Pegula lidera novo conselho para rediscutir calendário da WTA

Jessica Pegula (Foto: Dubai Duty Free Tennis Championships)

Dubai (Emirados Árabes) – A WTA anunciou nesta terça-feira a criação de um Conselho de Arquitetura do Circuito, que terá como principal função rediscutir o calendário de competições a partir das próximas temporadas. A experiente norte-americana Jessica Pegula, número 5 do mundo e bastante atuante nas discussões do Conselho das Jogadoras nos últimos anos, irá presidir o grupo.

O novo órgão, segundo comunicado oficial da entidade, foi criado para “desenvolver melhorias significativas no calendário, nos compromissos obrigatórios e em outros elementos centrais da estrutura do circuito”. A meta inicial é apresentar recomendações concretas ao Conselho da WTA que possam ser implementadas já a partir da temporada de 2027.

Em carta enviada a jogadoras e torneios, a presidente da WTA, Valerie Camillo, explicou que a iniciativa surgiu após um período de escuta junto aos principais atores do circuito. Segundo ela, ficou claro que o calendário atual “não parece sustentável para as atletas diante das pressões físicas, profissionais e pessoais de competir no mais alto nível”. Camillo destacou ainda que é preciso preservar a qualidade da competição sem comprometer o bem-estar das jogadoras, aproveitando o momento de crescimento global do tênis feminino.

Desistências em Dubai reacendem debate

A criação do conselho ocorre em meio a debates renovados sobre a carga do calendário, especialmente após a sequência de desistências no WTA 1000 de Dubai. Desde o fim da semana passada, dez jogadoras abandonaram o torneio, incluindo as duas líderes do ranking, Aryna Sabalenka (lesão no quadril direito) e Iga Swiatek (mudança de programação), além de outras atletas que precisaram abandonar partidas em andamento. O diretor do torneio, Salah Tahlak, chegou a defender sanções mais duras para desistências tardias, sugerindo inclusive perda de pontos no ranking, e não apenas multas financeiras.

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O torneio de Dubai é um WTA 1000 obrigatório, e retiradas de última hora já implicam penalidades, como multas progressivas e pontuação zerada na semana. Ainda assim, o volume recente de baixas reacendeu questionamentos sobre a viabilidade do atual modelo.

Pegula terá a companhia das exeperientes Azarenka e Sakkari

Após vencer a francesa Varvara Gracheva por 6/4 e 6/0 na estreia em Dubai, Pegula comentou o tema em coletiva. “Eu sei que o calendário é muito duro, não é fácil. Em determinado momento do ano, se você tem alguns bons resultados, infelizmente algumas semanas acabam virando um sacrifício se você estiver pensando no longo prazo”, afirmou, sinalizando a necessidade de equilíbrio entre desempenho imediato e preservação física.

Como presidente do novo conselho, Pegula destacou que o grupo pretende trabalhar de forma objetiva. “É uma oportunidade para focarmos em partes específicas da estrutura do circuito e ver o que pode ser ajustado no curto prazo, enquanto continuamos discutindo melhorias de longo prazo de forma mais direcionada”, explicou. Segundo ela, a WTA tem a autoridade necessária para reunir jogadoras e torneios em torno de mudanças concretas. “Sou grata por estarem usando essa força para promover mudanças reais a partir de 2027.”

O Conselho de Arquitetura do Circuito reunirá representantes das jogadoras, dos torneios e da liderança da WTA. Além de Pegula e de Valerie Camillo, participam nomes como a ex-número 1 do mundo Victoria Azarenka, a integrante do Conselho das Jogadoras Maria Sakkari, a norte-americana Katie Volynets (representando atletas entre as posições 51 e 100 do ranking) e executivos de torneios das Américas, Europa e Ásia.

Em nota, a WTA reforçou que o objetivo é preservar “a competição de alta qualidade que gera valor aos torneios e oferece uma experiência incomparável aos fãs”, aproveitando o atual momento de crescimento do circuito feminino para implementar mudanças estruturais.

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Wanderson
Wanderson
17 dias atrás

As mulheres reclamam de tudo calendário, 5 sets etc… mas querem receber tanto quanto os homens que tem um calendário ainda pior.

Marcos RJ
Marcos RJ
17 dias atrás
Responder para  Wanderson

Isso é um argumento retrogrado. Tanto os jogadores da ATP quanto as jogadoras da WTA têm os mesmos gastos financeiros para jogar no circuito profissional (treinador, fisioterapeuta, equipamento, transporte, hospedagem, alimentação, entre outros), então os pagamentos também devem ser iguais. Estatisticamente, as mulheres já sofrem mais lesões do que os homens, então a proposta de jogos de 5 sets devastaria as jogadoras top, causaria mais desistências e W/O e pioraria a qualidade dos jogos.
Os jogos do circuito masculino certamente têm maior popularidade do que os femininos, mas isso é amplamente compensado pelos exorbitantes contratos de publicidade oferecidos a cada jogador ou jogadora.

Wanderson
Wanderson
17 dias atrás
Responder para  Marcos RJ

Não não deve.. se eu e vc trabalhassemos na mesma empresa desempenhando a mesma função vc gostaria que eu recebesse mais que vc trabalhando duas ou três horas a menos?

Renato dos santos Pachecocong
Renato dos santos Pachecocong
17 dias atrás

Já era hora. A Atp TB deve fazer o msm.

Gabriel
Gabriel
17 dias atrás

Pegula caminhando para ser uma big big dirigente esportiva após a aposentadoria.

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