Fim de ciclo para Guto e esperança nos próximos passos

Guto Miguel e Marcel Latak (Foto: Pete Staples/USTA)

A duríssima final do US Open marcou o fim da carreira juvenil de Guto Miguel. O goiano de 17 anos encerra seu ciclo nas competições de base tendo vencido dois títulos de Grand Slam, Roland Garros em simples e Wimbledon nas duplas, além do vice-campeonato em Nova York.

Depois de cinco vitórias na semana, duas delas salvando match-points, contra Daniel Malacek na estreia e diante do campeão de Wimbledon Jordan Lee nas quartas, Guto foi superado na final do último sábado pelo norte-americano Marcel Latak por 3/6, 7/5 e 7/6 (15-13).

Foi um jogo em que o próprio brasileiro chegou a ter três match-points, um deles no próprio saque e que acabou com um forehand para fora, naquela que foi sua maior chance na partida.

Ainda assim, valeu o esforço, especialmente por ter começado muito atrás no placar durante o tiebreak decisivo, e é preciso também reconhecer os méritos do adversário que sacou bem nas outras duas vezes em que foi ameaçado e não permitiu ao brasileiro disputar efetivamente aqueles pontos.

Atualmente na liderança do ranking mundial juvenil, Guto está com sua melhor marca como profissional, o 660° lugar, com 52 pontos na ATP. Também tem um bom ranking nas duplas, o 128° lugar, com cinco títulos, incluindo três challengers. Dono de um saque eficiente e de um jogo agressivo, que se adapta a diferentes pisos, o goiano mostra boas perspectivas para os próximos passos.

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A escolha do calendário e a pausa feita em março, antes da temporada de saibro na Europa, mostraram-se acertadas, tanto nos resultados quanto na evolução física do jovem tenista. Ele tem conseguido resistir bem às semanas seguidas de torneios e também às sequências de jogos com pouco tempo de recuperação, como aconteceu no US Open.

Guto também soube lidar bem mentalmente com momentos de maior desgaste, como na partida das quartas, em que sofreu cãibras e ainda assim buscou a vitória. Ou mesmo na estreia, em que estava visivelmente frustrado com o próprio nível e as oportunidades perdidas, mas conseguiu se recompor e transformar aquela intensidade e os momentos de tensão em algo positivo. Uma boa lição para o futuro.

“Hoje eu encerro minha carreira juvenil. Eu e minha equipe decidimos que este seria o meu último torneio. Claro que queríamos terminar com o troféu de campeão, mas hoje não foi o dia”, disse Guto, durante a cerimônia de premiação. “Na primeira rodada eu cheguei a estar com match-point contra e continuamos lutando. E agora começa a verdadeira jornada. Estaremos preparados”.

Um campeão da casa depois de onze anos

Marcel Latak (Foto: Pete Staples/USTA)

Campeão do torneio, Latak se tornou o primeiro juvenil norte-americano a vencer o US Open desde Taylor Fritz em 2015, numa final caseira contra Tommy Paul. E o último finalista havia sido o canhoto Learner Tien, superado por João Fonseca em 2023.

A campanha para o título contou com três vitórias contra cabeças de chave, o norte-americano Keaton Hance nas quartas, o alemão Jamie Mackenzie na semi e o próprio Guto na final. Com isso, salta da atual 41ª posição para debutar no top 10.

“Disse a mim mesmo para arriscar tudo e estou muito feliz por ter feito isso”, disse Latak na coletiva de imprensa. “Foi instinto, para ser sincero. Mesmo quando estava perdendo no tiebreak e salvei aqueles match-points”.

“Acho que quebrei o saque para ganhar a partida em 14-13, então não sei. E a forma como ele melhorou o saque no tiebreak foi incrível. Quer dizer, não dá para ficar muito surpreso. O cara é o número 1 do mundo”, acrescenta o norte-americano, valorizando a trajetória do brasileiro. Latak também foi vice de duplas, ao lado do compatriota Tanishk Konduri. Os campeões foram o espanhol Valentin Gonzalez e o francês Aaron Gabet.

Chinesa consegue revanche na final feminina

Anna Pushkareva e Sun Xinran (Foto: Brad Penner/USTA)

No feminino, valeu a insistência da chinesa Xinran Sun, líder do ranking da categoria. Depois de ter perdido as finais de Roland Garros e Wimbledon, ela finalmente venceu o primeiro Grand Slam. E de quebra, conseguiu uma revanche contra a russa Anna Pushkareva, que havia sido sua algoz na quadra de grama. Uma derrota que a própria chinesa disse ter sido difícil de digerir.

“Depois de Roland Garros, fiquei triste”, disse Sun, após a semifinal na última sexta. “Não tinha certeza se chegaria a outra final de Grand Slam juvenil, mas aí veio Wimbledon e tive outra chance contra uma jogadora que eu já havia derrotado antes. Coloquei muita pressão sobre mim mesma e não conseguia dormir à noite”.

“Mas agora estou mais tranquila. Para mim, qualquer resultado está bom, porque não pode ser pior do que foi em Wimbledon. Depois daquela final, fiquei parada por uma ou duas semanas. Mas então percebi que realmente precisava me recuperar da derrota”, acrescentou a chinesa.

Já na decisão, em que derrotou Pushkareva por 6/4, 4/6 e 6/0, ela afirmou: “Foi uma partida difícil. É muito complicado se recuperar e levar o jogo para o terceiro set. Eu pensava: ‘No segundo set, joguei de forma muito passiva. Preciso mudar algo’. Tentei jogar de maneira mais agressiva e vi que estava realmente funcionando”.

Naná tem seu melhor resultado em Grand Slam

Entre os brasileiros, Nauhany Silva fez a melhor campanha em Grand Slam na carreira de simples ao alcançar as quartas de final, além de ir quebrando barreiras ao longo do torneio. A vitória na estreia foi a primeira do Brasil na chave feminina desde Marina Tavares em 2002. E ao vencer também na segunda rodada, tornava-se a primeira brasileira nas oitavas desde Miriam D’Agostini em 1995. Na sequência superou essa marca.

Caso tivesse vencido um jogo a mais, poderia se colocar ao lado de outras brasileiras semifinalistas de Grand Slam juvenil: Vera Cleto, Gisele Miró, Andrea Vieira e, recentemente, Victória Barros em Roland Garros.

Nauhany Silva (Foto: Marcelo Souto)

Nas duplas, Naná e Victória caíram na segunda rodada, superadas pelas gêmeas norte-americanas Annika e Kristina Penickova, que terminariam o torneio com o título, vencendo o segundo Grand Slam juntas.

O placar de duplo 6/0 contra as brasileiras chama atenção, mas foi um cenário atípico. Em dia de muito vento, Naná e Victória tiveram mais dificuldade contra o saque e as devoluções da canhota Annika. A partida teve games longos e chances de quebra para as brasileiras, mas as rivais prevaleceram nos pontos mais importantes.

Jogando juntas, Naná e Victória já foram finalistas de Wimbledon no juvenil e têm vitórias tanto pela equipe profissional do Brasil na Billie Jean King Cup quanto na edição inaugural do SP Open, WTA 250 em São Paulo, e têm tudo para seguir nos dando muitas alegrias nos próximos anos.

Annika e Kristina Penickova (Foto: Manuela Davies/USTA)
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Refaelov
Refaelov
14/09/2026 10:46

Senti falta de mais informações sobre o calendário do Guto pra esse final de 2026..

Haroldo
Haroldo
14/09/2026 13:43
Responder para  Refaelov

Ele falou que é o último torneio. Acredito incluir o profissional também. Iniciando 2027 bem treinado. Step-by-step

Rockton
Rockton
14/09/2026 09:34

Vamos torcer muito para o Guto, mas não parece que ele será um novo João Fonseca. Falta saber se ele tera as mesmas “forças extra quadras” (investidores, patrocínio, etc) que o Fonseca teve.
Fonseca (merecidamente) ganhou convite em vários e vários torneios, o que ajudou ele a subir no ranking, é claro que o Fonseca dentro de quadra correpondeu a esse enorme “trabalho ” fora de quadra para que ele subisse no ranking.
Vamos ver se o Guto vai ter essa “forca extra quadra” e, se tiver, se vai conseguir corresponder dentro de quadra.
Vamos torcer.

Gabriel
Gabriel
14/09/2026 11:48
Responder para  Rockton

Então, msm que o João viesse de título no US Open de 2023, ninguém imaginava que ele chegaria as quartas do Rio Open 2024 e tão rapidamente em Wimbledon 24, já estaria disputando o Qualy Profissional, e ainda na mesma toada célere, no AO de 2025 furou o qualy , ganhou do Rublev e o resto é história… Quanto ao Guto, essa primeira pré-temporada profissional vai dar um bom norte, ele deve receber e utilizar convites para os challengers sul-americanos do começo do ano, pode ser que surpreenda como o João e já acumule vitórias, ou, mostre que vai precisar de mais do que um ano no circuito de challengers. Mas nível para chegar ao ATP Tour ele tem sim, precisa esfriar a cabeça e aparar as arestas.

Rockton
Rockton
14/09/2026 13:07
Responder para  Gabriel

Qual a parte do “”é claro que o Fonseca dentro de quadra correpondeu a esse enorme “trabalho de quadra” Você não entendeu?

Haroldo
Haroldo
14/09/2026 13:46
Responder para  Rockton

O Gabriel te criticou? Ele só complementou o seu texto.

Glauco
Glauco
14/09/2026 08:17

Trofeuzinho ridículo esse do USO Jr. Aff…

Realista
Realista
14/09/2026 10:35
Responder para  Glauco

Pois é. Do tamanho de uma xícara. Kkk. Tudo bem que é torneio juvenil, mas podia ser melhorzinho esses troféus juvenis .

Paulo A.
Paulo A.
14/09/2026 07:21

Guto esteve longe de brilhante nesse US Open. Penso que a pressão de ser seu último torneio juvenil e desejar muito vencê-lo cobrou seu preço.
Ademais, ele vai precisar evoluir muito na parte mental que é decisiva entre os profissionais. Também acho que necessita de mais agressividade em seu jogo. Mas tem talento e é apenas um garoto, o tempo está a seu favor. Na torcida por ele.

Kario
Kario
14/09/2026 06:33

Qual o proximo torneio do Guto?

Gabriel
Gabriel
14/09/2026 11:50
Responder para  Kario

Deve jogar alguns challengers sul-americanos desse final de temporada, só no Brasil serão 3 (Curitiba, Floripa e Sauípe), além de diversos outros na região, acho que passam de 10 torneios.

Haroldo
Haroldo
14/09/2026 13:50
Responder para  Kario

Então ele disse que é o último torneio do ano, só parece ser somente no juvenil, mas talvez descanse e recomece em 2027. Step-by-step.

Marco Aurelio
Marco Aurelio
14/09/2026 01:46

Naná, Victória, Guto, e a menina Maria Eduarda: principais promessas da nova geração!!!!

JOSÉ PEDRO
JOSÉ PEDRO
14/09/2026 13:23
Responder para  Marco Aurelio

Eu incluiria a Lara Hass nessa lista

Haroldo
Haroldo
14/09/2026 13:51
Responder para  JOSÉ PEDRO

Acredito que no masculino tb irão aparecer mais nomes.

SANDRO
SANDRO
13/09/2026 22:37

Seriam as irmãs Annika e Kristina Penickova a futura versão feminina dos irmãos Bryan???

Luís Henrique
Luís Henrique
14/09/2026 09:23
Responder para  SANDRO

Das irmãs Willians a comparação é mais próxima

NFdS
NFdS
14/09/2026 11:20
Responder para  Luís Henrique

São gêmeas as Willians?
Além do mais essas meninas se dão melhor em duplas, como os gêmeos Bryan, que se dedicaram exclusivamente a essa modalidade.

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

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