PLACAR

Brasil vive um novo sonho no Rio

Pela primeira vez em exatos 10 anos de Rio Open, o tênis brasileiro terá três representantes nas oitavas de final. E contando, porque João Fonseca teve sua estreia adiada e jogará nesta quarta-feira como franco atirador diante da sensação francesa Arthur Fils. Não dá para descartar mais uma surpresa. Lembremos que o Brasil só atingiu as quartas de simples trêss vezes, com Thomaz Bellucci (2014), João Souza (2015) e Thiago Monteiro (2017).

Em dia de chuva fina e rodada encurtada, a azarada contusão do favorito e atual vice-campeão Carlos Alcaraz foi uma tremenda frustração para o público, ainda é claro que isso tenha classificado o batalhador Thiago Monteiro. O espanhol virou feio o pé ainda no segundo ponto da partida, fez um esforço incrível e ainda ganhou esse game, mas era evidente que o gigantesco inchaço o levaria a abandonar em muito pouco tempo. O canhoto cearense teve essa paciência.

Enquanto o campeão de 2022 contou que a dor era muito forte para arriscar continuar, mas que a princípio não é uma lesão grave, o convidado cearense fará duelo direto com Felipe Meligeni por vaga nas quartas de final e aí sim é uma notícia muito boa. Meligeni precisou disputar o quali e fez duas ótimas partidas, tendo superado Alex Molcan e Juan Manuel Cerúndolo em partidas exigentes e sem perder set.

A estreia foi contra outro especialista em saibro, o argentino Pedro Cachin, e novamente o campineiro que é 153º do mundo no momento mostrou armas e principalmente cabeça fria. Fez ótimo primeiro set, caiu de produção e foi quebrado logo de cara na terceira série e aí soube usar o apoio ferrenho da torcida para elevar novamente seu nível.

Meligeni destacou seu foco na reação obtida e saiu bem satisfeito com a atuação, contando que o mau tempo da tarde não permitiu que ele aquecesse de maneira correta e por isso entrou um tanto frio. Mas não encontrou um piso pesado e isso foi importante para achar rapidamente o ritmo. O saque funcionou, com 72% de pontos vencidos com o primeiro serviço e sete aces. No set decisivo, aliás, encaixou 70% e só perdeu seis desses lances.

Esse inusitado lado superior terá outros dois duelos nacionais. Os argentinos Facundo Diaz e Sebastian Baez se cruzam para ver quem pega Monteiro ou Meligeni, enquanto Dusan Lajovic e Laslo Djere fazem confronto sérvio e quem avançar terá Francisco Cerúndolo ou Albert Ramos.

Coube ao canhoto Diaz, campeão de Buenos Aires e de 23 anos, a outra notícia ruim para o animado público carioca. Ele começou muito mal, completamente desambientado, e parecia que Stan Wawrinka iria atropelar. Mas pouco a pouco o argentino se achou e, a partir de 2/5, viu o suíço errar muito nas trocas mais longas, entrando num buraco profundo. Teve ainda uma chance de reagir, tirou suspiros do público com seu backhand magistral, mas não foi o bastante.

Na segunda-feira, Thiago Wild foi o primeiro brasileiro a garantir vaga. O mérito indiscutível foi ter resistido a um primeiro set dominado com louvor pelo canhoto chileno Alejandro Tabilo. O espírito de luta, com direito a golpes de base espetaculares, cativou os espectadores e o paranaense recebeu incentivo crescente. Cravou uma virada marcada pelo empenho para comemorar seu melhor momento da temporada até aqui. Mas nada está fácil para ele. É de se esperar um jogo complicado diante de Jaume Munar para ter a chance de desafiar o atual campeão Cameron Norrie, que é amplo favorito contra Tomas Barrios.

Essa parte inferior da chave também ficou sem o super sacador Nicolas Jarry, vice em Buenos Aires onde tirou Alcaraz, mas um tanto apressado no Rio diante das devoluções profundas de Yannick Hanfmann. Nesse setor, estão Cristian Garin e Fonseca, que faz aguardado jogo contra o também talentoso Fils.

E mais
– O Jockey Club recebeu lotação máxima no final de semana com as rodadas do qualificatório sem cobrança de ingresso, o que transformou o domingo numa grande festa. Os treinos de Alcaraz e Wawrinka ficaram abarrotados e os caçadores de autógrafos conseguiram proximidade com a maioria das grandes estrelas do torneio.
– O mau tempo desta terça-feira cancelou a rodada diurna, o que deve gerar ressarcimento do ingresso. O único deslize foi uma certa demora para comunicar isso e explicar que o estádio principal, onde jogariam Stan e Alcaraz, só permitiria a entrada de quem possuía bilhete da rodada noturna.
– Como de hábito, o Rio Open atrai a nata do tênis brasileiro e é fácil cruzar nas corredores com muita gente importante e cheia de troféus. Bruno Soares será homenageado nesta quarta e Gustavo Kuerten entregará o troféu ao campeão, com chegada prevista para quinta ou sexta-feira.
– Ainda é cedo para falar de ranking, mas Alcaraz perderá 300 pontos e ficará com vantagem inferior a 650 do novo número 3 Jannik Sinner.
– Se chegar mais uma vez às quartas do Rio, Monteiro já terá chance matemática de recuperar o posto no top 100, dependendo é claro de concorrentes diretos. Já Meligeni sobe provisoriamente para 130º, apenas um posto atrás de sua melhor marca pessoal.
– A sensação Victoria Barros também está no Rio e bateu bola com o mestre Thomaz Koch, que ficou admirado com seu potencial e principalmente com a ótima estrutura em torno da potiguar. Só está preocupado que não haja excesso de treino ou de competição neste estágio tão precoce.

35 Comentários
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Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás

Novak Djokovic, o GOAT de todos os esportes, garantiu o número 1 mais velho da história. Será que coloco esse recorde como um dos mais importantes ou continuo deixando fora do top 15?

Rsrsrsrs, abs!

Inaraí
Inaraí
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Não querendo defender o Federer, mas em termos de longevidade, Djokovic tem 6 anos de vantagem, ou seja, oq Federer fez pra ficar longevo, Djokovic pode pegar e aprimorar.
Por isso muitos recordes acabam sendo relativos, não em relação a Nole e Federer, pq a final de Wimbledon 2019 catapultou qualquer comparação, mas em relação a Nole e Sampras ou Laver.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 mês atrás
Responder para  Inaraí

Aí é que está o ponto.
Federer ainda tem mais tempo de casa, mesmo parado há dois anos, que o sérvio, mas tem 100 – veja bem: 100 semanas a menos no topo que Djokovic. Então, a longevidade de Federer agora é fator negativo para ele.
O grande tenista brasileiro Gustavo Kuerten somou ao longo de sua carreira, 43 semanas no topo.
E a idade menor de Djokovic é desculpa ainda?

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Agora ele perdeu importância assim como o Atp Finals que agora é menos relevante do que Copa Davis rsrsrs

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  Paulo Sérgio

Era o tal do QUiNTO Slam, se lembra?

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás
Responder para  Paulo Sérgio

O que impressiona Paulinho, é como os ‘Paulos ” são fiéis em relação as asneiras. Desde quando a Davis passou a ser mais importante que o ATP FINALS ? . Só se for pra Novak que disse que era sua prioridade e abandonou o Time a própria sorte agora em fevereiro. O Sérvio sem dúvidas deve ter fundado a Kombi kkkkkk. Abs!

Evaldo Aparecido Moreira
1 mês atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás
Responder para  Paulo Sérgio

Falando nisso , o que tem a ver competição por Equipes com competição individual, para comparar relevância ? . A gloriosa ATP cisma que a Copa Davis não é bigtitle . Como pertence a ITF não distribui pontos assim como as Olimpíadas que ela resolveu que é bigtitle mas sem pontos . Enquanto isso aquela nova competição em Janeiro por Equipes mistas , a dita cuja distribui pontuação…rs . Abs!

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Basta dar uma olhada com que idade , Laver, Borg , Sampras, Lendl , McEnroe, Connors, Becker, Edberg… conseguiram estar N 1 , para aprenderes que é um dos recordes mais difíceis do Tênis. Abs !

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Ah, que bom que não mudou de ideia da noite pro dia e disse que não vale muito mais. Então vou tentar colocar no top 10 pelo menos.

A conferir, abs!

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Na boa, Sr Paulo Almeida. O teu TOP interessa a quem ??? kkkkk. Abs!

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Acho que a mais pessoas do que o seu, que deve ter as “fantásticas” 237 semanas em 1° lugar.

Rsrs, abs!

Paulo F.
Paulo F.
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Acredito que para o Sérgio Ribeiro, “coincidentemente” passará a ser mais um recorde sem importância.
Sei
A conferir
Rsrsrsrsrs Abs!

Fábio Romão Prado
Fábio Romão Prado
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

O texto é sobre o Rio Open, né?

RODRIGO
RODRIGO
1 mês atrás
Responder para  Fábio Romão Prado

Liga não, Fábio. Jamais poderemos esperar bom senso de fã de negacionista, concorda?

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  RODRIGO

Negacionista é quem fala em Rei Federer em pleno 2024.

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
1 mês atrás
Responder para  RODRIGO

Você não teve bom senso para criticar o passa pano e o embaixador da ditadura saudita. Por que será?

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás
Responder para  Fábio Romão Prado

E o Alcaraz não participou e foi eliminado do Rio Open, perdendo 300 pontos e assim beneficiando o Djokovic com o recorde de número 1 mais velho da história?

Se você não sabe, está tudo interligado.

Rodrigo Lightman
Rodrigo Lightman
1 mês atrás

Quem diria, 3 brasileiros na segunda rodada e ainda falta o Fonseca jogar amnhã. Nada mau para nossos padrões. Dalcim você se lembra de algum ATP 500 com 3 brasileiros na segunda rodada? Acho que nos últimos anos não tenha nem mesmo havido nenhum torneio ATP 500 que tenha tido 3 brasileiros inscritos na mesma chave. Está certo que o torneio é no Brasil.

Horacio
Horacio
1 mês atrás

A final do Río Open vai ser disputada na quinta feira, entre Báez e Diaz Acosta.

Eduardo
Eduardo
1 mês atrás
Responder para  Horacio

Os meus favoritos agora são Norrie, cerundolo ou fils, mas torço por uma surpresa do wild.

Carlos Eduardo Scioli
Carlos Eduardo Scioli
1 mês atrás

Dalcim, o Feijão também fez quartas no Rio Open em 2015.
Na melhor temporada da carreira, ele conseguiu semi do Brasil Open no Ibiraquera e quartas no Rio Open, inclusive foi quem mais próximo esteve da semi, já que batia o austríaco Haider Maurer por 4/1 no terceiro set, mas não sustentou a vantagem. Abs.

Valdir
Valdir
1 mês atrás

Gira sulamericana desastrosa pro Alcaraz. Semi no 250, primeira rodada no 500 e contusão que pode deixar fora de IW e Miami. Terrível.

Silvio
Silvio
1 mês atrás

Dalcim, o Alcaraz obviamente recebeu cachê para vir ao Rio Open. Jogando dois games o cachê é pago de forma integral? Terrível para a organização…

Diogo Menezes
Diogo Menezes
1 mês atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

Bom, 3 dias depois, parece que cumpriu tudo

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 mês atrás

Apesar da torção de ontem, o Turim Assassino não joga nada desde o USO. Ah, mas ele está oscilando porque só tem 20 aninhos (quase 21).

Bom, com esse raciocínio, também posso dizer que o Nadal de 2005 a 2007 também oscilava bastante e não passava nem das quartas de AO e USO, perdendo pra Blake, Youzhny, González e Ferrer, o que garantia com folga as semanas consecutivas do Federer. Confere?

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 mês atrás
Responder para  Paulo Almeida

Claro que não confere . Rafa Nadal foi o que menos oscilou do Big 4 + Wawrinka . Repetindo , a precocidade de Hewitt , Nadal e Alcaraz é um caso a parte. O Rei do Saibro tinha os mesmos oponentes de Sampras , Agassi e Federer nas hards, desde seu incrível 2005 , em que venceu SLAM e 4 MASTERS 1000 ( total de 12 ATPs) e atingiu o N 2 . Teu problema é jamais ir pesquisar DRAWS de cada SLAM , e ir somente pra FINAL . O objetivo é repetir a exaustão a tal “ entressafra “ , que jamais existiu . Sampras se aposentou tendo ficado ano e meio sem vencer um ÚNICO ATP nesta turma “ fraca “ . Mamãe Novak mandou : “ Rei morto , Rei posto “ em 2008 quando este venceu Federer no USOPEN. O garoto oscilou tanto que somente em 2011 foi vencer seu segundo SLAM . JANNIK SINNER e’ dois anos mais velho que Carlos Alcaraz. Não se precipite , desinformadissimo Piloto rs . Abs!

Fernando
Fernando
1 mês atrás

O Feijão também fez quartas, lá em 2015.

Paulo A.
Paulo A.
1 mês atrás

Acho plenamente justificáveis os elogios e as elevadas expectativas sobre a nossa pequena notável Victória Barros; ela de fato é um raro talento e após a avaliação de um mestre como o Thomaz Koch, o otimismo é ainda maior.
Mas há também uma garota de 13 anos, do RTB, a Nauhany Victória que me deixou uma ótima impressão jogando na quadra rápida, em um torneio muito tradicional na França, mês passado, chegando nas semis ou final, não estou bem certo. Você já a viu jogar, Dalcim? Se sim, o que achou? Ela chegou a sacar a 184 km/h!!! Tem um tênis de muita habilidade, muito tranquila e determinada em quadra.

Paulo A.
Paulo A.
1 mês atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

Quanta sorte a nossa! Duas prováveis futuras candidatas à sucessoras da Bia, com muita sorte…

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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