreditar e acho que isso vai mudar minha vida agora. Estou orgulhosa, porque tenho apenas 19 anos e venci seis partidas difíceis. Foram incríveis duas semanas para mim e estou muito orgulhosa de mim mesma de estar na final aqui”, disse Vondrousova após a final. Em uma temporada bastante consistente, ela chegou pelo menos às quartas em seis dos sete torneios que disputou e além de ter alcançado três finais este ano. Ela também tem duas vitórias contra top 10, ambas sobre Simona Halep. No ranking, saltou do 67º para o 16º lugar ao longo de seu bom primeiro semestre. Ela poderia terminar Roland Garros como número 11 do mundo se fosse campeã.

Já Anisimova foi responsável por uma das maiores surpresas do torneio ao derrotar a campeã do ano passado Simona Halep nas quartas de final. A norte-americana de 17 anos já havia feito uma boa campanha na Austrália, onde chegou às oitavas de final. Ela conquistou seu primeiro no saibro de Bogotá em abril e subiu da 95ª para a 26ª posição ao longo da temporada. “Apesar de eu estar obviamente chateada por perder, eu cheguei na semifinal pela primeira vez. Então, é um torneio positivo para mim. Só tenho a comemorar esse resultado. Estou muito animada com a temporada de grama. Ganhei muita confiança nas últimas duas semanas”.

O que esperar da nova geração em Roland Garros?
Por Mario Sérgio Cruz
maio 25, 2019 às 5:06 pm

Com diferentes metas e expectativas, a nova geração do circuito dá as caras em Roland Garros a partir deste domingo. Ao mesmo tempo em que vemos Naomi Osaka, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas na disputa pelo título, também teremos nomes como Felix-Auger Aliassime, Bianca Andreescu, Dayana Yastremska e Marketa Vondrousova na rota de favoritos e dispostos a supreender. A campeã de 2017 Jelena Ostapenko quer recuperar a confiança, enquanto outros jovens jogadores estão de olho no futuro e buscam recordes pessoais no ranking e em Grand Slam. Veja o que esperar da nova geração em Roland Garros.

Osaka luta por mais um troféu de Grand Slam
Líder do ranking mundial feminino e vencedora dos dois últimos torneios do Grand Slam, Naomi Osaka chega a Paris em busca de mais um título importante. Campeã do US Open na temporada passada e na Austrália em janeiro, a japonesa de 21 anos faz sua quarta participação em Roland Garros e nunca passou da terceira rodada. Apesar do histórico negativo, ela tem expectativas bem altas. “Não estou pensando em chegar às quartas. Claro que eu nunca cheguei tão longe neste torneio antes, mas meu objetivo é ser campeã”, disse em entrevista coletiva na última sexta-feira.

Osaka fez três campanhas razoáveis no saibro, uma semifinal em Stuttgart e as quartas em Madri e Roma. Entretanto, a japonesa sofreu com duas lesões, uma no músculo abdominal durante o torneio alemão e outra na mão direita em sua campanha na capital italiana.

A estreia de Osaka em Roland Garros será contra a eslovaca Anna Schmiedlova. Caso vença seu primeiro compromisso, a japonesa certamente enfrentaria uma campeã de Grand Slam na fase seguinte, vinda do duelo entre Victoria Azarenka e Jelena Ostapenko. A cabeça de chave mais próxima de Osaka é a grega Maria Sakkari, 29ª favorita e semifinalista em Roma, enquanto Madison Keys ou Caroline Garcia podem pintar nas oitavas.

Veja como ficou a chave feminina em Roland Garros

Os altos e baixos de Zverev no saibro
A busca de Alexander Zverev por seu primeiro título de Grand Slam continua em Roland Garros. Embora já tenha onze títulos de ATP no currículo, com destaque para o Finals do ano passado e mais três Masters 1000, o alemão de 22 anos aidna deixa a desejar nos Grand Slam. Seu melhor resultado em competições desse porte foi exatamente em Paris, no ano passado, quando chegou às quartas.

 

Zverev apostou em um calendário bastante cheio na temporada de saibro e disputou sete torneios seguidos. Campeão em Genebra nesta semana, o alemão enfim conseguiu uma boa sequência de jogos. Nos seis torneios anteriores, havia acumulado apenas cinco vitórias. Ele fez quartas em Madri e Munique, parou nas oitavas em Marrakech e Monte Carlo e caiu ainda na estreia em Roma e Barcelona.

A estreia de Zverev em Paris será contra o australiano John Millman. Se vencer, encara o sueco Mikael Ymer ou o esloveno Blaz Rola, ambos vindos do quali. O cabeça de chave mais próximo é o sérvio Dusan Lajovic, enquanto Fabio Fognini e Roberto Bautista Agut são possíveis adversários nas oitavas de final.

Confira a chave masculina em Roland Garros

Tsitsipas chega com muita confiança
Outro jovem jogador no top 10 do ranking da ATP é Stefanos Tsitsipas, que chega a Paris com o melhor ranking da carreira ao ocupar o sexto lugar. Depois de patinar em seus dois primeiros torneios no saibro, parando nas oitavas em Monte Carlo e Barcelona, o grego de 20 anos emendou três boas campanhas na reta final de preparação para Roland Garros: Foi campeão em Estoril, vice em Madri e semifinalista em Roma. Além de vencer nomes como Rafael Nadal, Fabio Fognini e Alexander Zverev pelo caminho.

Tsitsipas faz sua terceira participação em Roland Garros, parando na primeira fase em 2017 e na segunda rodada no ano passado. A estreia do grego em Paris será contra o alemão Maximilian Marterer, depois pode enfrentar o indiano Prajnesh Gunneswaran ou o boliviano Hugo Dellien. Há a chance de um duelo de jovens contra o norte-americano Frances Tiafoe na terceira rodada, enquanto Marin Cilic e Stan Wawrinka podem pintar na fase seguinte

Ostapenko quer voltar a sorrir
Campeã de Roland Garros em 2017 e ex-número 5 do mundo, a letã Jelena Ostapenko aparece atualmente apenas no 40º lugar do ranking mundial e sequer será cabeça de chave em Paris. A letã de 21 anos venceu só oito jogos em 2019 e conseguiu apenas três vitórias no saibro, uma em Charleston e duas em Madri. Logo na estreia, ela terá um duelo duríssimo contra a ex-número 1 do mundo Victoria Azarenka, 44ª colocada, mas em melhor fase no saibro. E se vencer, pode cruzar o caminho da atual líder do ranking Naomi Osaka.

Andreescu volta ao circuito
A canadense de apenas 18 anos Bianca Andreescu teve um início de temporada espetacular, com 31 vitórias e apenas quatro derrotas entre janeiro e março, com evidente destaque para o título do Premier de Indian Wells. Depois de começar o ano no 152º lugar do ranking, ela já aparece na 22ª posição desde a última segunda-feira. Andreescu está sem jogar desde Miami, por conta de lesão no ombro direito e sequer atuou na temporada de saibro.

 

Depois de estar finalmente sem dores, Andreescu está pronta para voltar ao circuito em Roland Garros. Sua estreia será contra a lucky-loser tcheca de 20 anos Marie Bouzkova, 121ª do ranking. Em caso de vitória, pode encarar a norte-americana de 20 anos Sofia Kenin ou a italiana Giulia Gatto-Monticone. A maior expectativa, entretanto, é para um possível duelo com Serena Williams pela terceira rodada.

Jovens tenistas em grande fase
Alguns nomes da nova geração do circuito conquistaram bons resultados durante a temporada de saibro e estão em rota de colisão com os favoritos. É o caso do jovem canadense de 18 anos Felix Auger-Aliassime, finalista do ATP 250 de Lyon nesta semana. Ele estreia contra o norte-americano Jordan Thompson e depois pode enfrentar um veterano vindo do duelo entre Ivo Karlovic e Feliciano López antes de um eventual encontro com Juan Martin del Potro na terceira fase. O que preocupa Aliassime é um desconforto na região do adutor e da virilha, sofrido durante a final do ATP francês neste sábado.

No feminino, destaque para duas jogadoras de 19 anos, a canhota tcheca Marketa Vondrousova e a ucraniana Dayana Yastremska. As duas, aliás, podem até se enfrentar em uma possível terceira rodada em Paris. Durante a temporada de saibro, Vondrousova foi finalista em Istambul e fez quartas em Roma, eliminando nomes como Simona Halep e Daria Kasatkina. A atual 38ª do ranking estreia em Paris contra a chinesa Yafan Wang e pode cruzar o caminho de Angelique Kerber na rodada seguinte. Já Yastremska, 42ª do ranking, acabou de conquistar o WTA de Estrasburgo, o terceiro título da carreira. Ela estreia contra a espanhola Carla Suárez Navarro e depois pode encarar a norte-americana Shelby Rogers ou a australiana Astra Sharma.

Outros bons nomes a observar
Também vale prestar atenção nas atrações norte-americanas Amanda Anisimova e Taylor Fritz, na bielorrussa Aryna Sabalenka, no chileno Christian Garin, no espanhol Jaume Munar e em um forte setor da chave que tem o crota Borna Coric e o canadense Denis Shapovalov.

Começando pelo feminino: Sabalenka é número 11 do mundo aos 21 anos e tem uma estreia complicada contra a ex-top 5 Dominika Cibulkova. Se vencer, pode encarar Anisimova, norte-americana de 17 anos e já 51ª colocada, que encara a convidada local Harmony Tan. Lembrando que Anisimova já venceu seu primeiro WTA no saibro de Bogotá.

Fritz teve bons resultados nos Masters de saibro e estreia contra o australiano Bernard Tomic, podendo encarar Roberto Bautista Agut na segunda fase e Fabio Fognini na terceira. Garin venceu dois títulos na temporada, em Houston e Munique, e pode encarar o campeão de 2015 Stan Wawrinka já na segunda rodada, caso vença a estreia contra o norte-americano Reilly Opelka.

Coric e Shapovalov são os cabeças 13 e 20, respectivamente e podem se encontrar na terceira rodada antes de um eventual duelo com o número 1 do mundo Novak Djokovic. Outro que pode desafiar o líder do ranking mundial é Jaume Munar, espanhol de 22 anos e 52º do ranking, que pode encarar Djokovic na terceira rodada do Grand Slam francês.

Tênis italiano apresenta duas jovens promessas
Por Mario Sérgio Cruz
abril 25, 2019 às 10:25 pm

Ao mesmo tempo em que o tênis italiano comemora o primeiro título de Masters 1000 de sua história, com o veterano de 31 anos Fabio Fognini no saibro de Monte Carlo, duas jovens promessas do país começam a se destacar em torneios menores na atual temporada e escalam rapidamente o ranking.

Os atletas de 17 anos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti estão acumulando bons resultados em challengers nas últimas semanas e são postulantes à continuidade ao bom momento do tênis no país. É bem possível que eles também recebam oportunidades nos principais torneios da Itália, o Masters 1000 de Roma e o Next Gen ATP Finals, em Milão.

Jannik Sinner (17 anos, 314º do ranking, Itália)

Somando todos os níveis de competição, Jannik Sinner já tem 23 vitórias neste início de temporada. Ele conquistou seu primeiro challenger em fevereiro, nas quadras duras e cobertas de Bérgamo, e faturou 80 pontos no ranking. Ele se tornou ainda o primeiro jogador nascido em 2001 a vencer um torneio deste porte. Pouco depois, venceu dois títulos profissionais de nível ITF de US$ 25 mil nas cidades italianas de Trento e Santa Margherita di Pula, chegando a acumular 16 vitórias seguidas no circuito.

De seus atuais 96 pontos no ranking da ATP, apenas sete foram obtidos ainda no ano passado, enquanto 89 foram conquistados já em 2019. O jovem italiano estava no 551º lugar do ranking na virada do ano e aparece atualmente na 314ª posição.

Já nesta semana, Sinner conseguiu mais um importante feito. Ele entrou como lucky-loser na chave do ATP 250 de Budapeste, depois de ter vencido um jogo no qualificatório contra o tcheco Lukas Rosol e perdido para o alemão Yannick Maden. Em sua estreia na chave principal, venceu o húngaro Mate Valkusz por 6/2, 0/6 e 6/4, antes de cair nas oitavas para o sérvio Laslo Djere. A campanha rendeu 26 pontos no ranking e deverá levá-lo ao top 300.

Lorenzo Musetti (17 anos, 486º do ranking, Itália)

Por sua vez, Musetti iniciou a atual temporada conquistando o título juvenil do Australian Open e alcançando a vice-liderança no ranking mundial da categoria, mas rapidamente iniciou sua transição ao profissionalismo. O jovem italiano sequer aparecia no ranking da ATP até o mês passado, mas já ocupa atualmente a 486ª posição.

Há duas semanas, Musetti se tornou o primeiro jogador nascido em 2002 a vencer um jogo em chave principal de challenger. Ele conseguiu essa marca ao superar o Karim-Mohamed Maamoun no saibro francês Sophia Antipolis. Na semana seguinte, foi além, e venceu dois jogos na cidade italiana de Barletta para chegar às oitavas de final. Dessa forma, conseguiu rapidamente doze importantes pontos na ATP.

O compromisso de Musetti nesta semana é o challenger italiano de Francavilla, torneio para o qual recebeu convite, e já conseguiu duas vitórias. Logo na estreia, venceu o compatriota Gianluca Di Nicola por 6/3, 3/6 e 6/4. Já nesta terça-feira, fechou o primeiro set contra o cabeça 5 local e número 204 do mundo Matteo Donati por 6/4 antes de o rival abandonar a disputa. A campanha já rende mais sete pontos e o fará dar um novo salto no ranking. Musetti caiu nas oitavas para o bósnio Tomislav Brkic (297º do mundo), mas os 15 pontos garantidos no ranking o farão subir ainda mais e ganhar cerca de 30 posições.

Promessa de 16 anos já acumula 5 títulos em 2019
Por Mario Sérgio Cruz
abril 5, 2019 às 7:09 pm

Enquanto a elite do circuito feminino está sendo marcada por absoluto equilíbrio, com 14 campeãs diferentes em 14 torneios da WTA disputados neste início de ano, a situação não se repete no cenário dos torneios menores. Um dos nomes em franca evolução no começo da temporada é o de Clara Tauson. A dinamarquesa de 16 anos já venceu 12 jogos como juvenil e mais 15 como profissional nos três primeiros meses de 2019 e acumula cinco títulos somando as duas categorias. Com ótimo início de temporada, ela foi convidada para disputar seu primeiro WTA na semana que vem, no saibro de Lugano, na Suíça.

Tauson venceu ainda em janeiro o ITF J1 em Traralgon, na Austrália, competição preparatória para o torneio juvenil do Australian Open. Na semana seguinte, triunfou também em Melbourne. Com doze vitórias seguidas e apenas dois sets perdidos no período, a dinamarquesa somou 1.280 pontos no ranking mundial juvenil, suficientes para que ela saltasse do então quarto lugar para assumir a liderança.

Logo depois de conquistar o Grand Slam australiano, Tauson já passou a mirar sua transição ao profissionalismo. Em um excelente mês de março, venceu dois torneios ITF de US$ 15 mil em Monastir, na Tunísia, e em Xiamen, na China. Também em solo chinês, utilizou o ranking juvenil para entrar no ITF de US$ 60 mil de Shenzhen e terminou a semana com o título mais importante da carreira e 80 pontos no ranking da WTA.

Clara Tauson já venceu 27 jogos neste início de temporada, sendo 12 como juvenil e 15 como profissional, e aparece no 408º lugar do ranking da WTA.

Clara Tauson já venceu 27 jogos neste início de temporada, sendo 12 como juvenil e 15 como profissional, e aparece no 408º lugar do ranking da WTA.

A promessa dinamarquesa venceu três adversárias do top 200 em Shenzhen, a polonesa Magdalena Frech (176ª), a chinesa Jia-Jing Lu (186ª) e a também anfitriã Fangzhou Liu (172ª colocada e adversária da final). Outras vítimas foram a taiwanesa En-Shuo Liang (233ª) e a eslovaca Jana Cepelova, ex-top 50 e atual 247ª do mundo aos 25 anos. Até então sem ranking na WTA desde a virada do ano e a reestruturação do circuito profissional, Tauson saltou para a 408ª posição com o título na China.

Tauson já é a segunda melhor jogadora de seu país na classificação, ficando atrás apenas da ex-número 1 do mundo e atual 13ª colocada Caroline Wozniacki, que está com 28 anos. A jovem jogadora teve até a oportunidade de defender a Dinamarca pela Fed Cup, em fevereiro, sofrendo suas únicas duas derrotas no ano para a russa Natalia Vikhlyantseva e a polonesa Iga Swiatek.

Em entrevista ao site da ITF, Tauson falou sobre seu excelente início de temporada. “Até agora, 2019 foi um ano incrível para mim. Primeiro, eu ganhei dois torneios juvenis na Austrália e agora estou muito grata e feliz por ter conseguido vencer três torneios seguidos na Tunísia e na China”.

“Todas as vitórias são especiais, na minha opinião. No entanto, vencer o Australian Open é particularmente especial, já que eu sonhava em ganhar um Grand Slam desde que era uma garotinha. Tornar-se a número 1 no ranking juvenil da ITF também é incrível. Mas o torneio em Shenzhen foi, naturalmente, meu primeiro grande desafio em nível profissional”, avalia a jovem dinamarquesa.

A atleta de 16 anos também falou sobre as diferenças entre os dois circuitos e sobre suas metas para o restante da temporada. “De uma perspectiva física, você está competindo com jogadoras que estão há muito tempo em torneios profissionais. É bom para o meu desenvolvimento, pois aprendo muito a cada dia ao enfrentar jogadoras mais fortes e experientes. ”

“Meu objetivo para esta temporada é principalmente para melhorar meus fundamentos em todos os níveis. Sempre há algo para melhorar no tênis”, disse a dinamarquesa, que não está visando um ranking específico nesta temporada. “Espero disputar muitos torneios profissionais em um nível mais alto para descobrir o quão longe estou no meu desenvolvimento e onde especificamente eu preciso melhorar”.

Tauson faz parte de uma promissora nova geração de jogadores da Dinamarca. Dois jovens de 15 anos, Holger Rune e Elmer Moller, já estão no top 100 do ranking mundial juvenil da ITF e enfrentam adversários até três anos mais velhos. Além deles, Mikael Torpegaard está com 24 anos e ocupa o 229º lugar no ranking da ATP, enquanto Benjamin Hannestad tem 22 anos e disputa o circuito universitário norte-americano. Em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open, o veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen falou sobre os jovens jogadores de seu país.

“Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”, afirmou Nielsen. “Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”.

“Torpegaard é provavelmente o melhor jogador que temos agora. É muito bom que tenhamos um jogador consolidado no masculino e que possa abrir caminho para os mais jovens nos próximos anos”, avaliou. “Esses jovens são extraordinariamente bons, e mesmo os que estão um pouco atrás deverão ter a chance de ir para a faculdade. Temos o potencial para novas estrelas e também para outros jogadores muito bons e sólidos”.

Nova geração feminina domina o início de temporada
Por Mario Sérgio Cruz
março 18, 2019 às 9:54 pm

O título de Bianca Andreescu em Indian Wells confirma uma tendência deste início de temporada no circuito feminino. As representantes da nova geração do circuito têm conquistado os principais torneios disputados nos primeiros meses de 2019. Além disso, seis dos treze eventos do circuito já realizados na temporada foram vencidos por jogadoras com até 21 anos.

Considerando o nível de importância e os pontos distribuídos no ranking em cada competição, os três principais eventos deste início de temporada foram o Australian Open (2.000), o Premier Mandatory de Indian Wells (1.000) e o Premier 5 de Dubai (900). Atual número 1 do mundo, Naomi Osaka estava com 21 anos e dois meses quando triunfou em Melbourne e conquistou o segundo Grand Slam de sua carreira. A suíça Belinda Bencic tinha 21 anos e 11 meses em fevereiro, quando foi campeã em Dubai. Já no último domingo, a canadense de 18 anos Bianca Andreescu conquistou seu primeiro título da carreira no deserto da Califórnia.

As três jogadoras também aparecem entre as que mais venceram jogos diante de adeversárias do top 10. Bencic lidera essa estatística, com seis no total, sendo quatro delas contra rivais do top 5. Já Osaka e Andreescu acumulam três vitórias contra top 10 neste início de temporada do circuito. A única jogadora a se igualar a elas é a belga Elise Mertens, atleta de 23 anos e 14ª do ranking, que derrubou três top 10 no caminho para o título em Doha.

As três não foram as únicas jovens jogadoras a conquistar títulos neste começo de temporada. Logo na primeira semana de janeiro, a bielorrussa de 20 anos Aryna Sabalenka foi campeã na cidade chinesa de Shenzhen. Já a norte-americana Sofia Kenin, também de 20 anos, triunfou em Hobart, na Austrália, também no primeiro mês da temporada. Já em fevereiro, foi a vez de a ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska conquistar seu segundo título de WTA da carreira em Hua Hin, na Tailândia.

Além dos títulos, a nova geração também marcou presença em finais de campeonato. A própria Andreescu começou a temporada indo desde o quali até a final em Auckland, torneio em que eliminou Caroline Wozniacki e Venus Williams antes de perder para Julia Goerges no jogo decisivo. A canhota tcheca de 19 anos Marketa Vondrousova, que fez quartas em Indian Wells e eliminou Simona Halep do torneio, disputou uma final nas quadras duras e cobertas de Budapeste. Já a norte-americana Kenin, campeã em Hobart, disputou mais uma final no ano e ficou com o vice em Acapulco.

Saltos no ranking – Todas essas jogadoras tiveram boa evolução no ranking já neste começo de temporada. Osaka saiu do quinto lugar, que ocupava na virada do ano, para o posto de número 1 do mundo. Bencic, que já foi número 7 do mundo em 2016, mas sofreu com lesões que a tiraram até do top 300, vem recuperando espaço. A suíça, que ocupava o 55º lugar em janeiro, já voltou ao top 20.

O salto de Andreescu foi impressionante. A canadense era 152ª colocada quando entrou em quadra pela primeira vez na temporada em Auckland e já aparece no 24º lugar com apenas cinco torneios disputados em 2019. Kenin subiu do 52º para o atual 34º lugar, Yastremska era 58ª colocada e já aparece no 37º posto, já Vondrousova teve uma subida discreta da 67ª para a 59ª posição.

Mais novidades a caminho – A elite do circuito conta com ainda mais caras novas que estão prontas para disputar títulos no restante da temporada. A norte-americana de 17 anos Amanda Anisimova já é 67ª do ranking, enquanto a russa de mesma idade Anastasia Potapova aparece no 72º lugar. As duas já disputaram finais de WTA na temporada passada, duas para Potapova e uma para Anisimova e ainda buscam o primeiro título de suas carreiras. Quem já conseguiu ganhar um torneio foi a sérvia Olga Danilovic, que está com 18 anos e é 115ª do ranking, mas já venceu o WTA de Moscou, em quadras de saibro, no mês de julho de 2018.

Não nos esqueçamos delas – Embora não estejam repetindo os mesmos resultados que já tiveram, é obrigatório destacar Jelena Ostapenko e Daria Kasatkina, ambas com apenas 21 anos, mas com bastante rodagem em grandes torneios. Campeã de Roland Garros em 2017 e ex-número 5 do mundo, Ostapenko aparece atualmente na 23ª posição e a tem a missão de defender 650 pontos em Miami. Em 2019, a letã venceu apenas quatro jogos e perdeu sete. Já Kasatkina, que começou a temporada no top 10, venceu apenas dois jogos este ano e aparece atualmente no 22º lugar. A falta de bons resultados até fez a jovem jogadora russa encerrar a relação profissional com o treinador belga Philippe Dehaes, com quem trabalhou por dois anos.

Semifinalista em Indian Wells, Andreescu herda fãs de Halep
Por Mario Sérgio Cruz
março 15, 2019 às 12:25 am

Semifinalista em Indian Wells e destaque da nova geração feminina no início da temporada, Bianca Andreescu acaba movimentando duas torcidas. Como seu sobrenome sugere, a canadense de 18 anos é filha de imigrantes romenos e aumentou ainda mais sua identificação com o país do leste europeu por ter passado parte da infância e frequentado a escola na terra natal de seus pais. Dessa forma, além do público canadense, já bastante empolgado com sua nova geração de tenistas, ela também conta com a forte torcida romena, que viaja o circuito para acompanhar sua principal estrela, Simona Halep. Com a eliminação precoce da número 2 do mundo, ainda nas oitavas do tradicional torneio californiano, Andreescu acabou a torcida de muitos dos fãs de Halep que compraram ingressos para as fases decisivas da competição.

“Os romenos estão por toda parte”, brincou Andresscu, em entrevista coletiva. “Eu recebi muito carinho deles e atenção da mídia romena, o que é bom. É legal ter duas bases de fãs, no Canadá e na Romênia”, conta a canadense, que enfrentará a número 6 do mundo Elina Svitolina na sexta-feira à noite, valendo vaga na final em Indian Wells.

Canadense de 18 anos e filha de imigrantes romenos começou o ano no 152º lugar do ranking e já será top 40

Canadense de 18 anos e filha de imigrantes romenos começou o ano no 152º lugar do ranking e já será top 40

Embora tenha iniciado a atual temporada na 152ª posição do ranking, Andreescu precisou de apenas quatro torneios para aparecer no atual 60º lugar. Com os 390 pontos já conquistados em Indian Wells, ela irá subir ainda mais e entrar no top 40. Só nesses três primeiros meses do ano, a canadense já derrotou nomes como Caroline Wozniacki, Venus Williams e Garbiñe Muguruza. Ela foi finalista em Auckland, furou o quali e venceu um jogo na chave principal do Australian Open, conquistou um torneio da série 125k em Newport Beach, venceu dois jogos pela Fed Cup e foi semifinalista em Acapulco antes da ótima campanha em Indian Wells. Andreescu já acumula 26 vitórias e apenas três derrotas em 2019.

É inegável que Halep seja um fonte de inspiração para Andreescu e que o título da romena em Roland Garros no ano passado tenha sido especial. “Quando ela venceu Roland Garros foi muito emocionante, especialmente para a Romênia, porque acho que somos pessoas muito apaixonadas. Ela é uma jogadora incrível e conquistou muito em sua carreira. E eu conheço muito sobre dela e a respeito muito, especialmente pela maneira como ela se apresenta”.

Perguntada sobre sua influência sobre Andreescu, Halep lembra que aconselhou a jovem jogadora durante sua transição ao profissionalismo. “Falei com ela há alguns anos no Canadá, quando treinamos juntas uma vez. Disse a ela para parar de jogar torneios juvenis. Ela queria continuar, mas eu disse que ela estava pronta para ir ao nível mais alto. E como vemos, ela está indo muito bem”, comentou a número 2 do mundo, ao site da WTA.

Depois de se destacar no circuito juvenil e de alcançar o terceiro lugar no ranking da categoria, Andreescu deu o primeiro salto como tenista profissional em 2017. Ela iniciou aquela temporada apenas no 306º lugar, chegou a ocupar a 143ª posição e terminou o ano no 189º posto. Em agosto, tornou-se a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a derrotar uma top 20 do mundo ao superar a então 13ª colocada Kristina Mladenovic em Washington. Já em 2018, entretanto, sua evolução foi mais contida e ela sequer pôde igualar a melhor marca da carreira estabelecida no ano anterior.

“No ano passado eu joguei alguns challengers e agora eu acho que estou em tempo integral na WTA, o que é muito legal. É um sonho se tornando realidade. Ainda não tenho muita experiência como as outras jogadoras, mas estou começando a ganhar isso. É um sonho como jogar os melhores torneios contra as melhores jogadoras”, comentou a canadense, que vive ótimo momento na elite do circuito e sabe o que precisa fazer para se manter em alto nível.

“Acho que aguentar longos ralis fisicamente e mentalmente é muito importante porque as jogadoras estão hoje em uma forma física nunca vista antes. Tenho trabalhado muito nisso e estou melhorando, mas eu ainda quero melhorar ainda mais como jogadora, então eu estou aprimorando o meu saque e minhas devoluções para tomar o controle dos pontos desde o começo”, avaliou a jovem tenista.

A análise sobre o momento do circuito vai ao encontro daquilo que Andreescu disse em entrevista ao site da WTA em agosto de 2017, quando estava entrando no circuito profissional. “Acho que tive que elevar meu nível muito rápido e estou orgulhosa de todos os meus resultados. A diferença entre as juvenis e as profissionais é que, no juvenil, você pode abrir mão de alguns pontos durante a partida. Nos profissionais, você tem que ficar neles, e você tem que ficar focada, ou elas voltam para o jogo”.

Fora de quadra, Andreescu também aposta bastante na preparação emocional e tem a meditação como uma de suas atividades principais. “Minha mãe me apresentou a meditação quando eu era muito nova. Eu tinha, talvez, uns 12 anos. Desde então, tenho meditado e também faço muito yoga. Eu não trabalho apenas no meu aspecto físico. Eu também trabalho no mental, porque isso também é muito importante. Isso certamente interfere nas minhas partidas, porque eu consigo ficar focada no momento presente. Eu não gosto de me concentrar no que acabou de acontecer ou no futuro”.

Jovens saltam no ranking após ATPs no Brasil
Por Mario Sérgio Cruz
março 4, 2019 às 9:19 pm

As duas semanas de torneios da ATP em solo brasileiro foram positivas para jogadores da nova geração do circuito. Ao fim das competições no saibro do Rio de Janeiro e São Paulo, nomes como Laslo Djere, Felix Auger-Aliassime, Christian Garin, Hugo Dellien e Casper Ruud aparecem nesta segunda-feira com os melhores rankings de suas carreiras. Estive no Brasil Open, na capital paulista, durante a última semana e pude falar com esses jovens jogadores sobre o ótimo momento que vivem no circuito.

Felix Auger-Aliassime (18 anos, 58º do ranking, Canadá)

Em duas semanas, Felix Auger-Aliassime conquistou 345 pontos, com o vice-campeonato do Rio Open e a chegada às quartas de final em São Paulo e saltou do 104º para o atual 60º lugar do ranking mundial. O jovem canadense de 18 anos também ganhou muita popularidade com torcedores cariocas e paulistas, vestiu a camisa da seleção brasileira no Rio, participou de uma emocionante ação social com o garoto brasiliense Pablo, e teve torcida a favor sempre que jogou no Jockey Clube Brasileiro ou no Ginásio do Ibirapuera.

Apontado como uma das principais apostas para o futuro do circuito mundial desde que tinha 14 anos, em 2015, e começou a vencer seus primeiros jogos de nível challenger, Aliassime precisou lidar com a pressão e com as expectativas desde muito jovem e, por isso, acredita que amadureceu mais cedo que outros adolescentes de sua idade.

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em  São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Obviamente, eu amadureci mais cedo que outros jovens da minha idade. Acho que meu desenvolvimento foi bom, tive meus pais e minha equipe por perto para colocar coisas positivas ao meu redor. Ainda assim é difícil lidar com a situação de ser um jogador jovem a cada semana, mas tento me expressar da melhor maneira possível e ser a mesma pessoa”, disse Aliassime, após a vitória sobre Pablo Cuevas na rodada de estreia em São Paulo.

Os bons resultados do canadense no saibro também vão ao encontro de uma decisão tomada no meio do ano passado. Pouco depois de perder na segunda rodada do quali de Roland Garros, Aliassime abriu mão de tentar a sorte no quali de Wimbledon e ter a chance de disputar seu primeiro Grand Slam para encarar uma série de challengers no piso. Menos de um ano depois, o jovem jogador acredita ter feito a escolha certa.

“Quando eu olho para trás, sinto que foi uma boa decisão. Depois de Roland Garros eu senti que não tinha vitórias o suficiente, que não tinha feito o número de partidas que gostaria, e que jogar na grama talvez não fosse a melhor opção naquele momento. Então eu decidi continuar disputando torneios no saibro e construindo o meu jogo. Acho que os resultados estão aparecendo agora, quando eu sou capaz de jogar e vencer muitas partidas”, avaliou o vencedor de quatro challengers na carreira, três deles no saibro.

Laslo Djere (23 anos, 32º do ranking, Sérvia)

Logo em seu primeiro jogo da série de torneios no saibro brasileiro, Djere já conseguiu a façanha de eliminar o número 8 do mundo Dominic Thiem na rodada do Rio Open. A primeira vitória contra top 10 deu confiança ao jovem jogador sérvio, que começou o tonreio carioca como número 90 do mundo e saiu do Rio de Janeiro com o troféu em mãos e ocupando o 37º lugar. Em São Paulo foram mais três vitórias antes da queda na semifinal e um salto de mais cinco posições.

Quando conquistou seu primeiro título, Djere se emocionou durante a cerimônia de premiação ao falar abertamente sobre a perda precoce dos pais por câncer, a mãe há sete anos e o pai no ano passado. Depois disso, o sérvio recebeu inúmeras mensagens de apoio do público e de outros colegas do circuito, além de ver jogadores como Novak Djokovic e Nick Kyrgios divulgarem sua história de superação nas redes sociais.

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida. (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Recebi muitas mensagens de apoio e sou muito grato por isso, mas por outro lado, eu tento ser o mesmo cara que eu era há uma semana e continuar trabalhando”, comentou depois de sua partida de estreia no Brasil Open, contra o italiano Alessandro Giannessi. “Não esperava por nada dessa dimensão, mas acredito que é para isso que eu trabalho, para chegar ao top 50, para ser mais reconhecido pelo público e para jogar os grandes torneios”.

Embora a mudança de status após o primeiro título de ATP e o salto no ranking fossem experiências inéditas, o sérvio buscou motivação nas vezes em que conseguia bons resultados em semanas consecutivas por torneios menores para seguir avançando no torneio paulistano. “É sempre difícil jogar um novo torneio logo depois de conquistar um título, mas no passado eu já consegui fazer torneios muito bons e manter o ritmo na semana seguinte”.

Casper Ruud (20 anos, 94º do ranking, Noruega)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Destaque nas competições de base durante a carreira juvenil, chegando a ser o número 1 da categoria, Casper Ruud debutou no top 100 nesta segunda-feira. O norueguês de 20 anos chegou às quartas no Rio de Janeiro e foi semifinalista em São Paulo, saltando 41 posições, do 135º para o 94º lugar em apenas duas semanas. “É um grande passo para o início da minha carreira, mas o objetivo principal é continuar evoluindo e não apenas ser top 100. Espero continuar nessa jornada”.

Ruud já havia se destacado em solo brasileiro há dois anos, quando recebeu convite para a disputa do Rio Open e alcançou sua primeira semifinal no circuito. O jovem norueguês acredita estar hoje mais preparado para manter a regularidade em alto nível. “Estou mais estável do que era há dois anos, no Rio. Tive um grande torneio e fui muito rápido do 230º para o 120º lugar do ranking, mas tudo era muito novo para mim. Talvez eu ainda não estivesse pronto para competir em alto nível por muitas semanas seguidas. Sinto que estou mais pronto agora e tenho mais experiência”.

Christian Garin (22 anos, 72º do ranking, Chile)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Depois de cair ainda nas oitavas no Rio de Janeiro, Christian Garin viveu a melhor semana da carreira no Brasil Open, em São Paulo, onde venceu quatro jogos seguidos e alcançou sua primeira final de ATP, o que o fez saltar do 92º lugar para a 72ª posição. O jovem chileno já se destaca desde que foi campeão juvenil de Roland Garros em 2013, superando Borna Coric e Alexander Zverev nas duas últimas rodadas, e chegou o quarto lugar no ranking mundial da categoria.

Três dos quatro títulos de challenger de Garin foram conquistados durante a temporada passada, um deles na cidade paulista de Campinas. O chileno, que ocupava a 373ª posição em janeiro do ano passado e chegou ao top 100 já em outubro, acredita ter agora um maior comprometimento com o tênis. “Creio que cheguei a um ponto de maturidade. Comecei a perceber o quanto gostava de jogar tênis e passei a melhorar no físico, no nível tenístico e no lado mental e creio que isso foi fundamental”.

Hugo Dellien (25 anos, 87º do ranking, Bolívia)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Aos 25 anos, Hugo Dellien não chega a ser exatamente um novato no circuito, mas evoluiu muito nos últimos meses. Ex-número 2 do ranking mundial juvenil, o boliviano debutou no top 100 no ano passado, quando conquistou seus três primeiros títulos de challenger. Ao chegar às quartas tanto no Rio quanto em São Paulo, ele subiu do então 113º para o inédito 87º lugar.

“Chegar duas vezes seguidas às quartas ratifica que estou em alto nível e estou fazendo as coisas certas. Esses resultados fazem valer a pena todo o esforço e sacrifício. Creio que para os bons resultados não há mistério. Com o passar do tempo eu fui aprendendo muitas coisas e isso me levou a um estado mental em que pude acreditar que chegaria ao top 100″.

Brasil tem só 8 vitórias entre Banana Bowl e Porto Alegre
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 22, 2019 às 8:16 pm

Nas duas últimas semanas, o Sul do Brasil foi palco dos maiores e mais tradicionais torneios internacionais infanto-juvenis realizados no território nacional. O Banana Bowl teve os jogos da categoria 18 anos de sua 49ª edição disputados na cidade catarinense de Criciúma, enquanto o Campeonato Internacional de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau) chegou ao seu 36ª ano, agora com o nome de Brasil Juniors Cup. Os eventos são de nível J1 e JA, as duas principais graduações abaixo dos Grand Slam no circuito mundial juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Dentro de quadra, o tênis brasileiro teve pouco a comemorar. Foram apenas oito vitórias de jogadores da casa, três no Banana Bowl e mais cinco em Porto Alegre. Os triunfos aconteceram apenas nas chaves masculinas e as melhores campanhas foram até as oitavas de final. Em Criciúma, o catarinense Pedro Boscardin e o baiano Natan Rodrigues chegaram à terceira rodada, sendo que Natan era o cabeça de chave 11 e entrou direto na segunda fase. Já em Porto Alegre, apenas Boscardin conseguiu vencer dois jogos para chegar às oitavas.

É bom registrar que individualmente, Boscardin teve dois resultados positivos. O catarinense completou 16 anos em janeiro e, em tese, tem mais dois anos de circuito juvenil pela frente. Ele acumulou quatro vitórias nas duas últimas semanas só parou no espanhol Nicolas Alvarez Varona, principal cabeça de chave e posteriormente campeão do Banana Bowl, e no norte-americano Tyler Zink, sexto favorito em Porto Alegre.

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Com uma rápida consulta nos arquivos da ITF, disponíveis em seu site oficial, é possível encontrar as chaves do Banana Bowl desde 1994 e da Copa Gerdau a partir de 1993. O único torneio antes dos dois realizados neste ano de 2019 sem nenhum brasileiro nas quartas de final foi a Copa Gerdau de 2001.

Até mesmo se fizermos um corte só pelo masculino, em que os brasileiros têm histórico de melhores resultados, apenas duas edições do Banana Bowl (1997 e 2012) e duas de Porto Alegre (2001 e 2006) não tinham brasileiros nas quartas de final. Ainda assim, em três desses torneios, houve ao menos uma brasileira nessa fase do feminino. Foi assim com Joana Cortez em 1997, Roxane Vaisemberg em 2006 e Laura Pigossi em 2012.

Banana Bowl
As chaves de simples do Banana Bowl contaram com 16 jovens tenistas do Brasil, dez no masculino e seis no feminino. Treze desses representantes se despediram ainda no primeiro dia do torneio, que contou com apenas uma vitória brasileira, no duelo nacional entre Boscardin e o paranaense vindo do quali Eduardo Taiguara. Mais que isso, todas derrotas para adversários estrangeiros aconteceram para adversários da casa. Taiguara, aliás, foi o único brasileiro a passar pelo quali de três rodadas na cidade catarinense.

No dia seguinte, Boscardin e Natan conseguiram as únicas vitórias da casa contra adversários estrangeiros, o catarinense diante do canadense Taha Baadi (cabeça 14) e o baiano sobre o espanhol vindo do quali Alejandro Garcia. Nas oitavas, Boscardin foi superado pelo principal favorito e Natan Rodrigues pelo cabeça 6 Tyler Zink.

No feminino, apenas a paulista Ana Luiza Cruz entrou diretamente na chave principal de simples em Criciúma. As outras cinco representantes nacionais disputaram o torneio como convidadas. Ana Luiza era cabeça 15 no Banana Bowl e vinha de um bom resultado no Paraguai, onde foi semifinalista, mas foi eliminada na segunda rodada, que foi sua estreia no torneio. Sua algoz foi a norte-americana Hina Inoue.

Brasil Juniors Cup
Em Porto Alegre, foram 28 tenistas do Brasil, sendo 15 no masculino e 13 no feminino. O torneio tem chaves de 64 jogadores (enquanto o Banana Bowl conta com 48 em cada evento) e não dá folga aos cabeças de chave na primeira rodada. O primeiro dia do torneio teve 12 brasileiros em quadra e apenas duas vitórias, vindas de Boscardin e do paulista Raí Vicente de Araújo. No dia seguinte, 16 atletas da casa atuaram pelo complemento da primeira fase e somente o paulista Gustavo Heide e o gaúcho Guilherme Toresan venceram seus jogos. Já no terceiro dia de disputas, Boscardin foi o único atleta nacional a avançar às oitavas.

Entre as oito brasileiras que disputaram a chave feminina, apenas quatro entraram diretamente por conta do ranking: Ana Luiza Cruz, Nalanda Silva, Lorena Cardoso e Isabel Oliveira. Giovanna Pereira entrou na chave como lucky-loser e outras oito representantes nacionais foram convidadas para o torneio. No masculino, sete dos 15 brasileiros foram convidados, dois entraram como lucky-losers (Gustavo Madureira e Matheus Queiroz), enquanto Boscardin, Heide e Bruno Oliveira entraram direto na chave.

Três brasileiros conseguiram passar pelo qualificatório masculino, em que necessárias duas ou três rodadas, dependendo do ranking do jogador. Luis Fernando Reis, Breno Ferreira Marques e Joaquim de Almeida conseguiram superar a fase classificatória e garantir vaga na chave principal. No feminino, além de nenhuma brasileira ter passado pelo quali, chama ainda mais atenção o fato de nenhuma representante nacional ter vencido alguma partida contra adversárias estrangeiras.

Rio Open
É importante também citar que dois dos principais juvenis brasileiros não puderam disputar o torneio mais forte do país na categoria. Natan Rodrigues (45º no ranking mundial da ITF) e Mateus Alves (54º) estavam envolvidos no quali e na chave de duplas do Rio Open, uma experiência extremamente positiva e que deve ser incentivada, até mais pela rotina de treinos em um torneio de alto nível do que necessariamente pelos resultados. Infelizmente, por conta da recente mudança no calendário do circuito juvenil da ITF, os grandes eventos no Brasil entre profissionais e juvenis acabam coincidindo datas.

Osaka salta do 72º lugar ao número 1 em um ano
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2019 às 9:36 pm

A chegada de Naomi Osaka à liderança do ranking mundial com apenas 21 anos marca o ápice de uma rápida evolução no circuito ao longo dos últimos doze meses. Vencedora dos dois últimos Grand Slam, o US Open do ano passado e o Australian Open deste ano, Osaka aparecia apenas no 72º lugar do ranking em janeiro de 2018 e teve uma incrível escalada para o topo.

“Eu sinto que nos últimos dois anos, tudo que eu realmente queria fazer era estar no top 10, porque eu pensei que é assim que você constrói o seu nome. Estar nesta posição agora é realmente surreal”, disse Osaka, em entrevista ao site da WTA após a vitória por 7/6 (7-2), 5/7 e 6/4 na final do Australian Open contra Petra Kvitova no último sábado.

Introvertida para falar em público, a japonesa expressa com simplicidade o sentimento de ser a nova número 1. “Ainda não sinto que isso tenha acontecido. Talvez no próximo torneio eu jogar e vir o número 1 ao lado do meu nome, eu sentirei algo. Mas agora, estou mais feliz poque ganhei este troféu”, falou durante a coletiva de imprensa após a final em Melbourne.

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Atualmente com 7.030 pontos no ranking, Osaka acumulava apenas 871 na lista divulgada em 15 de janeiro de 2018, a última antes de chegar pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam. Superada pela então número 1 do mundo Simona Halep no Australian Open do ano passado, Osaka sairia do torneio com 240 pontos (defendia apenas 70) para chegar ao 52º lugar. Aquele era apenas o segundo torneio que ela disputava com seu então novo treinador, o alemão Sascha Bajin, que durante uma década atuou como rebatedor nas equipes de Serena Williams, Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki e fazia sua primeira experiência como técnico principal de uma jogadora.

O segundo salto no ranking aconteceria em março. A japonesa era a 44ª colocada e enfrentaria a ex-número 1 e então 41ª do mundo Maria Sharapova logo na primeira rodada do Premier de Indian Wells. Depois de eliminar a russa com uma vitória por duplo 6/4, Osaka também passou na fase seguinte por outra adversária expressiva, a polonesa Agnieszka Radwanska.

A chave abriu para a japonesa, que eliminou Sachia Vickery (100ª) e Maria Sakkari (58ª) antes de cruzar o caminho da número 5 do mundo Karolina Pliskova nas quartas. Com uma boa vitória por 6/2 e 6/3, a jovem jogadora garantiu uma revanche contra Halep e despachou a líder do ranking marcando 6/3 e 6/0. Na final, venceu um duelo da nova geração contra a favorita russa de 20 anos e 19ª do ranking Daria Kasatkina por 6/3 e 6/2 para conquistar seu primeiro título na elite do circuito, faturar mil pontos no ranking e ir parar na 22ª posição.

O que se viu nos meses seguintes ao de seu primeiro título foi uma Osaka bastante instável no circuito. Os destaques ficavam para a vitória em Miami sobre uma Serena Williams que ainda fazia seu segundo torneio desde o nascimento da filha e para uma semifinal alcançada na grama inglesa de Nottingham. Passando a lidar com o favoritismo a pressão, a japonesa desabafou nas redes sociais. Três semanas antes de conquistar seu primeiro Grand Slam, Osaka escreveu uma mensagem em que admitia que sua vida havia mudado muito, mas mas que sentia estar voltando à direção certa e que estava novamente se divertindo em jogar tênis.

https://twitter.com/Naomi_Osaka_/status/1030201441309343749

Eu não sentia muito bem a bola e isso me levou a um ponto em que eu comecei a ficar muito frustrada e deprimida durante os treinos. Tive muita pressão no começo da temporada de quadras duras, porque havia senti que havia muita expectativa sobre mim desde Indian Wells e eu não me sentia mais uma ‘zebra’, o que é totalmente novo para mim.

Se alguém acompanhou o torneio de Cincinnati deve saber que que no jogo que eu perdi eu dei um passo na direção certa. As coisas não estavam funcionando da maneira como eu queria, mas finalmente eu senti que estava me divertindo ao jogar tênis, o que eu não sentia desde Miami. Então estou muito feliz e animada por isso.

Osaka chegou ao US Open como número 18 do mundo e vinda de duas eliminações em terceiras rodadas de Grand Slam, em Roland Garros e Wimbledon. Nas duas primeiras fases em Nova York, passou por adversárias de fora do top 100, a alemã Laura Siegemund (uma ex-top 30, mas que voltava de grave lesão no joelho) e a israelense Julia Glushko antes da primeira grande vitória, um duplo 6/0 sobre a bielorrussa Aliaksandra Sasnovich, número 33 do mundo. Na fase seguinte, mais uma bielorrussa pelo caminho, a 20ª colocada Aryna Sabalenka, e o único jogo de três sets da campanha para o título. A japonesa ainda passaria por Lesia Tsurenko e Madison Keys antes de chegar à sua primeira final de Grand Slam e reencontrar Serena Williams.

A admiração de Osaka por Serena era evidente. Respondeu com um “Eu te amo” a uma pergunta feita após a vitória na semi se teria alguma algo a dizer à próxima adversária. O que se viu dois dias depois no Arthur Ashe Stadium foi um ambiente montado para celebração do 24º título de Grand Slam de Serena Williams, o primeiro depois de passar por uma gravidez de risco e se tornar mãe, que a igualaria à australiana Margaret Court como as maiores vencedoras em todos tempos.

Em sua primeira final de Slam, Osaka não se intimidou em nenhum momento da partida, nem mesmo durante e depois das ríspidas discussões entre Serena e o árbitro português Carlos Ramos. Com a vitória por 6/2 e 6/4, a japonesa conquistou Nova York e se tornou a primeira jogadora de seu país a vencer um Grand Slam, além de ser apenas a quarta atleta da nação a debutar no top 10, chegando ao sétimo lugar.

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Depois da partida, Osaka foi às lágrimas por conta do clima hostil no estádio após a derrota da favorita da casa. A japonesa preferiu esconder o rosto durante a cerimônia de premiação. “Eu não queria que as pessoas me vissem chorando, porque isso é patético”, disse em entrevista á revista norte-americana Time, de janeiro de 2019.

Ainda assim, ela insiste que continua a admirar Serena e não mudaria nada do que aconteceu. “Em um sonho perfeito, as coisas aconteceriam exatamente do jeito que você gostaria. Mas é mais interessante que na vida real, as coisas não são exatamente como você planejou. E há certas situações que você não espera, mas elas vêm até você e criam uma base para novas experiências”, afirmou à Time. “Serena é Serena. Eu não vivi a vida dela. Não posso dizer a ela o que ela deveria fazer, porque tem coisas que só ela passou. Não tenho nada contra ela. Na verdade, eu ainda a amo muito”.

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Diferente do que aconteceu com muitas jogadoras que recentemente conquistavam seus primeiros títulos de Grand Slam, mas caíam de rendimento logo depois, Osaka se manteve competitiva. Duas semanas após o título em Nova York, já disputava mais uma final, desta vez em Tóquio, onde perdeu para Karolina Pliskova. A japonesa também foi semifinalista em Pequim antes de terminar 2018 eliminada ainda na fase de grupos do WTA Finals. Ao alcançar a posição de número 4 do mundo, a jovem jogadora já havia igualado os melhores rankings da história de seu país, de Kei Nishikori e Kimiko Date. Por sua vez, o técnico Sacha Bajin foi eleito entre seus pares como o melhor da temporada. Logo no início de 2019, outra boa campanha: uma semifinal em Brisbane que a deixou muito próxima de um inédito top 3.

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

De volta a Melbourne, agora na condição de campeã de Grand Slam, e com quatro semifinais nos últimos cinco torneios que havia disputado, Osaka era também uma das onze candidatas à liderança do ranking mundial. Depois de passar pela polonesa Magda Linette e pela eslovena Tamara Zidansek nas fases iniciais, veio o primeiro teste para a japonesa no torneio. Ela perdeu o primeiro set para a taiwanesa Su-Wei Hsieh e estava bastante frustrada em quadra, mas conseguiu buscar a virada com parciais de 5/7, 6/4 e 6/1.

“Estou feliz com o quanto eu lutei. Para mim, essa é uma das maiores coisas que eu sempre achei que poderia melhorar, porque parece que antes eu aceitaria a derrota”, disse em entrevista coletiva após a partida. “Eu entrei no jogo sabendo que ela ia fazer um monte de coisas estranhas, sem ofensas (sorrindo). Mas ela estava jogando tão bem que eu fiquei impressionada. E no começo do segundo set eu tentei fazer coisas que eu sei que não são necessariamente do meu jogo, como se eu estivesse tentando acertar bolas mais altas. Eu nem treino isso”.

“Então depois de um tempo, comecei a pensar que estou em um Grand Slam. Eu não deveria estar triste, estava jogando contra uma jogadora muito boa, então eu deveria aproveitar o meu tempo e tentar colocar toda a minha energia em fazer o melhor que posso em cada ponto”, comenta a japonesa, que ainda passou por Anastasija Sevastova nas oitavas e Elina Svitolina nas quartas antes de vencer a semifinal contra Pliskova por 6/2, 4/6 e 6/4.

“Não acho necessariamente que joguei o meu melhor tênis, mas nunca desisti, e isso é algo de que eu realmente me orgulho”, avaliou a japonesa após vencer a difícil semifinal em três sets. “Em alguns momentos eu pensei ‘O jogo está ficando muito equilibrado’, mas eu não me perdoaria se eu tivesse um pequeno vacilo ou se aceitasse a derrota”, comentou a jovem jogadora. “Quando você é pequena, você assiste os Grand Slam e vê todos os grandes jogadores. Para mim, são os torneios mais importantes. Há apenas quatro deles por ano, então é claro que quero fazer o melhor que posso aqui. São os lugares onde eu acho que vale todo o treinamento”.

Já na final contra Petra Kvitova, Osaka teve a chance de definir a disputa em sets diretos, mas viu a canhota tcheca salvar três match points no saque quando perdia o segundo set por 5/3 e forçar o terceiro set, mas ainda assim pôde se manter mentalmente na disputa. “Os match points foram no saque dela, então ela deveria confirmar seu saque. Ela é uma das melhores jogadoras do mundo, então não achei que fosse um drama”, argumentou após a partida sobre como lidou com a situação. “Quero dizer, não demorou muito. Eu não tive escolha. Acho que se eu não me reagrupasse depois do segundo set, eu provavelmente teria chorado ou algo assim”.

A origem da família e a inspiração nas Williams – Filha da japonesa Tamaki Osaka e do haitiano Leonard Maxine François, Naomi Osaka é a mais filha mais nova do casal. Sua irmã, Mari Osaka, está com 22 anos e também é tenista profissional, ocupando atualmente a posição de número 332 do ranking da WTA. Os dois se conheceram quando estudavam juntos em Sapporo e se mudaram para Osaka, no sul do país, porque os pais de Tamaki não aceitavam o relacionamento da filha com um homem estrangeiro. A família migrou do Japão para os Estados Unidos quando Naomi tinha apenas três anos e se estabeleceu na Flórida a partir de 2006 para que as meninas tivessem mais oportunidades no tênis.


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A inspiração para que Naomi e Mari jogassem tênis veio após o pai assistir a uma partida entre as irmãs Venus e Serena Williams pela TV. Leonard até repetiu os passos de Richard Williams ao evitar colocar as filhas em torneios juvenis e treiná-las jogando sucessivamente uma contra a outra. Em entrevista ao New York Times em agosto do ano passado, Naomi Osaka falou sobre o desafio diário de enfrentar a irmã mais velha. “O mais importante para mim era ganhar da minha irmã. Para ela, não era uma competição, mas para mim, todo dia era uma competição. Todo dia eu dizia, ‘eu vou ganhar de você amanhã'”.

No Japão, pessoas de origem multirracial são chamadas de hafu (da palavra inglesa ‘half’, ou metade). Até por isso, Osaka encontrou algumas barreiras dentro de seu próprio país. Um exemplo disso vinha das próprias colegas de circuito, como na declaração da atual 115ª colocada Nao Hibino ao New York Times no ano passado. “Para ser honesta, nós nos sentimos um pouco distantes dela, porque ela é fisicamente diferente, cresceu em um lugar diferente e não fala muito japonês. Não é como Kei [Nishikori], que é um jogador japonês puro”.

Até por isso, o legado de Naomi Osaka pode ir além do tênis e aumentar a representatividade étnica dentro da sociedade japonesa. É o que aposta seu agente Stuart Duguid, da IMG. “Quando olho 15 anos para o futuro, vejo Naomi tendo uma ótima carreira no tênis”, falou em agosto ao New York Times. “Mas também espero que ela tenha mudado a percepção cultural sobre as pessoas multirraciais no Japão. Espero que ela tenha aberto as portas para outras pessoas seguirem, não apenas no tênis ou nos esportes, mas em toda a sociedade. Ela pode ser uma embaixadora da mudança”.

Osaka chegou a receber ofertas para defender os Estados Unidos, mas a escolha por defender o Japão e ser uma pioneira no tênis de seu país, em vez de ser apenas mais uma promissora atleta norte-americana, trouxe uma série de contratos com grandes empresas japonesas. Em recente entrevista à revista Time, a jovem jogadora mais uma vez fez o simples ao definir sua nacionalidade. “Eu realmente não sei como é se sentir japonesa, haitiana ou americana. Eu me sinto apenas como eu”.

O torneio juvenil – Chegou ao fim no último sábado o torneio juvenil do Australian Open. Como de costume, o Grand Slam australiano é o único que disponibiliza sua principal quadra para a nova geração e as duas finais foram disputadas na Rod Laver Arena.

No feminino, Clara Tauson conquistou o título ao vencer a canhota canadense Leylah Fernandez por 6/4 e 6/3. Esta foi a terceira final entre as duas jogadoras de 16 anos no circuito, que iniciaram a rivalidade com uma vitória de Fernandez no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre do ano passado, enquanto Tauson já havia levado a melhor no torneio torneio preparatório para o Australian Open em Traralgon.

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Tauson é a quarta jogadora dinamarquesa a conquistar um título de Grand Slam como juvenil, e a primeira desde que Caroline Wozniacki venceu Wimbledon em 2006. Ela também se torna a primeira jogadora de seu país a liderar o ranking mundial da categoria, lembrando que Wozniacki chegou a segunda posição durante as competições de base. A ITF ainda cita que Eva Dyrberg foi número de duplas, antes da Federação Internacional estabelecer um ranking unificado para os juvenis.

No masculino, o campeão foi o italiano Lorenzo Musetti, que já havia sido finalista no US Open e perdido para Thiago Wild na decisão. O jogador de 16 anos venceu uma equilibrada final contra o norte-americano Emilio Nava por 4/6, 6/2 e 7/6 (14-12) e recebeu o troféu das mãos de Ivan Lendl. Musetti sobe do quarto para o segundo lugar no ranking juvenil, atrás apenas do taiwanês Chun Hsin, atual campeão de Roland Garros e Wimbledon.