A milionária surpresa de Wimbledon

Arthur Fery (Foto: AELTC)

E o tênis britânico sobrevive sobre a grama sagrada. O pouco conhecido Arthur Fery, 23 anos, conseguiu uma reação incrível no duelo de convidados diante do experiente Grigor Dimitrov e mostrou pernas, garra e equilíbrio emocional para levantar o público na Quadra Central e alcançar quartas de final um tanto improváveis, ainda que tenha feito campanha semelhante em Queen’s há poucos dias.

Fery possui uma história de vida curiosa. Nasceu pertinho de Paris, onde moravam seus pais. Loic, um empresário e dono do time de futebol Lorient, e Olivia, que jogou duplas em Roland Garros e defendeu Hong Kong na então Fed Cup. A família logo se mudou para Londres e o garoto se diz um inglês de coração. É herdeiro de uma fortuna estimada em 275 milhões de libras, segundo o Telegraph, já que seu pai trabalha com investimentos financeiros.

Morou e estudou a cinco minutos de Wimbledon. Foi um bom juvenil, chegando ao número 12 do ranking. Depois, decidiu estudar nos EUA e se formou em Ciência e Tecnologia por Stanford, a quem defendeu no forte circuito universitário, sob orientação dos irmãos Bryan.

Sua primeira vitória em nível challenger aconteceu em 2023, quando ganhou convite para Wimbledon e perdeu para Daniil Medvedev. Duas temporadas depois, venceu sua primeira partida no Slam caseiro em cima de Alexei Popyrin e entrou para a equipe da Copa Davis. A qualidade de seu tênis chamou a atenção pela primeira vez no Australian Open de janeiro, ao tirar Flavio Cobolli, exatamente seu adversário daqui a dois dias.

Completamente aturdido pela façanha que repete Andy Murray, Tim Henman, Roger Taylor, Greg Rusedski e Cameron Norrie, a nova esperança britânica lembrou que vinha todos os anos ao torneio quando criança e agradeceu a presença de Roger Federer no Royal Box, como Jasmine Paolini havia feito pouco antes.

Ainda que Cobolli repita as quartas do ano passado, ao tirar Alex de Minaur num jogo um tanto sem graça, as chances de Fery dar outro passo não podem ser desprezadas. Ele já saiu de 114º para o 63º e pode virar top 40 em caso de semifinal. E a julgar por sua frieza contra Dimitrov, ele está pronto para tudo.

A outra partida de quartas só tem um nome definido: o norte-americano Taylor Fritz, que sacou e principalmente devolveu muito melhor do que o cazaque Alexander Bublik. Além de anotar 47 winners, 23 deles através de aces, o número 7 do mundo cometeu apenas oito erros não forçados na partida toda.

Esta é a quarta presença de Fritz nas quartas de Wimbledon e ele tentará repetir a semi do ano passado contra quem passar entre Alexander Zverev e Jiri Lehecka. O alemão estava bem perto de enfim superar as oitavas no torneio, mas não deu tempo de completar o terceiro set, já existe um acordo entre o Club e a prefeitura de as rodadas acabarem no máximo às 23 horas locais.

Paolini volta a brilhar em Wimbledon

E temos três italianos nas quartas da grama londrina, depois que Paolini obteve uma dura vitória sobre a filipina Alexandra Eala, que teve pouco tempo para degustar a façanha de tirar a campeã Iga Swiatek. Finalista dois anos atrás, a simpática tenista de 30 anos começou o torneio levando um “pneu” de Robin Montgomery e brincou: “Naquele momento, eu disse a mim mesma que não poderia fazer pior do que isso”.

Irá enfrentar agora a ucraniana Marta Kostyuk, 13ª do ranking, uma jogadora também divertida de se assistir, com um estilo agressivo e ótima movimentação. Ela vem da semi de Roland Garros, demonstração clara de sua versatilidade, e fica cada vez mais próxima do top 10.

Assim como Kostyuk, as outras duas classificadas para as quartas no lado inferior nunca foram tão longe no torneio. Elise Mertens, no entanto, é bicampeã e duas vezes vice de duplas em Wimbledon e fará duelo inédito contra Linda Noskova e a espetacular escola tcheca. Aos 21 anos, ela vem dos títulos de simples e duplas em Berlim.

E mais

– E Federer ficou até o fim no Royal Box. Quando a partida de Zverev começou, só havia quatro pessoas lá e o suíço era uma delas.
– Fritz, Novak Djokovic e Jannik Sinner são os únicos a ter feito quartas nas últimas três edições de Wimbledon.
– Mesmo com Justine Henin e Kim Clijsters, a Bélgica jamais ganhou um título feminino em Wimbledon. Henin foi vice duas vezes, diante de Venus e Mauresmo.
– Esta é a primeira vez desde 2007 que todas as quadrifinalistas do feminino são cabeças de chave.
– Fery é o tenista de mais baixo ranking (114º) nas quartas de Wimbledon desde Nick Kyrgios (144º) em 2014.
– “Vou tentar de novo”, garante Dimitrov, que perdeu muitas chances nos dois últimos sets. Que bom.

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Ronildo
Ronildo
3 horas atrás

Dimitrov! Uma pena! Poderia ter sido campeão de Wimbledon diversas vezes quando era mais jovem, poderia ter liderado o ranking por alguns anos à partir de 2020. Infelizmente só agora que tem 35 anos descobriu que poderia!

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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