PLACAR

Bola fora

A organização do Masters 1000 de Paris, com a essencial concordância da ATP, cometeu um erro indesculpável para um torneio desse porte. Insensível à longa duração da rodada de quarta-feira – provocada unica e exclusivamente por conta de sua própria programação -, determinou que Jannik Sinner voltasse à quadra menos de 15 horas depois de um jogo que terminou às 2h37 locais. Forrado de razão e preocupado com sua saúde, o italiano optou por desistir da competição. Lastimável em todos os aspectos.

Algumas ponderações são necessárias. A primeira delas foi a insistência dos promotores em colocar cinco jogos no estádio principal na chamada ‘rodada diurna’. Fácil calcular que, caso todas elas durassem duas horas, o que inclui o intervalo para que os jogadores seguintes entrassem em quadra, a ‘rodada noturna’ dificilmente começaria 19h30. E esse atraso foi repetido dia após dia, agravando-se na quarta-feira, já que é fácil prever que um Masters 1000 terá muitas partidas equilibradas.

Ao mesmo tempo, não consigo enxergar justificativa para que Sinner não fizesse também a rodada noturna desta quinta-feira. Seu duelo contra Alex de Minaur seria muito mais atraente do que o de Holger Rune contra Daniel Altmaier, ainda que o dinamarquês seja o atual campeão. Como agravante, todo mundo viu que Sinner entrou em quadra à meia-noite, o que já deu tempo mais do que suficiente para os organizadores ajustassem a ordem dos jogos.

Enfim, tamanha falta de juízo fez com que o torneio perdesse o número 4 do mundo, que vem do título em Viena e de uma temporada de ótimos resultados, e manchasse sua imagem, incluindo a do diretor Cédric Pioline. De imediato, nomes de peso como Casper Ruud e Stan Wawrinka ironizaram a ATP por permitir o absurdo. Registre-se que a programação diária tem supervisão direta da entidade junto aos organizadores e, mais importante ainda, possui a palavra final.

Aliás, os organizadores têm ainda de agradecer o comprometimento de Novak Djokovic, que poderia ser outra baixa inesperada no torneio. O sérvio revelou estar com indisposição estomacal há dois dias, tomou remédio em quadra e, longe de seus melhores dias, conseguiu a virada em cima do instável mas agressivo Tallon Griekspoor, que esteve bem perto da quebra no final do segundo set. O sérvio se aplicou muito no saque e isso o ajudou quase o tempo todo. O único senão foi uma inoportuna, ainda que compreensível, atitude irônica para o público, quando cometeu dupla falta e cedeu o empate por 4 no terceiro set.

O Masters parisiense já havia ficado sem Carlos Alcaraz ainda na segunda rodada. Ainda que o russo Roman Safiullin seja um tenista sólido lá de trás, o espanhol só cai de produção, fez uma exibição para lá de sofrível e preocupa para Turim. Levou um baile de Sinner em Pequim, parou em Grigor Dimitrov no terceiro jogo de Xangai e desistiu de competir na Basileia, comprometendo todo seu plano de se reaproximar da liderança do ranking. Quem sabe, tenha sido justamente essa pressão que causou tanto estresse.

Em Paris, sofreu a única derrota em estreia em toda a temporada e apenas a terceira em sets corridos. E as explicações foram vazias: “Talvez o calendário puxado ou porque estamos no final de temporada”, argumentou. Ele jura que não houve qualquer problema físico e que a atuação ruim foi fruto unicamente da parte emocional. A declaração de que “não me motivei o bastante” me deixou estarrecido. Tão grave como “não tenho ânimo agora para falar de Turim, preciso parar para pensar no futuro”.

Enquanto isso, Nole ruma para a incrível marca de 400 semanas na ponta do ranking e de oito temporadas finalizadas como número 1, façanhas mais do que justas para um tenista que ganha três de quatro Grand Slam da temporada. Nas quartas de Paris, no entanto, ele terá pela frente o Rune que o bateu na final do ano passado e que está sendo orientado nas últimas semanas pelo mesmo Boris Becker que fez muito bem ao saque e ao jogo de rede do sérvio. O dedo do tricampeão de Wimbledon já ficou bem claro ao vermos quantos voleios o dinamarquês tem feito em suas partidas de Paris, onde mostrou novamente o tão crucial ‘sangue nos olhos’.

E mais

  • Outro que parece mais determinado a buscar a transição à rede é Stefanos Tsitsipas. As indiscutíveis vitórias sobre Felix Aliassime e Alexander Zverev o tornaram o sexto classificado para o Finals. Enfrenta agora Karen Khachanov, que precisa de um milagre para ficar com a oitava vaga.
  • Grigor Dimitrov realiza grande final de temporada. Fez grande jogo contra Daniil Medvedev e tenta manter pequeno tabu de 3 a 0 contra Hubert Hurkacz, ainda postulante a Turim no lugar de Zverev ou Rune.
  • De Minaur também está na luta, porém só o título lhe daria chance. O australiano precisa ganhar de Rublev e depois de Djoko ou Rune para ir à final e enfim realizar o sonho do top 10.
  • Há um descontentamento generalizado entre as participantes do WTA Finals de Cancún. A número 1 Aryna Sabalenka afirmou que não se sente segura sobre a quadra, imaginem só.
  • Outra demanda é contra o calendário de 2024, que aumentou o número de torneios obrigatórios. Iga Swiatek diz que as jogadoras estão se falando muito e unidas na cobrança por mudanças por parte da WTA. A maioria não gostou dos torneios 1000 de duas semanas, que encurtaram o tempo de descanso.
  • Após duas rodadas classificatórias, Swiatek e Jessica Pegula seguem sem derrotas. Pegula já garantiu semi e nesta noite Sabalenka decide a outra vaga do grupo contra Elena Rybakina. Na outra chave, Swiatek está com pé e meio na semi e Gauff precisa ganhar de Vondrousova, mas Jabeur corre por fora.
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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